De acordo com o Público e o Jornal de Notícias a marcha de hoje terá mobilizado entre 20.000 (dados da polícia) e 25.000 (dados dos sindicatos) docentes e educadores de infância.

Mesmo aceitando como bom o valor mais baixo, desculpem-me lá mas foi muita gente. Será que é desta que os apêndices ministeriais não desertam à última hora, legitimando as pseudo-negociações que estão em decurso?

Será que agora vão começar a dizer que eram os primos, cunhados e tias que estavam na marcha, como alguns quiseram dar a entender em alguns recantos da blogosfera, em busca de resposta a provocações rasteiras?

Será que o autismo é tal que os responsáveis governamentais não percebem que a sua atitude é errada, pura e simplesmente?

Porque mudar por si só não é um bem. Eu estou aqui sentado; se decidir atirar-me da janela que está por trás de mim, do 3º andar lá para baixo, é verdade que mudei, que me mexi o que até faz teoricamente bem à saúde, mas será que ganhei alguma coisa com isso?

A teoria do é preciso mudar porque mudar é bom é tão má como a do é preciso mudar para ficar tudo na mesma. É verdade que a nossa Educação tem muitos problemas, é verdade que as Escolas nem sempre funcionam, bem, é verdade que há docentes incumpridores.

Mas não será mais adequado identificar essas situações e combatê-las – para isso existe a Inspecção Geral de Ensino, quantas vezes “cega” ao que não quer ver, a começar por alguns apressados aliados destas políticas e as suas clientelazinhas particulares – em vez de lançar o anátema sobre toda a gente?

E o pior, mesmo o pior, é aquela forma de aliciar alguns para dividir uma frente alargada de protesto, prometendo umas migalhas envenenadas para tentar abrir brechas. E há quem vá nisso, pois há quem se venda e à sua consciência por pouco.

Foto de JMC