A minha mão, as nossas mãos aprenderam a escrever guiadas pela mão de uma professora. Assim: a professora começava por ensinar as crianças a pegar na caneta, colocando-lha entre o indicador e o polegar, e depois era a sua mão que, sobre os dedos infantis, os conduziam na execução dos movimentos iniciais (iniciáticos) da escrita. Momento delicioso, momento doloroso esse em que a nossa mão ansiosa e ambiciosa iria traçar letras legíveis sobre o papel, mas logo emperrava, desajeitada, desesperada na impotência da sua tacanhez e da resistência do aparo. (Natália Nunes, Memórias da escola antiga. Lisboa: Didáctica Editora, 1981, p. 30)