… sendo ou não a alma pequena, desde que sirvam para demonstrar uma posição.

Não sou um exemplo a seguir, pois nunca fui e não penso vir a ser sindicalizado, raramente aderi a uma greve e lamento confirmar que é extremamente difícil apanharem-me em qualquer tipo de ajuntamento de cariz político ou outro. Mesmo concertos musicais cada vez vou a menos em grandes estádios ou pavilhões e jogos de futebol então é coisa quase impossível, mesmo nos estádios novos. São feitios, fastios com aglomerados humanos que, não sendo fobias, são no mínimo manias.

Não sei, portanto, se conseguirei participar na marcha do próximo dia 5 de Outubro, antes de mais porque até à véspera andarei com horários acelerados e apertados para entregar algo que, graças ás leis retroactivas deste país, se não for entregue implicará gastos adicionais.

Mas chega de desculpas pessoais. O que interessa é que muitos outros compareçam numa iniciativa que, por ser num feriado, não pode ser acusada de prejudicar os alunos ou servir para fazer “pontes” (a propósito, já pensaram que até o direito à greve fica gravemente lesado com as regras propostas quanto aos tais 97% de assiduidade obrigatória ás actividades lectivas para ser possível a progressão?)  ou todas aquelas pedradas que normalmente são atiradas – por vezes com razão – contra as iniciativas sindicais rotineiras.

Esta iniciativa parece colher o apoio de uma frente alargada de sindicatos, o que é extremamente salutar. É importante que todos, mesmo os que apareceram de geração algo espontânea com outros objectivos, percebam que o seu papel é o de representarem os docentes e as suas posições e não outros interesses de grupos ou meras estratégias pessoais de protagonismo.

E é muito importante que à mesa das negociações para o novo Estatuto de Carreira não existam desistências de última hora, em troca de migalhas negociais como é uso e costume em determinadas agremiações que de defesa dos professores pouco têm e de sindicatos deviam ter vergonha de usar a designação.

Não sou sindicalizado, já o afirmei. Mas não o sou porque considero que entre as cedências vergonhosas de alguns e as oposições monolíticas de outros, muitas vezes os professores foram tão vítimas da tutela como dos seus representantes, funcionando como carne para canhão de lutas que nem sempre respeitaram os seus verdadeiros interesses. Lamento, mas é essa a minha opinião.

Mas é mesmo por isso que acho que, desta vez, seria necessária e indispensável uma concertação entre todos, sem ânsias de liderança ou de capitalização dos louros da eventual “não derrota” (eu e muitos colegas com quem falo já temos dificuldade em achar que podemos ter uma vitória, chegando por agora um empate sem golos na própria baliza). Porque o que está em jogo desta vez é muito mais do que o habitual 1% em negociações salarias ou mais umas centenas de lugares nos quadros.

Neste momento está em jogo a carreira e a dignificação das condições de trabalho de, no mínimo, uma centena de milhar de docentes. Se essa não é uma causa para todos os senhores nossos representantes deixarem de lado as suas questiúnculas e disputas particulares, então nada conseguirá fazê-los perceber para que servem.

Que na próxima semana pelo menos as bases enviem o sinal indispensável para que neste país não continuem a entregar a condução das políticas educativas a aspirantes de feiticeiros, que se protegem atrás de campanhas de desinformação e menorização do trabalho alheio.