Nas suas memórias como professor nas escolas públicas de Nova Iorque, Frank McCourt relembra a dado passo como se tornou um professor substituto, depois de uma interrupção na cerreira e de uma falhada tentativa de doutoramento na sua Irlanda natal. Claro que o contexto é diverso do nosso, mas há pontos de contacto interessantes apesar dos 35 anos de diferença e do oceano pelo meio.

«Algumas escolas precisavam de mim quando os professores eram chamados para longos períodos como jurados. Eram-me atribuídas aulas de Inglês ou o que quer que o fosse necessário: Biologia, Arte, História, Matemática. Professores substitutos como eu flutuavam algures nas franjas da realidade. Eu era questionado diariamente, E quem és tu hoje?

A Senhora Katz.

Oh.

A era isso que eu era: a senhora Katz ou o senhor Gordon ou o senhor Newman. Nunca eras tu próprio. Eras sempre um Oh.

Na sala de aula não tinha autoridade. Alguns reitores assistentes diziam-me o que ensinar, mas os estudantes não davam nenhuma atenção e não havia nada que pudesse fazer. Os que vinham ás aulas ignoravam-me e tagarelavam, pediam para sair, repousavam as cabeças nas mesas e dormitavam, faziam voar aviões de papel, estudavam outras matérias.

(…) Os reitores e os seus assitentes olhavam desagradados quando me viam sentado lendo o jornal ou um livro numa aula semi-deserta. Diziam que eu devia estar a ensinar. Era para o que tinha sido contratado. Eu ensinaria de bom grado, dizia, mas esta é uma aula de Física e eu tenho uma formação em Inglês. Eles sabiam que era uma questão tola, mas eles eram supervisores e tinham de perguntar: Onde estão os miúdos? todos em todas as escolas sabiam a regra: Quando vires um professor substituto, run, baby, run. (Teacher Man, pp. 178-179)