Voltando ao suplemento oficioso do Ministério da Educação na Visão de 5ª feira e muito em particular ao press-release ministerial assinado por Paulo Chitas, houve desde o início um detalhe estatístico-visual que me deixou curioso.

Logo na p. 10 existe um gráfico de escala dupla onde se compara a evolução entre o número de docentes e alunos nos últimos 15 anos, apesar da diferença de nºs absolutos. Esta forma de apresentar os dados é atractiva pois, apesar da diferença nos números, permite comparar as respectivas evoluções. É claro que as duas escalas devem ser proporcionais para tudo correr bem e não se distorcer demasiado a leitura.

Em boa verdade o melhor método teria sido reduzir a índices os valores dando o valor 100 ao início ou à média da série e fazer um gráfico de escala única, mas este método também é admissível.

O meu problema foi quando reparei que as escalas não eram exactamente proporcionais, pois a base de uma escala (dos docentes) tem um valor equivalente a 62,5% do topo, enquanto na outra (dos alunos) esse valor é de 70%. Note-se que do lado esquerdo de quem observa os números da escala são pouco “naturais” se a ideia era equivaler o valor de 2.000.000 de um lado com o de 200.000 do outro; o normal seria que na base encontrássemos valores equivalentes (1.250.000 e 125.000 por exemplo), o que não é o caso. Na prática, isto significa que existe alguma distorção na relação entre as linhas.

Ora o que acontece se inserirmos os dados numa tabela em Excel, sem grandes sofisticações, mas apenas respeitando a proporcionalidade das duas escalas? Não é propriamente uma coisa extraordinariamente diferente, mas apenas subtilmente menos “agressiva”, pois as linhas em vez de acentuarem a sua divergência, parecem convergir.

O que podia dar a ideia errada, como é claro. E depois era chato, compreendo. E estragava um bocadinho o efeito pretendido.

Mas volto a recomendar o uso de índices com base no início ou na média da série. Dá um pouco mais de trabalho, mas é mais correcto e até podia ser que não fosse visualmente incómodo para a mensagem que o autor da peça quis transmitir desde a primeira linha.

Mas acredito que possa não ter ocorrido este tipo de subtileza no tratamento estatístico da informação disponível. É que malta como eu. formada em História, é conhecida por ter vastos conhecimentos nesta área, ao contrário da generalidade da população e dos jornalistas. Afinal, fizemos Matemática até ao 9º ano.

Paulo Guinote