No final de um peça da revista Sábado desta semana está o essencial de toda esta revisão do Estatuto da Carreira Docente no que se relaciona com a avaliação e progressão. Quais criérios de rigor, quais vantagens de uma hierarquização, qual meritocracia, qual nada.

O que interessa é cortar os gastos, que no topo são muitos, com o argumento que se vai pagar mais aos que iniciam a carreira, que cada vez serão menos.

Ainda se podia admitir um qualquer tipo de argumentação se houvesse honestidade nas intenções declaradas, mas tudo que se lança para fora é uma máscara para iludir a opinião pública.

O que interessa é cortar, cortar, cortar.

E quem delineia estes planos são os especialistas das Finanças e do Ministério da Educação para isso designados e supervisionados pelo Secretário de Estado Jorge Pedreira, pois é óbvio que à frente da pasta está apenas alguém para servir como testa de ferro e pouco mais.

Não admira, pois, a extrema dificuldade em defender publicamente, e em debates com contraditório real, uma política cujos fundamentos e elaboração passam por outras mãos, apenas se recebendo o digest final e os checkpoints da mensagem a debitar.

Paulo Guinote