«De um modo geral, os dados do inquérito realizado em 1997 mostram que os estudantes se encontram bastante satisfeitos com a escola, em particular com os conhecimentos e c ultura geral adquiridos e o conívívio com os colegas. Estes eram também os aspectos que em 1987 os jovens estudantes indicavam como aqueles que lhes proporcionavam maior satisfação. Mas de 1987 para 1997 a satisfação com aescola aumentou e não apenas nos indicadores referidos.

(…) Apesar de tudo, os índices de reprovação atingem todo o universo estudantil, mesmo os que, por herança, detêm fatias mais ou menos importantes de capital económico e cultural. Estes teriam mais razões ou condições para investir na escola e, contudo, também reprovam. Trata-se de um paradoxo. Tanto mais que estes elevados índices de reprovação coincidem com uma satisfação generalizada dos jovens em relação às várias dimensões da vida da escola. Vamos chamar-lhe o paradoxo dos jovens satisfeitos com a escola, apesar do insucesso escolar.» (José Machado Pais, Jovens Portugueses de Hoje: Resultados do Inquérito de 1997. Oeiras: Celta Editora, 1998, pp. 197, 2000)

Isto só pode ser um paradoxo para quem estuda a Escola de fora, do lado da Sociologia que não sabe o que fazer com os dados recolhidos, por falhar no conhecimento do contexto.

Há quem, apesar disso, acabe em Ministro(a).

Paulo Guinote