Na vaga dos últimos anos, este é um dos mais afamados livros que passa por aquele tipo moderno de ficção histórica que se farta de misturar época, com o pessoal na actualidade a investigar acontecimentos passados.

Neste caso, mistura-se uma teoria histórica vagamente credível (a existência de uma tabuínhas de barro com o Génesis relatado por Abraão a um jovem escriba), thriller policial com base em vinganças pessoais (contas a ajustar com base em crimes cometidos em campos de concentração nazis) e romance actual com um fundo político (o contexto de uma expedição arqueológica nas vésperas da invasão do Iraque) e uma pitada de crítica social e política (o roubo de antiguidades nos países do Médio Oriente).

A mistura é por vezes excessiva, embora as transições de épocas se façam com alguma eficiência. A intriga é interessante, mas o nível da escrita é que é um bocadinho pedestre (eu sei que li em castelhano que é uma língua nem sempre virtuosa), as personagens são quase todas estereotipadas, os diálogos meio rotineiros e a coisa fazia-se com menos umas largas dezenas ou centenas de páginas. Esta edição de bolso tem mais de 750 páginas e eu imagino a história bem contada em pouco mais de 500. Cansava menos os olhos e tinha passado mais rapidamente para o último do Steven Saylor.

Vá lá, com alguma boa vontade, leva 13 valores que no meu tempo ainda exigia uma ida a exame.

Paulo Guinote