Há muito que não acredito nelas, em especial quando são inexplicáveis.

Um episódio não tão recente quanto isso, passou pela consulta da página do Instituto de História Contemporânea da FCSH da Universidade Nova de Lisboa, onde na secção “Mestrado” se alinham teses defendidas naquela instituição que ganharam diversos prémios nacionais de investigação.

O engraçado é que faltam lá, no mínimo, três teses premiadas, todas elas em prémios lá identificados e em anos contíguos ou quase contíguos aos de outras teses lá referenciadas. Poderia ser coincidência, poderia ser que só destacassem investigadores do IHC, poderia ser que só destacassem trabalhos publicados. Poderia ser tudo, se não estivessem lá colegas minhas e meus que não são investigadores do IHC. Poderia ser tudo e mais alguma coisa, se os trabalhos em falta não tivessem sido todos publicados como foram. Poderia ser até coincidência não tivesse eu falado ao telefone com uma das pessoas que passou pelos corpos gerentes do IHC exactamente a propósito destas omissões, que pedi para corrigir. Poderia ser mesmo malandrice do coelhinho da Páscoa, se os três ausentes (João Esteves, eu próprio e Isabel Pestana Marques) não tivessem um traço comum, ao nível da orientação das teses, que os distingue com singularidade dos que merecem estar no Quadro de Honra.

Não gosto de processos de intenções, mas reconheço com alguma facilidade os tiques de reescrita da História (neste caso da Historiografia) quando os vejo bem defronte dos meus olhos. E como há hábitos passados que não se perdem, até sei qual a origem do mal.

Mas como também sou crente nas capacidades de regeneração e correcção dos erros cometidos, quando o são por mero acaso ou distracção, enviei o mail seguinte, para ver que resultado dá. Embora eu quase que adivinhe…

Caro(a)s colegas,

É sempre com algum contentamento, mas equivalente decepção, que consulto a v/ página e constato que diversos erros e omissões permanecem, mesmo depois de já antigos contactos telefónicos feitos por parte da Professora Cândida Proença para actualizar determinados detalhes relativos a publicações e prémios recebidos pelos alunos do Mestrado em História Contemporânea.

Partindo do princípio que consultaram a lista dos premiados desses mesmos prémios ou que fizeram uma pesquisa sumária na base de dados da BN sobre as teses em causa, continuo algo maravilhado por ser referida a atribuição em 1999 do Prémio Carolina Michaelis de Vasconcelos a Irene Pimentel e à sua tese, mas permanecer ignorada a atribuição do mesmo prémio nos anos de 1991 a João esteves com um trabalho sobre A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas ou em 1997 a mim próprio com o texto da tese Quotidianos Femininos (1900-1933).

Realce ainda para o facto de ambos os trabalhos terem sido publicados e, apesar de esgotados, nem por isso se terem volatilizado.

Numa área completamente diferente, é especialmente estranho que tenham deixado passar em branco a atribuição do prémio de Defesa Nacional à mestre Isabel Pestana Marques com o trabalho (publicado em 2002) Os Portugueses nas Trincheiras: Um Quodiano de Guerra.

Sendo que identificam o prémio de 1995 é no mínimo estranho que “falhem” o do ano seguinte.

Eu consigo encontrar um traço unificador a estes três (aparentes) esquecimentos, mas como não gosto de processos de intenções, vou-me ficar pela distracção e até acredito que a professora Cândida Proença não tenha transmitido os dados em apreço a quem de direito ou quem de direito não tenha ouvido com atenção. Até acredito que nas pesquisas para as referências incluídas no site tenham ficado pelo método do conhecimento próximo.

Mas qualquer pessoa dos corpos gerentes do IHC conhece perfeitamente, pelo menos, duas das três situações descritas.

Mas agora que têm a hipótese de corrigir os erros cometidos, não há razão para eles permanecerem.

Ou haverá?

Com os cumprimentos possíveis,

Paulo Guinote