Ainda antes de começar com umas leituras de ficção histórica convencional, fica aqui a proposta de uma leitura algo alternativa, mas em que a ficção histórica está presente a vários níveis, desde a intriga histórica propriamente dita que é evocada por um professor de História em crise pessoal e profissional, à própria história desse professor vítima do desinteresse dos alunos pelo ensino formal da sua disciplina e dos cortes na Universidade onde leccionava e que implicavam que o cargo de Chefe do Departamento de História fosse eliminado.

Como repararão é tema actual, mesmo se o livro remonta originalmente a 1983 (a edição nacional é de 1988) e decorrer na Inglaterra de Thatcher.

O livro é tanto mais interessante quanto mistura de forma muito hábil a evasão do professor para a narração aos alunos de histórias da sua família desde o século XVIII à reflexão sobre o papel do historiador ou do aspirante a…

Ficam aqui duas citações interligadas, mesmo se distantes uma vintena de páginas na obra em questão.

«Meninos, sempre vos ensinei que a história tem a sua utilidade, o seu objecto sério. Sempre vos ensinei a aqceitarem a carga da nossa necessidade de perguntar porquê. Ensinei-vos que nunca há fim para essa pergunta porque, como uma vez a defini (sim, confesso a minha fraqueza por definições improvisadas) a história é essa coisa impossível: a tentativa de fazer um relato com conhecimentos incompleto de acções que, elas próprias, foram realizadas com conhecimentos incompletos.

(…) Meninos, não deixem de perguntar Porquê. Não parem com os vossos porquês, professor? Porquê, professor? Embora seja mais difícil quanto mais vocês o perguntarem, embora seja mais inexplicável, mais doloroso e a resposta nunca pareça ser a correcta, não tentem fugir a essa pergunta – Porquê.» (pp. 88 e 104)