Pelo que me apercebo, felizmente sem ser por via pessoal, mas pelo que me é contado, o que a excelsa senhora Ministra da Educação conseguiu foi estabelecer um clima nas Escolas que eu nunca conheci de forma tão generalizada, em quase duas décadas de ofício.

A coberto da nebulosa legalidade das directrizes que chegam às Escolas para organização do próximo ano lectivo – que estranhamente assumem como adquiridas matérias ainda em discussão e que legalmente não têm qualquer base jurídica válida – algumas cliques detentoras do poder em muitos estabelecimentos de ensino estão a aproveitar para, em bom português, “fazer a folha” a todos aqueles que lhes desagradam e a preparar “arranjinhos” como não se viam há muito tempo.

É triste, brutalmente triste, que o desfecho da tentativa de moralização do sistema encetada por David Justino acabe neste absoluto descalabro, com portas e janelas escancaradas aos maiores desmandos por parte dos órgãos de gestão das escolas que continuam com deficientes formas de controle por parte de uma IGE que, em muitos casos, é formada por inspectores “verdinhos” e facilmente ludibriáveis, e sem limitação aos seus poderes, agora exercidos com o pretexto de ser a culpa do Ministério.

É só esperar pelo próximo ano, para comprovar o que acima se escreve.

Paulo Guinote