Ao que parece, há alguns dias a excelsa senhora Ministra da Educação colocou em causa a reportagem sobre violência nas Escolas realizada pela jornalista Mafalda Gameiro, acusando-a de ser uma “manipulação”.

A jornalista em causa responde-lhe hoje nas páginas do Público, com pés e cabeça, com ponderação e argumentos, coisa a que a desorientada Ministra que por enquanto ainda o é parece ter dificuldade em usar, preferindo as acusações descabeladas e, ela sim, as manipulações de dados estatísticos que apresenta em gráficos que ninguém consegue contrariar porque não se percebem quais as fontes e a fiabilidade.

Aliás, nunca até hoje a dita Ministra apareceu, em que ocasião fosse, em defesa da classe docente, antes parecendo ter-lhe uma permanente e doentia antipatia, um fastio inexplicável que a impede de – será que teve algum caso amoroso mal sucedido com alguém da classe ou de algum sindicato? – defender os professores seja em que situação for.

Eu dou aulas há quase duas décadas e já contactei, felizmente não em primeira mão ou pé, com situações como as descritas na reportagem e com algumas bem piores. Sorte ou azar, durante quase três anos tratei de todos os processos disciplinares na Escola em que me encontrava colocado. As agressões a colegas, funcionárias e docentes, não sendo o prato do dia, são situações recorrentes que só a senhora Ministra, no seu gabinete e nas teorias sociológicas que encaraminholam o seu intelecto, parece não conhecer.

Ora, se não conhece este tipo de situações, onde anda mal informada ou desconhece-as propositadamente.

Em qualquer dos casos anda mal.

Como de costume, prefere acusar sem fundamento quem tem uma versão diferente da sua. Fica-lhe mal, mas já vamos todos estando habituados.

Paulo Guinote