Que a senhora Ministra da Educação tenha problemas pessoais com dirigentes da Fenprof?

E eventualmente vice-versa?

Será legítimo tornar os professores a carne para canhão de vinganças pessoais mesquinhas?

É verdade que a greve foi precipitada, é verdade que em Lisboa havia dois feriados em volta (e o resto do país, não conta?), é verdade que os sindicatos foram habilidosamente empurrados para um calendário de negociações desvantajoso para acções de protesto, é verdade isso e muito mais, mas algo tinha de ser feito.

Não foi a melhor opção, é certo; é capaz de acicatar mais uma Ministra ressentida e claramente rancorosa com quem se lhe opõe, também percebo.

Mas, afinal, vamos comer e calar? Não será altura de a dita Ministra, que já cá não estará quando eu conseguir mudar de escalão, perceber que ela deve servir o bem público e não servir-se do poder que tem para tirar desforço de azedumes passados?

É que a forma como falou e olhou para os jornalistas quando hoje acusou a Fenprof de estar instrumentalizada pelo bicho-papão (é curioso que, logo por acaso, grande parte da direcção da dita sejam renovadores, ps's e bloquistas), revelou uma forma ínvia de fazer política e de se relacionar com os adversários, para a qual não há lugar no exercício duma função como a que ela desempenha.

Se é para fazer "cortes" que o assuma, não o oculte com estratagemas congeminados por equipas de estrategas políticos.

Haja paciência.

Paulo G.