Na revista Visão continua a campanha em favor da actual Ministra da Educação. É um direito que lhes assiste. Não nego o direito a ser bom pai, ou boa mãe, de família a quem defende a política da senhora e o gosta de expressar.

O que me mete alguma impressão é quem defende certas lógicas de funcionamento quando se plicam só aos vizinhos do lado. É o caso do opinador Pedro Norton que terá muitas razões para não gostar de sindicalistas – eu próprio aprecio poucos – e algum trauma infantil ou juvenil para tanto o encrespar contra a classe docente.

Porque a coisa é assim: como assinante da Visão desde o número 1 eu também gostaria de exercer a minha "avaliação externa" sobre os colaboradores e comentadores da dita revista e, dessa forma, manifestar de forma eficaz a minha discordância quanto à forma como o dito senhor gosta de perorar sobre o(a)s professore(a)s, sem que eu perceba exactamente de onde lhe vem tanta competência para esse efeito.

Escreve Pedro Norton  que Eduardo Prado Coelho já lhe chamou, em tempos, "cavalo" e que agora o apodou de "ignorante".

Eu discordo, pois acho que com o cavalo, animal nobre e inteligente, o citado articulista tem pouco em comum. Quanto a ser ignorante, isso não me preocuparia que a ignorância não é mal por si só, a menos que fosse um ignorante fanático, o que desconheço. O que me preocupa são aqueles que, ilustrados e bem informados, actuam e opinam como se de ignorantes se tratassem e optam por enlamear os outros com a lama que não gostavam que lhes atirassem acima.

É que, por este andar, eu também quero que nem todos os candidatos a opinador tenham direito a coluna regular na imprensa nacional e, para além disso, gostava que Pedro Norton perorasse sobre a eventualidade de, lá por eu conhecer um ou outro jornalista que troca a colocação de notícias ou análises por vantagens que não interessa nomear, eu indizisse que o PN faz o mesmo.

Porque ou há democracia ou comem todos pela mesma labita.

Paulo G.