Quinta-feira, 8 de Junho, 2006


Eu não me importo nada de ser avaliado. Aliás, até prefiro ser avaliado de forma diferente de muito boa gente que anda pelo ensino e não vale a pena sequer apontar o dedo.

Gostava era de saber que quem me avalia tem competência e valor para isso. E mesmo a solução transitória de nos 3 anos sequentes à aprovação deste ECD, se for o caso, só poderem intervir na avaliação de acesso a professor titular docentes do ensino superior e/ou politécnico, em especial da região, distrito ou concelho, ou pessoas que o Ministério considere terem currículo para isso, não me tranquiliza muito. Pelo contrário.

Pois eu sei o que vi quando fiz a profissionalização na ESE cá do distrito; em matéria de corpo docente, é melhor não me estender muito sobre a absoluta inépcia de algumas pessoas que tinham por missão "profissionalizar" e avaliar gente, na altura, com uma década ou mais de ensino.

Mas o que mais me incomoda é que, por decreto, o Estado decida quanto professores podem ser Muito Bons ou Excelentes. Ou seja, querem que todos elevemos o nosso nível e nos tornemos bons, mas não nos concedem autorização para isso. A lógica deixa-me confuso, pois parece revelar o receio do sistema estar cheio de óptimos dicentes, o que é algo contrário à imagem que a Ministra transmite da classe do(a)s professore(a)s, gente incapaz de elevar o nível do sucesso escolar.

Será que não quererão aplicar esse método às classificações dos alunos? Dentro do género, este ano, só podem ser atribuídos 10% de níveis 5 e 15% de níveis 4.

O mais certo é o contrário, é definirem que não podemos, em caso algum exceder, tantos por cento de níveis negativos. Já faltou mais. Penso mesmo que, por este andar, é o passo lógico que se segue.

E já agora, se este método é assim tão bom, porque não consideram a hipótese de colocarem os utentes do SNS a avaliar os médicos, a qualidade do seu atendimento e os seus atrasos sistemáticos?

Ou os magistrados do Ministério Público, especialistas em processos que acabam arquivados?

Paulo Guinote

… de um bom professor.

Paulo Guinote

 

Este é o livro polémico de um antigo alto responsável pela Inspecção Geral das Escolas sob os governos de John Major e Tony Blair, que ajuda a perceber como muitos equívocos, mesmo que bem-intencionados, nas políticas educacionais conduzem a resultados desastrosos na prática.

Entre as questões que coloca estão temas tão actuais como:

"Porque é que um quarto de crianças de 11 anos passam para a Escola Secundária [em Portugal 3º ciclo] incapazes de ler?"

"Porque foram gastos milhões do dinheiro dos contribuintes em iniciativas que têm afundado os professores num pântano de papelada e burocracia e desnecessária?"

Isto e muito mais, num livro de 2002 que explica também porque muitas das mudanças que vivemos conduzirão inevitavelmente à decadência do prestígio da Escola pública e à fuga dos mais privilegiados para outras paragens.

Paulo Guinote