Passou ontem na RTP2, e julgo que na Rádio Renascença, mas não saiu hoje no Público, uma entrevista com a senhora Ministra da Educação.

Coisa cordata e cheia de boas maneiras, sem dificuldades de maior, com as jornalistas apenas a aflorarem algumas questões importantes e a não saberem confrontar a dita senhora com as suas informações e incongruências.

Por exemplo: a Ministra lançou para a mesa uns quadros com o aumento dos meios (humanos e finaceiros) disponíveis nas Escolas e a ausência de melhoria dos resultados. Daí extraiu implicita e explicitamente a conclusão que há um problema e que esse problema são os professores, maus executores das sucessivas belíssimas estratégias ministeriais.

Isto por entre uns àpartes sobre umas teorias organizacionais sobre a Escola colhidos em obras de sociologia de fornada média.

Claro que se a senhora percebesse mesmo algo de Teorias das Organizações saberia que se há mais meios e resultados iguais, isso significa em primeiro lugar uma estratégia errada de alocação e/ou utilização dos meios disponíveis. E numa organização isso não é responsabilidade de quem executa, mas de quem define a estratégia. Que neste caso é o Ministério, ou seja, que agora é ela que corporiza.

Mas nada como uns gráficos atirados para cima da mesa para dissuadir quem não está ali para pensar e alterar um guião previamente definido de entrevista. A senhora doutora Ministra safa-se sem que ninguém a contradiga e apresenta-se como facto o que não chega a ser um palpite, não passando de um wishful thinking não muito honesto, à moda das estatísticas sobre as faltas dos docentes que, depois de descascadas, se reduziam à falta mensal de cada docente a três tempos de aulas, o que não chega à sacramental falta por conta do tempo de férias.

Mas nos tempos que correm o jornalismo anda pobrezinho e se nem os factos são verificados, nem vale a pena esperar que se raciocine sobre eles.

Mas se estivesse lá alguém dos sindicatos, talvez não fizesse melhor, apenas produzindo mais ruído.

Infelizmente.

Paulo Guinote