Truques


Tenho hesitado – assim no vai-não-vai – em escrever mais sobre este tema, pois não queria entrar por territórios mais complicados para as versões oficiais – centrais e/ou locais – acerca deste assunto.

Mas, como já li algumas observações despropositadas sobre a falta de controle que os professores teriam sobre os alunos nas aulas ao ponto de andar tudo a feicebucar, decidi que há coisas que devem ser minimamente esclarecidas.

Vamos lá esclarecer uma coisinha… numa escola normal (desconheço os recursos das XPTO nesta área) há uma ou duas salas equipadas com computadores por forma a ser possível dar aulas com uns 2 alunos por equipamento (isto para além dos que existem nas bibliotecas escolares e para uso dos serviços administrativos ou dos professores nas salas). O acréscimo de ocupação de rede de 12-15 computadores não me parece passível de entupir a banda larga das escolas como querem fazer crer.

Qual é o maior problema?

É que há muitas escolas em que existem redes sem fios (não estou a falar das redes por cabo), a que os alunos podem aceder com os seus gadgets da moda. E usando os seus códigos pessoais de acesso à rede da escola para trabalharem nas aulas, em muitos casos conseguem aceder a essas redes e não são apenas 12 ou 15 de cada vez.

E, isso sim, é coisa para entupir a banda larga até porque os alunos info-incluídos já sabem como contornar rapidamente os bloqueios locais ou centrais às redes sociais e sites que lhes interessam.

… causado pela postura de avarento Tio Patinhas.

Governo estende rescisões com professores por mais quatro meses

As rescisões por parte dos professores pretendiam-se muito mais do que as que surgiram para ser possível:

- Amputar ainda mais os corpos docentes dos seus elementos mais experientes mas mais caros.

- Criar uma almofada para simular uma vinculação extraordinária de contratados de longa duração.

Se saíssem 8 a 10.000 seria possível vincular uns 2000-25000. Mas saindo apenas uns 2000-2500 é difícil, nas contas sovinas do MEC, vincular 500 ou pouco mais…

… mesmo se a vinculação é um imperativo legal e moral, para além de uma necessidade prática.

Crato admite vincular mais professores aos quadros

O ministro da Educação, Nuno Crato, admitiu hoje vincular aos quadros mais professores contratados com vários anos de serviço, embora sem avançar datas para um novo procedimento de admissão de docentes.

Estou mesmo a UGT de mão estendida para um acordo qualquer…

E, no fundo, a rendição à estratégia de Sócrates de empurrar a dívida para a frente… pagando mais juros.

Repare-se que os juros serão o dobro do que estava previsto… tudo para que em 2015 exista folga para encenarem uma redução dos impostos.

Governo adia pagamento de 6642 milhões de euros de dívida

(…)

O resultado foi conhecido depois de se saber qual a resposta dos investidores à proposta de troca de dívida realizada pelas Finanças. O Executivo sugeria aos detentores de três títulos de dívida pública com maturidade em 2014 e 2015 (com um valor total de 26.881 milhões de euros) que os trocassem por novos títulos com um prazo mais longo, em que o Estado apenas terá de amortizar a dívida em 2017 ou 2018.

De acordo com os dados agora fornecidos pelo IGCP (a agência que gere a dívida pública portuguesa), dos 26.881 milhões de euros totais dos títulos, 6642 milhões foram trocados, uma taxa de aceitação muito próxima dos 25%.

Reparem como o ciclo posterior (2016-18) fica sobrecarregado, voltando a aliviar em novo ano eleitoral (2019).

Divida-em-texto

… sendo que por plano B se entende não apenas uma alternativa para folgar as contas se o TC chumbar algumas passagens do OE mas também uma boa táctica eleitoral, que é adiar o pagamento de grande parte da dívida para depois das eleições de 2015, por forma a criar uma belíssima almofada para baixar os impostos durante esse ano (numa estratégia à Sócrates em 2009 com os aumentos na função pública) e depois voltar a apertar o torniquete em 2016 (se forem governo) ou lixarem os que vierem a seguir.

Portugal avança para nova operação de troca de dívida

Na terça-feira haverá nova operação de troca de dívida, que marca o arranque de uma nova tentativa de regresso aos mercados.

Orçamento do Estado classifica Angola como “paraíso fiscal”, dizem especialistas

Há más línguas que dizem que há mais gente mais interessada em colocar os seus colchões nos trópicos do que na Holanda.

E assim querem parecer magnânimos.

PSD admite subir limite mínimo para cortes nas pensões e salários públicos

Deve ser para fazer a chamada renovação com a malta com menos de 50 que está há anos a contrato, só que se entrarem como na vinculação extraordinária vão para o 1º escalão e não para o 4º ou mais como deveriam…

A ideia é menos decepar por completo a classe docente, elimiando todos os que tenham um salário bruto acima de 2000 euros…

Ministério enviou aos sindicatos propostas de rescisão com professores com menos de 60 anos

  • Possibilidade de uma prova de ingresso só com a ganga teórica com que o actual MEC gozava há tão pouco tempo e sem verificação dos conhecimentos científicos específicos, por certo para melhor determinar que “só ensina quem sabe”. Mas sabe o quê, afinal?
  • Um modelo de formação contínua em circuito fechado em que serão formadores, no fundo, quem já o era no modelo antes criticado por ser mau e insuficiente, em sistema de auto-financiamento para que o MEC possa fugir às suas responsabilidade de assegurar o que está legalmente estatuído.

A isto acresce um modelo de ADD que caiu no ridículo absoluto, pois finge-se que quem avalia tem capacidade acrescida para o fazer só porque está mais adiante na carreira ou alinhou – ou foi obrigad@ a alinhar – nas ridículas fases anteriores da ADD.

Isto faz-me lembrar não propriamente uma aristocracia falida a fingir que ainda é o que já foi mas sim um conjunto de arrivistas a tentar parecer o que nunca serão por falta de arte, engenho ou mesmo tostão, mas cheios de manhas.

(Mas o grande segredo está mesmo em retirar dos exames nacionais em especial a partir do 9º ano a malta do insucesso recorrente para depois dizer que foram estas reformas que levaram à melhoria sensível dos resultados ali por 2015. Tudo como dantes, porque somos todos ignorantes.)

Grupo 110 existem 88 Vagas Horário Completo …

Saúde esconde contas dos hospitais, Educação as da Parque Escolar

… só resta saber se o PR vai fazer acompanhamento como nos tempos do engenheiro e da ministra MLR.

Passos e Crato inauguram escolas já inauguradas

Em plena pré-campanha eleitoral para as autárquicas, o primeiro-ministro e o ministro da Educação vão inaugurar dois centros escolares em funcionamento há vários meses.

Estes truques nunca são abandonados por muito que se exaltem novos valores, novos ciclos políticos, novas práticas.

… que não são permitidos às escolas públicas.

A Associação Nacional de Escolas Profissionais (ANESPO) recebeu hoje do Ministério da Educação e Ciência compromisso de revisão do número de cálculo para constituir turma, que se fixa actualmente em 24 alunos.

O vice-presidente da ANESPO, Amadeu Dinis, disse que, na reunião de hoje no Ministério da Educação, foi apresentada uma sugestão ao secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, de “um mínimo entre 15 e 18 alunos”.

“Considerávamos que os 24 é um valor alto, porque, se baixava de 22 elementos, por desistência de alunos, o montante fixo por turma descia e havia uma penalização de 3,3 por cento no financiamento dessa turma”. “O secretário de Estado aceitou rever, mas não avançou com qualquer número”, afirmou Amadeu Dinis à agência Lusa.

Além do corte de cinco por cento nos escalões dos custos unitários em vigor para as novas turmas, o que resulta, segundo a ANESPO, num corte de cerca de cinco mil euros em turma/curso, outra questão abordada foi a relacionada com os alunos sem residência permanente em Portugal.

E é tudo “legal”.

Pub22Ago13

Público, 22 de Agosto de 2013

O Governo prepara-se para alterar de forma substancial as regras de financiamento do ensino particular e cooperativo, criando novas formas de contratualização entre o Estado e as escolas privadas. Uma das novidades é a introdução do contrato simples de apoio às famílias, o que abre a porta à introdução do cheque-ensino na escolaridade obrigatória. A medida consta da proposta de alteração ao regime jurídico do ensino particular e cooperativo, que está na fase final de discussão com os parceiros.

Há um lobby específico, que apoiou muito activamente alguns dos actuais governantes, que está há mais de dois anos à espera disto.

Não se trata de liberdade, mas de um mecanismo destinado a favorecer os mais favorecidos, pois os outros não terão hipóteses de aceder às melhores escolas e, como já tem sido amplamente demonstrado em outros países, esta é uma das medidas que, sem efectivos meios de regulação e defesa dos mais desfavorecidos, aumenta a segregação socio-educativa e aumenta as desigualdades de desempenho, não estando associada a melhorias de desempenho do conjunto dos alunos.

É uma medida de tipo ideológico, como, por exemplo, a nacionalização de um qualquer sector de actividade.

Mas uma medida de tipo ideológico que serve interesses e grupos de negócios muito específicos, com rostos, nomes, organizações, que defendem legitimamente os seus interesses e o seu acesso a uma parcela maior do orçamento do MEC.

(não vou por agora esticar a analogia ideologia/interesses com o caso do BPN…)

O curioso é que esta manobra está a ser habilmente colocada em prática ao mesmo tempo que se pretendem afastar os alunos problemáticos das turmas regulares para as vocacionais, isentando-os de fazer exames.

Depois, com essa purga realizada, os resultados médios melhorarão necessariamente e a relação será estabelecida com a introdução de mecanismos de alegada liberdade de escolha.

Esta é uma medida há muito esperada por um grupo de interesses na área da Educação que nem (em primeiro lugar) é o famigerado GPS.

Este tem alegadamente uma benção muito superior, mesmo se Ele combateu os vendilhões do Templo.

Este tem sido um trabalho de enorme paciência, cuja eficácia sou obrigado a reconhecer, mas que se baseia na deturpação de mais de um dos mandamentos canónicos, desde o logo o último deles que lá por ser o último não será o menos importante.

… ao que me está fielmente atribuído na peça do DN de hoje sobre a generalização do chamado ensino vocacional.

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E o que tenho a acrescentar é que há poucas pessoas no país que tenham criticado mais este tipo de soluções de produção acelerada de “certificação” do que Ramiro Marques e Nuno Crato durante os governos de José Sócrates, sendo especiais alvos seus governantes como Valter Lemos e a sua ideologia prática do sucesso a qualquer custo.

Ambos foram críticos acérrimos de todas as estratégias que consideravam facilitistas para concluir ciclos de escolaridade com cargas curriculares aligeiradas e durações encurtadas.

Em especial o Ramiro dedicou posts sobre posts ao que acusava de ser um laxismo de tipo socialista que encobria os problemas com soluções manhosas.

Ora… este vocacional a partir dos 13 anos para bi e tri-repetentes, quando a escolaridade se alargou para 12 anos, mais não é do que da criação de um corredor de 2º linha (vão para eles apenas os maus alunos) ao lado do regular que vai permitir certificar muita miudagem com cargas horárias aligeiradas das disciplinas problemáticas para o sucesso e um currículo em forma de leque de ofertas tutti-frutti na vertente vocacional, sendo claro que não permite qualquer certificação profissional.

Mas tudo bem… se fosse uma alternativa, ainda se percebia. Mas ao querer-se a generalização apressada (à moda das antigas experiências piloto dos tempos de Ana Benavente e do IIE que tantas críticas mereceram) de uma experiência piloto numa dúzia de escolas cuja avaliação nem sequer foi divulgada (mas terminará em estudo tipo-IIE) e de um modelo que pretende levar à extinção de outras vias, esperar-se-ia um maior cuidado do que o da “varridela” dos incómodos das turmas regulares.

Porque entre quem repete e tem dificuldades há vários perfis e isso tinha alguma correspondência na diferença entre as turmas PCA e CEF, que não deveriam ser apenas relativas à idade dos alunos mas também às suas dificuldades.

Ora… o ensino vocacional pretende homogeneizar tudo numa solução única, que visa despachar os alunos com insucesso o mais depressa possível para atingir metas de sucesso, no que pouco se distingue de medidas antes colocadas em prática pelos governos anteriores.

A ligação ao mundo empresarial é ilusória, pois estes alunos não podem legalmente trabalhar, sendo que a carga horária de formação em contexto de trabalho é demasiado elevada para ser mera “simulação”.

Ou melhor… é mesmo mera simulação. Aquilo que Nuno Crato e Ramiro marques tanto criticaram aos governantes socialistas facilitistas.

Eu também criticava e continuo a criticar.

Não chega criticar’ Há que apontar outro tipo de medidas?

Facilmente…

Bastaria retocar o funcionamento dos CEF e dar mais autonomia à estrutura curricular dos PCA, assim como reforçar as equipas dos SPO das escolas. Não era necessário qualquer grupo de trabalho, experiência-piloto, equipa de avaliação e mais umas coisinhas que afagam o ego dos que gostam de passear pelos corredores.

Florida’s Education Chief Quits Amid Report That He Changed a School’s Rating

Florida’s commissioner of education, a rising star in a national movement pushing for test-based accountability in public schools, resigned on Thursday after just seven months in office, after news reports surfaced that he had changed the grade of an Indiana charter school founded by a prominent campaign donor while he was the superintendent of schools there.

It’s a no-brainer.

Entre outras medidas mais ou menos avulsas:

  • Reduz-se a carga lectiva dos alunos, cortando disciplinas ou áreas disciplinares e não recuperando essas horas para as disciplinas das quais foram originalmente retiradas.
  • Retira-se da componente lectiva o que antes fazia parte dela.
  • Proíbe-se a abertura de turmas em escolas onde existem alunos para elas e professores para leccionarem, empurrando-os para a mobilidade.
  • (continua…)

Tudo tão simples que até admira como nem recuperaram ainda a tele-escola.

Número de professores declarados com horário zero é superior ao do ano passado

Espero que não passe de um boato…

João Daniel Pereira

Quem passou hoje pelas escolas públicas de Caldas da Rainha ouviu a história inacreditável: os nossos “colegas” do privado andam a telefonar aos encarregados de educação dos melhores alunos das escolas públicas para os convidar a conhecer, “ao vivo”, a sua oferta educativa…
Trata-se de uma táctica que revela a ânsia desmedida do lucro, confundindo os encarregados de educação com clientes e prometendo-lhes um produto que sabem que não é real, porque vive de tudo aquilo que não deve ser a Educação nem o serviço público de Educação.
A Educação não é um negócio!
Esperemos para ver que desenvolvimentos terá este caso porque tem implicações que nem suspeitamos…
Para recordar, há sempre quem não tenha visto, aqui fica a reportagem que colocou a nu o desperdício de dinheiro público e os vícios de alguns que, manipulando os encarregados de educação, os alunos, a opinião pública, enriquecem com o dinheiro dos nossos impostos.
Não nos podemos esquecer disto…
Por favor, partilhem com todas as pessoas decentes.
Não nos calaremos!

… alegando a ligação às empresas…

Formação em contexto do trabalho dispara nos profissionais

Governo quer aumentar de forma significativa o tempo destinado à formação em contexto de trabalho.

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