Sem Pachorra


Lisboa, 21 jul (Lusa) — O vice-presidente da Associação Nacional de Diretores, Filinto Lima, mostrou-se hoje “otimista” na forma como vai decorrer a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC), imposta pelo Ministério da Educação aos docentes contratados e agendada para terça-feira.

“Comparando com o dia de 18 de dezembro, na primeira fase desta prova, estou mais otimista [em que decorra sem problemas]. São poucos professores por escola que vão fazer a prova, há mais condições, neste momento, para que as coisas corram dentro da normalidade o que não aconteceu em dezembro”, disse em declarações à agência Lusa.

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A Associação Nacional de Dirigentes Escolares desvalorizou hoje a indicação dada pela tutela sobre os plenários sindicais à hora da prova de avaliação docente, lembrando que as reuniões podem realizar-se em estabelecimentos onde a prova não é feita.

“Estamos mais preocupados com a preparação do ano letivo e em garantir que as provas decorram com tranquilidade”, afirmou à agência Lusa o presidente da associação, Manuel Pereira, assinalando que os plenários sindicais podem realizar-se em escolas – do mesmo agrupamento – onde não se realizam as provas.

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Lisboa, 21 jul (Lusa) — O presidente da Associação Nacional dos Diretores Escolares (ANDE), Manuel Pereira, alertou hoje para as possíveis complicações nas convocatórias para vigilância da prova de avaliação dos professores contratados, agendada para terça-feira, devido ao período de férias.

“Tentaremos chamar apenas aqueles que ainda estão ao serviço, mas pode acontecer ser necessário interromper as férias dos professores”, admitiu, em declarações à Lusa.

Professores detectaram erro nos critérios de correcção do exame de Português

(…)

De acordo com a nova terminologia linguística, os actos ilocutórios dizem respeito às acções que se realizam através do simples facto de se dizer algo, numa determinada situação de comunicação, sob certas condições e com determinadas intenções, explicam as gramáticas. O acto ilocutório compromissivo tem como característica o facto de fazer recair sobre o locutor uma obrigação, o cumprimento de um determinado comportamento com o qual se compromete. No acto ilocutório assertivo o locutor afirma a existência de um determinado estado de coisas comprometendo-se com o valor de verdade incluído na sua asserção.

Isto é demasiada camioneta para a areia disponível.

O Iavé desconfirma e o seu dirigente máximo deve estar prestes a denunciar o lado lunar dos professores de Português que ousam detectar erros nas suas imaculadas provas.

Passo agora a uma outra falácia, muito em voga nas argumentações favoráveis ao sacrifício quase exclusivo dos trabalhadores do sector público, por serem “despesa”, e que se encontra muito na retórica de um Pires de Lima quando decide assumir as roupagens exclusivas do empreendedor.

2. É necessário cortar nos salários dos funcionários públicos, pois são “despesa”, porque no sector privado “já foi feito o ajustamento” e porque é deste sector que “depende o crescimento da nossa economia”, enquanto o Estado se limita a “absorver os nossos impostos” e os seus trabalhadores têm o lugar “seguro”.

Vamos lá por partes…

Em primeiro lugar, devemos relembrar com a devida intensidade que o primeiro “ajustamento” (e o segundo e o terceiro) se fez desde muito cedo (ainda antes da “crise financeira” de 2008) no sector público com o congelamento da progressão nas carreiras, por exemplo, dos professores. Só para quem anda nisto de má fé é que pode ignorar que esse congelamento, a par de um aumento do horário dos professores nas escolas, implicou uma desvalorização acentuada do valor da hora de trabalho, bem como permitiu reduzir desde os inícios do primeiro governo de Sócrates o número de professores nas escolas, apesar do aumento das tarefas a cumprir. Só alguém com muita falta de memória ou evidente falta de carácter pode dizer que não foi pelos funcionários do Estado que começaram os cortes salariais, sem hipótese de escapatória, aos quais se juntou o aumento dos impostos, pelo que foram aqueles funcionários a sofrer triplamente (redução salarial, aumento do horário de trabalho, aumento da carga fiscal) o famigerado “ajustamento. E desde 2010 a fórmula tem sido sempre a mesma…

Em segundo lugar, pode sempre considerar-se “despesa” o pagamento a funcionários que prestam serviços públicos que, caso não existissem, teriam de ser pagos pelos cidadãos ou, de forma indirecta pelo Estado (seja através de acordos na área da saúde ou com cheques e contratos na área da Educação), sem que esteja provado que isso melhoraria os ditos serviços ou permitiria poupanças às finanças públicas. O que é profundamente desonesto é apresentar aos cidadãos como “despesa” e, pior, como se fosse um encargo supérfluo o pagamento a profissionais que desempenham funções altamente qualificadas e sem as quais esses mesmos cidadãos teriam de pagar muito mais do que a parcela dos impostos reservada para essas áreas de acção do Estado. O que não é dito à população é que um “Estado Magro” ou, como gostam de dizer, mais racional e eficaz, se traduzirá inevitavelmente por maiores despesas particulares de todos, não compensadas pela descida dos impostos. Para além de que há serviços como a Justiça, a Segurança Pública, a própria Defesa, que só podem conceber-se como áreas a privatizar ou a assegurar pela “sociedade civil” num contexto de retrocesso civilizacional para níveis do século XIX. Quanto às “áreas sociais” (Saúde, Segurança Social, Educação) são a marca distintiva das sociedades contemporâneas, industriais ou mesmo pós-industriais, em que a regra do egoísmo do recebes-apenas-o-que-pagaste e eu-pago-apenas-o-que-quero-receber foi abandonada em favor de princípios de coesão e solidariedade social. Isto nem é uma questão de Esquerda/Direita, pois o alargamento das funções do Estado para estas áreas não foi exclusivo de uma corrente político-partidária, sendo mais a consequência de uma concepção de sociedade que pode ser partilhada por ideologias que, em outros campos, podem ser adversárias. O welfare state do pós-II Guerra Mundial não é, em muitos países ocidentais, um património exclusivo de uma “Esquerda despesista” como os tardo-tatcherianos nos querem fazer acreditar.

Em terceiro lugar, gostaria ainda de sublinhar que nada me entusiasma mais do que um sector privado empreendedor e pujante que alie os seus princípios liberais a uma prática coerente com tais princípios. O que a mim espanta sempre é que quem defende um radical liberalismo teórico, acabe quantas vezes a encostar-se ao Estado, seja para colocar pessoas de confiança em postos chave do aparelho político-administrativo, seja a angariar contratos e parcerias com o dito Estado, como se não fosse possível agirem por si mesmos e mostrarem o seu empreendedorismo de sucesso sem ser na base das PPP em que os negociadores públicos estão, sem período de nojo adequado, na administração das empresas a que concessionaram serviços ou com quem estabeleceram contratos em nome do interesse público e que se descobre estarem “blindados” apenas para um dos lados. O que eu considero “despesa” a sério e da gordurosa em múltiplos sentidos é o Estado pagar rendas de milhões que vão muito para além do serviço prestado a operadores privados, enquanto regateia tostões a quem presta um efectivo serviço público. O balanço dos últimos 10-15 anos é demolidor e trágico no que diz respeito ao que andamos todos a pagar em juros de dívidas contraídas de forma “engenhosa” para canalizar verbas da União Europeia, que raramente se traduziram em factores de desenvolvimento económico ou de aumento da produtividade nacional. Basta ver o investimento em alcatrão e cimento armado em direcção, quantas vezes, a nenhures, pois continua a faltar tudo o mais num país que se tornou tão assimétrico como há 150 ou 200 anos.

Regressando ao tema dos “ajustamentos”, para finalizar por agora, seria bom que se dissesse que a única estratégia que por cá se conhece é a do downsizing. Há menos lucros ou prejuízos? Despede-se pessoal, reduzem-se as operações, paga-se menos. O que quase nunca se faz? Responsabilizar quem tomou as erradas decisões de gestão porque, afinal, todos são amigos e todos sabem que quem hoje perdoa amanhã será perdoado.

E a culpa é sempre do mexilhão, privado ou público.

Adenda:

A dívida pública portuguesa aumentou 5.213 milhões de euros, para 225.897 milhões de euros, em abril face a março, devido ao financiamento concedido a três empresas públicas de transportes, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).

… mas a culpa foi sempre dos outros e das malvadas tentações.

Pub2Jun14

Público, 2 de Junho de 2014

… por parte de quem sabe que mente e insiste em mentir para esconder o essencial.

Vejamos apenas algumas mentiras que se tentam repetir e multiplicar como se fossem verdades, quando não passam de bojardas.

1. O país entrou em falência devido às despesas sociais, resultantes de direitos constitucionais que não podem ser mantidos.

A verdade é que o país entrou em derrapagem orçamental há muito tempo, mas não foi apenas por isso e nem terá sido principalmente por isso, mas sim pelo facto de se terem desenvolvido habilidades para encobrir buracos e mantê-los fora do “perímetro orçamental”, ao mesmo tempo que se apostava em obras em regime de PPP que diferiam no tempo os encargos, que se tornaram progressivamente mais incomportáveis.

Parece que muitos especialistas da treta (o Camilo Lourenço é o exemplo mais insuportável, mas há outros que se podem encontrar agora em promoção na Feira do Livro) e articulistas liberais se esqueceram que, desde os governos de Cavaco, se entrou em esquemas de “engenharia financeira” para fazer obras públicas nem sempre muito essenciais, com o argumento de captar verbas europeias, embora fossem necessárias comparticipações nacionais. Essas obras conduziram a bons negócios para quem emprestou dinheiro ao Estado e se alimentou, em especial com Sócrates, de negócios em regime de PPP que não faziam entrar muita despesa nos OE daqueles anos, atirando tudo para mais tarde. Também se parecem esquecer que muitas outras despesas ficaram fora do tal “perímetro orçamental”, mas que eram conhecidas por toda a gente e mais alguém, como os défices das empresas públicas de transporte, não apenas por causa das despesas operacionais, mas em especial por causa das negociatas financeiras desenvolvidas por administrações constituídas por gente que acabou no actual desgoverno.

A verdade é que, durante bastante tempo e de forma a alimentar programas sucessivos de Medina Carreira com gráficos coloridos muito dramáticos, o peso das pensões e dos salários públicos pareceu descomunal porque dos orçamentos estavam desaparecidas muitas outras despesas… desorçamentadas, atiradas para o futuro ou, como no caso do BPN e outras negociatas de contornos muito opacos, porque os decisores políticos decidiram servir de almofada aos “empreendedores de sucesso” que não passavam de aldrabões com fatos de bom corte.

Agora querem-nos fazer crer que a crise orçamental é resultado das “funções sociais” do Estado e que ele deve ser reformado para se tornar “sustentável”. Mas escondem que o que desequilibrou em definitivo as contas foram os negócios comum ao Centrão e aos partidos do “arco da governação” que, em situações cirúrgicas, também beneficiaram (ou beneficiariam no futuro) algumas clientelas fora desse “arco”, em virtude do trajecto do TGV, da implementação de um novo aeroporto (afinal… era mesmo necessário?) e de outros esquemas relacionados com a alteração do uso dos solos por esse país fora.

A treta, é que há meia dúzia de anos os jovens galambas eram todos favoráveis a estes esquemas e agora gritam que eles são isso mesmo, meros truques, com a conivência do Banco de Portugal e da Presidência, ou seja, com o mesmo tipo de conivência de que beneficiaram os governos que apoiavam. Se Carlos Costa faz fretes sucessivos a este governo nas suas posições públicas, Constâncio fez o equivalente ao longo do seu mandato com os governos anteriores.

Comparem os encargos dos juros da dívida contraída para negócios validados por muita gente que agora sabe tudo com aquilo que se paga de pensão a milhares de portugueses e venham-me dizer que são 700 ou 800 euros de reforma que dão cabo das contas do Estado.

E, já agora… relembremos o comportamento “corajoso” de um certo PM que chegou ao poder a dizer que estávamos de “tanga” mas que fugiu à primeira oportunidade e de outro PM que chegou ao poder combatendo uma anterior líder do seu partido (Manuela Ferreira Leite) que tinha explicado que a situação era o que se foi sabendo, mas que ele (Passos Coelho) afirmava ser uma forma errada de encarar as coisas.

Em resumo, mentiu para chegar ao poder e ele – e quem o rodeia – sabe(m) bem disso, mas… a mentira tornou-se uma forma de estar… igual à dos que antes criticavam.

Em que não há um pingo de vontade para:

  • Palavrões e arrotos à brut@, fora e dentro do recinto escolar.
  • Papás e mamãs que acham que o seu carrinho é o único nas redondezas e que precisam de espaço de quarentena à sua volta, enquanto falam e falam e falam ao telemóvel.
  • Jovens adolescentes que acham que o mais giro é fazer asneira com equipamentos públicos, fora e dentro do recinto escolar.

Depois há quem diga que um feitio intimidatório e tal. Tivessem e/ou soubessem dar educação e tudo seria mais fácil e doce para todos. Mas há gente que tem um ego, corrijo, uma falta de civilidade que… não há pachorra.

Portugal é uma referência mundial da educação financeira

… se é que alguma vez a tive para malta que quer fazer a revolução mas só ouviu falar da norma. Ou se a leu, não percebeu. Quando se parece querer exibir um doutoramento em hermenêuticas variadas do discurso escrito fica um bocado mal.

Carlos Moedas: “Queremos que todos saibam que não vamos parar”

Só não são iluminados progressistas quando dizem que no tempo deles havia 412 alunos na sala e eles chegaram a doutores.

E até se lembram dos que vinham a pé para a escola, por veredas e descalços ou quase.

Esquecem-se é dos 397 que chumbaram que nem tordos e dos 312 que actualmente estão desempregados ou precários, apesar de mais de meio século de vida.

São aqueles que acham que se o futuro não for todo feito de coisas novas e sinergias e progressos e avanços e racionalizações e eficácias e economias de escala e muitas coisas assim é porque se é conservador, anacrónico, quiçá mesmo salazarista.

Já o ouvi algumas vezes, pelo que sei do que me queixo.

Durante a audição no parlamento, Nuno Crato disse que há muitas áreas no Ministério da Educação onde vão ser feitos mais cortes. No Documento de Estratégia Orçamental (DEO) o ensino básico e secundário terão em 2015 menos 112 milhões de euros, em comparação com o ano de 2014.

… dos sinais da insanidade alheia, própria de quem anda em busca de qualquer coisa que só quem tem fixações estranhas pode entender de forma aprofundada.

Isto não acontecia há uns meses, mas voltou. Alguém que espreita os horários lectivos alheios ou os compromissos marcados fora do domicílio para fazer telefonemas que ninguém atende, mas que insistem em acontecer.

Poderiam ser coincidências, mas é estranho que tenham escolhido a hora em que eu vigiava o teste made in Cambridge e a hora em que estava hoje a perorar no ISCSP, até por saberem que seriam ocasiões em que até o telemóvel estaria desligado e não apenas em silêncio.

Realmente… há gente a quem o sol na moleirinha faz mal. Assim como a chuva… ou o vento… ou o nevoeiro.

Claro que só se eu fosse muito distraído é que não percebia a ideia.

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O registo das ocorrências vai sendo feito – neste momento ao longo dos anos –  até ao dia em que me apeteça fazer uma visita às entidades ou autoridades competentes para determinar origens e padrões:evil:

 

Os cocós ficaram todos escondidos nos relvas.

Sujos, sujos, só quem não tem dinheiro para sabão azul e branco. Mas isso é porque não emigraram para agora poderem voltar.

Farto, fartinho de anunciarem que é graças ao governo que as temperaturas sobem em Maio e quando não sobem é porque o governo achou melhor que não subissem.

E cada vez estou menos interessado.

Não necessariamente nas coisas em si, mas sim nas sucessivas representações que delas são feitas.

Uma coisa é ser-se kantiano nestas coisas, outra um tardo-relativista pseudo-pós-moderno, em que tudo se resume a truques de linguagem e a “perspectivas” sobre os números.

Passos fala ao País no Domingo

Conselho de Ministros convocado para as 18h de Domingo. Após essa reunião Passos Coelho comunicará ao País a decisão sobre o pós-troika.

Comentário:

Assunção Esteves faz as pazes com Vasco Lourenço

(…)
Chegou 15 minutos depois da hora inicialmente prevista e foi recebida à porta por um afável Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril. “A ideia era vir almoçar mas não deu”, confessou antes de entrar no elevador com o coronel, que a levou para uma breve visita guiada pelo edifício da Associação, na rua da Misericórdia, em Lisboa.

Nas escolas, nas salas de aula, ensinando os conteúdos, disciplinando, motivando, conseguindo sucesso, dinamizando aprendizagens. Há quem saberia disciplinar uma sala e despertar aprendizagens rigorosas e há quem conseguiria motivar os alunos para desenvolverem aprendizagens relevantes.

El@s.

Os que não colocam os pés numa escola sem ser em modelo VIP.

Que nem se aproximam de uma sala de aula, sem ser por ouvir dizer.

(também os há ainda pelas escolas, mas em muitas já rareiam, ou encostaram-se a coordenações e outras coisas boas disponíveis… mas sempre prontos para dar lições acerca do que fazem muito pouco)

Se quisessem muito, há sempre voluntariado disponível. Não se esquivem com faltas de autorização.

Não é que seja um inferno, é apenas um tema sobre o qual falam de cátedra e dão lições a quem, pelos vistos, não souberam ensinar.

Porque é que os professores não mudam as práticas dentro da sala de aula?
Os professores foram ensinados de determinada maneira e tendem a replicar o modelo que conhecem. Por outro lado, esta forma de estar na escola tornou-se tão natural que alguns professores até pensam que é a única. Mas não. Temos de ter consciência do que se passa na generalidade das escolas para perceber porque fracassámos e querer mudar. Porque há soluções.

A entrevista foi publicada em 2012 mas, sabe-se lá porquê, foi recuperada nos últimos dias e colocada online mais de um ano e meio depois.

Já sei… as intenções são sempre as melhores, mas nunca se conseguem evitar os momentos em que se resvala para a culpabilização do costume.

… mas vamos ter de esperar pela recompensa que a espera no final do mandato.

Ministra das Finanças diz que emigração pode trazer benefícios ao país

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