Sem Pachorra


Há coisas que se lêem e ouvem, mas que é quase impossível acreditar:

Os ex-ministros da Educação Maria de Lurdes Rodrigues e David Justino defenderam ontem que critérios de seleção de professores como “nota” e “anos de carreira” são o «grau zero da inteligência», estão «desregulados» e levam à «batota».

Então expliquem-me umas coisas:

  • Anos de carreira permitem “batota” e subcritérios da treta, feitos à medida, não permitem?
  • A “nota” é um factor de desregulação? Então, na última década, o que fizeram ambos para “moralizar” a forma de funcionamento dos cursos de acesso à docência e respectiva avaliação? Vão refugiar-se na “autonomia” virtual do Ensino Superior?

A posição de DJ já a conheço e prefiro comentá-la quando tivermos hipótese de o fazer pessoal e publicamente. Já várias vezes concordámos em discordar sobre diversas matérias, sendo esta uma delas. Em meu entender, DJ tem uma posição teórica válida sobre isto mas que choca de frente com muitos aspectos da realidade.

Quanto à ex-ministra prevaricadora, seria tempo de ela pensar no que diz, exorcizar os seus demónios de juventude e reduzir no disparate:

«Quando se institui como critérios de base para recrutar a nota de curso e tempo de carreira, isto é o grau zero da inteligência no recrutamento», referiu Maria de Lurdes Rodrigues.

Para a ex-ministra de Sócrates, «ter mais anos de profissão faz toda a diferença» e «deve ser considerado mas de forma significativa», ou seja «os anos passados a dar aulas e não tempo de calendário». Como exemplo, apontou o de «um conhecido sindicalista» que «chegou ao décimo escalão da profissão com três anos de docência apenas».

A diatribe final contra o tal “conhecido sindicalista” já é coisa patológica. Se queria resolver esse tipo de situações, teve mais de 4 anos, mas a verdade é que acabaram os dois a fazer entendimentos convenientes para ambas as partes, mesmo se danosos para quem passou efectivamente anos a dar aulas.

Quanto ao resto, MLR poderia explicar-nos o que fez durante o seu mandato para valorizar efectivamente quem estava nas escolas e, de caminho, explicar porque usou como CRITÉRIO ÚNICO (só podiam concorrer docentes do índice 245 para cima) de elevação à categoria de titulares, com acesso por quotas, exactissimamente o tal “tempo de carreira” que agora considera o “grau zero da inteligência”?

Haverá, um dia, decoro?

Um pinguito de vergonha?

Um mea culpa? Pela metade ou por inteiro?

 

 

José Manuel Fernandes mete a cassete e vai de fazer o mesmo de sempre… acenar com o bicho-papão vermelho Mário Nogueira como se ele fosse: a) a personificação de todos os docentes; b) um intrépido e perigoso revolucionário que domina o MEC há anos e anos.

JMF sabe mais do que isto, mas, mesmo sabendo, insiste na ladainha costumeira daqueles que acenam com o espantalho do “professor comunista” a quem não interessam as criancinhas (excepto ao pequeno almoço).

A argumentação é chata, repetitiva e preguiçosa em extremo. Para além daqueles crentes ferrenhos na conspiração comunista global, só ao próprio Mário Nogueira este tipo de verborreia agrada, porque o catapulta para a glória, logo ele que tanto gosta de assinar entendimentos e acordos ao som de pizzas no corredor, quando não anuncia o fim de greves em decurso, com 24 horas de antecedência.

JMF escreve coisas em piloto automático como esta, que se poderia encontrar em qualquer recanto da mais básica blogosfera anti-profes:

A verdade é outra: as dificuldades, maiores ou menores, que há todos os anos por altura da abertura do ano escolar são uma consequência directa do gigantismo paquidérmico do Ministério da Educação, do seu centralismo e da sua obsessão monopolista. É também uma consequência de o foco das suas políticas ser há muitos anos os professores, as suas carreiras e os seus direitos, e não os alunos e as suas famílias.

Isto é falso – os direitos dos alunos passam por amesquinhar os professores e colocá-los de acordo com processos errados? – e todos sabemos bem que o MN nem tem qualquer voto na matéria desde que Crato decidiu desgovernar a Educação, recorrendo apenas à FNE como parceiro legitimador dos seus disparates.

Quanto ao “mastodonte”… que Nuno Crato (será que o seu amigo JMF se lembra?) ia implodir é apenas uma estrutura equivalente à de outras regiões (nem digo países) ou cidades do mundo “livre”.

E já repararam que quando fala de professores, JMF insiste em fulanizar em alguém que nem dá aulas, mas quando fala do MEC nunca personaliza seja o que for em Nuno Crato?

Para além de que JMF escreve coisas que são factualmente erradas, como as suas reminiscências do ano de 2004 e a resolução dos problemas desse concurso… alegando que nenhum computador aguentaria tratar a informação relativa a umas dezenas de milhar (é batota dar a entender que toda a gente concorreu… eu, por exemplo, não concorri… e qualquer bom computador aguentaria… o software é que estava bichado e é triste confundir o soft com o hardware) e omitindo por completo que a coisa “estoirou” com Maria do Carmo Seabra já como ministra.

Já agora, o sistema “centralizado” que eliminou os mini-concursos pode ter sido “negociado” com os sindicatos, mas não foi uma proposta destes.

Basta confirmar com o próprio DJ (e é assunto de que ele já falou publicamente muitas vezes), coisa que eu sei que o JMF pode fazer em muito pouco tempo.

JMF ou erra por problemas de memória ou engana-se por falhas de raciocínio.

Mas o mais grave é mesmo a preguiça, a imensa preguiça de tentar espantalhar as gentes com o Super-Mauzão-Mário, O Comunista, chefe da horda terrível de profes vermelhos façanhudos..

Fica mal, ao fim destes anos, usar este tipo de estratégia digna de uma sebenta dos tempos da Guerra Fria.

Mas a agenda política do Observador assim o exige…

 

É na Visão desta semana e alguém que leia. Eu não.

‘tá na net, meu, a kilar o time, meu, e apanha na mona com e-publicidade, meu. Cada vez c’um gajo (m/f/g) acede a um site, meu, tipo jornal, ainda fica mula (m/f/g) à nora p’a deletar a cena. Batata frita, meu!

 

 

MEC avança com bolsas de 1500 euros anuais para levar mil alunos para o interior do país

Secretário de Estado do Ensino Superior já assinou o despacho que aprova o programa +Superior. Já este domingo serão conhecidos os resultados do concurso nacional de acesso ao ensino superior.

Embora eles por vezes não entendam bem o que é “interior”.

A minuta que não era passível de alterações vai ser alterada.

Exmo.(a) Senhor(a)
Diretor(a) / Presidente de CAP
Escola /Agrupamento

Na sequência da nossa comunicação do dia 30 de agosto, considerando a necessidade de clarificar o texto da cláusula segunda da minuta do Acordo de Extinção do Vínculo de Emprego Público, tornando-o mais inequívoco, é retificado por aplicação do artigo 148.º do CPA.
Amanhã dia 4 de setembro de 2014 receberá uma nova versão, reforçando a informação de que a minuta não é passível de alterações, sendo apenas completada nos termos que ela própria prevê.
Fica assim clarificado que a compensação é aferida quer pelo valor da remuneração base correspondente ao escalão da escala indiciária do docente no mês de dezembro de 2013, nos termos do n.º 1 do artigo 4.º, quer pelo tempo de serviço apurado nos termos do artigo 5.º, considerando, também, o disposto no artigo 13.º, todos da Portaria n.º 332-A/2013, de 11 de novembro.
Assim, caso já se tenha verificada a assinatura do acordo seguindo a minuta anterior, deve V. Ex,ª convocar, de novo, o docente a fim de assinarem o acordo nos termos da nova redação.
Verificada tal circunstância, deve ser registada em ata a substituição de uma minuta pela outra, dando sem efeito o acordo assinado anteriormente (o qual deve ficar anexado à ata), sendo, no final, assinada pelas partes.
Deve, finalmente, ser enviada à DGAE cópia da ata, do acordo anulado e do novo acordo assinado.
Na circunstância de ainda não ter sido assinado o acordo na minuta que é substituída, deve ser utilizada aquela que amanhã dia 4 de setembro de 2014 se enviará, remetendo cópia a estes serviços.

Com os melhores cumprimentos,

O Diretor-Geral da Administração Escolar

Mário Agostinho Alves Pereira

ExpEcon30ago14Ainda hoje falava nisto, para uma peça de um jornalista alemão sobre o encerramento de escolas e o despovoamento do interior… que é o mau hábito que os portugueses terem da História uma visão mi(s)tificada e instrumental, usando-a e muito em particular aos Descobrimentos como argumento para uma representação idealizada de si mesmos e do seu passado.

A verdade é que os Descobrimentos (e a Expansão) não foram uma “empresa” consensual, que despertasse o entusiasmo “nacional”.

Tudo isso é mentira e tem um valor historiográfico nulo, fora de tertúlias amadoras ou profundamente nacionalistas.

Como “empresa”, os Descobrimentos tiveram muitos problemas, seja nas fases de “planeamento central”, seja naquelas em que vigoraram, já então, uma espécie de PPP.

Houve planeamento, às vezes, houve sorte, muita em muitos casos, e certamente algum engenho.

Mas… querer usar – nem que seja com todas as ressalvas de anacronismo – nos tempos actuais, pela enésima milionésima vez, o exemplo de um “projecto” como a “Empresa dos Descobrimentos” para servir de modelo estratégico para o desenvolvimento do país é uma mistura que já chateia de bacoquice e ignorância.

Porque ignora que os Descobrimentos foram feitos no tempo longo e que quando a Expansão mal tinha atingido o seu auge territorial, já o fracasso do modelo financeiro era evidente, exactamente pelas deficiências de um “planeamento” em que a ambição suplantou em muito as condições para a tornar sustentável.

Herdámos dos “Descobrimentos” uma mítica Idade Dourada que nos deixou falidos, com uma enorme macrocefalia no país e com um “tropicalismo oscilante”, mais dado a “miscigenações” do que a outra coisa.

Não conheço o articulista da crónica do Expresso Economia de hoje, mas nem parece dos piores exemplos nesta matéria (muito piores são os que dizem coisas destas e se firmam “historiadores”), mas aposto que é “economista de formação”.

E que tem bons e volumosos livros de História na estante, a começar pelos do Círculo de Leitores. Por abrir.

E nunca pensou ler, sequer, Gil Vicente.

 

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