Sem Pachorra


Inquérito BES: Teixeira dos Santos recusa influência de Salgado no governo socialista

 

Condições de vida recuam 17% numa década

Não sei como comentar isto, pois certamente uns acharão que salivo pavlovianamente, outros acharão que estou pejado de preconceitos e ainda haverá os que dirão que estou a, injustamente, meter vários governos no mesmo saco, sendo que houve uns bons e outros maus, de acordo com a situação e posição de quem olha.

Assim sendo, que comentem os reflexivos críticos, imparciais e imunes a qualquer mácula.

Vive lá no mundo dele, acha que tudo o que é inglês é bom, mesmo se o sucesso desta ou daquela academia não se reflecte no desempenho do sistema educativo no seu todo, cada vez mais desigual,

E depois escreve coisas como esta, a propósito da BCE (que ele confunde com “concurso de professores”) fruto de demónios muito particulares:

Parece relativamente compreensível que um sistema descentralizado e concorrencial funcione menos mal do que um sistema centralizado ou dependente de decisões políticas. Foi por isso que o modelo soviético faliu: porque assentava num modelo de decisão centralizado, em que os decisores locais não eram livres de tomar as suas próprias decisões — nem eram responsáveis pelos resultados das decisões que (não) tomavam.

Ora bem, se o sistema soviético faliu apenas por isso, estamos conversados quanto à profundidade da análise de JCE acerca deste ou de qualquer outro assunto.

Quanto se vai buscar o centralismo soviético para anatemizar qualquer coisa, mesmo que sem justifiação (o problema da BCE foi uma lógica de atomização mal aplicada), é porque vivemos encerrados na nossa cabeça, como penitência por eventuais pecados cometidos,  há demasiado tempo.

Para dizer o que todos sabemos e é útil ao desgoverno que seja dito para tentar apaziguar as gentes, tudo misturado com a treta da “captura do ministro pelo centralismo”?

Caro que haverá que se entusiasme do género “eh pá… até o Marques Mendes diz que…”.

O Marques Mendes diz o que, objectivamente, convém à Situação que seja dito, incluindo sobre um pedido de demissão do ministro que há semanas corre de boca em boca, mas só agora foi conveniente divulgar, após noticia do Expresso.

Umberto Eco escreveu A Ilha do Dia Antes; Marques Mendes faz os comentários dos dias antes. Por exemplo, na antevéspera já seriam escassa novidade.

Mesmo que acabe por falhar, não será de propósito.

Parece que está na moda o lugar comum do errar é humano e até parece que acertar é uma vergonha.

A malta já sabe que erra, prometam é que tentam acertar.

 

Há coisas que se lêem e ouvem, mas que é quase impossível acreditar:

Os ex-ministros da Educação Maria de Lurdes Rodrigues e David Justino defenderam ontem que critérios de seleção de professores como “nota” e “anos de carreira” são o «grau zero da inteligência», estão «desregulados» e levam à «batota».

Então expliquem-me umas coisas:

  • Anos de carreira permitem “batota” e subcritérios da treta, feitos à medida, não permitem?
  • A “nota” é um factor de desregulação? Então, na última década, o que fizeram ambos para “moralizar” a forma de funcionamento dos cursos de acesso à docência e respectiva avaliação? Vão refugiar-se na “autonomia” virtual do Ensino Superior?

A posição de DJ já a conheço e prefiro comentá-la quando tivermos hipótese de o fazer pessoal e publicamente. Já várias vezes concordámos em discordar sobre diversas matérias, sendo esta uma delas. Em meu entender, DJ tem uma posição teórica válida sobre isto mas que choca de frente com muitos aspectos da realidade.

Quanto à ex-ministra prevaricadora, seria tempo de ela pensar no que diz, exorcizar os seus demónios de juventude e reduzir no disparate:

«Quando se institui como critérios de base para recrutar a nota de curso e tempo de carreira, isto é o grau zero da inteligência no recrutamento», referiu Maria de Lurdes Rodrigues.

Para a ex-ministra de Sócrates, «ter mais anos de profissão faz toda a diferença» e «deve ser considerado mas de forma significativa», ou seja «os anos passados a dar aulas e não tempo de calendário». Como exemplo, apontou o de «um conhecido sindicalista» que «chegou ao décimo escalão da profissão com três anos de docência apenas».

A diatribe final contra o tal “conhecido sindicalista” já é coisa patológica. Se queria resolver esse tipo de situações, teve mais de 4 anos, mas a verdade é que acabaram os dois a fazer entendimentos convenientes para ambas as partes, mesmo se danosos para quem passou efectivamente anos a dar aulas.

Quanto ao resto, MLR poderia explicar-nos o que fez durante o seu mandato para valorizar efectivamente quem estava nas escolas e, de caminho, explicar porque usou como CRITÉRIO ÚNICO (só podiam concorrer docentes do índice 245 para cima) de elevação à categoria de titulares, com acesso por quotas, exactissimamente o tal “tempo de carreira” que agora considera o “grau zero da inteligência”?

Haverá, um dia, decoro?

Um pinguito de vergonha?

Um mea culpa? Pela metade ou por inteiro?

 

 

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