Sem Pachorra


… que é aquele especialista do ISCTE, alinhado desde o primeiro minuto com a MLR, que tinha um observatório sobre a violência em meio escolar e que aparecia publicamente sempre a falar mais na excessiva vitimização de quem levava pancada e da necessidade de compreender os agressores do que em qualquer outra coisa. Pode ser uma caricatura minha, mas olhem que não é assim tão excessiva.

Mas não embirro com ele só por causa da sua sociologia do coitadinhismo, saída directamente de uma cartilha dos anos 60-70. Embirro com ele porque, no seu entender, a cronologia dos problemas na Educação e de um alegado silêncio sobre eles coincide de forma miraculosa com o momento em que o seu observatório deixou de merecer o carinho do ME(C).

Ora… eu, a nível muito pessoal, prescindo de quem só vê as coisas quando lhe convém. Uma espécie de ramiro às avessas… Porque eu lembro-me muito bem das críticas que ele fez aos professores em tempos da outra senhora, que foi aquela que colocou a escola pública no início deste caminho que ele agora acha mau. Lembro-me bem de tudo aquilo que ele achava ser a impreparação dos professores para fazer uma simples comunicação de ocorrência relativa a casos de indisciplina ou violência nas escolas.

É por estes e por outras que eu nem sempre gosto das companhias que aparecem a meio da avenida.

Pub16Jun13

Silêncio nos últimos dois anos? Só se foi no bar dos professores do isczé

Evitaria uma crónica-papagaio com opinião-eco a fazer lembrar os tempos de Sócrates quando, na falta de governantes credíveis, avançavam os opinadores com página reservada!

De Martim Avillez Figueiredo conheço diversas intervenções estimáveis pela sua prudência e cuidado em estar quase sempre do lado de um qualquer vento, mesmo que a coberto do epíteto muito na moda de liberal. Conheço – mas talvez seja injusto recordar isso – a sua experiência malograda como director do I.

Quanto a restaurantes, cruzei-me com ele no do Hotel Altis, numa manhã em que ele estava a falar baixinho com o Ferreira Fernandes e eu a desfrutar do breakfast de uma night out com a família.

Sobre Educação não lhe conheço qualquer pensamento especial, sendo que a partir desta edição do Expresso fiquei a saber da extensão da sua ignorância sobre o funcionamento das escolas e matrículas dos alunos.

MAFig8Jun13papagaio

Expresso, 8 de Junho de 2013

A verdade é que ele desconhece profundamente um regime que está longe de ser rígido, sendo até bastante flexível para a generalidade das pessoas que assinam com dupla consoante (sou mesmo um proleta sem escusa, para não ter recuperado o Guinot ancestral ou mesmo ter desfeito o acrescento do “e” por mais um “t” e ter ficado Guinott).

A verdade é que, excepção feita a questões relacionadas com a inexistência de vagas, as matrículas dos alunos no ensino Básico podem ser feitas em qualquer escola que os pais ou encarregados de educação demonstrem ser ~mais adequadas à vida escolar e mesmo familiar do seu educando.

Vejamos as regras para o ano que está a findar (despacho 5106-A de 12 de Abril de 2012, ainda disponível no Portal das Escolas):

3.2 — No ensino básico, as vagas existentes em cada escola ou agrupamento de escolas para matrícula ou renovação de matrícula são preenchidas dando -se prioridade, sucessivamente, aos alunos:
a) Com necessidades educativas especiais de carácter permanente que exijam condições de acessibilidade específicas ou respostas diferenciadas no âmbito das modalidades específicas de educação, conforme o previsto nos n.os 4, 5, 6 e 7 do artigo 19.º do Decreto -Lei n.º 3/2008, de 7 de janeiro;
b) Com necessidades educativas especiais de carácter permanente não abrangidos nas condições referidas na alínea anterior;
c) Com irmãos já matriculados no estabelecimento de ensino ou no mesmo agrupamento;
d) Cujos pais ou encarregados de educação residam, comprovadamente, na área de influência do estabelecimento de ensino;
e) Cujos pais ou encarregados de educação desenvolvam a sua atividade profissional, comprovadamente, na área de influência do estabelecimento de ensino;
f) Que no ano letivo anterior tenham frequentado a educação pré–escolar ou o ensino básico no mesmo estabelecimento;
g) Que no ano letivo anterior tenham frequentado a educação pré–escolar ou o ensino básico noutro estabelecimento do mesmo agrupamento de escolas;
h) Mais velhos, no caso de matrícula, e mais novos, quando se trate de renovação de matrícula, à exceção de alunos em situação de retenção que já iniciaram o ciclo de estudos no estabelecimento de ensino;
i) Que completem os seis anos de idade entre 16 de setembro e 31 de dezembro, tendo prioridade os alunos mais velhos, sendo que as crianças nestas condições poderão obter vaga até 31 de dezembro do ano correspondente;
j) Outras prioridades e ou critérios de desempate definidos no regulamento interno da escola ou do agrupamento, prevendo, entre outras, formas de desempate relativamente à opção entre diferentes estabelecimentos integrados no mesmo agrupamento, bem como en-
tre aquelas cuja matrícula ou renovação de matrícula tenha ocorrido depois dos prazos normais estabelecidos.

A verdade é que Martim Avillez (com dois elles) Figueiredo só come no mesmo restaurante se quiser ou se for demasiado preguiçoso para se informar.

A rigidez da matrícula à área de residência é muito relativa, por muito que digam o contrário. Não podem é estar 2000 alunos numa escola onde só cabem 1000, enquanto outras estão só com 500 porque os papás querem os filhinhos junto dos outros que também têm duplas consoantes enroladas.

O resto é a mesma conversa da treta de sempre dos especialistas em nada.

E não me choca uma opinião contrária à minha, desde que devidamente (in)formada. O que me chateia de morte é a ignorância, polvilhada com conversas de ouvir dizer, transformada em opinião sem direito a qualquer contraditório decente.

Nuno Crato critica sindicatos em entrevista à ‘Veja’

Em entrevista à revista brasileira “Veja”, o ministro da Educação diz que os sindicatos portugueses “nem sempre têm colocado as questões fundamentais e inadiáveis do ensino à frente das outras que pouco interessam à sociedade”.

Farto, farto, farto, farto destes abrenúncios em forma de [bip - bip - bip].

Hélder Rosalino: “Trabalhadores não devem estar preocupados”

O secretário de Estado da Administração Pública garantiu hoje que não haverá colocação de trabalhadores no novo sistema de requalificação de forma discricionária.

É que ele tem mesmo cara de alguém quem se pode confiar… ele e os que se lhe seguirão…

Com tanta aposentação, incentivos a saídas antecipadas e tudo o mais, para que é ainda isto?

E porque temos de aturar, de novo, António Borges a falar disto, como vi há bocado nos telejornais, a perorar sobre a ineficiência do Estado que lhe paga para ser eficaz em coisa nenhuma?

Estamos cheios de gente absolutamente sobredotada em fórmulas mágicas para a Educação. Basta irem umas semanas ou meses para qualquer lado e trazem logo ideias mais do que infalíveis… mesmo se algumas são incompatíveis entre si e outras são completamente desfasadas da nossa realidade.

Basta ver como no mesmo texto se defende menos alunos por turma num caso e mais no outro. Num sítio a descentralização, no outro a concentração.

Desde o século XVIII que temos uma sucessão de estrangeirados iluminados a cada viagem que fazem lá fora.

Apre… fica só o exemplo mais patético de todos, só faltando um a dizer que os maiores avanços na alfabetização são actualmente em países pobres em que as aulas funcionam, quantas vezes, em condições muito precárias.

Oito ideias para transformar as nossas escolas (quase um manifesto)

(…)
4.       Alunos por turma. Os professores japoneses são os primeiros defensores de um número elevado de alunos por turma. Quais as vantagens? Primeiro, mais competição, maior esforço dos alunos para se destacarem. Segundo, maior diversidade de ideias e discussões mais interessantes. O sistema japonês assenta num ideal de discussão e esta pode ser mais rica com uma turma maior. Terceiro, um número de alunos por turma elevado permite libertar horas para preparar as aulas e ter tutorias individuais com alunos. As turmas no Japão têm entre 35 e 45 alunos.

Os factos?

Bem… isso não interessa anda, desde que o escriba tenha tido umas conversas com alguém, lá pelos japões. Faz lembrar aquele Lourenço quando fala com um alemão sobre os seus gráficos.

Porque os factos, enfim, os factos são completamente ao contrário do que é afirmado, mas isso são pormenores.

Basta ver a evolução do ratio alunos/professor no ensino primário e secundário.

Já agora a evolução dos gastos por aluno.
.

Marques Mendes diz que Governo está paralisado e em fim de ciclo

… de um discurso pedestre. Não tenho pachorra.

… ainda gostaria menos do que o resumo que passou nos noticiários da TSF.

… exactamente ao que andam, como se posicionam no meio disto tudo e de que lado estão.

As declarações do presidente da ANDAEP, Adalmiro Botelho da Fonseca, são sintomáticas de uma das atitudes, a do abaixanço a tudo o que saia do MEC (seja qual for @ ministr@) e a do director como representante hierárquico da tutela das escolas e não o inverso.

Mesmo quando há director@s a dizer, de forma explícita, que o MEC não respeitou os mapas de vagas enviados pelas escolas.

Claro que as escolas podem funcionar com menos professores. Até quase sem professores. Basta um funcionário ir lá à sala colocar o computador e o projector para eles verem um vídeo da Khan Academy e ficam logo a resolver o teorema de Fermat no 5º ou 3º ano.

Claro que podemos, de modo informal, colocar os professores a dar na prática mais horas de aulas reais do que aquelas que o ECD determina.

Ouso mesmo dizer que as escolas poderiam funcionar sem directores. Aliás, acho que em vários casos funcionariam melhor.

Penso mesmo que poderemos falar disso, em Gaia, dentro de não muito tempo, se o convite se mantiver.

Marques Mendes diz que Passos quer CGD a financiar mais as empresas

E eu que pensava que o objectivo da CGD durante os últimos governos era apenas tapar os buracos do grande empreendedorismo financeiro nacional até ao prejuízo final que justificará a sua privatização.

E que os comentadeiros políticos de topo não serviam só para servir como moços de recados.

Há quem só veja as decisões jurídicas ou políticas na base do posicionamento partidário. Só encaram as coisas em termos de esquerda/direita, socialismo/liberalismo, PS/PSD e coisas assim.

Por mim, e para resumir pois sinto-me um bocado azedo com a curteza de vistas de quem da coerência tem uma visão “posicional”, quem se opôs aos desmandos legislativos de Sócrates só pode estar contra os desmandos legislativos de Passos Coelho.

A menos que não fossem os desmandos que tivessem em causa, mas quem os fazia. Ou o partido. Ou a ideologia.

Cá para mim um abuso de poder é um abuso de poder. Rosa, laranja, vermelho, verde, azul ou cor dos asnos quando resmungam.

Quem critica a ausência de garantias dos direitos individuais em regimes de matriz autoritária, estalinista ou fascista, não pode queixar-se da existência de um Tribunal Constitucional que tem como missão defender esses mesmos direitos, mesmo quando toma decisões chatas. Uma coisa é discordar (como eu discordei no ano passado), outra contestar a própria razão de existir.

Quem critica o arbítrio das ditaduras e dos absolutismos, não pode atacar uma Constituição só porque a considera pouco consentânea com os seus próprios ideais, pois abre a porta a quem faça o inverso.

Há realmente gente que tem da defesa dos princípios do Estado de Direito, como instrumento político de combate à selvajaria, uma visão muito própria e privada.

De um presidente que desencanta um de/da do arco da velha, uma pintelhice (catroga-staile) do camandro e depois diz que não se quer meter em nada.

Do vôvô Catroga. Entre ele e o tio Borges não se arranja um parágrafo em linha recta.

De todas aquelas reportagens, em especial no eixo Visão/Expresso, sobre o imenso sucesso dos portugueses lá fora, como se fosse a regra actual que os nossos emigrantes sejam curadores de museus, designers afamados ou arquitectos premiados.

Enganem-nos, enganem-nos, que nós gostamos e fingimos que não sabemos que isso é a ponta da ponta do iceberg.

O engenheiro e o clone, o coelhone e a da prateleira dourada.

Isto parece a roda real de Nápoles.

E aposto que esta não acham no google.

O divertido é que, como outro, fala como se não tivesse sido governante, mas mero espectador. Ninguém diria que foi duas vezes secretário de Estado nos anos 70 e duas vezes ministro já neste milénio, mais deputado e eurodeputado.

Mas não tem culpa de nada…

O eurodeputado socialista, que falava na conferência ‘Sociedade aberta e global: funções do Estado’, sublinhou que, neste momento, enquanto se discute o papel do Estado na vida das pessoas, ‘há dados que precisam ser recolhidos, há números que precisam ser conhecidos. Ou seja, é preciso fazer um diagnóstico’, afirmou.

‘’Não temos informação circular sobre o funcionamento da Administração. Cada membro do Governo atira um número. O primeiro-ministro disse que em dois anos tinha havido uma compressão de 60 mil funcionários. O Governo de José Sócrates, no seu primeiro mandato, reconheceu 55 mil postos de trabalho que foram substituídos através de reformas das pessoas. Portanto, estes números não se conhecem’, conclui o ex-ministro da Saúde do Governo de Sócrates.

A administração local é, segundo o socialista, onde está o maior desconhecimento. ‘Sabe-se muito pouco sobre a administração local. A administração central é muito culpabilizada mas a administração central tem tanto ou mais culpa. Meteu pessoal de uma forma indiscriminada. E isso não se conhece’, afirmou.

O ex-governante considera ‘necessárias’ as reformas mas lamenta a ‘falta de força e de capacidade de Governo de concretizar a concentração de municípios que era a parte mais importante e que não saiu do tinteiro’. Isto porque, acrescenta, ‘a única coisa que vai ser feita, a fusão de freguesias, não traz poupança nenhuma’.

Correia de Campos acusa mesmo o Governo de Passos Coelho de ‘ter medo e falta de coragem política’ para cumprir com um dos pontos previstos no memorando da troika no plano da reforma administrativa. ‘Não quer que lhe aconteça o mesmo que aconteceu a Passos Manuel no século passado que saiu passado alguns meses’, sintetizou.

Este blogue atravessa o seu enésimo período de decadência, por contraponto a nenhum de apogeu.

Assim decretaram os do costume.

Rantanplan

O meu problema com o rigor das Ciências Ocultas da Economia dos comentadores como o Camilo Lourenço é este: se toda a gente grita, que toda a gente sabe que não se deve gritar?

Quantos “toda a gente” cabe num “toda a gente”? Infinitos e mais além?

Vejamos, de novo, a coluna de Camilo Lourenço no Negócios de hoje (por 1,6€ tem de render um par de postas…):

Toda a gente grita. Não se consegue falar de ideias novas (reformas), sem reacções imediatas de condenação. Mesmo antes de as estudarmos. Ninguém pergunta “A medida faz sentido? O que fizeram países com os mesmos problemas que nós?”.

O importante é contestar.

(…)

A reforma do Estado é outro bom exemplo. Toda a gente sabe que cortes transversais (v.g. subsídios) são um erro monumental. Mas quando surgem as primeiras propostas para cortar despesa de forma selectiva, que têm de incidir onde gastamos mais (como Educação e Saúde), a resposta é, “Nem pensar”.

Mas quem é toda a gente?

Mas quem acusa Camilo Lourenço de apenas gritar e não apresentar propostas ou discutir números?

Sobre Educação, há quem tente argumentar com números e factos, mas a Camilo Lourenço só lhe li e ouvi platitudes de profunda ignorância sobre o sector. Claro que ele é alguém que sabe muito e basta enunciar axiomas e o seu verbo transforma-se em dogma. Ninguém pretende que ele desça a discutir números e factos com professorzecos do Básico.

Por exemplo, tenta-se demonstrar que são baixos os custos marginais de integração de alunos de turmas com contrato pago ao sector privado em escolas com professores com horário-zero e o que diz sobre isso Camilo Lourenço? Nada!!!

Tenta-se demonstrar que em diversos países a opção por modelos de “liberdade de escolha” baseados no cheque-ensino conduziram a resultados aquém do desejável (Suécia, EUA) e o que tem Camilo Lourenço a dizer? Nada vezes nada!!!

Apresentam-se dados objectivos de testes internacionais (PIRLS e TIMMS) sobre a melhoria do desempenho dos alunos portugueses em termos absolutos e em relação a países que querem que imitemos? Pior do que dizer nada, Camilo Lourenço prefere repetir chavões mais do que ultrapassados sobre a ineficiência do sistema educativo.

E de que raio de ideias novas é que ele está exactamente a falar? É que ainda não lhe descobri nenhuma ideia que seja mais do que diferente na forma às que conhecemos às mãos cheias em alguns estados americanos dominados pelo espírito tea party.

E depois… um tipo que escreve um livro com o título “Basta!” assim com ponto de exclamação e letras bem garrafais está a criticar os outros por “gritarem”?

Ele está a mangar com quem?

Basta2

Nem falo do Sporting e da inépcia do Fofinkel.

Falo do Catroga na SICN a comentar o descalabro da execução orçamental de Janeiro e do Carlos Abreu Amorim a elaborar em cima de uma cabeça de alfinete sobre o “de” e o “da” e a “alvitrar” que alguém na IN-CM terá alterado o texto da lei.

Mas o mais patético mesmo é, a propósito do Movimento Revolução Branca que interpôs as providências cautelares contra a candidatura de alguns autarcas, o brilhante democrata Amorim dizer que nos EUA um movimento com tal designação seria quase por certo proibido. Ainda estou a tentar perceber se o que ele insinuou +e mesmo o que parece… porque seria demasiado estúpido.

Este homem, em definitivo, não se enxerga…

Acabaram-se os assuntos do costume, desatou a hiperactivar sobre tudo e nada…

Relvas: Governo vai ter guião para as políticas da juventude

CAMA

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