Sem Pachorra


… para discutir as coisas com todas a gente ou quase, procurando fazê-lo com seriedade, mesmo se a partir de uma perspectiva que é a minha. Claro.

Não me lembro de ter recusado qualquer convite ou desafio por causa de quem convidava, por ser mais ou menos próximo dos meus pontos de vista. Recusei algumas coisas, quase exclusivamente por motivos pessoais ou familiares que me impossibilitavam a presença, a deslocação.

Porque sempre achei que quando se abandona o terreno do debate, da discussão, ele fica à mercê dos “outros”, daqueles de quem discordamos.

E porque há sempre a hipótese de se conseguir alguma coisa, inscrever alguma dúvida, mudar nem que seja ligeiramente uma opinião.

Brincando o q. b. dentro do possível.

Mas… a situação foi evoluindo cada vez mais para a pura cegueira, surdez, para conversas em circuito fechado, auto-satisfeitinhas em demonstrar apenas a sua posição de partida, quantas vezes com absoluta desonestidade metodológica e intelectual.

Tornou-se cada vez mais difícil encontrar quem discuta as coisas para chegar a um lado diferente daquele em que está, mas cada vez mais se encontra quem apenas procura enganar quem ouve ou lê.

Se isto é novidade?

Não.

Não sou assim tão ingénuo há umas boas décadas.

Só que agora já começa a cansar e cada vez mais me apetece responder com disparate ao disparate, à desonestidade com o gozo, à auto-congratulação com o silêncio.

Reagir a números de circo e fogo de artifício com castanholas e pegas de cernelha.

Phosga-se, parece que me vai chegando a sensatez…

… a malta entende que se a sua “confiança” nas pessoas se baseie em factores pouco objectivos e baseados apenas no pedigree exibido pelos fatos e gravatas.

O problema foi mesmo quando deixámos deslocar a discussão para o terreno da equiparação entre as regras de funcionamento do sector público, que faculta serviços de tipo universal a todos os cidadãos, e do sector privado, em que só tem acesso a algo que o pode pagar.

A partir desse momento, quando se prescindiu da regra fundamental que era o imperativo de não misturar tudo, a porta ficou aberta para que se utilizasse a lógica da pseudo-racionalidade económica e financeira, que se tornou o centro do discurso de economistas de pacotilha e de toda o séquito de gente incapaz de fazer mais do que replicar o que leu numa má tradução de um livro qualquer estrangeiro.

Que agora queiram mudar tudo, mais uma vez, numa nova revolução que se destina, no essencial, a subalternizar progressivamente a independência de quem presta uma serviço essencial à comunidade e ao país, colocando o interesse público ao serviço das lógicas e ganâncias privadas, já nem me aquece muita.

A narrativa recolocada em movimento é a do costume e há uma década (ou mais) que é a mesma.Já a ouvi em primeira e segunda mão, sei quais são os objectivos e resumem-se a aceitar de forma acrítica a agenda dos queirozes&muñozes para os seus colégios, que eles acham bem geridos, pois sobra folga para os stakeholders viverem bem e viajarem melhor.

Por isso, o “caso” GPS nunca os assustou verdadeiramente, mera onda ocasional num mar calmo que apenas atrapalhou as coisas por uns meses. Mais… a lógica vai ser estendida ao sector público de um modo radical, com base na mentira da ineficiências e mais resultados do sistema educativo, tudo com a anuência de um ministro Crato que parece ter levado uma lavagem cerebral quase completa.

Tudo beneficiando ainda da incapacidade dos “lutadores profissionais” entenderem que não se tira o tapete aos representados quando alguma coisa parece estar a funcionar e que sem um reforço de uma identidade de corpo profissional (em vez da opção pelo apelo a esvaziadas “lutas comuns”) não se conseguem “lutas” eficazes. E beneficiando da incapacidade de certos “actores” conseguirem redefinir o seu papel, de maneira a recuperarem (ou ganharem pela primeira vez) o respeito das audiências”.

Nem falo na UGT/FNE que se baldeou por completo – desta vez nem disfarça – para o lado da “responsabilidade”.

Já esteve mais longe o dia em que o copo acaba por transbordar.

A mim não caem quaisquer parentes na lama se acabar a servir bicas…

… para não ser atingido pela verborreia daqueles relvettes, borginhos, piresdelimazinhos e passinhos que irão aparecer a dizer que estas decisões vão colocar em causa a sustentabilidade dos seus empregos políticos e a reforma do Estado que consiste em passar para as empresas privadas dos seus amigos, empregadores presentes ou futuros funções que deveriam ser, sem vergonhas, um dever, mesmo que não monopolista, desse mesmo Estado que lhes paga as avenças.

Em declarações no Jornal da Noite da SIC, Miguel Sousa Tavares criticou esta noite o último episódio da crise no Banco Espírito Santo e que levou à queda da instituição. Para o comentador, “nem tudo foi feito” para salvar o BES e comparou a ação do Banco de Portugal nos últimos dias à de um “elefante numa loja de porcelanas”.

Já quanto a falar em paquidermes em lojas de artigos frágeis, penso ter MST toda a legitimidade…

… mas deveria existir um certo decoro nestas situações em que se está a emitir opinião sobre um patrono, um mentor, uma luminária pessoal que deu papel especial à organização a que se preside na ancestral disputa com a APM.

Isto é como o visconde de Alguidares de Baixo avaliar o conde de Todos os Alguidares, seu suserano.

EXP2Ago14b

Expresso, 2 de Agosto de 2014

De qualquer modo, nos meus tempos de Faculdade, com 13 ainda se ia a exame…

 

Lisboa, 21 jul (Lusa) — O vice-presidente da Associação Nacional de Diretores, Filinto Lima, mostrou-se hoje “otimista” na forma como vai decorrer a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC), imposta pelo Ministério da Educação aos docentes contratados e agendada para terça-feira.

“Comparando com o dia de 18 de dezembro, na primeira fase desta prova, estou mais otimista [em que decorra sem problemas]. São poucos professores por escola que vão fazer a prova, há mais condições, neste momento, para que as coisas corram dentro da normalidade o que não aconteceu em dezembro”, disse em declarações à agência Lusa.

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A Associação Nacional de Dirigentes Escolares desvalorizou hoje a indicação dada pela tutela sobre os plenários sindicais à hora da prova de avaliação docente, lembrando que as reuniões podem realizar-se em estabelecimentos onde a prova não é feita.

“Estamos mais preocupados com a preparação do ano letivo e em garantir que as provas decorram com tranquilidade”, afirmou à agência Lusa o presidente da associação, Manuel Pereira, assinalando que os plenários sindicais podem realizar-se em escolas – do mesmo agrupamento – onde não se realizam as provas.

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Lisboa, 21 jul (Lusa) — O presidente da Associação Nacional dos Diretores Escolares (ANDE), Manuel Pereira, alertou hoje para as possíveis complicações nas convocatórias para vigilância da prova de avaliação dos professores contratados, agendada para terça-feira, devido ao período de férias.

“Tentaremos chamar apenas aqueles que ainda estão ao serviço, mas pode acontecer ser necessário interromper as férias dos professores”, admitiu, em declarações à Lusa.

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