Protagonistas


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Expresso, 7 de Junho de 2014

Como com Costa, o problema são os “empurrantes”. Se é para servir de testa de ferro a oliveiras&rosas, mais vale ficar quieta e independente de quem sabe que não tem capacidade para fixar a atenção de um eleitorado. O que ela tem…

É sempre divertido encontrar estas velhas notícias e análises.

Já lá vão quase 25 anos, quando MRS se candidatou, a contragosto de Cavaco mas para alegria de Portas, à CML. Com os resultados que sabemos.

Para quem fala que o nosso país é pouco estável basta reparar como ainda são os mesmos – mais o pedrocas que nesta altura andava pela jota laranja – a construir boa parte da actualidade, só que mudando deposição relativa no tabuleiro.

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Independente, 30 de Junho de 1989

 

Guilherme Valente tem hoje, no Público, um artigo notável a vários os títulos, mas nenhum deles que me desperte especial afinidade.

Antes de mais, ao meter-se numa espécie de polémica com texto anterior de Maria Emília Brederode Santos, demonstra algo que vai sendo cada vez mais evidente e que é a enorme confusão que algumas pessoas fazem em torno de um conceito popularizado como “eduquês”, baralhando sistematicamente o que ele designava na formulação original e ocasional de Marçal Grilo – um discurso hermético, palavroso, redundante, alegadamente científico, em torno da Educação e destinado a dar a ilusão de só ser acessível a uma comunidade de iniciados, muitos deles ligados às Ciências da Educação mas também à Sociologia – e aquilo que alguns transformaram em práticas pedagógicas consideradas facilitistas por estarem na esteira da chamada “Pedagogia do Sucesso”.

Não tenho aqui tempo ou vontade para explicar em detalhe a Guilherme Valente que a intersecção entre teóricos e pedagogos palavrosos na tal “Pedagogia do Sucesso” não significa que o “eduquês” enquanto linguagem seja o mesmo que Guilherme Valente associa a práticas pedagógicas que ele considera erradas, não distinguindo retórica discursiva ou legislativa e prática pedagógica dos professores nas salas de aula. Mas esse “esquecimento” (do papel dos professores na tradução concreta das reformas) é muito habitual nos analistas comprometidos com uma determinada situação política.

Teria de lhe relembrar escritos que ele certamente conhece que remontam ao Movimento Escola Moderna e aparecem mais em força desde finais dos anos 60 e inícios dos anos 70 ligados ao Centro de Investigação Pedagógica da Gulbenkian e mesmo à reforma Veiga Simão. São textos críticos das pedagogias dirigistas dominantes da altura e que só num segundo momento são utilizados como fundamento para uma outra vaga de autores, mais sociólogos do que pedagogos, de que podem ser exemplos Stephen Stoer ou Boaventura Sousa Santos que criam um aparato conceptual de matriz pós-moderna destinado a cobrir muito do relativismo que enxameou posteriormente alguns sectores das Ciências da Educação.

A História desta deriva desde os anos 80 não cabe neste post que, para além disso, se destina a sublinhar um outro aspecto, certamente notável para mim porque confirma algumas das coisas que escrevi neste últimos dois anos, das políticas de Nuno Crato e que passa pela continuidade.

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Guilherme Valente é muito claro e, em meu entender, muito útil ao explicar que as políticas do seu amigo Nuno Crato surgem na continuidade das de Sócrates/Maria de Lurdes Rodrigues que por sua vez terão aprofundado as políticas do também seu amigo David Justino (o qual talvez já seja mais céptico do que parece em relação a muitas das suas ideias quando aplicadas à nossa realidade).

Mesmo quando erra – nem tudo o que Crato tem feito decorre em linha recta do que fizeram os seus antecessores, dos quais é apagada Isabel Alçada - Guilherme Valente presta-nos o inestimável serviço de confessar que, no seu entender, muito próximo do actual MEC, as actuais políticas mais não fazem do que continuar e aprofundar as anteriores.

E é esta confissão, clara, límpida, transparente, de que todos os estes ministros tiveram e têm uma luta comum – o combate ao “eduquês” na versão baralhada e distorcida de Guilherme Valente que apenas ignora como reagiram os professores nas escolas a essas teorias – que nos é extremamente útil para contextualizar tudo o que vivemos e demonstrar que, afinal, não é uma teoria da conspiração afirmar que existe uma confraria de ex-ME(C) que sentem a necessidade de defender-se entre si no essencial, mesmo quando parecem estar em divergência.

… resta informá-lo ou ele perceber isso.

Na semana passada, numa avaliação por parte de jornalistas do Expresso que o acolhera como articulista residente surgiu como terceiro pior ministro (classificação baixo de 8 não dava sequer acesso a um exame nos meus tempos) de um Governo com nota abaixo de 10, apenas à frente do inenarrável Machete e do dúbio Aguiar Branco.

Hoje, no Público, o balanço destes dois anos e meio revela o ponto até ao qual Nuno Crato se afundou na sua incapacidade política e incompetência técnica para o cargo.

Algo que já várias vezes lamentei, pois nunca fui dos que o recusaram desde o primeiro dia por ser “de Direita”. Só que é impossível não ver como ao avançar pelas questões a resolver Nuno Crato foi falando a destempo, errando nas apreciações, sendo desastrado e desmentindo-se sucessivamente.

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Não são balanços corporativos feitos por professores malvados. São balanços feitos no ambiente que sempre o recebeu de braços abertos, dando-lhe todo o espaço para explanar as suas ideias.

A entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues ao Público de hoje. Limita-se a elogiar o seu próprio trabalho na FLAD e enquanto ME, mantendo aquela visão que atravessa todo o livro que fez sobre o seu mandato: para ela tudo o que fez foi bem feito e de acordo com todos (os que lhe interessavam).

Para ela as críticas à sua acção não existem e nunca existiram.OPu se existiram eram apenas por parte de gente que não lhe interessava sequer ouvir,por muita razão que tivessem. É como se apenas ouvisse o eco da sua própria voz e dos seus fervorosos apoiantes numa bolha hermética.

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Quanto ao futuro, percebe-se que não tem sido sondada por António José Seguro, pelo que aposta fortemente numa futura liderança do PS por parte de António Costa. O que para mim é o primeiro grande factor a factor do TóZé.

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Entrevista de Mário Crespo a Nuno Crato

É mais simples quando o entrevistador completa as respostas do entrevistado, sempre que este hesita… :-)

Quem lá chega, só sai se não puder fazer tudo para lá continuar. O contrário é a excepção. Achará Rui Tavares que é nas europeias que se agitam as águas internas’ Ou isto não se trata da formalização organizacional da cisão pessoal com o Bloco? Terá ele mais sorte do que o MAS?

Rui Tavares poderia ter dado um exemplo de desapego. Optou por achar que era melhor outra coisa.

E jjá agora… o que vai restar do Bloco daqui por um ou dois anos, após a desavença das cúpulas, sem serem as envelhecidas bases da UDP e alguns ex-PCP?

E da Esquerda “alternativa” em migalhas o que valerá a pena o PS ir pescar para as suas listas? Porque ex-personalidades bloquistas (mesmo que “independentes”) à solta é o que há para aí mais…

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Expresso, 2 de Novembro de 2013

… naquele jornal que tantos camaradas gostam de zurzir. Isto não é engolir um sapo ou um elefante. É engolir uma serviço inteiro de louça das Caldas pelas mãos de um dinossauro.

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Expresso, 2 de Novembro de 2013

Já tivemos Eduarda Maio e o seu menino d’oiro e Felícia Cabrita com o seu homem invulgar. Ainda é cedo para uma maria joão fazer a entrevista pós-coisa a Passos, pelo que ficamos com a Clara a entrevistar Sócrates pós-coiso.

Anuncia-se frontalidade, a qual se resume no essencial a algum vernáculo soft que cairá bem nas bermas esquerdas do PS e no Bloco manco. Filhos da mãe, quiçá da puta, mais uma merda ou outra e tiradas assim aplicadas a adversários internos e externos parece que dão patine de qualquer coisa.

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Os galambas e demais marimba boys delirarão e apontarão que o tó zé deveria ser mais assim. até os soares e os sousapintos terão o seu extasezinho bissexto.  O que até tem a sua parte de verdade, mas só vale a pena quando tem alguma substância dentro e não apenas oportunismo.

A entrevista adianta pouco, pois o contraditório é feito sempre com a sensação de que a entrevistadora sente ali um frémito de identidade que a postura alegadamente frontal encobre mal.

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O problema mais grave é que parece que aprendeu pouco com o tempo que esteve afastado e que parece considerar que tudo foi uma enorme conspiração “da direita” quando o PEC IV foi chumbado por toda a oposição parlamentar. E continua a achar que foi “traído”, caso contrário teria conseguido fazer a quadratura de três círculos em cima de um alfinete.

Ainda não percebeu – mas o que é grave é que há muitos com(o) ele – que acham que a incompetência de Passos justifica a má governação anterior.

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… o gajo político que os tinha no sítio para meter os invasores na ordem!

Governo faz a vontade ao FMI e corta quase tudo

 

paulo portas - pirata

 

Entrevista a Diane Ravitch, agradecendo o link à Anna P.

Um Rui Machete na “gestão sã e prudente” de cinco bancos concorrentes

 

Rui Machete acumulava 31 cargos nas mais variadas entidades até ser indicado como ministro dos Negócios Estrangeiros. Cessou funções na véspera de tomar posse, a 24 de julho. Era presidente das assembleias gerais do BPI, BCP, grupo de seguros Ageas, SAER – Sociedade de Avaliação de Empresas e risco, EDP renováveis e era presidente dos conselhos fiscais do BCP investimento, Taguspark e membro do conselho consultivo da Comissão Nacional de Luta contra a Sida e do conselho geral da Fundação Mário Soares.

 

… e dirá que tudo começou maravilhosamente, mesmo se a minha petiza, em 2013, terá piores condições pedagógicas para trabalhar do que eu em 1975, no mesmo 5º ano de escolaridade, até porque a sua escola não foi das bafejadas pela festa da Parque Escolar do engenheiro e de Maria de Lurdes Rodrigues, pelo que os pavilhões são daqueles que fizeram escola na margem sul ali no fim dos anos 70 e não os palácios de milhões construídos para servir algumas elites urbanas e/ou locais mas bafejadas pela sorte.

E nem falo na dimensão da turma, porque ainda me aparecem a dizer que as turmas maiores (29 dela contra os 22 ou 24 que éramos então), é resultado da quebra demográfica. :evil:

… embora não seja bem perguntar. Amanhã explico melhor.

O que gostaria de perguntar ao ministro da Educação?

… que merece ser lida numa perspectiva crítica.

Em outros tempos perderia um par de horas a analisar a coisa, resposta, por resposta, mas neste momento, num Agosto entalado entre dois anos lectivos que vão sendo cada vez mais intensos e desgastantes, fico-me já apenas por pequenas amostras, guardando para outros escritos o que penso sobre várias das questões abordadas.

O entrevistado mantém opiniões com as quais discordo com clareza (desde logo a questão da concentração da rede escolar), outras em que as coisas ficam mais cinzentas (formação e selecção de professores) e outras com as quais concordo, desde logo que se termine com a hipocrisia de manter uma Lei de Bases do Sistema Educativo que, na prática, não é respeitada.

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Quanto ao ensino profissional, apraz-me ler o que já lhe ouvi dizer com clareza: que o que está em causa são opções de tipo político, com metas quase arbitrárias, partilhadas por Maria de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato:

Pub4Ago13cPúblico, 4 de Agosto de 2013

Nada de confusões porque, falando por mim, as privadas é que simpatizam comigo e à RTP parecem só interessar martins empreendedores.

Só que acho estranho que o ministro da Educação tenha passado esta semana toda de confusão sem uma palavra sobre a Educação Pública no canal público de televisão, preferindo ir ser entrevistado ao canal de que era colaborador.

‘De Caras’ entrevista ministro da Educação Nuno Crato

É um fim de ano turbulento na Educação. Os professores estão na rua em protesto contra o Governo, os alunos não têm certeza sobre a data dos exames. Como foi possível chegar aqui? Que soluções tem o ministro para a Educação?

Nuno Crato vai estar em “De Caras” com Vítor Gonçalves. Amanhã, dia 19, às 21h00, na RTP1.

… eles parecem querer que se pense que é…

Entrevista a Nuno Crato – RTP
Entrevista a Mário Nogueira – TVI

No dia certo para o contra-fogo, Nuno Crato dá uma longa entrevista política ao Diário Económico, em que repete alguns dos erros mais básicos da sua antecessora Maria de Lurdes Rodrigues:

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Não está em causa a necessidade do MEC fazer uma jogada mediática de combate aos efeitos da greve, multiplicando-se em intervenções.

Nem está em causa que esteja em desacordo com o que se está a passar. É o papel dele. Discordar de quem discorda dele.

O que está em causa é recuperar velhos argumentos de alguém que muito criticou, em especial a tentativa de colar a greve aos malfadados sindicatos, como se a greve não estivesse a ter uma adesão nas escolas muito acima do que qualquer outra greve deste tipo teria em outra altura e não fosse um protesto, em primeiro lugar, dos professores que, por uma vez nos últimos tempos, foi devidamente enquadrada pelos sindicatos em tempo útil.

E usar o argumento do prejuízo dos alunos tem muito que se lhe diga, pois se formos fazer o balanço do deve/haver, o MEC e o Governo têm desenvolvido políticas muito mais prejudiciais para o seu desempenho escolar, escusando agora aqui de fazer o relambório por extenso de tudo o que poderia aqui enumerar a esse nível.

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Por outro lado, o MEC sabe muito bem que empurrou várias questões para este calendário, exactamente com a esperança dos professores não arriscarem uma greve teoricamente impopular. Não é meio de Junho que se discutem questões essenciais para o próximo ano lectivo.

O que se tentou foi esvaziar a possibilidade de uma greve a doer. que não é a doer nos alunos (até este momento nada lhes doeu e acredito que os próprios pais percebem que os professores estão a defender algo essencial para todos… mesmo fora da função pública).

E não vale a pena alegar que foi o acórdão do Tribunal Constitucional a despoletar medidas que o MEC e o Governo encomendaram há muito aos seus consultores, por exemplo, do FMI, os tais que fizeram aquele estudo da treta.

A verdade e que, com chumbo ou sem chumbo do TC, estas medidas já estavam previstas e o adiamento anunciado da mobilidade especial para 2015 não é mais do que recuar para posição antes assumida e não um verdadeiro recuo.

E tudo o que se diz sobre existir uma lei que, na prática, não terá aplicação é uma conversa que já ouvimos em tempos a outros, assim como a estes, sendo que a confiança é nula na palavra de quem manda efectivamente e na capacidade do MEC se impor mesmo que o quisesse fazer.

Quanto ao resto, seria bom que Nuno Crato não mimetizasse Maria de Lurdes Rodrigues em reacções pouco ajustadas e, mais grave, que revelam muito pouca atenção à enorme adesão a esta greve que, pela parte que me toca, se pode eternizar por Agosto dentro, pois não há nada mais patriota do que fazer férias cá dentro e explorando as maravilhas da proximidade.

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“A radicalização é grave e espero que os sindicatos repensem”

Agora vejamos o que Nuno Crato foi dizer para o Brasil (cortesia do Livresco)

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