Pró


Ministério da Educação e Ciência abre a porta à transferência de mais competências para as autarquias. Pede-se um debate alargado sobre o assunto e alerta-se para o que acontecerá aos contratos de autonomia já celebrados por muitos agrupamentos. Municipalização das escolas volta à ordem do dia.

Uma Posição Pessoal Sobre a Prova de Acesso à Docência

vou pequen’almoçar na escola.

bufetr

… e gostarei!

… o quadro de prós e contras em relação à liberdade de escolha, onde reconheço a generalidade dos argumentos do Alexandre Homem Cristo e dos meus, mais coisa, menos coisa.

Com um detalhe adicional… se o exemplo da Suécia deve ser seguido e os resultados menos satisfatórios nos últimos PISA, PIRLS e TIMMS se devem (como lá li e ouvi dizer) ao aumento do número de alunos de comunidades imigrantes, isso apenas significa que o modelo está inadequado para uma realidade como a nossa, com índices de desigualdade socio-económica e diversidade cultural muitos superiores aos suecos.

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Jornal de Negócios, 16 de Setembro de 2013

… até porque as coisas são o que são e não outra coisa. E a liberdade de escolha só funciona de forma positiva se servir para ajudar quem mais precisa. Só faltou ao Alexandre – há ali umas digressões a negar a ideologia deste tipo de medidas que só o desviou do seu caminho e o recurso a uns sempre ineressantes dados estatísticos seleccionados com aprumo – que dar o salto indispensável de não pensar apenas em termos de fórmula para financiamento das escolas mas sim de apoio aos alunos.

Porque, e é aqui que um próximo texto de um apoiante da medida deve concentrar os seus esforços, não adianta enunciar que se pretende beneficiar os mais desfavorecidos sem explicar como, embora exista sempre tempo para explicar porque se devem financiar as escolas.

A verdade é que se enumera muita coisa mas nunca como se apoiam os alunos mais desfavorecidos, discriminando-os de forma positiva em relação a quem já tem dinheiro para não precisar do mesmo tipo de apoio.

A menos que o apoio aos alunos não seja a verdadeira preocupação principal da medida, mas sim o financiamento do ensino privado, para o qual se afirma que deve existir uma fórmula com base na quantidade de alunos matriculados.

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Jornal de Negócios, 16 de Setembro de 2013, p. 21.

Chegavam, a medo, …porque havia anos tinham abandonado os bancos da escola…

A Técnica de Diagnóstico e Encaminhamento fazia-lhes uma entrevista e depois seguia-se o encaminhamento, conforme o perfil de cada adulto e consoante a oferta formativa existente

O profissional acompanha o formando na organização e reflexão sobre as suas aprendizagens e depois passa a ter sessões com os formadores.

Quando, nessas sessões com os formadores, se detetava que não tinham as competências exigidas pelos referenciais eram encaminhados para Aulas de Formação Complementar. E se, mesmo assim, não conseguissem eram encaminhados para outras ofertas formativas. Significa isto que não eram, portanto, “automaticamente” certificados, contrariamente ao que grande parte das pessoas pensa.

Para o 12º ano o adulto tinha de mostrar que dominava uma língua estrangeira. O formador, lia o que ele havia escrito no Portefólio Reflexivo de Aprendizagens e depois discutia, em Inglês, Francês, Espanhol….ou outra língua o texto que o adulto escrevera. Mas se o formador entendesse que o adulto não tinha um domínio efetivo da língua estrangeira não o validava e o adulto era encaminhado para uma formação de modo a ter aulas. Muitos são os que desconhecem estes pormenores e, por isso, desvalorizam o trabalho dos CNO-RVCC.

No Básico, que abrange o 4ª, 6ª e 9ª ano têm áreas como Linguagem e Comunicação; Matemática para  a Vida; Cidadania e Empregabilidade e Tecnologias da Informação e Comunicação.

Para o 12º ano: Cultura, Língua e Comunicação; Sociedade, Tecnologia e Ciência e Cidadania e Profissionalidade.

(saliento, porém que se durante as sessões o adulto não atingir os objetivos , nem nas Aulas de Formação Complementar…é validado parcialmente e irá frequentar um curso EFA – Educação e Formação de Adultos – aulas em regime noturno com horário fixo)

É um processo controlado: tem uma Coordenadora, uma Técnica de Diagnóstico e Encaminhamento, Profissional, formadores e um Avaliador Externo a todo o processo cujo papel é verificar se foram seguidas todas as normas, se todos os procedimentos estão de acordo com o que é exigido por lei. Após essa análise ele, avaliador externo, em conjunto com a equipa que acompanhou o adulto,  estará também presente na sessão de júri onde o formando apresenta um trabalho final. As sessões de Júri são abertas ao público.

 E então…o grande dia: a chegada da sessão de júri: tão esperada e tão temida. Mais que provar algo aos outros era a responsabilidade de provarem a si mesmos que eram capazes de enfrentar mais esse desafio…mais um entre tantos já superados ao longo de uma vida de batalhas. Batalhas árduas..umas ganhas…outas perdidas. Umas com gritos de vitória, outras com lágrimas de sangue! Mas a vida é feita desses momentos de alegria  e dor, é essa a dialética que nos faz Homens, que nos faz crescer.

E no fim, quando o Avaliador Externo se pronuncia, os rostos se sorriem…num sorriso rasgado, os olhos brilham…num brilho de emoção que se quer esconder…em vão…e parece que são já outros, são maiores que antes, porque o são mesmo…são sim…são agora diferentes pois “sabem que sabem” e têm o reconhecimento do seu saber.

Hoje, sete anos depois, olho para trás e vejo o quanto me deram esses homens e mulheres…e sinto que, em equipa conseguimos ,com exigência e rigor, validar e certificar competência-chave fruto de uma vida preenchida de experiência várias…experiências profissionais que vão desde a agricultura à restauração, passando por experiências de emigração, de contacto com outras culturas, experiências que exigem saber ser cidadão, saber ser tolerante, saber estar , saber atuar em conformidade com a situação…então sinto que foram cumpridos os objetivos das Novas Oportunidades.

Tem-se a ideia que o trabalhador português é, de uma forma geral, pouco qualificado. E é-o, formalmente falando. É-o porque não tem um diploma, porém tem as competências, sabe fazer as coisas, sabe desempenhar tarefas que muitos dos alunos com o 12º ano não sabem. Que muitos de nós não sabemos….porque  vivemos para o “nosso Camões”, para as “nossas derivadas” ou para os “nossos combustíveis fósseis ! É que estes adultos além de um percurso profissional , por vezes riquíssimo, têm também, nas empresas, formações várias. Desde Informática até aprovisionamento passando por Higiene e Segurança no Trabalho…

Não têm, isso não, o reconhecimento formal dessas aprendizagens.

São homens e mulheres que não têm os conhecimentos de um aluno do 9º ano ou do 12º ano:têm um saber diferente.

Fica a minha mágoa por saber que ainda há quem não saiba, hoje, o que se faz / fazia nos centros de RVCC.

E o meu lamento, por não ver qualquer caminho delineado, esboçado sequer, para a educação de adultos…

Isabel Martins, Formadora de um CNO em Extinção.

Obviamente, são dados coligidos na base do pró… tendo-me sido solicitado que aqui os divulgasse para debate. Só que entre nós, o ensino doméstico está muito longe de ser uma verdadeira alternativa… enquanto nos EUA a tendência tem vindo a aumentar, em especial nos sectores mais conservadores e/ou libertários, desconfiados tanto com a rede pública como com os interesses privados.

Homeschool Domination
Created by: College At Home

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