Pró


Chegavam, a medo, …porque havia anos tinham abandonado os bancos da escola…

A Técnica de Diagnóstico e Encaminhamento fazia-lhes uma entrevista e depois seguia-se o encaminhamento, conforme o perfil de cada adulto e consoante a oferta formativa existente

O profissional acompanha o formando na organização e reflexão sobre as suas aprendizagens e depois passa a ter sessões com os formadores.

Quando, nessas sessões com os formadores, se detetava que não tinham as competências exigidas pelos referenciais eram encaminhados para Aulas de Formação Complementar. E se, mesmo assim, não conseguissem eram encaminhados para outras ofertas formativas. Significa isto que não eram, portanto, “automaticamente” certificados, contrariamente ao que grande parte das pessoas pensa.

Para o 12º ano o adulto tinha de mostrar que dominava uma língua estrangeira. O formador, lia o que ele havia escrito no Portefólio Reflexivo de Aprendizagens e depois discutia, em Inglês, Francês, Espanhol….ou outra língua o texto que o adulto escrevera. Mas se o formador entendesse que o adulto não tinha um domínio efetivo da língua estrangeira não o validava e o adulto era encaminhado para uma formação de modo a ter aulas. Muitos são os que desconhecem estes pormenores e, por isso, desvalorizam o trabalho dos CNO-RVCC.

No Básico, que abrange o 4ª, 6ª e 9ª ano têm áreas como Linguagem e Comunicação; Matemática para  a Vida; Cidadania e Empregabilidade e Tecnologias da Informação e Comunicação.

Para o 12º ano: Cultura, Língua e Comunicação; Sociedade, Tecnologia e Ciência e Cidadania e Profissionalidade.

(saliento, porém que se durante as sessões o adulto não atingir os objetivos , nem nas Aulas de Formação Complementar…é validado parcialmente e irá frequentar um curso EFA – Educação e Formação de Adultos – aulas em regime noturno com horário fixo)

É um processo controlado: tem uma Coordenadora, uma Técnica de Diagnóstico e Encaminhamento, Profissional, formadores e um Avaliador Externo a todo o processo cujo papel é verificar se foram seguidas todas as normas, se todos os procedimentos estão de acordo com o que é exigido por lei. Após essa análise ele, avaliador externo, em conjunto com a equipa que acompanhou o adulto,  estará também presente na sessão de júri onde o formando apresenta um trabalho final. As sessões de Júri são abertas ao público.

 E então…o grande dia: a chegada da sessão de júri: tão esperada e tão temida. Mais que provar algo aos outros era a responsabilidade de provarem a si mesmos que eram capazes de enfrentar mais esse desafio…mais um entre tantos já superados ao longo de uma vida de batalhas. Batalhas árduas..umas ganhas…outas perdidas. Umas com gritos de vitória, outras com lágrimas de sangue! Mas a vida é feita desses momentos de alegria  e dor, é essa a dialética que nos faz Homens, que nos faz crescer.

E no fim, quando o Avaliador Externo se pronuncia, os rostos se sorriem…num sorriso rasgado, os olhos brilham…num brilho de emoção que se quer esconder…em vão…e parece que são já outros, são maiores que antes, porque o são mesmo…são sim…são agora diferentes pois “sabem que sabem” e têm o reconhecimento do seu saber.

Hoje, sete anos depois, olho para trás e vejo o quanto me deram esses homens e mulheres…e sinto que, em equipa conseguimos ,com exigência e rigor, validar e certificar competência-chave fruto de uma vida preenchida de experiência várias…experiências profissionais que vão desde a agricultura à restauração, passando por experiências de emigração, de contacto com outras culturas, experiências que exigem saber ser cidadão, saber ser tolerante, saber estar , saber atuar em conformidade com a situação…então sinto que foram cumpridos os objetivos das Novas Oportunidades.

Tem-se a ideia que o trabalhador português é, de uma forma geral, pouco qualificado. E é-o, formalmente falando. É-o porque não tem um diploma, porém tem as competências, sabe fazer as coisas, sabe desempenhar tarefas que muitos dos alunos com o 12º ano não sabem. Que muitos de nós não sabemos….porque  vivemos para o “nosso Camões”, para as “nossas derivadas” ou para os “nossos combustíveis fósseis ! É que estes adultos além de um percurso profissional , por vezes riquíssimo, têm também, nas empresas, formações várias. Desde Informática até aprovisionamento passando por Higiene e Segurança no Trabalho…

Não têm, isso não, o reconhecimento formal dessas aprendizagens.

São homens e mulheres que não têm os conhecimentos de um aluno do 9º ano ou do 12º ano:têm um saber diferente.

Fica a minha mágoa por saber que ainda há quem não saiba, hoje, o que se faz / fazia nos centros de RVCC.

E o meu lamento, por não ver qualquer caminho delineado, esboçado sequer, para a educação de adultos…

Isabel Martins, Formadora de um CNO em Extinção.

Obviamente, são dados coligidos na base do pró… tendo-me sido solicitado que aqui os divulgasse para debate. Só que entre nós, o ensino doméstico está muito longe de ser uma verdadeira alternativa… enquanto nos EUA a tendência tem vindo a aumentar, em especial nos sectores mais conservadores e/ou libertários, desconfiados tanto com a rede pública como com os interesses privados.

Homeschool Domination
Created by: College At Home

Chegado por mail:

Caros colegas: 

          Ainda há quem não saiba?
          GREVE GERAL DIA 24 DE NOVEMBRO!
          Porque já não há quem não saiba porquê!
          GREVE GERAL DIA 24 DE NOVEMBRO!
.
          Pel’A Direcção do Sindicato dos Inspectores da Educação e do Ensino
.
          José Calçada
          (Presidente)

Se houve coisa que repeti no lançamento dos dois primeiros debates feitos na Buchholz foi a esperança de que os mesmos fossem conversas entre os participantes e não o lançamento de ideias feitas, formatadas e fechadas, umas contra as outras, sem qualquer possibilidade de se encontrarem pontos comuns para avançar numa qualquer nova direcção.

Em relação aos rankings o que temos é isso. Um grande grupo é a favor, sejam eles como forem, porque sim. Um outro grande grupo é contra, sejam eles como forem, porque não.

Assim não se chega a lado nenhum.

Uma coisa é fundamental: que a informação seja conhecida. Se é parcial, que se pugne por que seja conhecida mais. Ou recolhida. Se os dados puros e duros dos exames são insuficientes, que se contextualizem com outros indicadores e variáveis. Que se faça isso. Mas nunca que se pretenda guardar a informação do conhecimento público, quando ela existe. Por isso prefiro rankings a nada. Embora preferisse rankings contextualizados do que os rankings como nos surgem agora. Mas não é por não aparecerem no estado ideal que sou contra a sua divulgação.

Tendo fome, prefiro uma peça de fruta que pode não estar no melhor estado, desde que se aproveite alguma coisa, do que ficar sem comida nenhuma.

Mas há os puristas.

Ou a maçã está rutilante e perfeitinha, seguindo todas as normas de qualidade sempre redefinidas para que a que está ali não sirva, ou então preferem a morrinha.

E todos os anos passamos por isto, com escassas alterações e nenhum esforço, por qualquer das partes, por fundamentar um pouco melhor a sua posição, preferindo a trincheira previamente traçada para o disparo a uma negociação em busca de um terreno parcialmente comum.

A Win-Win Solution: The Empirical Evidence on School Vouchers

School Vouchers Have Little Effect on Student Achievement

Neste último caso, seguir a ligação que está no início do terceiro parágrafo.

Não basta sair à rua é preciso saber para onde

O mais difícil parecia ser juntar tanta gente sem o chapéu-de-chuva dos partidos, das jotas ou dos sindicatos. Conseguido isso: soube a pouco.

Pacheco Pereira vive no planeta “azia”?

Concentração de escolas duplicou alunos sem aulas

Ontem, 26 mil estudantes ficaram em casa por terem sido colocados em agrupamentos escolares e não conseguirem lá chegar.

]

… encerramento de escolas. Há que dar lugar ao contraditório…

O encerramento de escolas

pré-conceitos

O Livresco consegue encontrar de tudo.

Mas só depois de conduzir…

O Miguel Pinto adere à greve, mas justifica a sua posição de tal maneira que eu acho que adere mesmo porque se sente obrigado a isso. Não consigo encontrar um avo de entusiasmo ou convicção no bom post que escreve a esse respeito:

Na 5ª feira, adiro à greve!

Como para o caso abaixo, é importante seguir os links das várias páginas do site, onde estão ligações para diversos estudos.

Why are publicly-funded education vouchers controversial?

Publicly-funded education vouchers allow families to make private decisions regarding how public taxpayer money should be spent. Therefore, a voucher program hopes to create an educational market where schools must compete for students. Supporters claim market benefits, such as choice and innovation, will improve education. Opponents fear that vouchers will lead to greater inequality and the loss of civic preparation. Current evidence concerning the impact of vouchers is disputed. The potential advantages and disadvantages of publicly-funded vouchers are listed below.

What are the possible advantages of publicly-funded vouchers?

  • Increased Choice. A tuition certificate, especially for low-income families, helps parents afford to choose a school suited to their child’s needs.
  • Greater Competition. As families gain the ability to choose the school their child attends, schools may have to improve to attract students.
  • Targeted Assistance. Vouchers can be aimed at a particular struggling student population and offer assistance without changing the entire public education system.
  • More Parental Discretion. Vouchers provide parents with significant authority over the knowledge and skills their child will learn.

What are the possible disadvantages of publicly-funded vouchers?

  • Increased Inequality. Unregulated markets may produce widely varying quality and school focus.
  • Difficult Implementation. Many private schools refuse to participate in voucher programs and there may be more interested students than seats available.
  • Administrative Costs May Rise. New administrative and functional oversight, informational services, and transportation will need to be addressed to run a voucher program. This creates additional costs
  • Loss of Public Sphere. If education becomes a private decision of the family, there is little incentive to engage in public discourse and activity.

Devo Dar Um Magalhães ao Meu Filho?

Pedir A Aplicação Extensiva Da Avaliação

Ou como há uns tempos aqui escrevi, exigir tudo aquilo a que temos direito na avaliação, desde todas as formalidades até todos os recursos.

Pró: Apesar das simplificações impostas ao processo a  verdade é que, querendo os avaliados, ainda se mantêm no modelo, como opcionais, muitas das medidas iniciais, como sejam a possibilidade de reuniões individuais para negociação dos objectivos, aulas assistidas, etc, etc, incluindo ainda agora a possibilidade de requerer avaliador na área disciplinar específica e alguns outros detalhes que, bem explorados e aplicados até às últimas reticências, podem tornar inviável todo o processo. Se a maioria dos docentes de uma escola ou agrupamento pedir a aplicação integral do que está em vigor, mesmo se como opcional para quem queira o Muito Bom ou Excelente, dificilmente o modelo será exequível, muito em especial se cada avaliado exercer os seus direitos de contestação e recurso da mais pequena falha processual. Seria combater o fogo com o fogo, demonstrando na prática o pesadelo que sempre foi denunciado e, pelo caminho, dava-se cabo da cabeça de muito adesivo.

Contra: Optar por esta via implica um esforço enorme, um desgaste brutal não apenas para os avaliadores (que tantas vezes até estão nessa função sem especial apetência ou adesivite) mas para os próprios avaliados que assim teriam de enfrentar o inferno burocrático do modelo em quase todo o seu esplendor. E tudo em apenas dois períodos lectivos. Também poderia ser apontada a esta alternativa a aceitação implícita do modelo, mesmo se para o fazer implodir. Também implica um estudo aprofundado do modelo e saber distinguir aquilo que está em vigor, todas as ramificações do processo e ainda uma enorme capacidade de resistência psicológica às pressões da tutela e órgãos de gestão a favor dos métodos simplificados. Seria ainda uma opção que, dando muito a ganhar aos profissionais da saúde mental, acabaria por prejudicar o normal funcionamento das escolas. Mesmo se o objectivo seria mesmo demonstrar isso.

Já que a sondagem sobre o assunto está em progresso, gostaria de passar em revista as várias opções em presença, respectivos prós e contras, para melhor situar a questão.

Aceitar o Simplex

Pró: Sendo a revisão do Estatuto da Carreira Docente e a eliminação dos mecanismos das quotas e da divisão da carreira o que mobiliza de forma praticamente consensual a classe docente, aceitar esta versão simplificada – na qual já pouco resta em termos obrigatórios do modelo inicialmente regulamentado no 2/2008 – poderia significar uma pausa táctica, destinada a ganhar fôlego, demonstrar boa vontade negocial, apostando tudo no ataque ao objectivo principal e acreditando que no próximo ciclo de avaliação o modelo acabará completamente transformado pela prática.

Contra: Aceitar este Simplex significa aceitar implicitamente, e isso seria imediatamente aproveitado pelo ME e Governo, algumas das implicações práticas do ECD, como sejam a divisão da carreira e o mecanismo das quotas. Para além disso, o Simplex simboliza a opção pela componente burocrático-administrativa como a essencial da avaliação, invertendo aquela que deveria ser a lógica dominante, ou seja, a componente pedagógico-científica. Para além disso, o DR 2/2008 continua em vigor para os próximos ciclos de avaliação, nada garantindo que a sua revisão a partir do início do verão leve à sua efectiva substituição.

O Manifesto pela Avaliação, que 13 personalidades entregaram na 5 de Outubro e que o Ministério se orgulha em mostrar na sua página, embora não identificando os autores.

O documento é meramente declarativo, não tendo especial valor como argumento, pois o que lá se diz poderia ser quase totalemente partilhado por qualquer docente.

Percebe-se que os subscritores querem ser avaliados por este modelo, mas esquecem-se de afirmar que quase nenhum será avaliado por ele, mas aparentemente pelo SIADAP.

Sublinhe-se ainda que o documento é de uma fragilidade assinalável, sendo de estranhar em tão valoroso grupo.

Professores a favor da avaliação reuniram-se

Um grupo de professores a favor da avaliação de desempenho reuniu-se hoje, em Lisboa, com a ministra da Educação para mostrar que estão satisfeitos com a simplificação do processo neste ano lectivo e apoiam a sua implementação.

“Queremos que a avaliação seja feita no interior das escolas mas aceitamos e consideramos fundamental que tivesse havido todo este processo de simplificação porque é o primeiro ano que o vamos implementar”, declarou Armandina Soares, porta-voz do grupo de 13 pessoas de várias escolas do país que estiveram hoje no ministério.

A professora afirmou que as simplificações ajudaram a implementar a avaliação: “Retiraram alguma carga, aligeiram aspectos processuais – as tais famigeradas fichas de avaliação – e trouxeram a possibilidade de os professores poderem optar por querer, este ano, avaliação na componente científico-pedagógica ou serem avaliados na sua componente funcional”, esclareceu.

Sobre a “luta” que tem vindo a ser travada pelos sindicatos pela suspensão do processo, Almerinda Soares considerou que “não faz sentido”: “Acho que neste momento temos de partir para o trabalho, já estamos cansados”.

O grupo, que representa cerca de uma centena de docentes a favor da avaliação de desempenho dos professores, defende “um apaziguamento nas escolas e que exista alguma reflexão sobre o que está a acontecer”.

(…)

Armandina Soares sublinhou que o grupo não tem qualquer tipo de conotações partidárias e que se constituiu por proximidade e por desejarem voltar “a olhar num sentido positivo para o trabalho” que têm pela frente.

Entretanto, espero que a colega Armandina Soares cumpra a promessa e me envie o documento em causa, como ficou combinado, para melhor poder analisar esta posição que, pelo menos à primeira vista, tem poucas adesões e, embora afirmando-se sem conotações partidárias, não pode negar que alguém andou por certos fóruns do PS de Sócrates.

Quanto ao resto, dificilment se encontrará alguém, que no geral, não concorde com as generalidades defendidas por este grupo.

Viva o Magalhães! (ou: qual é o futuro para um país moitaflorado?)

Magalhães: nem todos olhamos apalermadamente (II)

Estes textos visam principalmente as críticas técnicas ao projecto Magalhães, mas em alguns momentos entram pela área da política, argumentando de forma pouco aberta que, a bondade alegada de um projecto destes num mundo globalizado e coiso justifica tudo o resto.

Por aqui, no Umbigo, o Magalhães tem sido criticado principalmente como instrumento de uma estratégia de campanha eleitoral, o que parece que aos puristas não levanta grandes problemas. Leni Riefenstahl desenvolveu argumentação semelhante, ressalvadas as distãncias óbvias do paralelismo.

A arte e a técnica são boas e puras, não interessa em que contexto se desenvolvem e ao serviço de quem são usadas.

Pois. Discordo. Desculpem lá.

Sou um palerma, portanto. Moitaflorado é que não, por favor.

Posição do Movimento Escola Pública sobre o entendimento alcançado entre a Plataforma Sindical e o Ministério da Educação:

1) O Movimento Escola Pública considera que o entendimento recentemente alcançado entre sindicatos e Ministério da Educação representa um recuo efectivo do governo e é o resultado da capacidade de luta dos professores e da manifestação de 8 de Março. Destacamos como pontos positivos deste acordo:

a) a adopção de princípios simplificados e universais para as situações sobre as quais se exercia a chantagem e pressão do ME (renovação de contratos e casos de progressão), o que na prática significa que o governo adia a aplicação do seu modelo de avaliação.

b) A eliminação das consequências negativas de uma avaliação de “regular” ou “insuficiente” para os professores que forem avaliados até ao final do ano lectivo 2008/2009

c) A constituição de uma comissão paritária entre o Ministério e os sindicatos para acompanhamento e alteração do modelo de avaliação.

d) Definição de um mínimo de 9 horas para a componente individual, regulando os diferentes critérios de escolas, e integração da formação contínua no horário de trabalho dos professores.

2) Sendo estes os ganhos da luta, o Movimento Escola Pública entende ainda que os professores apenas ganharam uma batalha e não a guerra. O governo continua determinado a aplicar o seu modelo de avaliação de desempenho e o entendimento a que se chegou estabelece a sua aplicação já em 2008/2009.

A Comissão paritária para propor correcções ao modelo no final do próximo ano lectivo só terá força para fazer valer os seus pontos de vista se os professores continuarem a demonstrar determinação em lutar contra este modelo de avaliação burocrático, hierarquizado, injusto, e incapaz de melhorar as práticas pedagógicas.

3) Sobre o Estatuto da Carreira Docente, ensino especial e diploma de gestão das escolas o governo não recua e o entendimento nada garante sobre estes pontos (além da não aplicação este ano de procedimentos relativos ao novo modelo de gestão). Sobre a necessidade de vinculação dos contratados, professores mais precários e sobre os quais o ME exerceu uma pressão indigna, também nada de novo foi consagrado.

4) O Movimento Escola Pública considera que o recuo do governo só foi possível com a extraordinária capacidade de mobilização e de luta demonstrada por professores e professoras de todo o país. Professores e professoras que fizeram opinião, que fizeram as ruas, que se mobilizaram em cada escola, traçando novas formas de organização e de luta que os sindicatos só têm de respeitar. Por isso mesmo, defendemos a continuação de acções de protesto dos professores, agora e no arranque do próximo ano lectivo, se o ME não ceder no que mais importa. O governo tem de recuar nos aspectos que mais distorceram a profissão e a escola: a substância do modelo de avaliação, o diploma de gestão das escolas que impõe a figura do Director, e o Estatuto da Carreira Docente cuja divisão entre titulares e não titulares é artificial, injusta e promotora de desigualdades inaceitáveis, afectando gravemente o trabalho cooperativo e em equipa.

Defendemos acções de protesto e reivindicação que envolvam todos os que querem defender e qualificar a escola pública. Para isso, fazemos todos falta, porque são urgentes verdadeiras políticas de combate ao insucesso escolar, através da redução do número de alunos por turma, da constituição de equipas multidisciplinares nas escolas com psicólogos e assistentes sociais, do apoio efectivo às escolas com maiores dificuldades, e do reforço do investimento em meios humanos e materiais.

Reafirmamos que o combate pela Escola Pública passa por políticas que promovam a igualdade e a democracia, contra a privatização e a degradação mercantil do ensino, contra os processos de exclusão e discriminação. Porque outra escola é possível e necessária, não baixamos os braços e juntamos forças em nome desse combate.

Para mais opiniões consulta:

www.movescolapublica.net

APELAMOS À PARTICIPAÇÃO NAS CONCENTRAÇÕES DE PROFESSORES HOJE AO FIM DA TARDE E À NOITE, BEM COMO NO DIA DE DEBATE, AMANHÃ, TERÇA-FEIRA.

Esta Segunda-feira:

Manifestações em todas as capitais de distrito do Norte.

Porto, 18h30, Praça da Liberdade

Braga, 21h, Avenida Central

Bragança, 21h, Praça Cavaleiro Ferreira

Viana do Castelo, 21h, Praça da República

Vila Real, 19h, Praça do Município

Esta Terça-feira:
Dia de Debate em todas as escolas, a partir das 8h30 da manhã.

Como transformar uma derrota numa vitória e vice-versa

Há já muitos anos, a propósito de vitórias e derrotas eleitorais, Pacheco Pereira afirmou algo de que nunca mais me esqueci, e que era mais ou menos o seguinte: ”As vitórias eleitorais não se medem nos votos contados nas urnas, mas nos comentários da noite eleitoral e nas parangonas do dia seguinte.”

Esta ideia é perfeitamente aplicável ao que se passa com o anúncio do resultado das negociações entre a Plataforma Sindical e o ME, o qual se traduziu na aceitação pelo governo de que este ano se vai aplicar a todas as escolas do país o mesmo modelo de avaliação que se aplicava até ao ano passado (já com o actual ECD em vigor).

Quem ouvir o discurso da ministra ou do 1º ministro pode até pensar que os sindicatos (e por arrastamento os professores) aceitaram as teses governamentais. No entanto, para quem está por dentro de todo o processo, ou para quem esteja minimamente atento e não seja esquecido, está muito claro que o governo abdicou de todas as bandeiras com que entrou para a reunião de ontem.

Vejamos o que o ME dizia aos jornalistas, ontem à noite: «fonte do Ministério da Educação garantiu aos jornalistas que embora tenha havido uma grande aproximação de posições entre as partes, continuava a haver pontos de discórdias. Nas negociações de ontem, a principal discordância continuava a dizer respeito à uniformização dos itens de avaliação em diferentes escolas, defendida pelos sindicatos. “Essa é realmente a grande questão que nos divide, pois representa um ponto de honra para o Ministério que as escolas que já estão a avançar com a avaliação, e de forma bem feita, não voltem atrás”, afirmou a mesma fonte, que defende que o Ministério “não pode agora pedir às escolas que estão a fazer bem para começarem a fazer as coisas mal”.»

Apesar de no final da reunião o governo, através do ME, ter assinado um compromisso em que aceita um modelo de avaliação, para todas as escolas do país, que é exactamente igual ao que ainda no ano passado foi aplicado aos professores contratados (já com o actual ECD em vigor), hoje o 1º ministro, seguindo a formulação enunciada por Pacheco Pereira a propósito dos resultados elitorais, teve o desplante de afirmar o seguinte: «Este acordo deixa-me muito satisfeito e quero felicitar publicamente a senhora ministra da Educação porque valeu a pena perseverar e hoje temos um consenso muito alargado na sociedade portuguesa quanto à importância da avaliação dos professores.»

Tal como eu próprio escrevi aqui: (É na conjugação destes factores que temos que perceber que ordens Pinto de Sousa terá dado a MLR para alcançar um acordo: «Assine um acordo, mas garanta que vai haver “uma avaliação”».) para o 1º ministro não interessa nada que haja uma avaliação séria e credível. Apenas lhe interessa ter uma bandeira para as eleições do próximo ano, mesmo que toda a gente saiba que se baseia em mais uma mentira descarada: «Questionado se o Governo abdicou ou não dos termos que defendia para a avaliação dos professores, José Sócrates evitou responder, considerando que o principal “é que neste acordo está consagrada a avaliação de professores” e que esta avançará com “um melhor clima”»

Simultaneamente há professores que em vez de se congratularem com a vitória nesta batalha, retomam o discurso da divisão e do derrotismo, criticando a plataforma sindical por ter conseguido travar o ímpeto de muitos PCE’s adesivos, que se preparavam para avaliar os colegas seguindo à risca, ou ultrapassando mesmo, as instruções do ME.

De facto ainda temos um longo caminho a percorrer até conseguirmos passar para lá das leituras simplistas que nos são servidas por políticos oportunistas, que controlam uma comunicação social atenta e reverenciadora do poder instalado.

Francisco Santos

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