Política


E sou obrigado a confirmar que o António Costa foi atropelado por um (inesperado) animal razoavelmente feroz.

O engenheiro deve ter roído as unhas até ao cotovelo.

O seu homem, fora da Quadratura do Círculo, perde o brilho.

Quando os “fenómenos” mais recentes da vida político-partidária, resultado de fragmentações diversas e falsas independências se começam, eles mesmos, a ameaçar fragmentar e em busca de individualismos caudilhistas, a coisa faliu. Mesmo.

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Expresso, 15 de Agosto de 2014

… limitava-se a ouvir, a acenar, béu-béu, a dar esperanças como o amigo Pedro também deu, mas ao nível da coragem para enfrentar quem mandava, zero.

Seguro preocupado e triste com conflito entre professores e Ministério

Já sei que há iluminados que sempre souberam tudo, mas eu demoro sempre um pouco mais a atingir as coisas.

Não tenho agora grandes dúvidas que a suspensão da ADD, no Parlamento, a 25 de Março de 2011, foi combinada entre o PSD e a Presidência, que depois a vetaria.

Por isso, seja com Seguro ou com Costa, mesmo com os ex-bloquistas dependurados, nada me convence em matéria de conversa.

 

Ana Drago e Daniel Oliveira com “muita pressa” para disputar legislativas

Militantes do Bloco, Livre e Mas foram ao debate. Houve perguntas sobre os compromissos políticos. “Com que parte do PS?” Ana Drago sorriu, mas não respondeu.

No caso de DO, a descolagem feita bastante cedo nunca enganou quanto aos objectivos… Já em relaçºao a Ana Drago, esperava-se… outra coisa em vez de “pressa”.

Nos escaparates, a área política do PS e das “esquerdas” ganha, por larga margem, e até o engenheiro já tem direito a hardcover depois do paperback, que nós somos originais em tudo.

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Parece ter passado, pelo menos por agora, a onda dos sobredotados da crise que tudo sabem, mas tarde demais, pois quase todos se calaram em “tempo útil”.

 

A evolução do caso do espírito santo de orelha ajuda-nos a perceber melhor os esquemas político-financeiros que suportaram a deriva socrática até 2011.

Para os oportunamente desmemoriados, relembre-se que Ricardo Salgado fez questão em que se soubesse que tinha sido devido a uma reunião dele com Sócrates que a decisão de pedir apoio externo foi tomada.

E porque tinha ele esse poder?

Agora já sabemos que em 2011 os negócios espirituais estavam em completo descalabro e assentes em fantasias contabilísticas.

Ora, mesmo a um leigo, parece evidente que esse descalabro resultava, em boa parte, da aliança estabelecida pela banca com o poder político de então e que, em troca do acesso a negócios vantajosos com o Estado e com o dinheiro dos contribuintes, parte da nossa banca comparava dívida pública portuguesa.

Quando tudo começou a correr demasiado mal, os financiadores das políticas do engenheiro colocaram-no no seu lugar e disseram-lhe que não havia mais dinheiro para raspar no tacho, que se estava à beira do abismo… que a ganância mútua atingira um limite extremo. Já não haveria mais compras da dívida pública e o engenheiro ficaria por completo na mão dos “mercados”, sem a almofada privada interna.

Isto parece-me claro e não é novidade.

Só os teorizadores do “marimbemo-nos para a dívida” é que nada disto parecem reconhecer como real e objectivo.

O que deve ser sublinhado é que o que agora se sabe apenas confirma que os negócios espirituais estavam profundamente interligados com as opções políticas de então e que o caos que agora se instalou – o tal “perigo sistémico” – não surgiu, de súbito, do nada. A situação era, por certo, conhecida de muita gente (na vida política e financeira, mas também na comunicação social) mas apostou-se na corrida sobre o vazio durante muito tempo. Como aqueles dealers que vão acumulando perdas, na esperança de um volte-face à Hollywood dos bons tempos.

Quando se quer reabilitar a solução governativa anterior, porque a actual é péssima, parece esquecer-se que se está a reabilitar tudo o que se critica em termos de manigâncias financeiras da banca privada.

Parece que há quem ainda não tenha conseguido perceber que é tempo de avançar e largar de vez o lastro de um passado que não deve ser esquecido mas que, de forma alguma, pode ser reabilitado.

Ontem, à noite, na TVI24, Augusto Santos Silva deu largas à sua proverbial e periódica pesporrência analítica que serve, como em quase todos os analistas, para acertar contas pessoais e políticas e não propriamente para “analisar”.

Na ocasião, dizia ele que Passos Coelho foi levado para o poder num andor que quatro personalidades seguravam: Paulo Portas, Jerónimo de Sousa, Mário Nogueira e Francisco Louçã.

Para além do ressabiamento geral quanto aos que chumbaram o PEC IV (que foram todos os partidos da oposição, coisa que alguns fazem por ignorar ou amputar da realidade), nota-se ali um ódio particular aos professores que ele quis injustamente personalizar em Mário Nogueira, o líder sindical que tão boas relações tinha com Isabel Alçada/Alexandre Ventura durante o segundo governo do engenheiro Sócrates, com quem se entendeu e acordou em mais de uma ocasião.

Singularizar Mário Nogueira foi apenas uma forma de apontar o dedo aos professores em guerra com Sócrates, desde os tempos de Maria de Lurdes Rodrigues no ME,

E revela como esta gente do grande centrão partilha as ideias e projectos.

Mas voltando ao essencial eu gostaria de deixar claros alguns pontos sobre esta matéria, enquanto cidadão e professor:

  • Varrer o engenheiro e a sua clique do poder foi um imperativo de higiene política básica. Apoiei essa varridela e fá-lo-ia outra vez, pois considero que foi obra meritória e patriótica. Percebo que Santos Silva discorde, mas, afinal, cada um defende a sua facção como pode.
  • Quando se diz que Passos Coelho chegou ao poder de modo instrumental e apenas como forma de afastar Sócrates, parece ignorar-se que Sócrates chegou ao poder de modo instrumental e apenas como forma de afastar Santana Lopes.
  • Considero que varrer Passos Coelho e a sua clique é outro imperativo de higiene política básica. É obra meritória e patriótica. Apoiarei essa varridela sem problemas, só que receio muito que se estejam a perfilar para a sucessão os ressabiados como Santos Silva que, apanhando-se lá. continuarão a obra do engenheiro e, pelo que se vê, aprofundarão a sua acção de bullying profissional sobre a classe docente. O grande consenso em torno da obra de pseudo-balanço das políticas educativas de MLR serviu para que eu percebesse em quem não dá para confiar.

 

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