Política


Preparem o caldeirão… que o João Ratão vai a caminho…

Pub17Mar14

Público, 17 de Março de 2014

Nothing Left

The long, slow surrender of American liberals

… no fim de um encontro em que, em apenas 3 horas, parece ser possível resolver tudo sobre o sector.

Nada de novo. O elenco é o conhecido de encontros de Ciências da Educação desde os anos 90 do século passado. Sampaio da Nóvoa abrilhanta, mas o resto é cinzento, muito cinzento.

Está nos três canais noticiosos. O discurso é chato, as inflexões de tom demasiado programadas, anémicos os aplausos da plateia.

Caça ao voto com umas piscadelas de olho muito fraquinhas.

Booooorrrrriiiiinnnngggg….

Num momento em que temos pela primeira vez em 40 anos um governo assumidamente de Direita Liberal, com todas as suas consequências, porque é tão difícil ao Partido Socialista definir-se como um partido de Esquerda, com opções claras e não assombradas pela seu passado recente de terceira via?

E, em tal contexto, porque diabos continua a acreditar que só ganhando o centro pode chegar ao poder, quando o centro foi abandonado pelo PSD sem grandes dramas, abdicando mesmo do apoio de muitos dos históricos do partido?

E, ainda dentro da mesma lógica e juntando-lhe a crise autofágica do Bloco, que raios é a candidatura do Assis, aquele personagem em forma de parenteses curvo e reticências, sem nada lá dentro de substancialmente diferente de um PSD menos puxado à direita e com um fastio enorme a qualquer aliança à esquerda do PS?

Não percebi bem se a ideia é conseguir perder as europeias,porque os lugares de deputados europeus são suficientemente dourados para conseguir coisa muito mais apelativa.

À esquerda há imensas, algumas apenas à espera de um convite. Seja para o que for. Excepção para os que têm autarquias e convidam em circuito fechado

Adoro “liberais” que são contra a liberdade individual e tratam os eleitores como uns estúpidos.

E depois há aquela noção de “colectivo” numa perspectiva de discussão interna à maneira do centralismo pseudo-democrático, em que as divergências são anuladas no seu da “maioria interna” em nome da unidade para o exterior.

Estalinista e um pouco poucochinho, diria eu.

Luís Montenegro, em entrevista à TSF, acusa alguns antigos dirigentes do PSD, atuais comentadores televisivos, de confundir os eleitores com discursos que não estão alinhados com a direção do partido.

 

 

Pessoalmente, tendo a pensar que a nostalgia representativa não passa de uma doença infantil da democracia. Afinal, a presunção de representatividade constitui meramente uma ficção, benéfica porque destinada a viabilizar a coexistência pacífica dos elementos heterogéneos e até antagónicos que formam uma comunidade de cidadãos. Só por milagre nos poderíamos rever na classe política em geral e nos governantes em particular, como se antes do acto eleitoral eles tivessem estabelecido connosco o compromisso formal de adoptarem uma certa orientação política bem definida. Mas não acontece assim; o desapontamento constitui um ingrediente inevitável de todo o envolvimento na coisa pública, que, no entanto, deveria ser vivido com naturalidade e não como uma frustração dolorosa. E um módico conhecimento da história deveria precaver-nos contra ambições de autenticidade que desembocam em regimes tirânicos e assassinos.

Existe, porém, um problema real: um abismo separa as promessas de mundos e fundos, em que poucos verdadeiramente acreditam, e a quebra nítida, descarnada de um positivo, claro e reiterado compromisso eleitoral. Uma tal quebra constitui uma autêntica fraude eleitoral. Que me lembre, esta degenerada tradição foi inaugurada por Durão Barroso, em 2003, quando fez do “choque fiscal” a principal bandeira da sua campanha, para em vez disso aumentar os impostos assim que ascendeu ao Governo. Sócrates seguiu-lhe o exemplo, decretando um agravamento fiscal depois de uma campanha em que prometera explicita e solenemente o contrário. Passos Coelho também prevaricou: ciente de que teria de governar segundo as ordens da troika, falou e prometeu como se o país continuasse livre e soberano. O que Barroso, Sócrates e Passos geraram não foi uma mera nostalgia representativa, que faz sorrir os mais cépticos, mas sim a desconfiança fundada e generalizada de quem se sente, literalmente, defraudado. Isto sim, ainda pode dar cabo da democracia.

O que os novos donos do PSD estão a fazer ao seu partido faz-me lembrar o que Blair fez ao Labour quando tomou conta dele, com o Alastair Campbell à ilharga.

Embora demonstre algo já sabido.

Novos dilemas, velhas soluções? – patronagem e governos partidários

Dos 250 congressistas anunciados, apenas votaram 94 pessoas, 89 das quais a favor da lista (única) de Rui Tavares para o grupo de contacto (órgão executivo) e cinco abstiveram-se. 

Ou limita-se a retomar o legado socrático-rodriguista com menos ímpeto e mais municipalização?

No que se distingue, em concreto, do que foi iniciado em 2005 pelo próprio PS e aprofundado em 2011 pelo PSD/CDS?

Quem está a tratar desta área nos seus gabinetes de estudos e tanques de pensamento? Alguém que não jos faça arrepelar os cabelos, mesmo os não corporativos?

É deprimente ver as facções de “lutadores” da chamada “esquerda radical” preocupadíssim@s em organizar a sua vidinha.

Num momento de avanço de medidas profundamente gravosas para o “povo”, o que encontramos na área política do Bloco?

Malta a sair de lá porque não teve os lugares desejados, com o objectivo de forçar convergências eleitorais das facções desavindas, a ver se conseguem garantir os tais lugares que sentem ser seus de direito.

Ou isso ou fazerem uma plataforma elástica para colarem ao PS.

Não percebo exactamente quais as grandes divergências programáticas… para além das tácticas de curto prazo.

Só espero que a Ana Drago não caia na tentação de alinhar com esta constelação de disparates sem significado fora de tertúlias microscópicas alimentadas a colunas semanais na imprensa.

Porque agora já não há qualquer preocupação predominante com a situação das “pessoas”, mas sim com cada um@ del@s em particular.

E nem vale muito a pena falar daquela coisa do Marinho (e) Pinto pelo MPT e o novo projecto +DP que nem se percebe exactamente o que é, qual novo MEP só que com outro Rui.

É sempre divertido encontrar estas velhas notícias e análises.

Já lá vão quase 25 anos, quando MRS se candidatou, a contragosto de Cavaco mas para alegria de Portas, à CML. Com os resultados que sabemos.

Para quem fala que o nosso país é pouco estável basta reparar como ainda são os mesmos – mais o pedrocas que nesta altura andava pela jota laranja – a construir boa parte da actualidade, só que mudando deposição relativa no tabuleiro.

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Independente, 30 de Junho de 1989

 

Se nos abstrairmos de auto-suficiência proverbial do PCP nestas matérias, mesmo em tempos mais magros e de menor arrogância, as esquerdas andam numa agitação próxima de uma casa dos segredos.

Há que existir uma plataforma, movimento, semi-patido ou três oitavos de bloco para cada grande líder e o seu projecto de afirmação pessoal em consonância com o colectivo que o elevará a a uma hipótese de bengala do seguro ou, na pior das hipóteses, a uma nomeação para a casa fernando pessoa ou outra coisa equivalente, em especial se incluir viagens pagas.

No meio disto tudo só sinto uma relativa pena pelo Rui Tavares, que ainda não percebi se é mesmo ingénuo ou se os ares europeus o fizerem desconhecer os costumes das tribos indígenas. Um homem (ele?) e uma ideia (a Europa?) só fazem carreira em situações de repressão e ditadura, mas a coisa dura décadas ou tem de haver uma qualquer forma de martírio. Ou se existir um movimento a precisar de um tipo que se chegue à frente.

Ao pé dele, a malta do 3D é pós-doutorada nestas coisas.

Por vezes há que ter mesmo a noção do nosso papel no cosmos.

A menos que se seja a lebre da corrida por gosto.

A socratização da maioria

PSD e CDS entraram na idade em que precisa de construir uma narrativa para substituir a realidade.

Digo Feio, na TVI24, incapaz de conter o ar de felicidade por ser um dos novos vives de Portas também foi incapaz de conter a expressão do pensamento de que o CDS é que Governo o país.

À tarde, Passos Coelho deve ir prestar homenagem aos corajosos governantes do CDS que arrancaram, praticamente sozinhos, o país ao caos do “socialismo”.

Isto parece a Foz News.

Lembra-se do movimento para as europeias que Carvbalho da SIlva ia dinamizar, mas o próprio negou?

Afinal sempre é verdade.

A confirmação já tem uns dias, mas a actualidade envolvente não permitiu destacar com mais calma o desmentido do desmentido.

Exp21Dez13b

(na altura houve gente muito apressada a divulgar o tal desmentido que agora não se entende, tendo eu respondido que dificilmente a notícia seria falsa)

Em nome da unidade e convergência da Esquerda, já há meia dúzia de partidos ou movimentos à esquerda do PS, se juntarmos ao PCP e Bloco, o Livre, o 3D, o MAS e o tradicional MRPP, fora outras siglas com menos penetração mediática.

No fundo temos a desagregação do Bloco em bloquinhos.

O lego político tem estas potencialidades.

Da liberdade de fazer partidos à inteligência de não acreditar neles

Um “partido livre” é um oxímoro.

Nem nos tempos heróicos (anos 7o-80 do século XX) do Partido Radical italiano isso foi possível.

Fazem-me sempre confusão os independentes que, quando se se quebra o cordão umbilical à organização que os recrutou, não conseguem passar sem transformar-se em facção da facção da facção.

E depois teorizam-se posicionamentos completamente mirabolantes para justificar criar algo que funcione como mostruário para alianças. Que levam novamente os independentes a reboque…

Basta olhar para quem lá esteve para se perceber que é uma passerelle, por muito estimáveis que possam ser as intenções do Rui Tavares, que faria bem melhor em regressar ao seu papel de historiador, onde até se safava muito bem antes de apanhar a doença.

Pub17Nov13

Público, 17 de Novembro de 2013

A entrevista de Fernando Moreira de Sá à Visão merece ser lida com atenção – e não com acrimónia e azedume – por todos aqueles que queiram compreender como funcionam os meandros da política actual. O único contra é que FMS esteve associado a duas das mais caricatas e patuscas campanhas autárquicas do PSD: GAia e Porto, Menezes e Amorim, dois estrondosos fiascos.

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