Política


… limitava-se a ouvir, a acenar, béu-béu, a dar esperanças como o amigo Pedro também deu, mas ao nível da coragem para enfrentar quem mandava, zero.

Seguro preocupado e triste com conflito entre professores e Ministério

Já sei que há iluminados que sempre souberam tudo, mas eu demoro sempre um pouco mais a atingir as coisas.

Não tenho agora grandes dúvidas que a suspensão da ADD, no Parlamento, a 25 de Março de 2011, foi combinada entre o PSD e a Presidência, que depois a vetaria.

Por isso, seja com Seguro ou com Costa, mesmo com os ex-bloquistas dependurados, nada me convence em matéria de conversa.

 

Ana Drago e Daniel Oliveira com “muita pressa” para disputar legislativas

Militantes do Bloco, Livre e Mas foram ao debate. Houve perguntas sobre os compromissos políticos. “Com que parte do PS?” Ana Drago sorriu, mas não respondeu.

No caso de DO, a descolagem feita bastante cedo nunca enganou quanto aos objectivos… Já em relaçºao a Ana Drago, esperava-se… outra coisa em vez de “pressa”.

Nos escaparates, a área política do PS e das “esquerdas” ganha, por larga margem, e até o engenheiro já tem direito a hardcover depois do paperback, que nós somos originais em tudo.

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Parece ter passado, pelo menos por agora, a onda dos sobredotados da crise que tudo sabem, mas tarde demais, pois quase todos se calaram em “tempo útil”.

 

A evolução do caso do espírito santo de orelha ajuda-nos a perceber melhor os esquemas político-financeiros que suportaram a deriva socrática até 2011.

Para os oportunamente desmemoriados, relembre-se que Ricardo Salgado fez questão em que se soubesse que tinha sido devido a uma reunião dele com Sócrates que a decisão de pedir apoio externo foi tomada.

E porque tinha ele esse poder?

Agora já sabemos que em 2011 os negócios espirituais estavam em completo descalabro e assentes em fantasias contabilísticas.

Ora, mesmo a um leigo, parece evidente que esse descalabro resultava, em boa parte, da aliança estabelecida pela banca com o poder político de então e que, em troca do acesso a negócios vantajosos com o Estado e com o dinheiro dos contribuintes, parte da nossa banca comparava dívida pública portuguesa.

Quando tudo começou a correr demasiado mal, os financiadores das políticas do engenheiro colocaram-no no seu lugar e disseram-lhe que não havia mais dinheiro para raspar no tacho, que se estava à beira do abismo… que a ganância mútua atingira um limite extremo. Já não haveria mais compras da dívida pública e o engenheiro ficaria por completo na mão dos “mercados”, sem a almofada privada interna.

Isto parece-me claro e não é novidade.

Só os teorizadores do “marimbemo-nos para a dívida” é que nada disto parecem reconhecer como real e objectivo.

O que deve ser sublinhado é que o que agora se sabe apenas confirma que os negócios espirituais estavam profundamente interligados com as opções políticas de então e que o caos que agora se instalou – o tal “perigo sistémico” – não surgiu, de súbito, do nada. A situação era, por certo, conhecida de muita gente (na vida política e financeira, mas também na comunicação social) mas apostou-se na corrida sobre o vazio durante muito tempo. Como aqueles dealers que vão acumulando perdas, na esperança de um volte-face à Hollywood dos bons tempos.

Quando se quer reabilitar a solução governativa anterior, porque a actual é péssima, parece esquecer-se que se está a reabilitar tudo o que se critica em termos de manigâncias financeiras da banca privada.

Parece que há quem ainda não tenha conseguido perceber que é tempo de avançar e largar de vez o lastro de um passado que não deve ser esquecido mas que, de forma alguma, pode ser reabilitado.

Ontem, à noite, na TVI24, Augusto Santos Silva deu largas à sua proverbial e periódica pesporrência analítica que serve, como em quase todos os analistas, para acertar contas pessoais e políticas e não propriamente para “analisar”.

Na ocasião, dizia ele que Passos Coelho foi levado para o poder num andor que quatro personalidades seguravam: Paulo Portas, Jerónimo de Sousa, Mário Nogueira e Francisco Louçã.

Para além do ressabiamento geral quanto aos que chumbaram o PEC IV (que foram todos os partidos da oposição, coisa que alguns fazem por ignorar ou amputar da realidade), nota-se ali um ódio particular aos professores que ele quis injustamente personalizar em Mário Nogueira, o líder sindical que tão boas relações tinha com Isabel Alçada/Alexandre Ventura durante o segundo governo do engenheiro Sócrates, com quem se entendeu e acordou em mais de uma ocasião.

Singularizar Mário Nogueira foi apenas uma forma de apontar o dedo aos professores em guerra com Sócrates, desde os tempos de Maria de Lurdes Rodrigues no ME,

E revela como esta gente do grande centrão partilha as ideias e projectos.

Mas voltando ao essencial eu gostaria de deixar claros alguns pontos sobre esta matéria, enquanto cidadão e professor:

  • Varrer o engenheiro e a sua clique do poder foi um imperativo de higiene política básica. Apoiei essa varridela e fá-lo-ia outra vez, pois considero que foi obra meritória e patriótica. Percebo que Santos Silva discorde, mas, afinal, cada um defende a sua facção como pode.
  • Quando se diz que Passos Coelho chegou ao poder de modo instrumental e apenas como forma de afastar Sócrates, parece ignorar-se que Sócrates chegou ao poder de modo instrumental e apenas como forma de afastar Santana Lopes.
  • Considero que varrer Passos Coelho e a sua clique é outro imperativo de higiene política básica. É obra meritória e patriótica. Apoiarei essa varridela sem problemas, só que receio muito que se estejam a perfilar para a sucessão os ressabiados como Santos Silva que, apanhando-se lá. continuarão a obra do engenheiro e, pelo que se vê, aprofundarão a sua acção de bullying profissional sobre a classe docente. O grande consenso em torno da obra de pseudo-balanço das políticas educativas de MLR serviu para que eu percebesse em quem não dá para confiar.

 

… destinada a unir o que acabou de ser desunido por causa da criação de outras 74 plataformas unitárias deste tipo.

Vantagem imediata: espaço mediático para aparecer um punhado de protagonistas por cada nova plataforma, algo que era mais difícil com uma única organização.

Vantagem a médio prazo: um lugar de “independente” nas listas daquele outro partido mais crescido, com que se quer uma relação em forma de união de facto.

Tudo em nome da união das esquerdas…

Inscrição de simpatizantes para as primárias do PS começa esta terça-feira

E não é só Costa… é toda a multidão – a ganga – atrás dele, prontinha para recuperar o controlo da cozinha.

E o que se teria a dizer dos silêncios e omissões de Seguro durante o consulado socrático?

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Público, 15 de Junho de 2014

De que oposição está a falar?

No PS é o que sabe… no Bloco, idem. Só se for com a CDU e o Marinho [e] Pinto.

Cavaco quer entendimento entre Governo e oposição até ao Orçamento

 

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Expresso, 7 de Junho de 2014

Como com Costa, o problema são os “empurrantes”. Se é para servir de testa de ferro a oliveiras&rosas, mais vale ficar quieta e independente de quem sabe que não tem capacidade para fixar a atenção de um eleitorado. O que ela tem…

“É preciso obter a clarificação necessária do Tribunal Constitucional para que os investidores e os portugueses saibam com o que contar”, disse Pedro Passos Coelho no final da Cimeira Luso-Espanhola. “Não podemos viver em permanente instabilidade constitucional”.

Vamos lá ser honestos… o que o Governo está a tentar, na ausência de uma revisão constitucional do seu agrado (e que terá o apoio de 27% de um terço dos eleitores), é uma subversão total da nossa ordem jurídica a partir do poder executivo.

Isto não é comparável com o PREC porque nessa altura não existia Constituição aprovada.

Não é comparável com o Estado Novo, porque a Constituição de 1933 atribuía ao poder executivo a capacidade de “aclarar” certos aspectos constitucionais sem se preocupar com fiscalizações.

Ou seja… se pensarmos bem… esse seria um modelo de Constituição adequado aos nossos actuais desgovernantes.

Penso que é essa forma de ausência de “sobressalto” – um poder executivo que governa sem freios e subvertendo os princípios de funcionamento de uma democracia liberal e parlamentar – que Passos Coelho almeja.

E sim, acho que pela primeira vez, explicito que o actual PM tem um pensamento que foi evoluindo para o desejo de uma prática governativa autoritária e proto-ditatorial. A tal “ditadura do Governo”.

Em Portugal somos originais, pois o salazarismo já foi considerado um singular “fascismo sem movimento”.

Agora temos um governo que se pretende liberal mas que renega os princípios mais basilares do liberalismo.

Os tempos estão perigosos.

E em Belém, um enorme vácuo.

Quanto ao Costa, não passa de um peão.

O secretário-geral do PS, António José Seguro, admitiu hoje que “abdicou” de ser candidato a primeiro-ministro e propôs eleições primárias alargadas a militantes e simpatizantes para que o partido encontre uma “solução política” para concorrer às próximas legislativas.

Nem vou falar de uma moção de censura antes da decisão do TC que se adivinhava desfavorável ao Governo. O PCP tem destas coisas, como em tempos o Bloco. Apresentam moções de censura quando as sabem inócuas, apenas para marcar créditos na caderneta da militância e entalar os vizinhos.

Falo de um Soares, o Velho, a apelar a uma esquerda de “camaradas de punho erguido” quando foi ele que, contra Alegre, promoveu uma aliança com os socráticos, exactamente contra essa esquerda que então considerava “radical”.

E António Costa, ex-nº 2 do engenheiro, aparece agora como esperança de uma esquerda unida que ele renegou em Lisboa, apenas indo colher “independentes” do tipo Sá Fernandes?

O tempo para substituir Seguro era outro, com outras gentes, outras roupagens, outras coerências.

Um relatório alemão sobre a política e a desgovernança em Portugal

Soares apoia Costa e acusa liderança de Seguro de mal se identificar com o PS

Mário Soares vê em António Costa o líder do partido “do punho erguido à esquerda e dos socialistas que não têm medo de ser tratados por ‘camaradas'”.

Ainda alguém se lembra de quem enfiou o socialismo na gaveta, mais os camaradas e os punhos erguidos, pela primeira vez?

Quando os lacões começam a abandonar o barco…

… Soares, o Velho que o empurrou de escantilhão?

Depois de ouvir os lellos e ramalhos (até o galamba mais jovem) nas televisões, restam pouca dúvidas que o amuo não ficaria por palavras.

 

E mandou dizer ao Tózero pelas rádios e televisões.

Todos aos seus recuos.

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 Umberto Eco, “Eternal Fascism: Fourteen Ways of Looking at a Blackshirt” in Chris Hedges, American Fascists. NY: Free Press, 2006.

Porque é preciso ter algum cuidado com aqueles que se aceitam como colegas de caminho nas críticas aos males de uma Europa que, como Weimar, se apresenta como irremediavelmente decadente e corrupt(or)a.

E cuidado com o caminho, como é óbvio.

 

A vida é assim… as “estrelas” só aparecem quando acham que há palco compatível. Ou então vão em busca de outras (p)aragens.

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Expresso, 17 de Maio de 2014

Por exemplo, alguém via a Joana Amaral dias a apoiar alguma figura feminina do Bloco? Haveria “espaço” para tal?

E ainda alguém se lembra do arraial que ela armou quando disse ter sido assediada por aquele secretário de Estado do PS para mudar de cores? quem foi que a assediou agora, que foi de tão boa vontade?

Joana Amaral Dias levanta convenção do PS ao pedir que se trave “rapaz” Passos Coelho Presença de Joana Amaral Dias foi uma surpresa apenas anunciada no próprio dia da Convenção socialista “Novo Rumo”.

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