Não Os Assustem Agora!


… é aquela que produz doutores assim:

“Exames da 4ª classe só podem ser bons para os psiquiatras”

Rui Armando Santiago, doutor em Ciências da Educação, defende que os exames do 1.º ciclo do ensino básico que se realizam esta semana provocam nas crianças uma angústia desnecessária.

Eu poderia desenvolver o que penso em relação a isto e repetir-me, mas… sinceramente acho patético, seja pelos paralelismos, seja por tanta outra coisa que me faz pensar que deveríamos abrir uma conta para ajudar quem ironiza.
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“Quando estava no quarto ano de escolaridade fiz uma série de exames. Para além do exame da quarta classe, que até íamos fazer de gravata ou laço, havia o exame de admissão ao liceu ou à escola técnica. Isso não me trouxe muita vantagem para a minha vida”, recordou ao Expresso.

“Estão de volta os exames e imagino a angústia que as crianças estão a sentir. Ao fim de quatro anos de escolaridade, fazer estes exames só pode ser bom para os psiquiatras. Daqui a alguns anos podem ter mais alguns clientes”, ironiza Rui Santiago.

“Para os miúdos nem sempre são experiências positivas. Faz lembrar o Estado Novo”, acrescenta.

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É que eu aceito argumentos racionais contra os exames, não meros anátemas baseados em problemas pessoais, ainda para mais retorcendo os factos.

Numa interpelação ao Governo por parte do PCP, ver o Lacão e o Zorrinho a assumirem o papel de crítica ao pedido de demissão do Governo.

Já se percebe ao que vem o engenheiro

Está na ordem do dia. O truque está em só confiarmos uma vez, ou nem isso, e identificar os canais e os colaboradores, voluntários ou enganados, para os ver falar, mas não ouvir.

Ao lado das tácticas mais agressivas de borginhos e relvettes, temos as dos ex-bloguinhos ou ex-outra coisa (que é feio falar do passado das pessoas, em especial quando embaraçoso), muito inteligentes em si mesmos, divertidíssimos a espalhar a confusão de forma cirúrgica.

… e o seu cruzamento com o novo regime de avaliação do Ensino Básico ainda o torna mais assim, em tudo o que envolve o encaminhamento das situações de falta (injustificada) de assiduidade e posteriores consequências, nomeadamente no que se relaciona com os alunos que fiquem retidos em anos de escolaridade não terminais.

Tentem, por exemplo, articular o artigo 21º da Lei 51/2012 com a alínea f) do nº 3 do artigo 9º do despacho normativo 24-A.

Mas não é essa a única situação menos clara.

O que chateia é que, no fundo, a maior parte das pessoas anda a remendar soluções de recurso em cima de legislação feitas com escassos entido e quase nenhuma ligação à realidade terráquea.

Com o devido respeito por quem lá trabalha, se o Estatuto de Aluno, no que à assiduidade e comportamento diz respeito, fosse devidamente respeitado, as CPCJ implodiriam, explodiriam e entrariam em órbita em poucas semanas.

Mas a verdade é que professores, directores de turma e escolas andam a tresler e a reinterpretar a legislação para não encontrarem o que lá está, para evitar que tudo isto desabe.

Confesso que não percebo bem porquê, pois o MEC não merece que se ande a encobrir a porcaria que vai fazendo com assinalável regularidade.

Passos Coelho: “O Governo não está para cair”

Só assim se entende que seja representado no Parlamento por um ministro imaginário, que se mantém no cargo pelas razões que se foram descobrindo. Desde os tempos do espião até às descobertas da formação.

O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, deixou nesta quinta-feira, na Assembleia da República, o que pareceu ser um recado às bancadas da maioria e ao ministro Paulo Portas, ao afirmar que não há espaço para “estados de alma” nem para “países imaginários”.

Por acaso ouvi parte do discurso e garanto que foi um dos conjuntos mais memoráveis de chavões, vacuidades, inanidades e coisas equivalentes de que há memória no Parlamento português que, já de si mesmo, não é avaro em tais coisas.

Do Mestre Gil, alguns idiotas, todos do século quinze e seguintes, diriam que coiso.
Mas não disseram, veja-se o seguro como exemplo.

Não estou a falar do fenómeno das pessoas lindonas e gostosas por tudo e nada. No outro dia acho que uma senhora com 112 anos, uma desdentadura digna de Guiness (livro ou cerveja) e um bigode à cossaco recebia elogios qual Ava sem Adão.

Mas não é isso que aqui me ocupa.

Ocupa-me o facto de, sem ter mexido um dedo, me ter visto metido numa série de grupos de professores em luta por isto e aquilo. E vocês sabem o quanto não me pelo por uma luta. Mas tudo bem, desde que seja virtual aceito-me minimamente gregário. O que me espantou foi a profusão de declarações de vitória e de vamo-nos a eles e de não desistimos nunca, que me fez quase pensar estar num balneário de equipa de futebol, felizmente sem a parte dos odores e tudo o mais. A menos que seja feminina. A equipa.

Mas é verdade. Acho que é o local ideal para um tipo do Sporting estar, mesmo em tempo de pré-época. O problema é que anda por lá sempre uma espécie de Luís Filipe Vieira a incitar a tudo e mais alguma coisa. E eu não aprecio muito ser incitado.

Isso e notar que quem há uns anos gozava com a superficialidade dos blogues agora promove estas coisas, em forma de bem preparado sucedâneo espontâneo.

A vida dá destas voltas. A luta também.

Agora até já prometem plataformas. Só espero que se lembrem de colocar água na piscina antes de atirarem os laikes, que são coisas frágeis e resistem mal ao impacto com a realidade.

Vice-presidente do PSD/Porto defende saída de Relvas

Presidente da Distrital do PSD Porto não se revê nas palavras de Firmino Pereira

António Borges vai liderar equipa que supervisiona as privatizações

Acho que muita gente já reparou que nos últimos tempos, quer em círculos políticos próximos do governo, quer na blogosfera alaranjada, quer ainda em algumas criaturas comentadeiras, renasceu aquele discurso anti-profes que caracterizou a permanência do engenheiro no poder.

Começam a notar-se demasiado as semelhanças. Aquelas que eu vi, em devido tempo, no lançamento do livro da pseudo-Pasionaria da Educação cá do burgo. As afinidades mal (in)confessadas. Houve momentos em que pensei que talvez tivessem compreendido o erro mas, já se sabe, com umas quantas viagens à Órópa há quem se deslumbre e pense que se elevou acima de. O deslumbramento provinciano é pior que o provincianismo assumido.

Mas voltando à postura acintosa anti-profes…

É um erro.

Poderia desenvolver, mas fica a ideia para que a possam digerir. Uma simples tentativa para que percebam que ou resolvem os vossos demónios ou acabarão consumidos. Como o(s) outro(s).

Quem é amigo, quem é?

Passemos então das coisas propriamente demográficas para as educacionais. Procuremos a arma fumegante que demonstra a desnecessidade de mais professores porque os portugueses andam a procriar menos.

A fonte é oficial.

Eu sei que dizem que esta é uma série curta, mas é aquela que está acessível com desdobramento de dados, em particular com os processos RVCC, vulgo Novas Oportunidades, que permite melhor analisar a evolução.

Vejamos então… em 2005/06 existiam 1.648.588 alunos matriculados. Em 2007/08 tinham subido para 1.701.482. Quase mais 53.000 alunos. E em 2008/09 sobrem para 1.952.114. O salto é realmente muito forte. Mais 250.000 alunos…

Salto quântico devido às NO, dizem os demógrafos negativos.

Então somemos os processos RVCC em 2008/09: 472 no 1º CEB, 8831 no 2º CEB, 100.688 no 3º CEB e 98.129 n0 Secundário. Total 208.120 alunos devidos às NO.

Mas o acréscimo foi de 250.632. O que significa mais 42.500 alunos matriculados, sem contar com as NO.

Pois… e agora?

Há mais ou menos alunos nas escolas?

Há mais! Deu agora para entender?

Podem não esticar muito mais mas, neste momento, é errado dizer que há menos alunos. Errado! percebem o conceito? Há coisas certas e outras erradas. A menos que ainda sejam pós-modernos ou então sejam relativistas tipo BSS.

Podem martelar a Demografia Negativa nos dados, evocar mais algumas teorias, mas não conseguem que ela desminta os factos.

Quanto à evolução comparativa do número de docentes, alunos, rácios, alunos por turma, etc, fica para amanhã, porque isto é feito de borla e se fosse à hora num seminário de apoio à investigação num curso de doutoramento eram umas centenas de euros que seriam cobrados aos alunos para aprenderem coisas básicas de uma licenciatura antanha.

 

Recebi o seguinte mail do Livresco, que é quem anda no terreno:

Depois de publicares o link neste post:

http://educar.wordpress.com/2011/07/13/a-add-os-conceitos/

A Escola Secundária c 3º CEB José Macedo Fragateiro mandou o link abaixo (conforme imagem):

Eu, por acaso, até acho que o documento estava muito bem conceptualizado.

… depois de falar à Comissão Nacional. Pode ser ou pode não ser. Nem me tenho de tanta falta de curiosidade. O Assis também disse qualquer coisa. Qualquer deles está um pouco pesado para D. Sebastião Rosa. O outro é mais clean. E diz que tem muitos apoios no FBook. Ainda acaba em Presidente.

Quanta vontade de serem qualquer coisa, tipo Almeida Santos em meados de 80.

vem aí o FBI

Na RTP1 esteve agora a passar uma peça sobre os preparativos das forças de segurança para enfrentar uma eventual manifestação daqueles que são conhecidos como black block.

Nas imagens, um gripo completamente descoordenado de polícias investe contra um pequeno grupo de pretensos manifestantes.

O espectáculo é deprimente.

No final, um responsável policial admite que houve descoordenações e que é necessário melhorar algo.

Bem…

Isto foi com um ensaio combinado!

Imaginem numa situação real…

Se fosse aos black block e afins, caso estejam a pensar fazer alguma coisa, mandava a segunda equipa e deixava os titulares a descansar para a próxima jornada…

China’s Wen offers to buy Greek debt

China promises support for euro and euro bonds

Agora é só renegar o Nobel da Paz, colocar o engenheiro na loja dos 300 e dar graças pelo capitalismo de Estado!

Crise Ornamental

Para aqueles que de professores mantém o nome, carreira e progressões, mesmo se do trabalho quotidiano se vão libertando em funções de relevante interesse público ou social: deputados, assessores, governantes, sindicalistas, etc. Espero que tudo tenha sido negociado, sem dramas, em família.

O valor das ponderações é, no mínimo, curioso. Está tudo aqui.

Encontrado aqui.

Já percebi que há excitações múltiplas e nem sequer apareceu o Valter Lemos a interpretar os dados, nem sabemos se o Paulo Chitas escreverá sobre isso na Visão..

O link fica aqui.

Eu, como não estou com muito tempo livre, decidi fazer aquilo que é mais habitual nos analistas interessados: vou em direcção ao que me interessa, claro está, e selecciono os dados que me interessam, numa perspectiva interessante.

Ora bem… interessei-me pelo Indicator D4: How much time do teachers spend teaching?

Se repararem há lá um quadro (D4.1) no ficheiro Excel que tem uma tabela que responde pela designação Net Teaching Time in Hours (que posso traduzir por tempo efectivo a leccionar, mas que numa tradução em Português Técnico será “horas a ensinar em rede” ) que é muito educational indeed. Fica aqui a imagem em tamanho reduzido:

O que notamos?

No ensino primário, os calões dos professores tugas trabalham 855 horas contra uma média de 786 horas nos países da OCDE e de 763 nos 19 da União Europeia que estão na tabela. Ou seja quase mais 100 horas por ano, ou seja ainda, um diferencial superior a 10% em relação aos da União e um pouco menos em relação aos da OCDE. Nem será bom lembrar que os professores primários na Inglaterra surgem com 654 horas de trabalho lectivo efectivo por ano, os dinamarqueses com 648 e os finlandeses com 677. Já mediram bem a diferença? Assim a olho anda pelos 20-25% de trabalho em sala de aula a mais.

E quanto ao ensino secundário inferior? Vulgo 2º e 3º CEB? Os mandriões dos portugueses trabalham 752 horas, contra uma média de 703 na OCDE e 661 na União Europeia. Os dinamarqueses? 648! E os finlandeses? 592!!! Os japoneses? 603!! Verdade se diga que os mexicanos trabalham mais, mas…

E quanto ao ensino secundário superior (o nosso Secundário)? Os sonecas cá do burgo trabalham 752 horas limpinhas por ano na sala de aula, enquanto na OCDE se ficam pelas 661 horas e na União Europeia pelas 632. Japoneses? 500 horas! Finlandeses? 550!! Dinamarqueses? 364!!!

Isto significa que quando os sheetas, miguéis e rangéis zurzem nos salários dos profes, esquecem-se destes detalhes que passam por coisas de somenos como uma carga de trabalho 10 a 25%, ou mais, superior à dos confrades do norte da Europa ou da própria OCDE.

Se alguém fosse caridoso e se desse ao trabalho de medir o famoso diferencial positivo salarial dos professores portugueses, algo que não me apetece fazer por razões animalescas não vá alguém colher os louros, talvez constatasse que ele é largamente absorvido pelo trabalho acrescido na sala de aula que, todos concordam, é aquilo que constitui a essência da docência.

Mas, claro, o que interessa mesmo é destacar os ganhos conseguidos à custa das creches criadas (e muito bem) pela administração do Jumbo…

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