Livros


Os que têm o vício inveterado de comprar livros muito acima da média ou que têm a possibilidade de pagar 15 euros por qualquer mini-ensaio, cerca de 20 por reedições de obras com décadas, a que se acrescentou um prefácio que nem deve ter sido pago ou essa quantia ou mesmo muito mais por qualquer obra (de ficção ou não-ficção) que se apresenta em “grande formato”, de produção nacional ou a necessitar de tradução, como justificação para o aparatoso preçário (embora daqui a pouco mais de um ano seja possível achar entre os 5 e 10 euros nas promoções meio disfarçadas de super e hipermercados).

Assim, nunca conseguiremos inverter a desigualdade de termos cada vez menos gente a comprar e ler muito e cada vez mais a comprar e ler menos ou mesmo nada.

Continua a apostar-se na rotação rapidíssima das propostas, tentando recuperar o investimento com poucas vendas de elevado valor unitário e desistindo de uma estratégia de (nem que seja incipiente) massificação do consumo. Apresar da manutenção de algumas colecções “de bolso”.

E o disparate já atinge a literatura infanto-juvenil, cortesia de certas listas ministeriais de leituras recomendadas, que começa a ter reedições de obras (mesmo com autores bem defuntos e com direitos de autor inertes) a 10-12 ou mais euros.

No meu caso, cada vez mais acabo por desertar do “negócio”, pois se posso comprar a metade do preço, a única decisão racional em termos de economia doméstica é essa e não me digam que são a tradução ou a qualidade da edição que justificam o “desvio colossal”.

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… que pretenda ser de não-ficção sobre um qualquer tema acerca do qual se pretende esclarecer em vez de fazer propaganda é verificar se a bibliografia apresentada contém, entre as referências a outros estudos, pelo menos 10-20% de títulos que possam servir de contraditório para as teses expostas.

Quando na bibliografia apenas se encontram obras e autores com os quais se concordava à partida e cujas teses se defendem, ou mesmo de mentores pessoais, já se sabe que estamos perante uma fraude. Uma treta que enuncia as teses adversas como coisas do género “há quem diga que…” ou “é costume dizerem que…”, mas fugindo sempre a contraditar no concreto e truncando a informação fornecida ou adulterando mesmo os dados apresentados como “objectivos”.

Hoje, enquanto fazia uma criteriosa selecção de aquisições em agradável promoção numa Bertrand, tive o prazer de encontrar uma das mais recentes dessas tretas que não vou nomear, pois decidi fazer o mesmo que um trio da vida airada estende por mais de 200 páginas com um tipo de letra arejado, margens muito amplas e parágrafos curtos, parecidos com os de um guião para actores esclerosados de 3ª linha…

E ainda têm a distinta lata de falar em “isenção” quando não passam de moços de recados.

… há sempre que guardar tempo para (re)encontrar oportunidades para darmos alimento aos nossos vícios.

Neste caso, é uma livraria-alfarrabista, sem nome cá fora, ali pela rua do Diário dos Açores, em Ponta Delgada, um pouco acima do (encerrado) Gil e quase defronte da (decadente, mas com promessa de recuperação) Casa das Palmeiras.

Há esplanadas perto, para degustar as aquisições que, este ano, foram muito regradas, cortesia do ambiente de esbulho fiscal, laboral, social… etc e tal.

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Da Heavy Metal estão por lá vários anos, de meados da década de 90 do século passado a cerca de 2000 (trouxe apenas os números especiais, pois nem me lembro dos que tenho dos normais),  a 1 euro e ao lado uma estante inteira de coisas da Marvel e DC Comics a metade do preço, mas eu para isso já tenho pouco espaço e paciência.

Muitos livros de Arte e o espólio da falida Quarteto, neste caso com tudo a menos de 3 euros.

Paperbacks a 3,5€ para meu desespero e esforço para arranjar espaço para trazer um pequeno lote.

A publicidade é merecida, mesmo se nem guardei o nome do proprietário, apesar das afáveis conversas sobre o acervo dos 250.000 livros por vender…

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É bom que dê para as férias… sempre são mais de 1000 páginas.

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Nos escaparates, a área política do PS e das “esquerdas” ganha, por larga margem, e até o engenheiro já tem direito a hardcover depois do paperback, que nós somos originais em tudo.

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Parece ter passado, pelo menos por agora, a onda dos sobredotados da crise que tudo sabem, mas tarde demais, pois quase todos se calaram em “tempo útil”.

 

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