Leitura


Setenta por cento dos docentes do 1.º ciclo dizem que ler livros ou revistas por iniciativa própria tem “muita” ou “bastante” influência na forma de ensinarem. Mais do que a formação inicial.

Acho que esta atitude até é razoavelmente saudável e tenho algumas dificuldades em assumir que os professores são incapazes de uma análise crítica das suas fontes de informação (pronto, pronto, temos o caso do SE Grancho para me desmentir), o que parece ser convicção do autor do estudo. Bem como parece mais interessado numa homogeneização dos métodos pedagógicos do que em abordagens diferentes e abertas a novidades.

O autodidactismo preocupa João Lopes por ser “muito permeável a coisas erradas do ponto de vista científico”. No estudo, pode ler-se que o autodidactismo levanta “algumas interrogações”, porque aumentará “a probabilidade de cada professor ensinar à sua maneira”.

Outro aspecto salientado pelo investigador prende-se com o facto de, num bloco de duas horas de Português, os docentes privilegiarem a leitura, a compreensão e a escrita de texto, mas valorizarem menos a literatura e a ortografia.

Já agora, a Literatura aprende-se lendo e compreendendo. Sem se ler e compreender, papagueia-se Literatura.

E papagaios presumidos já temos muitos.

Oeste

Há equipamentos essenciais para combater as desigualdades no acesso à Cultura. As Bibliotecas Municipais estão na primeira linha dessa luta… que não pode passar apenas por cálculos de mangas de alpaca.

O meu nome é Jorge Gustavo de Albuquerque Furtado Lopes e, na qualidade de ex-diretor da Biblioteca Municipal da Nazaré procedo ao envio desta mensagem juntamente com um documento em anexo explicativo da grave atentado ao futuro da Biblioteca Municipal da Nazaré, pela elevada consideração que tenho por si na preocupação que sempre manifestou em prol do livro e da leitura, e pelo indiscutível apreço que sempre demonstrou pelas bibliotecas,

Esta denúncia tem a ver com a aniquilação completa de uma equipa de quatro funcionários altamente qualificados que asseguravam, desde a abertura da biblioteca em 22/11/2008, o seu funcionamento e a possível transformação deste espaço numa espécie de “Pavilhão Multiusos Cultural” num evidente atropelo à utilização de dinheiros públicos e fundos comunitários e numa lógica de destruição de um espaço cultural moderno e de serviço público.

A razão evocada para a extinção (económica) esbarra no valor total de ordenados da equipa de 4 pessoas (3700 €) brutos/mês que asseguravam um serviço público à comunidade local, regional e nacional e a todos os turistas que anualmente visitam esta bela vila portuguesa. E este assunto já está a ser devidamente tratado ao nível da DGLAB (Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas) desde o passado dia 12/02 mas não queria, por um imperativo de cidadania e de respeito por todos aqueles que, no nosso país, desenvolvem a sua atividade profissional na área cultural, deixar de lhe dar conhecimento pessoal desta situação gravíssima.

Está activa uma petição on-line relacionada com esta causa que já conta com mais de 800 assinaturas de um leque variado de
agentes culturais nacionais e com o apoio dos ex-Secretários de Estado da Cultura Francisco José Viegas (PSD). Mário Vieira de Carvalho ,  Rui  Vieira  Nery e e Elísio Sumavielle (PS) e do ex-Ministro da Cultura socialista Manuel Maria Carrilho.

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT72756

Este assunto foi abordado nestes dois blogues :

http://ler.blogs.sapo.pt/as-bibliotecas-abatem-se-devagar-ou-941379

http://dererummundi.blogspot.pt/2014/03/as-bibliotecas-tambem-se-abatem.html

De um bibliotecário e sua equipa tristes mas determinados

Jorge Gustavo Lopes

Biblioteca Municipal da Nazaré

http://nazare.dns1net.com/bmn/

Anexo: As Bibliotecas também se abatem – DGLB

Apprendre à écrire ne sera plus obligatoire dans les écoles de 45 Etats américains

… o melhor é ler um bocado.

Foto1448Foto1447

Recordemos aqui o estímulo e reconhecimento dado a alunos e professores pelo MEC (ficando nós sem perceber o que diria dos que ficaram pior colocados, mas que há quem pretenda copiar,  ao ponto de ser convocado para…)

Isto quer dizer, acrescenta-se na nota, “que em Ciências estes alunos têm quando muito conhecimentos e compreensão elementares sobre situações práticas, mas não têm domínio suficiente desses conhecimentos; em Matemática, podem conseguir aplicar conhecimentos básicos em situações de resolução imediata, mas não têm domínio desses conhecimentos suficiente para resolver problemas; e em leitura, podem ser capazes de fazer inferência directa, mas não têm fluência suficiente de fazer inferências e interpretações baseando-se no texto”.

Quando a realidade até é favorável, martela-se uma visão (conveniente) de tragédia.

Realmente deve ser chato quererem que copiemos modelos de países (a Alemanha com aquilo dual e a Suécia com o cheque-ensino) cujos alunos apresentam os mesmos resultados do que os nossos em na leitura, quando dispõem de muito melhores condições socio-económicas.

Cf. PIRLS 2011.

PIRLS2011

Aqui o relatório. Parecendo que não, até nem estamos assim tão mal quanto se anuncia.

PIRLS1

E isto é tanto mais notável quanto Portugal está entre os países onde os alunos dispõem de menos recursos do que a média em casa.

PIRLS4

Se calhar, se calhar, os professores e as escolas não serão assim tão maus/más… a menos que seja o Divino Espírito Santo que consegue um desempenho bem acima da média com meios domésticos inferiores à média.

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