(In)Sucesso


… em relação à peça que faz a capa da Visão de amanhã. Não sei se aproveitaram alguma coisa do que disse à jornalista Teresa Campos, mas posso deixar por aqui as duas ideias principais:

  • Muito do que agora se apresenta como sendo inovador ou novo não passa da reutilização de coisas que já são praticadas há muito entre nós.
  • Algumas experiências apresentadas como de sucesso são tão mais eficazes quanto não tendam a querer generalizar-se para muito longe do seu contexto original.

Sem conhecimento a ser transmitido, os papéis de aluno e professor não existem. Centrar-se apenas num dos pontos da transmissão (receptor(emissor ou mesmo tomando-os como híbridos) é um erro. Esta conversa é antiga, o debate ultrapassado e os resultados da imposição desta lógica não deu resultados e a culpa dificilmente é dos professores quando a maioria já foi formada dos anos 80 para cá.

Professores precisam de centrar-se mais nos alunos, diz OCDE

(…)

A OCDE lançou hoje um estudo sobre avaliação, centrado em Portugal, que analisa as políticas de avaliação no sistema de ensino português e faz recomendações para melhorar a eficácia dessas políticas. Além dos alunos e dos professores, as escolas e o sistema de ensino no seu todo também são avaliadas. O estudo relembra que foram feitas várias reformas, nos últimos anos e com apostas para serem cumpridas até 2015, como assegurar que todos os jovens permanecem no sistema escolar até aos 18 anos.

“A oportunidada dada aos pais e aos estudantes de influenciar as aprendizagens é mais limitada do que noutros países da OCDE”, diz o sumário com as principais conclusões do estudo. A equipa de observadores da OCDE ficou com a percepção que é dado pouco ênfase a que os alunos desenvolvam capacidades para regular a sua aprendizagem quer através de auto-avaliação, quer de avaliação entre pares.

Para a OCDE é “óbvio” que o aluno não está no centro da aprendizagem porque existem elevados níveis de repetência, acima da média da OCDE. Portugal tem o quarto nível mais alto de repetências, entre os 34 países, de acordo com dados do PISA de 2009, já conhecidos, sobre os resultados dos alunos de 15 anos a língua materna, a matemática e a ciências. Em média, dez em cada 100 alunos repetem um ano, apontam os directores das escolas portuguesas.

A reprovação é “uma prática que permite aos professores reduzir a sua expectativa em relação ao desempenho dos alunos”, defende Paulo Santiago, coordenador do relatório e analista principal na direcção da Educação da OCDE, ao PÚBLICO. A investigação sobre o assunto mostra que a reprovação “é uma medida ineficaz, custosa e quem certamente, não está centrada no objectivo de fazer progredir o aluno na sua aprendizagem”, acrescenta.

Por isso, a OCDE recomenda que o aluno seja o centro.

Estou cansado de especialistas da OCDE que não faço ideia por onde andaram a observar aulas e metodologias. Este especialista, por exemplo, em 2009 até dizia coisas interessantes sobre a ADD que ninguém levou a sério.

E depois há a incoerência de um pensamento que critica a avaliação dos alunos e depois elogia os inícios de uma cultura de avaliação no sistema educativo e que a mesma deve ser aprofundada de forma articulada e coerente (algo que acho pacífico e sensato), mas que não pode ser feito pela metade.

In the last decade, Portugal has come far in developing the foundations of a framework for evaluation and assessment. A range of initiatives clearly communicate that evaluation and assessment are priorities in the school system and reveal a coherent and comprehensive agenda to develop an evaluation culture among school agents. However, at the present time, there is no integrated evaluation and assessment framework – it is not perceived as a coherent whole and it does not visibly connect all the different components. An important initial policy step is to develop a strategic plan or framework document that conceptualises a complete evaluation and assessment framework and articulates ways to achieve the coherence between its different components. The process of developing an effective evaluation and assessment framework should give due attention to: achieving proper articulation between the different evaluation components (e.g. teacher appraisal, school evaluation and school development), and ensuring the several elements within an evaluation component are sufficiently linked (e.g. school self-evaluation and external school evaluation).

Ou seja, os alunos devem ser o centro, desde que não seja da avaliação.

É pá, tá bem!

Já percebemos a palavra fundamental: custosa.

Ordem dos advogados chumba 59% dos candidatos

Dos 886 licenciados que concluíram os dois anos de formação na Ordem, apenas 367 conseguem aceder à carreira de advocacia. Ilhas com 100% de reprovações.

Depois da razia nas provas de acesso à segunda fase do estágio, com 65% de reprovações, os números inéditos de chumbos mantêm-se.

“Alguma coisa está mal. Ou está mal a formação da Ordem, ou estão mal os exames, ou está mal a correção. É necessário uma reflexão profunda. Há pessoas que dão aulas na Universidade que também chumbaram”, diz ao Correio da Manhã José Leiria, presidente do Conselho Distrital de Faro.

Isto só se resolve com uma avaliação a sério do Ensino Superior mas, infelizmente, isso deixaria muita obra, inteira ou partida, sem empregos para distribuir e muita gente que nada sabe fazer a bater à porta do Secundário e do Básico.

Mas aqui, como em muita outra coisa, o Centrão opta sempre por deixar incólumes os verdadeiros nichos de privilégio e em não responsabilizar aqueles que são responsáveis pelo engano em que se tornou muito curso do ensino superior, público mas principalmente privado.

… respeitar a autonomia das escolas quanto às soluções pedagógicas a adoptar para combater o insucesso.

É errado substituir modelos únicos por outros modelos únicos.

No Expresso de hoje apresenta-se a ideias do MEC de criação de grupos de nível como directa inspiração de projectos já em desenvolvimento que terão dado bons resultados.

Acredito que sim e ainda bem que há boas experiências. Claro que seria interessante saber se o sucesso foi medido apenas com instrumentos internos.

é papelada, papelada e mais papelada. Sei porquê, pelo medo.

Adenda: “A única coisa que devemos temer é o medo em si, um terror sem nome e sem razão, que paralisa os esforços necessários para converter a fuga em avanço.”

Franklin D. Roosevelt (primeiro discurso presidencial, 4 de março de 1933)

… para melhorar as condições que conduzem ao sucesso?

Education: Reduce school failure to boost equity and growth, says OECD

Porque é impressão minha ou é difícil começar ao contrário?

Sim, o insucesso é algo que deve ser combatido, evitado, prevenido.

Sim, o insucesso pode custar bem caro em vários aspectos.

Mas será que as condições para o combater de forma efectiva estão longe de estar reunidas?

O capítulo que mais me interessa:

Improving low performing disadvantaged schools

Porque muitos dos que reprovam, reprovam de forma activa, trabalham o que podem para não ter aproveitamento, desprezam o sucesso tradicional e alimentam parte do seu ego com a sua atitude de contestação e desafio (muito bem acolhida num certo sector de especialistas nados e criados no húmus do Proibido Proibir e do Teacher, Leave the Kids Alone).

Uma coisa que parece não entrar em certas cabecinhas é que, em muitos casos, não são os professores que chumbam os alunos por particular crueldade ou desinteresse no destino deles. Esse é um mito que cai pela base quando se vê a reacção de muitos professores, alunos há pouco, perante certas atitudes dos seus alunos.

Lamento mas a verdade é que não são excepção os casos em que a reprovação resulta de uma opção consciente e voluntária por nada fazer e cortar as pontes de entendimento na sala de aula (e fora dela). E esse corte não consegue ser ultrapassado de forma convencional e muito menos só com conversas fofinhas.

Em contrapartida, os que trabalham, se esforçam e, fruto de dificuldades de diversos tipos, passam com notas baixas e constatam que quem mal se esforçou passou na mesma, ficam desanimados e correm o risco de achar que não vale a pena preocuparem-se. Porque o pior exemplo que se dá a quem se esforça e ultrapassa limitações é mostrar-lhes que conseguiriam o mesmo sucesso  fazendo o mínimo dos mínimos, ou menos.

Alunos que chumbam têm auto-estima mais alta do que os que passam com más notas

Os estudantes que nunca chumbaram, mas durante o ano lectivo tiram más notas, têm habitualmente uma auto-estima mais baixa do que os alunos que já reprovaram, revela um estudo realizado pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).

Não estou a falar por falar… já passei muitas horas da minha vida profissional a partir pedra com casos assim.

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Nota final: Este post contém algumas passagens algo irónicas que não estão devidamente assinaladas, podendo confundir leitores mais literais.

Aquele presidente que presidiu hoje foi demais,  a esta hora está d’avental a fazer a figurinha. Pim!

Just 3% of pupils in some areas are getting good GCSE pass in key subjects

Ministers say it is a scandal that so few teenagers are getting at least a C in the ‘English baccalaureate’ of six core subjects.

Dia do Diploma adiado para daqui a quarenta anos – o de d’Armani e Socas.

Norte e Centro continuam a ser as regiões com menos chumbos

A percentagem de alunos do ensino básico e secundário que chumbou no ano lectivo de 2009/2010 continua a ser menor no Norte e Centro e maior nas regiões autónomas e na zona de Lisboa. Os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística confirmam a existência de fortes disparidades regionais no que respeita ao sucesso escolar dos alunos.

Já houve um presidente que se congratulou: é o Fado que ri.

Aluno copiou em teste com ajuda da mãe através de SMS

Um aluno do 5.º ano do Agrupamento Vertical Dr. Francisco Gonçalves Carneiro, em Chaves, foi surpreendido pela professora a copiar num teste, com a ajuda da mãe, que lhe enviava mensagens escritas de telemóvel com as respostas das perguntas.

Os segredos das escolas de topo

Disciplina, turmas reduzidas, professores exigentes e alunos empenhados. Nas melhores escolas do país a receita do sucesso faz-se com estes ingredientes. «Não há fórmulas mágicas», avisa Hugo Quintas, director pedagógico do Colégio Manuel Bernardes – que este ano ficou no primeiro lugar do ranking das escolas do SOL –, que garante que parte do sucesso se explica com autoridade e disciplina.«No 1.º ciclo temos vigilantes, nos 2.º e 3.º ciclos e no secundário temos perfeitos». O modelo é inglês e faz com que a todo o momento os pais sejam informados dos problemas disciplinares dos filhos, mas também com que o mau comportamento seja resolvido na hora. «Se dois alunos entrarem em conflito, o chefe de disciplina intervém, faz uma participação e aplica imediatamente as medidas correctivas, que podem ser, por exemplo, terem de passar a hora de almoço na sala de estudo», exemplifica Hugo Quinta.

Mas a segurança e a disciplina não são as únicas preocupações do Colégio Manuel Bernardes. As aulas de apoio e a ajuda ao estudo são outras formas de alcançar o sucesso.

Mas se possível em família, o que cada vez é mais difícil, pelo que restam estas experiências. Alhures.

Breakfast clubs can help to rescue a school, but more than half face closure

A hot meal in the morning is one of the surest ways to achieve better results for primary school children.

Foi ontem recordada algumas vezes na Buchholz a intervenção feita pelo Paulo na semana anterior em que ele referiu uma espécie de algoritmo ou fórmula que alguns estudos avançam para o peso relativo dos factores condicionantes do sucesso escolar dos alunos.

A saber: cerca de 60% para o bem-estar geral da sociedade e as expectativas das famílias em relação ao desempenho dos seus educandos, 30% para a organização escolar (gestão, currículo, etc) e 10% para os professores.

E relembro aqui isto para recordar também o que foi sendo dito (nas sessões e em conversa com ele) sobre o que na última década aconteceu a este respeito em Portugal: os sucessivos governos fizeram o que puderam para destroçar os 60% (empobrecimento generalizado da população, quebra abrupta das expectativas de um futuro melhor), têm revelado uma enorme falta de capacidade para gerir os 30% da organização escolar (modelo único de gestão, indefinição curricular, reformas feitas à medida dos constrangimentos orçamentais, apostas erradas em novos-riquismos) e optaram por fazer recair o ónus do insucesso nos 10% finais, que têm servido à opinião pública como bodes expiatórios, sendo que os professores têm padecido de forma acrescida da erosão dos 60% e da desorganização dos 30%.

Mas como são um alvo fácil, aponta-se a eles.

E esquece-se que se queremos sucesso educativo, devemos cuidar dos 60% a montante (condições de vida) e jusante (perspectivas de futuro) das escolas e da intervenção dos professores para conseguir progressos consolidados e não meramente cosméticos.

“Novas Oportunidades” empurram Portugal para o sucesso

Estudo hoje divulgado conclui que, graças ao programa “Novas Oportunidades”, Portugal tem a maior taxa de obtenção de diplomas do final do ensino secundário (96%) da OCDE.

Não tenho quaisquer dúvidas sobre o sucesso quantitativo. O Governo de Sócrates, com a inestimável coordenação política de Maria de Lurdes Rodrigues/Valter Lemos e a execução do brilhante Luís Capucha, colocaram em prática um brilhante plano para diplomar todo o seu vivente no nosso país. Resta saber se isso resiste a um escrutínio que ultrapasse a constatação da certificação, coisa que não tiveram a coragem de fazer, excepto em estudos encomendados a gente segura de concluir o que deveria ser concluído.

Porque para isso dinheiro não faltou à ANQ.

Já para estudar a empregabilidade dos diplomados… e no que esta onda certificadora contribuiu para a economia nacional… nem que seja ao nível ultra-micro…

GCSE results 2011: ‘These results would compare with any private school in the country’ – video

Despite 29% of students being on free school meals and 65% having English as a second language, pupils at Sacred Heart Roman Catholic school in Camberwell, south London, once again topped the London borough of Southwark’s league tables

The headteacher, Serge Cefai believes the good results are down to the school’s strong emphasis on discipline.

Adolescente americano construiu bomba para fazer explodir liceu

A polícia da cidade de Tampa, no estado da Florida, impediu que um estudante de 17 anos fizesse explodir uma bomba num liceu daquela localidade. Jared Cano, que foi expulso da escola, construiu uma bomba que planeava fazer explodir no primeiro dia de aulas do Freedom High School, localizado na zona norte da cidade. A polícia encontrou gasolina, granadas, tubos de plástico, um cronómetro e fios eléctricos na casa do adolescente.

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