Formação


Só assistir a parte da sessão da tarde de uma forma muito diferente de encarar a formação de professores, com um componente cultural muito forte e em que a conversa é mesmo conversa e não prelecção aborrecida.

Gostei.

Muito.

Embora eu tenha sido o mais distópico… :-)

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Todo o sistema bolonhês é uma enorme treta com mestrados a fingir que valem alguma coisa.

Entretanto, enquanto não existir uma verdadeira monitorização da qualidade dos cursos, alongá-los pode traduzir-se apenas em mais crédito horário para os respectivos professsores e mais propinas para as instituições.

A quantidade (mais um semestre mal amanhado) não substitui a qualidade (necessidade de rever quem ensina e o que ensina aos futuros professores). Sobre isso… nada.

Mestrados mais longos para quem quer ser professor

Novas habilitações para a docência e vinculação de 2000 professores aprovadas em Conselho de Ministros.

O comunicado oficial está aqui.

O que Nuno Crato disse é o que ele pensa e não apenas ele sobre muitos cursos de formação de professores, em ESE ou fora delas.

O problema nem está aí. Porque há bons cursos e maus cursos, é escusado andar a dizer o contrário. E há cursos universitários (se eu disser que os há em especial em algumas instituições privadas com corpos docentes muito in, fica mal?) bem piores do que o de algumas ESE.  O problema está no facto de ele ser MEC e ter sob a sua tutela a agência que certifica a qualidade desses cursos e tem certificado a maioria delas.

Ora… se Nuno Crato pensa o que disse… e ele disse efectivamente o que disse e não outra coisa que possa fazer crer a quem o ouviu com clareza… então é porque desconfia seriamente da qualidade do trabalho da A3ES e deveria implodi-la, reformá-la, fazer uma prova de acesso aos avaliadores que por lá andam, etc, etc.

Escolas Superiores de Educação exigem pedido de desculpa de Nuno Crato

Que as ESE tenham recuado do pedido de demissão para o pedido de desculpas é meia admissão de culpa, desculpem-me a mim que o diga assim, sem necessidade de me vir a tentar desmentir acerca do que estou a escrever.

.*.

Já agora um detalhe pessoal… há coisa de dois anos, ano e meio, fiz parte de uma curiosa tertúlia mensal em que se pretendiam debater questões como, entre outras, a formação e avaliação de professores.

(um dia terei tempo de escrever sobre várias coisas bizarras que me aconteceram nesta última meia dúzia de anos… adiante…)

Na altura, verbalizei e cheguei a escrever num rascunho que a regulação dos cursos de formação de professores quase não existia. Que a qualidade dos professores começava pela forma como essa formação se fazia de modo escassamente monitorizado. Argumentou-me alguém – muito mais informado do que eu sobre a matéria – que a A3ES estava a fazer esse trabalho de certificação e que o estava a fazer com rigor.

A verdade é que a partir do terreno me chegaram outro tipo de apreciações… mas como é costume nestes casos, obtida a certificação que se julgava em risco, as pessoas fecharam-se em copas e não abriram mais a boca acerca da forma como a dita avaliação tinha decorrido.

De 2006, mas com alguma actualidade:

Preparation, recruitment, and retention of teachers

… em que os básicos e secundários vivem há anos.

No caso da A3ES é notória a falta de confiança do MEC na acreditação que tem andado a ser feita aos cursos. Por acaso, é daquelas coisas em que não está completamente errado, porque – como no não-superior – há gente a avaliar que não parece ter a devida competência para o fazer e, mais grave, ter evidentes conflitos de interesses na avaliação feita.

Pub30Nov13

Público, 30 de Novembro de 2013

… e sete meses até é muito tempo comparado com as alterações pedidas para a semana seguinte do não-superior.

O Ministério da Educação e Ciência (MEC) apresentou às universidades e politécnicos um projeto-lei que implica alterar todos os cursos de Educação, que formam os futuros professores, a tempo das candidaturas ao Superior de julho do próximo ano.

No artigo 31.º do “Projeto de decreto-lei que procede à revisão do regime jurídico da habilitação profissional para a docência”, ao qual o DN teve acesso, é especificado que “a partir do ano letivo de 2014-2015, inclusive, só podem ter lugar novas admissões de estudantes em ciclos de estudos conferentes de habilitação para a docência quando estes sejam organizados nos termos do presente diploma”. Ou seja: ou as instituições reformulam as suas ofertas em tempo recorde, num processo que implica a sujeição destes novos cursos à Agência de Acreditação e Avaliação do Ensino Superior (A3ES), ou têm as vagas destes cursos suspensas.

Resta saber quais são os termos. Ramirismos?

Porque a ideia de reformar os cursos de habilitação para a docência é boa. Resta saber a substância e a quem é entregue a missão, porque se for para reforçar as asneiras e os tiques… sejam os eduqueses ou os anti-eduqueses…

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