Fome


Retrocesso ameaça educação, a maior “vítima” dos cortes

Abandono escolar é preocupação sem rostos nem números

O abandono escolar real é dos fenómenos que a forma oficial de tratar o assunto mais esconde por trás do aparato burocrático.

120 mil crianças sofrem com falta de comida

 

 

 

Foodbank handouts double as more families end up on the breadline

Trussell Trust says two centres a week are opening in UK to give food parcels to working families struggling to cope.

Bancos alimentares estão a perder capacidade de resposta

A presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, Isabel Jonet, alerta que a instituição está a perder capacidade de resposta e, com a crise que o país atravessa, diz temer que a situação se agrave.

Lembro-me de ter sido acusado de demagogia há uns tempos, penso que há mais de um ano, quando falei pela primeira vez nas carências alimentares que começavam a notar-se nos alunos e nas soluções alternativas que as escolas estavam a arranjar para desenrascar as situações mais dramáticas.

Agora é o MEC que assume que o problema existe, embora me pareça que a solução que está à procura não é a melhor… pois tudo indica que se pretende despertar um qualquer instinto filantrópico que supra as carências que o Estado não quer assumir como sua responsabilidade…

Governo pede comida para escolas às grandes empresas

(…)

O secretário de Estado da Educação, João Casanova, revelou no Parlamento que o Governo está a ter “reuniões com os conselhos de administração de grandes empresas do sector da alimentação na procura de soluções” para garantir o pequeno-almoço às crianças que precisem, avança a edição de hoje do Diário de Notícias.

O Ministério da Educação não adiantou mais pormenores ao jornal, explicando que nesta altura poderia ser “prejudicial” divulgar mais informação sobre os acordos que está a tentar conseguir.

… ainda os casos preocupantes seriam apenas objecto de preocupação simples. O problema é em certas turmas, em zonas não visitadas pelos ministros Relvas, Álvaro, GAspar, Mota Soares e outros, assim como já esquecidas pelo actual PM, a fome intercala-se por todas as filas, graças ao bom desempenho de Portugal na opinião da troika.

Pobreza nas escolas. A fome sentou-se na primeira fila da sala de aula

Isto quando em Espanha, o recém-chegado Rajoy já começou a bater o pé aos cânones europeus, coisa que o nosso Pedro é incapaz de fazer, não sei se por lavagem ao cérebro dos pseudo-liberais que deixou rodearem-no se por incapacidade em pensar para além de.

Não, estas crianças não têm culpa de nenhuma derrapagem no défice, não têm culpa dos negócios ruinosos das PPP, das bandalheiras do jardinesco, dos milhões gastos em estudos sobre o TGV e o aeroporto da terra do nunca, nem de tanta outra coisa que nunca tem responsáveis punidos, apenas a ladaínha de que precisamos empobrecer.

Não, senhor PM, estas crianças já são pobres. Apenas ficarão mais pobres. Elas não precisam de emigrar, nem de ser abandonadas ou levadas por pais emigrantes.

Não precisam de conversas da treta sobre o direito ao sucesso ou sobre pieguices.

Estas crianças já vivem na pele o que os teorizadores insurgentes nunca conheceram e que os relvettes analisam nos gabinetes com ideias mal coladas a cuspo depois de lidas em vulgatas dos economistas austríacos que agora parece que são deuses na Terra.

 

Não se pode aprender de estômago vazio

Hoje à tarde, em conversa com um amigo com algum desafogo material e os filhos numa escola privada de topo (a todos os níveis, incluindo os preços cobrados), notava a incredulidade perante situações que lhe descrevi que começam a ser comuns nas escolas e nas salas de aula.

A chegada à escola com roupa desadequada ao frio, nem sempre com as melhores condições higiénicas, com escasso pequeno almoço… as dores de cabeça e a incapacidade de concentração ali ao dobrar do meio dia, a impaciência acima do normal para ir almoçar, a necessidade de partilha dos lanches que alguns conseguem trazer, a contabilização colectiva das moedas para verem o que é possível comprar, o pedido disfarçado para que alguns professores dispensem uns trocos, tornam-se mais comuns em escolas inseridas em ambientes carenciados.

Isto não se trata de demagogia. Trata-se de observação directa da erosão da condição material de muitas famílias ou da aparência de tal.

O aumento da pequena criminalidade (bastou ver a faixa etária da esmagadora maioria daqueles que estavam hoje à entrada do Tribunal Criminal de Oeiras), a atracção pelo furto como única forma de obstar às dificuldades crescentes, o endurecer do olhar de uns e a quebra da vontade de outros está em directa relação com o descolamento da realidade que este Governo começa a ter, na esteira dos anteriores.

O ar parado e automático de candidato da Manchúria parece ter-se apossado de quem deveria ter, e não apenas enunciar, sensibilidade social e solidariedade.

Não sou adepto do neo-realismo, mas sei que o panorama cada vez mais se presta a descrições como as de outrora e ainda 2012 ainda vai no adro.

E note-se que cresci da adolescência para a idade adulta na margem sul do Tejo em inícios dos anos 80, quando o padrinho político do actual PM era MAI e a polícia muitas vezes não hesitava em bater nos manifestantes que, muitas vezes, viviam situações dramáticas de salários em atraso em massa .

Estou, portanto, com o olhar vacinado.

Mas reconheço os sinais do que vi ser vivido.

Por isso considero serem verdadeiras obscenidades e do plano da pornografia política certas declarações de governantes que parecem ter pedido completamente a noção de serem representantes do povo e ser a sua função procurarem o melhor para os portugueses e não provar teorias que, algures, já sabemos terem falhado.

Petição pede a criação de uma rede de pequenos almoços para combater casos de fome.

Ou depois tem tudo de comer arroz e chop suey com pauzinhos?

Mas desde que haja dinheiro… é que isto da municipalização da Educação está a correr mesmo muito bem, tão bem que querem aprofundar a coisa.

E depois batemos no fundo!

Falta de pagamento deixa refeições dos alunos em risco

As refeições de milhares de alunos estão em risco de ser suspensas porque as autarquias estão sem dinheiro para pagar aos fornecedores, que, nalguns casos, não recebem há um ano, alertou a Associação Nacional de Municípios.

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