FMI


… embora eu duvide que o tipo que aldrabava a própria Fundação que dirigia para receber mais uns trocos faça alguma coisa de borla.

FMI: Relatório da reforma do Estado “foi uma oferta” do Fundo

E escusavam de se esticar no manto de tretas. O que lá está não são inputs técnicos, são proclamações ideológicas para que se foram buscar uns dados a gosto:

Fonte oficial do Fundo Monetário Internacional veio clarificar que o relatório “técnico” da instituição sobre como cortar mais de 4000 milhões de euros na despesa oferece apenas “inputs técnicos” e “não teve custos para o Governo”.

  • Foi encomendado pelo Governo, a par de outro pedido feito à OCDE sem que a OCDE soubesse disso.
  • Houve uma primeira versão que foi preciso retocar, através de contactos com os governantes cá do burgo.
  • A versão final parece um mau trabalho de fim de licenciatura bolonhesa em diversas partes, nomeadamente na da Educação.
  • Um dos autores acaba de ser demitido da Fundação que dirigia por más práticas em matéria de estudos ocultos.

Um relatório que enervou os professores

As medidas propostas no relatório do FMI para o setor educativo não são bem acolhidas. “Ignorância, insensibilidade e má vontade que culminam na ofensa aos professores”. O EDUCARE.PT recolheu mais opiniões.

Tarde, mas… PS-PortoRELATÓRIO FMI EDUCAÇÃO.

… que agora parece especialmente destinada a saraivar os professores a todo o custo. O pretexto é mais um relatório de coiso, feito pelos seilásessão alguma coisa de jeito, pois têm falhado tudo o que é previsão.

A ancoragem interna nos borginhos e lobbys conexos que se passeiam e saracoteiam com escasso pudor e evidente lascívia pelos corredores dos ministérios é muito, muito forte.

Os factos passaram a ser empecilhos, perante a sedução da narrativa. Falseada.

A sério, não é com os métodos e rotinas do costume que isto se trava.

E tudo é servido de forma ainda mais insidiosa do que antes, porque o actual ministro sorri enquanto Roma arde.

Ou… nova divulgação da encomenda feita ao FMI servida a/por quem se coloca a jeito, mesmo depois de demonstrada a falsidade dos dados.
.
É uma espécie de segunda vaga de lavagem ao cérebro.

FMI atribui ineficiências na educação ao excesso de professores

Agora vejam lá a medida da encomenda:

Ainda neste estudo, os técnicos defendem que “reformas na educação podem ter um impacto potencialmente grande na eficiência e equidade”. Os técnicos frisam que apesar de Portugal gastar mais do que a média europeia com a educação, os resultados apresentados deixam a desejar, apontando por exemplo “as altas taxas de abandono escolar no ensino primário e secundário”, os resultados a ciências e matemáticas abaixo da média, entre outros.

Seria de espantar – caso não fosse natural – que o Jornal de Negócios continue a citar e tomar como bons os dados que já se demonstrou estarem desactualizados. Os encargos com a Educação estão abaixo da média da OCDE desde, pelo menos, 2011-12, enquanto os resultados passaram a estar ma média ou acima dela.

Mas… o Jornal de Negócios decide fazer tábua rasa disso e continuar a servir de eco.

Porque o faz? Não sei. Talvez… sobrevivência?

E agora vejam lá o final da encomenda:

Mas os técnicos do fundo sediado em Washington inovam nas recomendações, dizendo que “a consolidação orçamental pode ser o gatilho para um objectivo mais estrutural que não apenas as poupanças no curto prazo”. E neste sentido sugerem que a “rede de escolas podia estar mais racionalizada, dado que as escolas primárias estão a enfrentar uma quebra na procura (devido à demografia)”.

Por outro lado, prosseguem, “o ensino superior enfrenta uma procura crescente”. Além disso, consideram que “a educação profissional poderá ser ainda mais desenvolvida para melhor atender às necessidades do mercado de trabalho”.

O que parece que no Jornal de Negócios não leram foi aquela parte – ao que consta rasurada da primeira versão para esta do relatório em que se recomendava o fim de metade dos contratos de associação com escolas privadas.

Pois… o jornal é de matérias económicas e engole-se tudo o que apetece engolir.

E como o domingo está chuvoso mandei este post para o excelentíssimo senhor director, que muito admiro quando escreve sobre o que percebe, mas que, realmente, nada percebe de Educação e parece gerar preconceitos sobre os profes pelos ouvidos, não se dando ao trabalho sequer de buscar contraditório para a encomenda do Governo feita ao FMI e retocada a gosto.

São muitas as correcções entre a versão inicial do relatório do FMI e a sua versão final no capítulo sobre Educação. A mais evidente de todas está no capítulo sobre as escolas com contrato de associação.

O documento preliminar afirmava peremptoriamente que o programa que financia colégios para que prestam um serviço público de Educação devia ser «cortado até 50% (em termos de número de turmas em cada escola) até ao final do corrente ano lectivo».

Mas a versão revista, limita-se a afirmar que este programa «está sob revisão» neste ano lectivo, salvaguardando que «o Governo mantém a intenção de promover as escolas com contrato de associação, bem a liberdade de escolha entre escolas públicas e escolas com contrato de associação».

Percebe-se cada vez melhor que aquele relatório é uma espécie de igor-frankenstein na área da Educação, já começando a percber melhor a aparente incompetência e desacerto de muitos dados.

Quando se andou a enxertar, as costuras ficaram demasiado à vista.

A mim ocorre-me a expressão fraude política.

… as coisas são mais graves do que pensávamos, pois as duas grandes diferenças em relação à versão 2.0 seriam a crítica a um alegado número excessivo de escolas (que este MEC tem feito por reduzir, nem que seja giga-agregando) e a recomendação para a redução para metade dos contratos de associação (o que foi puramente ignorado na versão final).

O que significa que o MEC vai fazendo a parte correspondente à amputação da rede pública, escondendo a recomendação sobre a rede privada e, pelo contrário, tendo transformado uma sugestão de redução numa de ampliação.

O que, por seu lado, também explica o quase apagamento do relatório do MEC sobre o custo por turma com os dados actualizados perante o destaque dado ao estudo com os elementos relativos a 2009/10 do Tribunal de Contas.

Em matéria de desonestidade… nada que seja de espantar.

A ser verdade, claro…

Educação - FMI sugeria corte para metade das escolas com contrato de associação já este ano e criticava o elevado número de estabelecimentos de ensino.

Há aqui coisas que não batem muito certo… ou… batem?

Relatório do FMI teve “mão” do Governo

(…)

Houve mão do Governo no recente relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) com sugestões para o corte de quatro mil milhões de euros na despesa pública. É o próprio FMI que o confirma, em resposta a questões colocadas pela Renascença.

FMI utiliza dados não verdadeiros e inverdades para defender medidas que destruiriam o Estado

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Público, 11 de Janeiro de 2013

… quanto custou (ou não) o estudo tipo-FMI encomendado pelo Governo português a seis “especialistas”. Se foi pago e se foi pelos montantes que ontem foram referidos numa televisão, a avaliar pela parte da Educação, isto configura um caso gravíssimo de delapidação dos dinheiros públicos e deveria existir possibilidade de responsabilização directa do encomendador-pagador.

Este estudo tipo-FMI foi pago? Ou foi oferta?

Se foi pago, quanto custou?

Alguém vai ter a coragem de perguntar?

Pessoa amiga dizia-me há pouco que numa televisão apareceu um professor do ISEG a dizer quanto custou. Não quero acreditar que seja verdade o valor que foi apontado.

Seria demasiado obsceno e colocaria o caso pedroso na galeria das esmolas.

Página 60 do estudo tipo-FMI:

Public school teachers have remained a relatively privileged group within society in general and within the civil service in particular. The compensation of teacher and other staff comprises about 70 percent of education spending. In 2012, out of 230,000 professional staff in public education, 160,000 are teachers (of which 117,000 are tenured teachers, including over 12,000 in regional or local administrations) (Table 6.1). These permanent teachers earn more than other senior civil servants at the top of their pay scales, and work fewer teaching hours (by earning schedule reduction entitlements). To date, their seniority privileges have not been curbed, and, although there are possibilities for teacher mobility, there is no mechanism to forcefully redeploy permanent teachers from overstaffed schools to schools with shortages of teachers.

Gostava de chamar a atenção para algumas coisas:

  • No quadro 6.1 não está muita da informação que aqui se diz estar, ou então está agrupada ao monte, sem dar para distinguir alhos de bugalhos. Num lado os dados estão divididos de forma canhestra por grau de ensino numa terminologia pouco usual em estudos internacionais sobre Educação, mas em outro (caso do vínculo contratual) aparece tudo misturado. os 117.000 “tenured teachers” estão todos ao molho e fé em Deus que ninguém sabe se são primários, secundários ou terciários. Também o que se afirma sobre 12.000 nas administrações locais e regionais :-) ). Mais complicado – porque metodologicamente pouco honesto – é deixar para uma nota de rodapé a explicação que, na verdade, os 160.ooo professores representam menos de 140.000 lugares reais, quando se transforma o sub-emprego docente em horários completos, baixando o número de docentes no ensino não-superior para menos de 120.000. Mas usar o outro número para estabelecer rácios.

FMI1c

Apublica

  • É um absoluto disparate dizer que os professores são os funcionários públicos melhor pagos (repare-se que não é fornecido nenhum quadro comprovativo, pois há diversos grupos como médicos, juízes ou diplomatas que têm remunerações mais altas), não apenas porque nenhum está no topo da escala salarial (não existe nenhum professor no actual 10º escalão), mas porque há carreiras melhor pagas e só a pura ignorância ou desonestidade pode fazer escrever outra coisa. É ainda de uma completa desfaçatez dizer que os professores dos quadros são os que dão menos aulas, quando isso se aplica apenas a uma parte deles e, obviamente, dão mais aulas do que médicos, enfermeiros, juízes e diplomatas (esta foi mesmo só para entrar no espírito de non-sense do documento).

Página 62 do estudo tipo-FMI:

Implement a simple formula-based funding framework that allows money to follow the student. Portugal could opt for a more challenging reorganization of the education system by applying a per-student financing formula, which has the advantage of enhancing equity, reducing inefficiency, and allowing the system to adapt to changing demographics. This would require giving autonomy to schools to hire teachers, and would need to be accompanied by a closer monitoring of school performance and schools being held accountable for education outcomes. If, under the new system, costs were benchmarked to the charter-school limit of €85,288 per class, per-student cost would fall by at least €400 based on the higher gross public-school costs.

Ou seja… os “investigadores” defendem a posição de um dos lobbys em acção mais frenética junto do Governo e do MEC, omitindo que o estudo interno do próprio MEC apresentou números para o custo de funcionamento por turma nos 2º e 3º ciclo do Ensino Básico muito inferiores aos agora já desejados 85.000 euros (e que há uns tempos faziam arrepelar cabelos):

EstudoA

Quando se afirma repetidamente que este estudo foi feito na base de consultas presenciais, apenas podemos deduzir que o MEC ficou insatisfeitos com as conclusões dos estudos anteriores – incluindo aquele que acabou por não ser martelado como se desejava, adivinhando-se que faria encomendas até achar a certa -  e encomendou um à maneira, que apresentasse as coisas como talvez tenham sido, mas agora certamente não são.

A verdade é que sai mais barato, muito mais barato, o acréscimo adicional de incorporação dos alunos na rede pública de Ensino Básico do que pagar novas turmas por contrato a empreendedores privados.

Algo bastante fácil como em zonas como as Caldas onde há escolas com salas vazias e professores com horário-zero, enquanto se paga a grupos privados para fornecer um serviço que, desta forma, sai muito mais caro.

O fim da Educação como a conhecemos… and I don’t feel fine!

Versão 2.0 e depurada, para breve, na edição em papel.

Ontem disse que era coisa para ser feita num mês, em regime pouco intensivo.

Fui injusto. As 11 páginas sobre Educação faziam-se num fim de semana.

Continuo curioso acerca do custo disto. Seis investigdores contratados como se fossem uma equipa do FMI para que alguns opinadores ancorados em alguma imprensa especializada em previsões falhadas possa dizer que agora é que é, o FMI está aí em força a dar as tácticas.

É mentira.

O estudo foi encomendado e as conclusões foram prévias à demonstração. Na área da Educação isso é por demais visível, tamanha a truncagem dos dados. Concordo com Manuel Carvalho quando diz que os ministros não se podem desresponsabilizar dos disparates sectoriais que lá estão.

Porque se tão minguado estudo (quando por aí há tantos, por exemplo, sobre a Segurança Social com documentação bem mais ampla) foi estudo em permanentes consultas com os membros do Governo, há quem só se possa desculpar, dizendo que delegou as coisas nos secretários.

No caso de Nuno Crato, as suas declarações públicas foram um renovado desastre , que o ar de embaraçado sorriso não conseguiu esconder.

O que apareceu no relatório foi a encomenda de um sector que vai (do)minando o MEC, com a paciência de quem espera por muitos, muitos milhões.

Poderia desenvolver mais o tema das encomendas e dos estudos que andaram e andam a ser feitos, aqui e ali, por quem e para quê, mas… guardemos isso para o crunch time.

Cujas conclusões são conhecidas bem antes dos tempos, como se percebeu pelos comentadores destacados para este blogue.

Entrámos numa zona muito perigosa da manipulação da informação.

Seria responsabilidade de alguma comunicação social abandonar a função de eco e exercer a tal de 4º poder… de informar e não propagandear.

A sério… espera coisa melhor do Jornal de Negócios e de Pedro Santos Guerreiro. Por exemplo… informar-nos sobre quando foi feito este estudo, quanto custou… como se processou a encomenda…

O estudo é mau, senhor secretário de Estado adjunto, é mau. É mau não apenas porque foi encomendado para atingir certos objectivos, mas porque o faz com evidente incompetência.

Vejamos este naco:

FMI7

Embora não seja claro… se os autores reportam o número de alunos dos níveis de ensino “não-terciário”, julgo ser justo pensar que estão a falar de professores dos mesmos níveis de ensino.

Vimos no quadro inserido no post anterior que o MEC indica ter ao seu serviço 128.945 professores. Sejamos generosos. Vamos lá colocar 130.000 para comodidade e redondez do número.

Então temos 1 professor por cada português em idade activa? Portantosssss, shôtôre, deixa cá ver, 130.000 vezes 25 dá a modos que 3.250.000 portugueses em “working age”, ou seja, “idade activa” para os investigadores tipo-FMI.

Só que… raios, raios, raios… não bate certo!

De acordo com os dados oficiais… a população activa em Portugal situa-se nos 5.587.300 individuos. Os dados do censo de 2011 usados pela Pordata davam um pouco menos, mas mesmo assim mais de 5,5 milhões.

Uma diferença irrisória… apenas 2,25 milhões de tugas… um desvio daqueles de fazer inveja a uma PPP… ou obra pública contratada a amigos.

Phosga-se… c’a ganda erro!!!

E pagaram por esta… turd?

Se há coisa deliciosa nestes estudos é a forma como se rendilham os dados e se fazem os seus contornos.

Eu exemplifico com a questão dos rácios alunos/professor, que anda a excitar o Ramiro, mas apenas porque ele tem problemas básicos de enquadramento com a Aritmética.

Diz ele que em Portugal há 8 alunos por professor nos Ensinos Básico e Secundário (vamos lá ver se depois não muda o post e diz que se enganou…) e que é o estudo do FMI que diz isso.

Ora bem, entre FMI e Ramiro, venha Maomé e escolha o toucinho.

No estudo tipo-FMI temos o seguinte quadro:

FMI6

Só que estes números não batem certo com est’outro quadro que aparece um pouquinho antes:

FMI5Então é assim… para o ano usado no 1º quadro (2010), há 1.567.677alunos nos ensinos “primário” e “secundário” (supõe-se que este inclui a partir do 5º ano, mas a terminologia é de curioso e leigo no assunto) e os professores são 144.615, O rácio dá 10,8 e nunca o da ramirice, nem o do estudo tipo-FMI.

O pior é que falam em full-time teaching staff e no total de professores estão, como é óbvio, muitos com horários incompletos…

Mas há dados mais recentes, de 2011, em que – maravilha das maravilhas estatísticas – houve exactamente 140.000 professores, nem um a mais ou menos, coisa linda de morrer. E 1.536.339 alunos. O que dá um rácio de 11 alunos por professor (15,5 no “primário” e 9,4 no “secundário”).

O secretário de Estado adjunto Carlos Moedas pode achar que isto está bem feito.

Mas não está.

Foi feito à pressa, de forma distraída, com as partes a serem coladas conforme a mensagem desejada.

Aliás para 2012 avança-se um número abaixo dos 129.000 professores e para 2013 de 117.000. Mesmo que os alunos tenham diminuído para 1.400.000 (gosto de manter aquela harmonia baseada no nº 14 relativa ao º de docentes em 2011) ficamos com um rácio de 12 alunos por professor.

Ou seja, nada bate certo com nada e nem sequer ainda estamos a falar em substância… apenas na forma de apresentar os dados.

Que estão todos bichados.

Quanto custou ao erário público esta treta?

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