Exames


A desigualdade de oportunidades na Educação

Fica aqui e é de um rigorismo verdadeiramente assombroso: ManualAplicKeyforSchoolsRWL-1.

Alguns excertos deliciosos… o primeiro que nos fará andar a tirar medidas às salas e outro que me deixa algo espantado. Só podem escrever a lápis? Isso não é… menos adequado a um teste que se pretende… imune a… coisas?

Ahhh… não esquecer o guião de todas as palavrinhas que devem ser ditas… para o caso de sermos todos muito estúpidos.

KeyForSchools

(…)KeyForSchools1

… para atrair alunos ao engano.

O Bloco de Esquerda vai propor, no Parlamento, uma alteração legislativa para acabar com a obrigatoriedade de os alunos do ensino profissional terem de realizar exames a disciplinas que não frequentaram durante o curso.

NORMA 01/JNE/2014: Instruções para a Inscrição de Provas Finais e Exames Nacionais

Caro Paulo Guinote,
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Envio a carta do IAVE instando-me para ser classificadora de exames Key for schools. Peço-lhe que a  divulgue considerando que o governo:
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- faz negociatas com Bancos como o BPI e cujo lucro dos certificados pagos pelos alunos, conforme foi divulgado por responsáveis do ministério da educação (num encontro realizado na Maia a que fui instada a ir a troco de 11 cêntimos por km), reverte a favor da Fundação Bissaya Barreto. 
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A que propósito será esta fundação beneficiada?
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- os professores “examiners” de institutos como a International House são pagos a 30 € a hora de correção enquanto que os professores do 9º ano que foram instados a serem classificadores recebem custas das viagens a 11 cêntimos, o km. Está justíssimo!
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- O exame terá início em março – abril e a formação decorre a 11 de fevereiro, perfeitamente a tempo para se ajustarem todos os mecanismos para tal exame que irá desdobrar-se em três partes distintas e com um alto grau de complexidade. Não há problema… um professor de Braga pode ir a Viana do Castelo, é mesmo ali ao lado, a 63 km de distância, sem se saber se terá viatura, tempo ou até transporte público (dificilmente o comboio, que neste caso serão dois) chegará às 9 e meia em ponto!
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- Devem supor que é uma honra para um professor ser “instado” a comparecer! Pode até haver temporal…but who cares?
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Obrigada colega
Cara….
O Key for Schools Portugal é um projeto que tem como principal objetivo a aplicação nos estabelecimentos de ensino de um teste de língua inglesa concebido pelo Cambridge English Language Assessment, entidade da Universidade de Cambridge responsável pelo desenvolvimento de instrumentos de avaliação no domínio da língua inglesa.

O IAVE, I. P., é o organismo que irá assegurar a gestão do respetivo processo, garantindo o rigor e a fiabilidade da sua aplicação e da sua classificação.

Para este projeto contamos com a colaboração de cerca de 1000 professores/as de Inglês, que irão assegurar o processo de classificação dos testes e a aplicação da componente oral dos mesmos.

Estes/as professores/as classificadores/as serão acompanhados/as por cerca de 50 supervisores/as ou Team Leaders, que tiveram formação específica orientada por uma equipa do Cambridge English for Schools.

Cada Team Leader irá acompanhar no terreno um grupo de classificadores/as (Examiners), transmitindo a formação recebida e acompanhando durante o processo de classificação dos testes.

Temos o gosto de lhe comunicar que foi escolhido/a para ser Examiner, no âmbito do Key for Schools Portugal.

Assim, indicamos em seguida a informação referente à ação de formação em que irá participar.

Turma: 15

Nome do/a Formador/a: Maria Manuela Soares da Costa

Local da Formação: Escola Secundária de Monserrate

Morada da Escola: Av. do Atlântico 4904-860 Monserrate

Telefone da Escola: 258801800

Data da Formação: 11 de fevereiro de 2014

Horário da Formação: 9h30 – 17h30

Mais informamos:

1. Foi autorizada, pelo Senhor Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, a dispensa da componente letiva e não letiva no período em que decorre a formação. Esta informação encontra-se disponível para as direções das escolas na Extranet do IAVE.

2. Para pagamento de eventuais despesas de deslocação, de acordo com a legislação em vigor, deverá:

- Preencher o boletim itinerário mensal e juntar os originais de todos os recibos

- Enviar por correio, ao Conselho Diretivo do IAVE, no prazo de 15 dias após a realização das tarefas, sendo estas reportadas ao mês em que foram efetuadas.

Antecipadamente gratos pela sua colaboração, enviamos os melhores cumprimentos.

Há os que se queixam porque eu continuo a ter simpatia por parte das políticas do actual MEC, mesmo se isso já quase se resume a um fio de concordância com a necessidade de avaliação externa das aprendizagens que se fazem ao longo de 9 anos.

E há os que acham que digo mal de tudo e mais alguma coisa, esquecendo-se que aqui – mesmo quando se janta em companhias diversas – não se colocam as opiniões (e convicções) em saldo ou ao desbarato.

É o que se passa com os exames em Inglês.

Relembrando: não é de agora que acho que os exames de 9º ano se devem estender também ao Inglês (por causa da introdução no 1º ciclo que deveria ser sistemática e coerente e não um patchwork como acontece na prática), às Ciências (Naturais, da Natureza, com ou sem Físico-Química, mesmo que sem efeitos na avaliação final das disciplinas) e à História e Geografia (Ciências Sociais).

Para isso, acho que deveria ser introduzida um sistema de exames de forma gradual, não num dado ano ou momento por dá jeito, mas porque corresponda ao fim de um trajecto no ensino Básico de uma coorte de alunos que já teve Inglês no 1º ciclo.

Esse exame deve ter como orientação o programa da disciplina e as metas curriculares definidas com base nele e não um referencial externo que não conduziu o trabalho de professores e alunos ao longo de, pelo menos, 5 anos.

Deve ser um exame feito em articulação com os do Ensino Secundário.

Não deve ser um exame feito para efeitos de fogo de artifício e – repito-o – servir de base a um negócio de produção de materiais, formação, certificados e/ou explicações. Deve ser um exame como é o de Português ou de Matemática, mesmo com todas as críticas que merecem a muita gente, se possível imune a capelinhas académicas.

Este exame made in Cambridge – seja de nível XCÓCÓ2R1 ou de nível XIXI67LÇ21 – não faz parte de um sistema coerente de exames para o nosso Ensino Básico, nada garante que esteja de acordo com os programas em vigor e que os alunos e professores seguiram desde sempre, nem sequer sabemos se estão de acordo com as metas curriculares cujo cumprimento deveria ser avaliado daqui a 3 ou 5 anos.

O resto é conversa fiada.

Seja dos que criticam a examocracia, recusando toda e qualquer avaliação externa por questões de princípio ideológico, seja dos que querem qualquer exame, em especial se for oportunidade para estabelecer parcerias empreendedoras.

Se esta minha opinião irrita certos leitores e comentadores?

Tenho pena ou… pensando melhor… não tenho.

… é do negócio à maneira de um país do terceiro mundo (vamos a caminho, mas penso que ainda lá não chegámos) e/ou da Commonwealth.

Há uma grande diferença entre uma avaliação de qualidade das aprendizagens em Inglês e a dissimulada imposição do pagamento a alunos do Ensino Básico pelo certificado de algo que foram obrigados a fazer.

Key for Schools Portugal

O teste permite a certificação do nível de proficiência no domínio da língua inglesa pelo Cambridge English Language Assessment.

Foi para este tipo de coisa que o IAVE se tornou “autónomo” ou “independente”?

Eu sei que esta avaliação made in Cambridge seduz imensa gente mas o negócio em seu redor é injustificável por se servir de alunos (repito) do Ensino Básico como pretexto para vender produtos, desde a formação a professores aos ditos certificados, passando para materiais de apoio para todos eles.

… mas sim a dimensão das escolas.

Um exemplo muito simples, a partir dos dados do Expresso para o 9º ano, segmentando o top 50 por média de provas realizadas.

  • Do 1º ao 10º lugar – 65 provas
  • Do 11º ao 20º lugar – 113 provas
  • Do 21º ao 30º lugar – 99 provas
  • Do 31º ao 40º lugar – 142 provas
  • Do 41º lugar ao 50º lugar – 148 provas

Claro que a progressão não é contínua, mas talvez seja bem perceptível que, provavelmente digo eu, existe uma dimensão ideal para trabalhar com os alunos a nível de escola para que – não obrigatoriamente mas com alta probabilidade e se juntarmos meios socialmente favorecidos – os resultados sejam melhores.

Escolas grandes, com gente de todas as origens, com turmas sobredimensionadas, ou seja, grandes superfícies educativas onde predomina a indiferenciação, terão sempre mais dificuldade em apresentar médias superiores a escolas de dimensão humana e com um ensino personalizado e de proximidade.

Não falo de escolas com 2 alunos ou mesmo 20, mas parece que 50 será na maior parte dos casos melhor do que 500, mesmo mantendo-se semelhantes muitas das restantes variáveis.

A questão não é se a gestão é pública ou privada, mas sim o modelo de escola que se pratica. As escolas públicas foram obrigadas a tornar-se hipermercados mega-agrupados.

Claro que os privados puros, que apostam num ensino de alto valor e propina a condizer, nunca quererão ser grandes superfícies, em especial no Ensino Básico. Mas não se incomodarão se puderem ser ainda mais selectivos no acesso se o Estado pagar a propina base aos que já lá andam e assim poderão levar irmãos e primos com muito maior facilidade…

Governo impõe serviços mínimos para os exames nacionais da educação

Alteração foi introduzida na lei geral do trabalho em funções públicas enviada nesta quinta-feira aos sindicatos.

Estavam à espera de quê?

Aquele contexto foi irrepetível e sabia-se disso. As ameaças de legislação específica sobre as reuniões existiu e já se sabia que isto viria por aí.

Repito: estavam à espera de quê? Que eles se arriscassem a nova rebelião?

agora só com alguma imaginação…

  • Em Setembro do ano lectivo 0 anuncia-se que em Maio do ano lectivo +2 se irá introduzir uma prova de aferição para alunos de 6º ano na disciplina X.
  • Em simultâneo, pode anunciar-se a introdução de um exame para o 9º ano, nessa mesma disciplina, em período experimental no ano lectivo +3.

Desta forma, alunos e professores terão um ciclo de escolaridade – aquela que dizem ser a unidade base para se desenvolver o currículo e avaliação das diversas disciplinas – para fazer o seu trabalho e não meia dúzia de meses, após um qualquer parecer do CNE a meio do ano lectivo 0 para que se faça uma prova/teste intermédio/ exame no final desse mesmo ano lectivo.

Como se reparará, o processo é muito simples e não exige ninguém sobredotado para conceber e compreender o cronograma. E ainda há formas melhores de se fazerem as coisas, pelo menos para mim, que não tenho fobia aos exames, nem a tinha em tempos de aluno (e olhem que fui aluno muitos, muitos anos… formalmente até ao meu último exame que foi em 2007), mas esta já é uma forma razoável de se fazerem as coisas.

Esta metodologia tem é um problema… pode não se ajustar aos ciclos político-eleitorais…

E procura respeitar alunos, famílias e professores, o que nos tempos que correm ainda é capaz de ser considerado um luxo.

 

… ou lá o que é que é a tal agência independente que ia tratar dos exames, pelos vistos excepto aqueles que o ministério achar que não têm capacidade para fazer.

Também acho que é uma menorização evidente da APPI e até de quem andou a fazer o programa e metas de aprendizagem da disciplina de Inglês, pois não se percebe bem qual será, afinal, o referencial para as aprendizagens dos alunos.

Exame obrigatório para alunos do 9.º ano e facultativo para restantes níveis de ensino. Professores da disciplina passam a ter acesso aos programas de formação do Cambridge English.
O Key for Schools Portugal entra em ação este ano letivo como um teste de Inglês concebido pelo Cambridge English Language Assessment, da Universidade de Cambridge, elaborado em conformidade com o Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas e de acordo com as normas internacionais - iniciativa idêntica a projetos desenvolvidos em vários países, mais concretamente em Espanha, Itália, França e México. O exame é obrigatório para os alunos do 9.º ano dos estabelecimentos de ensino público, particular e corporativo, e opcional para os estudantes que tenham entre 11 e 17 anos e que frequentem outros níveis de ensino. Saber Inglês ganha assim uma importância maior.

aqui pelo meio continua a existir qualquer coisa que não me cheira muito bem, mas pode ser apenas preconceito entranhado em relação a coisas que parece que não custar dinheiro nenhum, mas afinal…

Quanto aos países que já aderiram a este modelo, lamento mas a maioria dos seus indígenas que ouço falar inglês fazem-me lembrar, sem a parte engraçado do desenrasqueite do zézé camarinha.

De novo… a ideia não me parece má… concordo que é necessária uma avaliação externa das aprendizagens em disciplinas como o Inglês, as Ciências e a História, pelo menos ao nível do 9º ano, tenho é a sensação que o gato está ali escondido, pois ouvem-se uns miados.

Pode vir a demonstrar-se que é apenas uma desconfiança sem fundamento, mas estou escaldado com estas parcerias.

Excerto de um mail mais longo e muito informativo sobre este tema:

(…) o que é certo é que nenhum Centro de Cambridge em Portugal foi consultado durante o processo, nem informado antes do assunto sair nos media.

A Associação Portuguesa de Profs de inglês também não foi informada, aliás eles publicaram este comunicado hoje https://www.dropbox.com/s/htles3uceg3qiom/Carta%20MEC%20Set2013_Enviada.pdf .

A minha questão, e é isto que é importante, é tentar compreender de onde vêm os “possíveis lucros”. Ora, estes exames quando feitos em Centros de Cambridge, custam entre 70 e 80€ ( não posso precisar o valor exacto). Isto cobre não só a correcção dos exames – os correctores são pagos – mas também o aluguer de espaços para os exames, todo o trabalho administrativo e os examinadores da componente da oralidade.

Neste caso não haverá despesas de espaços para os exames porque são nas escolas; não é preciso pagar a vigilantes porque certamente serão os professores; o trabalho administrativo deve ser feito pelas escolas ou pela GAVE, excepto o que toca a Cambridge. Mas fui informada que serão os próprios professores de inglês (à volta de 300 se não me engano) que irão fazer a correcção dos exames, bem como as orais, recebendo formação de Cambridge primeiro. Esse é o maior custo dos exames.

Mas se estes professores não forem pagos, como são todos os correctores de exames e examinadores orais de Cambridge, já começa a dar lucro. Poderá ser essa parte das despesas que as empresas estão a particionar. se os alunos quiserem diploma, o que eu acho que muitos vão querer, têm que pagar à volta de 20€ então começamos a ver lucro. Espero estar muito enganada e que os professores recebam o que os examinadores de Cambridge recebem, mas duvido muito.

Como já disse anteriormente, os examinadores de Cambridge do Speaking recebem perto de 30€/ horas. Não sei isto faz sentido – o mundo Cambridge é muito complexo. Quero deixar claro que não sou nada contra os exames e que são um boa forma de focar no que é mais importante na aprendizagem de línguas – a competência comunicativa. Mas não se pode começar pelo telhado nem nunca deve envolver privados nem lucros!

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(…)

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Danny Weill, School Vouchers and Privatization – A Reference Handbook, pp. 203, 209.

Prova de Inglês no nono ano, uma espécie de teste diagnóstico que pode, ou não, contar para a avaliação.
A Associação Portuguesa de Professores de Inglês espera a compreensão do ministério…

Ainda a prova de Inglês, foi assinado o protocolo entre a Cambridge School e 4 empresas. O certificado custa 20 euros

frei abade kü, the apocalypse preacher, perorará sobre what ever. Trará uma derradeira opa em tiras esvoaçantes sobre as suas ceroulas de superbosta e lerá emocionado um texto injustamente atribuído a Florbela Espanca.

 

Média de todos os exames nacionais do secundário subiu para 10,4 valores

(…)

A média nacional dos resultados das provas do ensino secundário de Português em 2012 foi de 10,4 valores, uma subida relativamente ao ano anterior (9,6), segundo o relatório dos exames nacionais divulgado pelo Gabinete de Avaliação Educacional (Gave).

Como diminuir o fosso entre as notas dos exames e as notas dadas pelos professores?

Fica aqui: MENSAGEM_13_JNE_2013-Reaps.

Parece que este assunto anda a ferver por muitos lados.

Correcção e classificação do exame nacional de Português do Ensino Secundário

Código 639 – 2ª fase

 2012-2013

 

Parece-me ser consensual que a correcção de exames nacionais é um trabalho de extrema responsabilidade e que se deve revestir da máxima fiabilidade. Está em jogo, muitas vezes, o trabalho e o futuro dos nossos alunos e têm direito a que o mesmo decorra da forma mais profissional e competente possível.

Nesta perspectiva, fiz a análise do número de dias disponíveis para corrigir as provas e cheguei à seguinte conclusão:

Os exames são levantados no agrupamento no dia 17 de Julho (às 10h) e devolvidos no dia 26 de Julho (de manhã). Temos, então, 5 dias úteis (considerando 7 horas de trabalho por dia), e a tarde de dia 17 de Julho (4 horas). Assim, 5×7 horas de trabalho diário =35 horas+4 horas=39 horas / 2 horas (tempo médio de correcção de cada exame)= 20 provas.

Por tudo o que foi acima exposto, e para que o trabalho desenvolvido seja, mais uma vez, da máxima qualidade e de acordo com os meus critérios de exigência como docente e correctora, não me posso responsabilizar pela correcção de mais exames do que os acima referidos. Não considero a prorrogação do prazo de entrega uma vez que inicio as minhas férias no dia 29 de Julho.

 

    16 de Julho de 2012

A professora classificadora:

Ana Cristina Henriques Mendes da Silva

PQND do GR 300 da Escola Secundária da Amadora

Por um lado temos a sociedade portuguesa de matemática que diz que o mal está na dificuldades que os alunos têm. Por outro lado, a associação de professores de português e a Confap defendem que o mal está nas provas que são desadequadas. As provas é que estão mal feitas ou os alunos é que estão mal preparados?

Todos têm um pouco de razão, mas é necessário ler as posições de acordo com o posicionamento das organizações em presença. A SPM (a que pertence o actual ministro) que foi muito crítica dos exames há pouco tempo, passou a ter uma posição de predominância no MEC em relação à APM, que tinha uma posição privilegiada, por exemplo, nos tempos de Maria de Lurdes Rodrigues.

No caso da APP, sempre teve muitas dificuldades em elaborar pareceres sobre as provas do Ensino Básico, em especial sobre as do 6º ano e agora sobre as do 4º, por ser constituída principalmente por professores que não leccionam estes níveis de escolaridade.

Dito isto, eu diria que o problema mais grave é a produção de provas de aferição e de exames estar sujeita a oscilações de critérios num ritmo quase anual por questões políticas ligadas aos ciclos eleitorais ou de conflito entre facções académicas com concepções divergentes do ensino e do que deve e como ser avaliado em Português e Matemática. Algo que também acontece com as sucessivas mudanças nos programas destas disciplinas e nas metas de aprendizagem (Isabel Alçada) ou metas curriculares (Nuno Crato) que são redefinidas sem avaliação das anteriores.

Os alunos e os professores são uma espécie de cobaias, quando necessitariam de alguma estabilidade nos critérios de concepção e classificação dos exames para ser possível extrair conclusões úteis dos resultados ao longo dos anos.

As provas podem estar bem feitas, os alunos até podem estar bem ou razoavelmente preparados, mas a cada ano há mudanças, ajustamentos e nada estabiliza.

Os recentes resultados dos exames são desanimadores e criaram uma espécie de pânico entre pais e professores. Isso pode ter impacto entre os alunos?

Há desânimo porque os professores sentem que o seu trabalho ao longo de um ciclo de escolaridade (de 4, 2 ou 3 anos) é colocado em causa sempre que existe uma mudança da facção académica com o poder de definir programas, metas e exames.

Entre os alunos e entre as famílias sente-se desânimo porque parece que estamos numa montanha russa de resultados da qual é difícil extrair um sentido.

E independentemente dos factores que possam explicar os maus resultados, que consequências podem haver no restante percurso escolar e académico dos alunos?

Quando um aluno que vai a exame com todas as classificações positivas e tem nível 1 nos exames de Português e Matemática do 6º ou 9º ano fica retido, isso afecta irreversivelmente o seu percurso escolar.

A mensagem de “direito ao sucesso” que os políticos tanto repetem, pressionando os professores, é atraiçoada a partir de quem a enuncia.

Os professores são pressionados para alcançarem níveis de sucesso que não estão em consonância com os instrumentos da avaliação externa. Para alguém que, como eu, é defensor de um sistema alargado de exames, esta situação é frustrante porque representa a negação de qualquer verdadeiro sentido de rigor e de respeito pelo esforço de alunos e professores.

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