Ensino Profissional


CURSOS VOCACIONAIS ENSINO BÁSICO- Candidaturas Aprovadas – 2014/2015

Rede de Cursos de Ensino Secundário Recorrente 2014/2015

Rede de Cursos de Educação e Formação de Adultos 2014-2015

Rede de Cursos Profissionais – 2014/2015

As turmas constantes do mapa de rede aprovado só são consideradas em definitivo após a respetiva validação na plataforma SIGO


Português Para Falantes de Outras Línguas (PPT)
Oferta formativa de setembro a dezembro de 2014

Soldadores, mecânicos de carros, operadores de máquinas ou técnicos para a indústria automóvel. Estas são algumas das 23 áreas de prioridade elevada das escolas no ensino profissional no próximo ano letivo.
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O foco está centrado maioritariamente em formar trabalhadores para a indústria e para aquilo que pode ser exportado.

O presidente da Agência Nacional para a Qualificação do Ensino Profissional (ANQEP) – agência do Governo que coordena esta área – Gonçalo Xufre, diz que estas prioridades para o ensino profissional foram definidas com base em estudos e depois de ouvir as necessidades das empresas.

Para além de formar alunos para trabalhar na indústria, o ensino profissional deve também apostar em áreas como os técnicos especialistas em vinhos ou que trabalhem com idosos, bem como técnicos comerciais e de vendas.

Eu já perdi o roadshow. Uma pena…

Quanto ao mais… é uma forma de subsidiar indirectamente uma série de empresas e empreendedores, mas já se tinha percebido que era esse o objectivo…

 

… para atrair alunos ao engano.

O Bloco de Esquerda vai propor, no Parlamento, uma alteração legislativa para acabar com a obrigatoriedade de os alunos do ensino profissional terem de realizar exames a disciplinas que não frequentaram durante o curso.

… porque, afinal, sempre são mais longos do que os relvados.

Decreto-Lei n.º 43/2014

Cria os cursos técnicos superiores profissionais, como formação superior de curta duração nãoconferente de grau..
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O preâmbulo é daquelas peças auto-justificativas divertidas, destinadas a explicar que o que aí vem é igual ao que já existe, só que abrindo mais a porta para o financiamento destinado à formação ir para as empresas.
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Curta
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A formação é superior, mas não confere graus, apenas minutos. Valoriza-se a investimento feito, mas muda-se o nome à coisa, pois sempre circula novo papel timbrado.
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Isto não é nenhum preconceito contra este tipo de formação, apenas a constatação de que já existia nos seus aspectos essenciais e que isto é uma manobra de diversão.

… quando sair de governante.

Ensino profissional é “arma fundamental” para combater desemprego – Nuno Crato

Decreto-Lei n.º 91/2013. D.R. n.º 131, Série I de 2013-07-10

Ministério da Educação e Ciência

Procede à primeira alteração ao Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho, que estabelece os princípios orientadores da organização e da gestão dos currículos dos ensinos básico e secundário, da avaliação dos conhecimentos a adquirir e das capacidades a desenvolver pelos alunos e do processo de desenvolvimento do currículo dos ensinos básico e secundário.

 

Ministro diz que haverá controlo dos alunos que fazem formação nas empresas

O Ministro da Educação admitiu hoje que será  preciso estar atento para que as empresas não se aproveitem da proposta  governamental que defende que os alunos dos cursos profissionais poderão  passar o dobro das horas em formação nas empresas.

… alegando a ligação às empresas…

Formação em contexto do trabalho dispara nos profissionais

Governo quer aumentar de forma significativa o tempo destinado à formação em contexto de trabalho.

Condições de acesso ao Ensino Superior dos alunos do Ensino Profissional

Sou Encarregada de Educação de um aluno do Curso Profissional de Instrumentista de Cordas e Tecla – P06 – que ingressou no ensino Profissional no ano letivo de 2011/2012.

De acordo com o ponto 4 do artº 29º do decreto lei nº 139/2012 de 5 de julho ,  “A avaliação sumativa externa dos alunos dos cursos profissionais realiza -se nos termos seguintes:
a) Na disciplina de Português da componente de formação geral dos cursos científico-humanísticos;
b) Numa disciplina trienal da componente de formação específica, escolhida de entre as que compõem os planos de estudo dos vários cursos científico-humanísticos;
c) Numa disciplina bienal da componente de formação específica, escolhida de entre as que compõem os planos de estudo dos vários cursos científico-humanísticos.

Como mãe de um aluno que se tem revelado extremamente dedicado ao curso que escolheu, que abdica de saídas com amigos, festas de família e todo o tipo de distrações para treinar guitarra, durante horas a fio, com o objectivo de atingir um nível de excelência que ele próprio se impõe, sinto-me extremamente revoltada, pelo que chamo a  atenção para os seguintes aspetos:

1 – à altura do ingresso neste curso, as regras de acesso ao ensino superior não eram estas, a legislação é posterior à data de ingresso neste curso do Ensino Profissional. Ora esta alteração de regras a meio do percurso traz claros prejuízos para os estudantes, que agora terão de recuperar sozinhos aprendizagens que nunca lhes foram facultadas;

2 – não faz parte do Plano de Estudos do Curso Profissional de Instrumentista de Cordas e Tecla qualquer das disciplinas trienais da componente de formação específica dos cursos científico-humanísticos (História A, Matemática A ou Desenho A);

3 – é sabido que os alunos da vertente de música têm de prestar exigentes provas teóricas e práticas na(s) instituição(ões) de ensino para as quais se candidatam, para as quais têm de se preparar durante o 12º ano, já de si extremamente exigente, com uma enorme carga horária e que culmina com a apresentação de uma Prova de Aptidão Profissional;

4 – esta duplicação de provas de acesso cria uma situação de iniquidade em relação aos alunos dos cursos científico-humanísticos;

5 – fazer exame nacional a uma disciplina que não foi lecionada, parece-nos desadequado e em nada contribui para a formação dos alunos, que se pretende rigorosa e de excelência.

Tendo em conta os pontos acima referidos, parece-me da mais elementar justiça fazer alguma coisa por estes alunos, que foram apanhados a meio do percurso por uma mudança que os penaliza de uma forma irracional, já que lhes exige que prestem provas em disciplinas que não tiveram e ignora todo o percurso de trabalho por eles levado a cabo.

Cristina Araújo

Esta invenção que parece muito “natural” e “lógica”, numa escolaridade de 12 anos faz pouco sentido e, até com base nos cálculos disponíveis representa a solução mais cara para combater o insucesso e abandono escolar neste ciclo de escolaridade.

Embora acredite que seja a solução ideal para ti@s que desgostem de dar aulas à malta das classes perigosas. E para os encarregados de educação que não queiram os seus filhos muito miscigenados socialmente.

Podem dizer o que quiserem, mas… destina-se a criar um nicho de clientelismo com verbas a ser partilhadas pelas entidades formadoras… externas…

Legislação que permite acesso ao ensino profissional no 6.º ano quase pronta

Vá lá que alguém estava lá alguém com bom senso…

“O que foi hoje aqui revelado não é garantidamente o melhor caminho”, alertou Augusto Pascoal, contestando a hipótese de os alunos poderem seguir para uma via profissional logo no 6.º ano.

Em declarações à Lusa, Augusto Pascoal lembrou o caso alemão para explicar os seus receios: “Na Alemanha, são as escolas que decidem se os alunos devem continuar no ensino regular ou se devem seguir para o profissional. A decisão é feita com base nas notas e os pais não têm direito a escolher ou orientar o percurso dos seus filhos. Quem decide é a escola”.

O diretor pedagógico do INESETE é um defensor do ensino profissional a partir do 9.º ano, como acontece atualmente em Portugal. “Quando os alunos têm insucesso escolar, o ensino profissional é uma escolha que os pode motivar e fazer acreditar que são capazes. Mas ser uma opção logo no 6.º ano é perigoso porque poderá criar segregação de alunos”, alertou.

Uma posição partilhada pela presidente do CNE, Ana Maria Bettencourt, que teme uma “seleção precoce”.

Em declarações à Lusa, a presidente do CNE recordou recomendações internacionais que defendem um ensino regular, igual para todos, até ao 9.º ano. “O CNE também defende o ensino regular até ao 9.º ano. É um sistema mais equitativo. Fazer uma separação precoce de alunos é recuar em termos de equidade”.

Reportagem na Antena 1.

Repito que as opções políticas são legítimas e que, tendo apoio eleitoral e da opinião pública, devem ser desenvolvidas.

Mas com informação clara sobre as consequências. Entre nós, a propaganda em decurso sobre o ensino profissional e/ou vocacional e/ou dual (está tudo muito confuso, pois não se percebe bem como se articulam as coisas… parecendo estarem à espera da chegada de consultores externos) dá a entender que a coisa vai permitir a criação de uma mão-de-obra especializada em profissões de potencial sucesso no futuro.

Pois… quiçá…

Só que os dados mais recentes para a própria Alemanha são ambíguos. Quanto às raparigas, o que impera são vocações terciarizadas, de profissões tradicionalmente mal pagas e precárias,implicando escassa formação especializada. No caso dos rapazes, saltam à vista ocupações ligadas a um tipo de indústria que os nossos governantes foram pacientemente deixando dizimar. Sim… temos a Autoreuropa, mas é só uma.

 

Mas deve ter deixado feliz quem partiu, reparttiu e sacou para si o pão que lhe falta, borrando-se para quem fica à míngua.

Não se aplicam aqui os 30 dinheiros, porque não há qualquer traição, apenas gente a tratar da sua vidinha graças a encostanço. Basta ler a justificação do ministro.

Decidiu recompensar os ajudantes, enterrando por completo as escolas secundárias. A vingança dos ramirílios continua.

Politécnicos vão passar a integrar ensino profissional

(…)

Já este ano lectivo, os cursos de ensino profissional, actualmente, leccionados nas escolas secundárias, passarão a ser ministrados também em institutos superiores politécnicos. A notícia foi avançada pelo ministro Nuno Crato, durante a discussão do orçamento da Educação para 2013 na especialidade.

Os politécnicos, com o número de inscrições registados, passaram a ter uma série de áreas críticas, revelou o governante, que apontou uma saída para o problema instalado: “para ultrapassarem estas dificuldades, e por que são extremamente necessários ao País, os politécnicos precisam de coordenar as suas ofertas”, nomeadamente ao “nível do ensino profissional secundário”.

Nuno Crato concluiu dizendo que os politécnicos “têm professores, instalações e conhecimentos que muitas escolas secundárias não têm”.

Gosto destas metas atiradas para daqui a muitos anos quando nenhum deles estará para ser avaliado e responsabilizado seja pelo que for.

Por exemplo, eu posso sempre dizer que em 2050 todos meus alunos e ainda os das saulas em redor terão Excelente em todos os testes se os planos – como penso ser realista – forem de me aposentar em 2048.

O Governo pretende triplicar o número de jovens que optem pela formação profissional até 2020, ano em que estima que cerca de 100 mil jovens tenham escolhido esta via, afirmou esta quarta-feira o ministro da Economia e do Emprego.

Até a semântica é… coisa…

Acordo vai permitir intercâmbio de alunos do ensino profissional

O memorando de entendimento que Nuno Crato assinou com a homóloga alemã, em Berlim, prevê um intercâmbio de alunos do ensino profissional, formadores e representantes empresariais, informou a tutela.

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, reuniu ontem em Berlim com a ministra da Educação e Investigação alemã, Annette Schavan, com quem assinou um memorando de entendimento para a cooperação na área do ensino profissional.

A visita de Nuno Crato à capital alemã, a convite da homóloga alemã, termina hoje.

A última frase transcrita explica a ausência da criatura ramirília dos comentários neste blogue nas últimas 48 horas. Mas deve estar quase a reaparecer…

Sobre a Colocação de Professores na Formação Profissional

1. Que opinião tem dos cursos profissionalizantes em Portugal, de que fazem parte os cursos profissionais, os cursos tecnológicos (quase moribundas, diga-se), os cursos de aprendizagem (assegurados pelos Centros de Formação Profissional, através do Instituto do Emprego e Formação Profissional), os cursos planeados e programados pelas próprias escolas, os cursos do ensino artístico especializado, e os cursos de educação e formação (acho que referi todas as modalidades)? Acha que funcionam bem em Portugal? São uma boa alternativa ao ensino regular (vulgo cursos científico-humanísticos)?

Em termos globais este tipo de oferta aumentou nos últimos anos em termos de quantidade, mas não tanto da qualidade que percepcionamos na generalidade dos formandos. Em muitos casos são apresentados como alternativas ao trajecto regular, não como tanto como diversificação da oferta, mas mais como formas de encaminhar alunos com dificuldades de aprendizagem ou em risco de insucesso ou abandono escolar. Criou-se o “mito” de que quem não tem sucesso a Matemática, Língua Portuguesa ou História, então é porque deve seguir uma via profissionalizante e se vai interessar por entrar cedo no mercado de trabalho. Sendo verdade em parte, não se pode basear o acesso a estas vias apenas nesse princípio.

Os cursos do IEFP, talvez porque resultam de uma continuidade mais enraizada, parecem funcionar melhor, não se constituindo como “guetos educacionais”, algo em que infelizmente caem certos Cursos Profissionais nas escolas Básicas ou Secundárias, onde são criados para tentar enquadrar alunos problemáticos e, a partir de dada altura, porque isso era valorizado na avaliação dos órgãos de gestão.

Ou seja, estas ofertas acabam por funcionar em função de factores exógenos (combate ao insucesso, vantagem instrumental para a escola) que não a sua qualidade, utilidade e ligação ao mercado de trabalho.

2. O que faz falta no ensino profissional em Portugal? Que medidas, na sua opinião, se poderia implementar para o melhorar?

Falta ser pensado em si mesmo e não em função da sua instrumentalização no combate ao abandono e insucesso escolar, porque isso afasta dessa via quem até poderia ter interesse no Ensino Profissional mas receie ir para turmas problemáticas, em termos de comportamento, e com fraco aproveitamento.

Fala-se agora em “Ensino Vocacional” mas não vejo nas escolas pessoal técnico em quantidade e diversidade para fazer um despiste sério dos alunos com “vocação” para determinadas profissões que poderão ser oferecidas mais com base no interesse de quem decide nas escolas e agrupamentos do que nas “vocações” dos alunos ou necessidades do mercado de trabalho local.

O Ensino Profissional não pode ser promovido apenas porque, devido às suas regras específicas de funcionamento, mantém alunos e professores “presos” a uma carga horária anual.

E deveria ser desenvolvido numa rede de escolas com características específicas e não em qualquer escola básica ou secundária sem pessoal ou meios técnicos adequados. A rede de Escolas Profissionais deveria ser alargada e pensada a nível nacional para esse efeito.

A definição de prioridades no Ensino Profissional (ou Vocacional) não pode fundamentar-se na opinião de algumas pessoas, sem quaisquer estudos fundamentados que localizem carência efectiva de mão de obra.

3. Acha que a oferta de cursos profissionais em Portugal responde às necessidades do mercado de trabalho? Exemplos.

A oferta tem uma ligação muito desigual ao mercado de trabalho, conforme as zonas e o seu “tecido empresarial”. Há zonas onde a oferta pode ser diversificada porque ainda existem actividades económicas com alguma capacidade de absorção de mão de obra, mas em outras as hipóteses de empregabilidade são quase nulas. Fala-se em promover actividades quase abandonadas em muitos pontos do país como a agricultura e as pescas, esquecendo-se que, apesar de dependerem em primeira instância da Natureza, elas não podem existir sem que os formandos tenham acesso a condições de trabalho efectivas. Não se forma um “produtor agrícola” sem terras ou um “pescador” sem frota pesqueira.

Do mesmo modo, deve pensar-se no Ensino profissional ou Vocacional como algo mais do que a possibilidade de fornecer estagiários baratos, durante alguns meses, para empregadores que dificilmente lhes poderão pagar após o fim dos apoios do Estado.

4. Partilha da opinião de alguns especialistas de educação, que consideram que os cursos profissionais são muito procurados pelos alunos por, supostamente, serem menos exigentes? (afinal, muitos alunos querem continuar a estudar e tentam ingressar na faculdade)

Partilho em parte. Acrescento ainda que, mais do que serem procurados pelos alunos, estes Cursos lhes têm sido apresentados como a alternativa mais viável para se manterem no sistema educativo. Não é raro que as escolas e professores andem quase em busca de alunos, a convencê-los a ir para certos cursos, usando diversos pretextos, porque esse é o interesse das escolas, devido à pressão do MEC, mais do que dos próprios alunos.

5. O que acha das novas ofertas de ensino que o governo está a preparar, concretamente as que dizem respeito aos cursos de ensino vocacional, que deverão ser obrigatoriamente frequentados pelos alunos que até ao 6º ano tenham reprovado duas vezes no mesmo ano ou três vezes intercaladas?

Penso que no Governo há poucas ideias claras sobre o que fazer e que se anda a tactear, lançando para a opinião pública pistas em busca das reacções, para depois se definir melhor o que pretendem fazer. Neste momento já temos diversas vias profissionalizantes disponíveis, que se consideraram funcionar mal. Não é mudando o nome ou as condições de acesso, muito menos quase as reduzindo a alunos com insucesso, que as coisas melhoram. Melhoram, mudando as condições de funcionamento e a qualidade dos cursos. Essa qualidade não muda por mero decreto mas com base no equipamento em meios humanos e técnicos das escolas e com exigência na avaliação dos alunos/formando, não na renovação de práticas facilitistas que quase impõem o sucesso dos alunos aos professores/formadores.

A ideia da obrigatoriedade da via “profissional” ou “vocacional” para os alunos com insucesso era um disparate e já foi abandonada depois de uma desastrada investida comunicacional para a sua divulgação.

6. Esta medida, se for implementada, não contribuirá para estigmatizar (e distinguir/identificar descaradamente) do ponto de vista social os alunos pobres dos alunos ricos e, do ponto de vista intelectual, os alunos “burros” dos alunos inteligentes?

Sim, será mais uma de diversas práticas que conduzem a guetos educacionais, neste caso dentro das escolas. Assim como há outras práticas que têm vindo a acentuar mecanismos de desigualdade entre as próprias escolas.

 7. E acha que  poderá descredibilizar o ensino profissionalizante, nomeadamente os cursos profissionais propriamente ditos (os do 10º, 11º e 12º anos)?

Não há estudos independentes e claros sobre a percepção que os potenciais empregadores têm destes cursos, seja dos que já colaboraram activamente com as escolas, quer com os que não o fizeram. Seja dos grandes empregadores nacionais, seja dos pequenos empresários locais. O que se lê e percebe, de modo muito empírico, é que os grandes empregadores preferem controlar directamente a formação, recebendo do Estado verbas para esse efeito. Os pequenos empresários locais, sem meios para dar grande formação, talvez prefiram a oferta de estagiários pelas escolas mas o que conheço de forma mais ou menos directa é a colocação de reservas quanto ao comportamento e atitude profissional dos estagiários/formandos.

… e ainda levamos com a MLR como brinde.

Confrontado com a notícia do DN, o Ministério da Educação reafirma a aposta nas novas ofertas no ensino, com destaque para os cursos de ensino vocacional.

… para o Ensino Profissional no 3º ciclo tenho algumas reservas.

Vejamos aquilo que se conhece sobre a dita cuja, citando de memória porque me esqueci do jornal e estou com preguiça de ir buscá-lo:

  • Alunos com 2 retenções seguidas ou 3 intercaladas até ao 6º ano, devem enveredar obrigatoriamente por essa via profissionalizante, alegadamente para aprenderem um ofício até ao 9º ano. No 10º ano poderão reingressar na via regular (científico-humanística).
  • Essa via contemplará uma carga lectiva de tipo “geral” igual ao ensino regular em Língua Portuguesa, Inglês e Matemática, sendo o resto adaptada à oferta profissionalizante.
  • Os alunos que queiram ingressar nesta via, mesmo sem aquele historial de insucesso, poderão fazê-lo.
  • A experiência vai iniciar-se numa dúzia de escolas para posterior generalização a toda a rede pública.

Vejamos as críticas sistémicas à coisa:

  • Discordo de todas as medidas que, em termos de gestão do currículo e combate ao insucesso, apostam em soluções únicas e obrigatórias. A diversidade e a autonomia não passam por aqui?
  • A experiência-piloto não deve passar de 12 escolas para 1000 num único ano, pois isso faz lembrar outras (más, em muitos casos) experiências de generalização, a partir de poucos casos, de alegados sucessos em finais dos anos 90, nos tempos áureos do benaventismo e das teorias dos especialistas acolhidos no IIE.

Agora algumas, não exaustivas, críticas mais específicas:

  • Será que um aluno com duas retenções seguidas no 1º ciclo ou no 5º ano, mas que consegue recuperar e superar as suas dificuldades deve, à saída do 6º e tendo sucesso nesse final de ciclo, ser obrigatoriamente empurrado para uma via profissionalizante?
  • Será que a manutenção de uma carga horária semelhante à regular nas disciplinas que são, por regra, das que provocam maior insucesso n0 2º ciclo é uma boa ideia? Não seria mais adequado reduzi-la ou adaptá-la às características de cada curso? Sendo curso é mais ligado à electricidade e mecânica reforçar os conteúdos da Matemática, reduzindo as Letras e fazendo o inverso em cursos ligados, por exemplo, à hotelaria e turismo ou animação social? Será essencial ter a mesma carga horária em Inglês para toda a gente, por exemplo? Em profissões ligadas ao turismo e património local reforçar a História e a Geografia e não tanto a Matemática não faz mais sentido? Em suma, ser mesmo flexível…
  • Desta forma não se afastam muitos alunos com sucesso e vocação de um Ensino profissional associado aos maus alunos e mais velhos? Que pais vão colocar um filho com 12 anos, saído do 6º sem problemas, mesmo que não seja com níveis muito bons e tenha interesse em aprender uma profissão, em turmas onde se espera uma larga maioria de alunos, eventualmente problemáticos, com 15 anos ou mais?
  • Estão as empresas (onde existem…) interessadas neste perfil de mão de obra?
  • Será preciso ter uma formação específica de 3 anos para se ser, por exemplo, talhante?
  • De que forma se relacionará esta oferta com a já existente de CEF e PCA? Irá substituí-las, como parece?
  • Em que moldes funcionarão estes cursos, com que meios técnicos e humanos. Virão para aqui verbas do QREN como nos anos 90 do Prodep III para os chamados “9º+1″? A formação mais especializada será feita fora da escola’ Que critérios para a selecção de formadores e empresas? Apenas a disponibilidade?

E agora uma dúvida final…

  • Se estes alunos vão ingressar, pelo menos, com 14-15 anos nesta via (com 8, 9 ou mais anos de escolaridade já cumpridos, dependendo do número de retenções) e vão demorar, pelo menos, 3 anos nesta via (cumprindo 11, 12 ou mais anos de escolaridade), será que o objectivo é que estes alunos cumpram apenas o 9º ano e ingressem no mundo do trabalho, contornando habilmente aquela coisa dos 12 anos de escolaridade obrigatória, que não significam concluir o Secundário?

 

Diário de Notícias, 29 de Agosto de 2012

Mais logo aprofundo o que penso acerca do que sei sobre o assunto, nomeadamente o erro que é voltar ás experiências-piloto numa dúzia de escolas seleccionadas para depois obrigar a uma generalização a todo o sistema no ano seguinte em mais uma medida centralista e avessa à autonomia. Para além de recordar estratégias de outros tempos… :-) é só recordar quais…

Por outro lado há paradoxos, como o de associar obrigatoriamente o Ensino Profissional a alunos com insucesso, acabando por afastar outros, ao mesmo tempo que o currículo tem equívocos nas suas adaptações, mantendo a origem de muito do insucesso. Até porque quase tudo isto já existe nos CEF e PCA, salvo uma maior ligação ao tecido empresarial que ainda resta e que nada garante que esteja pelos ajustes… a menos que seja para mão de obra gratuita.

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