Economia


Nos últimos dias tem sido Pires de Lima a explanar com generosidade o seu pensamento para o país, enquanto Paulo portas, o PM em funções esta semana, negoceia com o FMI.

Hoje é o seu secretário de Estado com o pelouro da Educação para as Empresas a merecer destaque.

Negocios20Fev14

Jornal de Negócios, 20 de Fevereiro de 2014

O pensamento vai definhando e estreitando-se cada vez mais em torno de uma concepção esquelética de Educação, acusando-se agora de “preconceitos intelectuais” quem discorda dessa visão tristonha e truncada…

Quanto à adaptação do ensino profissional às necessidades locais de emprego e aos interesses dos jovens é das coisas mais divertidas que ouvi nos últimos tempos… :-)

2014 : crise ou reprise ?

… mas o nosso grande economista, outrora PM, agora PR, parece que, tal como os seus sucessores, só descobriu(ram) isto na última esquina do tempo.

E até houve tradução portuguesa e tudo.

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Robert Reich, The Work of Nations, 1991, p. 3.

Get a life

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(…)

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Alfredo Marvão Pereira (2013), Os Investimentos Públicos em Portugal, pp. 25 e 100.

Robert Reich, Inequality for All

Na Time desta semana:

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Andamos a anunciar a retoma há, pelo menos, uns 5 anos. Cada vez que três gafanhotos saltam junto da janela de um ministro da área económica, isso é visto como sinal iniludível da mítica “retoma”.

Parece que existem por aí uns indicadores que se anunciam animadores.

E só faltou um foguetório à joãojardim e elogios póstumos ao Gaspar.

Sobre isso gostaria apenas de escrever o seguinte enquanto leigo não iniciado nas artes ocultas da tarologia:

  • Após anos e anos de descalabro, é difícil não se atingir um ponto em que alguma coisa não consegue piorar ainda mais. Um terreno muito árido, após secas sucessivas, não se torna um oásis só porque lhe cai em cima alguma água dos sanitários de um avião em trânsito.
  • Quando um indicador deixa de descer tanto como antes, isso não significa a inversão da tendência. Quando o condutor de um carro que vai direito a um muro de betão tira o pé do acelerador, o carro perde velocidade mas estampa-se na mesma.
  • A existência de um indicador episódico positivo ou menos negativo não significa que existe uma tendência. Ler que o “clima de confiança” na actividade económica melhorou à aproximação do Verão tem o mesmo significado da alegria daquele senhor que vê aproximar-se o dia em que a sua religião lhe permite fruir de um pouco de toucinho (no sentido metafórico carnal que lhe quiserem dar); no dia seguinte já só tem a memória e restam-lhe mais de 360 de nova abstinência. Se perguntarem aos empresários, em Outubro-Novembro, se esperam que Dezembro seja melhor, aposto três unhas encravadas do meu pé esquerdo em como obterão uma média favorável nas respostas.

Enviada pela Elsa Dourado, “para reflectirmos em conjunto e, por favor, façam chegar aos nossos governantes”:

A economia ocupa-se da produção e distribuição de bens e serviços. Note-se que o economista em acção pode simplesmente tomar como garantida a intencionalidade. Pressupõe que os empresários tentam fazer dinheiro e que os consumidores preferirão sai-se melhor do que pior. E as «leis da economia», em seguida, referem resultados ou consequências sistemáticas de tais suposições. Dadas certas suposições, o economista pode deduzir que empresários sensatos venderão onde o seu custo marginal igual o rendimento marginal. Observe-se agora que a lei não prediz que o homem de negócios faça a si mesmo esta pergunta: «Irei eu vender onde o custo marginal iguala o rendimento marginal?» Não, a lei não refere o conteúdo da intencionalidade individual. Elabora antes consequências de tal intencionalidade. A teoria da forma em microeconomia elabora consequências de certos pressupostos acerca dos desejos e possibilidades dos consumidores e empresas empenhadas na compra, produção e venda. A macroeconomia elabora as consequências de tais pressupostos para nações e sociedades inteiras. Mas o economista não tem que preocupar-se com questões como esta: «Que é o dinheiro realmente?» ou «O que é realmente um desejo?» Se for muito sofisticado na economia do bem-estar, poderá preocupar-se com o carácter exacto dos desejos dos empresários e consumidores. Mas, mesmo num caso assim, a parte sistemática da sua disciplina consiste em elaborar as consequências dos factos a propósito da intencionalidade.
Visto que a economia se funda, não em factos sistemáticos acerca das propriedades físicas, como a estrutura molecular, mas antes em factos relacionados com a intencionalidade humana, com desejos, práticas, estados de tecnologia e estados de conhecimento, segue-se que a economia não pode imunizar-se à história ou ao contexto. A economia, enquanto ciência, pressupõe certos factos históricos acerca das pessoas e das sociedades que em si mesmas não são parte da economia. E quando estes factos mudam, a economia deve também mudar.”
Jonh Searle, 1984

Tem dado na TVI24:

Proposta do João Tavares:

Para a longa duração:

Government expenditure on education, economic growth and long waves: the case of Portugal

Porque entre nós a guerra civil está camuflada.

PIB2013

A fonte é o The Economist, não é o Avante.

SALAZAR E AS PRIVATIZAÇÕES

Salazar aprovaria, certamente, as medidas do actual Ministro das Finanças de redução dos salários e de cortes na Saúde (ele chegou a por os hospitais públicos a dar lucro), na Educação (fechou escolas), na Cultura, na Segurança Social (que no seu tempo se limitava  praticamente à distribuição das sobras dos ranchos nas traseiras dos quarteis). Mas, nunca aceitaria o desmantelar da função pública em que o actual  governo parece estar empenhado, nem  em vender património para resolver problemas de deficit. Ele  manteve atrasado o Povo Português, mas procurou sempre (nalguns casos cegamente) defender os interesses do Estado Português. Certamente se arrepiaria  com a ideia de entregues à guarda de entidades privadas os arquivos secretos nacionais, medida que nos dizem agora não ter sido decidida, mas estar simplesmente a ser ponderada (talvez pelo ministro Relvas).

Salazar criou o uma  Censura que atrofiou o Povo português durante 30 anos, mas não iniciou  a prática de se apoiar em  estudos secretos (de valor muito  duvidoso e custos  elevados) para  impor decisões altamente controversas como factos consumados  .

A privatização da ANA  é, sob este aspecto, um caso paradigmático que merece uma muito especial e urgente atenção.

Portugal tem condições excepcionais para construir  em Alcochete, com custos relativamente baixos, um aeroporto vértice da futura rede de malha larga da aviação comercial. Ou seja,  um hab ponto de trânsito dos passageiros da América do Norte para o Sul de África, e da América Latina para a Europa do Leste.  Devemos esta possibilidade  a Afonso Henriques  que fez de Portugal um  país independente, e a D. Carlos que reservou para  um polígono de Artilharia em Alcochete  terrenos planos, que ainda hoje pertencem ao Estado ( não sei se directamente, se  por intermédio da ANA).  Se a não utilizarmos,  Lisboa ficará a ser pouco mais do que o terminal  de uma pequena linha aérea regional.

O planeamento de toda a  Península de Setúbal deve ser pensado tendo em conta, como polo de desenvolvimento um aeroporto de  4 pistas em Alcochete,  que deverá   ser construido por fases. Se a privatização da ANA  for para diante e se não houver o cuidado de dela excluir o direito de construir este aeroporto, o poder de decisão sobre este planeamento fica nas mãos de quem a comprar.

E para quem considere  que os privados gerem sempre melhor, deve ser lembrado que  grandes companhias de aviação podem estar interessadas em comprara a ANA  para impedir, ou pelo menos retardar, a construção de um hab em Alcochete.

De momento, o que apareceu nos jornais, foi a notícia de que o Governo tinha decidido utilizar a base do Montijo como aeroporto complementar da Portela.  Com base em que estudos? Feitos por quem e quando?  Além de lançar a confusão  sobre todas as ideias de  planeamento da Península de Setubal  e sobre as  futuras  ligações ferroviárias da Margem Norte à Margem Sul,  esta notícia tem o efeito imediato de baixar o preço de venda da ANA.

( Diga-se de passagem que o lucro que, segundo os jornais, o Governo pretende encaixar com a venda  da ANA, da ordem dos 2 mil milhões de euros,  cerca de metade da redução  que se procura  conseguir  no deficit de 2013, só  permite retardar de alguns meses as dificuldades financeiras do país.  Há, assim,  a esperança de que a Comunidade Europeia  desaconselhe, ou proiba mesmo, esta decisão de trocar uma possibilidade imensa para  o futuro desenvolvimento  da    Economia do país, por uma pequena e não renovável vantagem financeira no próximo ano .).

Mas há mais a dizer. Todos os que se debruçaram sobre o problema dos aeroportos na metade Sul do país, e alguns já o fazem há mais de 10 anos, sabem que  a utilização do Montijo como  aeroporto complementar da Portela tem grandes contra indicações. Em qualquer caso, nem o Montijo, nem a Portela  servem para um hab.  A hipótese do Montijo foi  imediatamente excluida quando se procuraram alternativas na Península de Setúbal a um aeroporto na Ota.

A proposta do Governo de  utilização do Montijo como aeroporto complementar da Portela  é, assim, a meu ver,  uma proposta basicamente errada, e adicionalmente errada  neste momento,  porque, talvez durante uma década,  não é necessário nenhum aeroporto complementar para a Portela e,  porque, depois, será mais barato começar a fazer  novas  pistas em Alcochete do que  fazer as obras de adaptação das pistas e instalações do Montijo para poderem  servir para um aeroporto complementar.  Esta é, obviamente, uma opinião que, para poder ser revista, exige que os estudos em que se baseou o governo sejam divulgados.

                                                       António Brotas

                                          Co-autor do livro “O Erro da Ota”

PS – Este email é enviado, hoje, em BCC  para vários jornais, porque o problema das privatizações tem sido, a nosso ver, insuficientemente focado pela Comunicação Social Portuguesa. E o momento é oportuno porque amanhã chega a Lisboa a Chanceler Merkel acompanhada por empresários alemães. Estes empresários são  bem vindos se vierem contribuir para  um real  desenvolvimento da Economia portuguesa, mas não se, aproveitando uma situação dificil, vierem para  comprar a preço de saldo patrimónios e potencialidades que  pertencem ao país.  Se algum jornal desejar publicar este email, no todo ou em parte, como “carta ao Director”, ou algum “blogue”  o desejar referir, agrada-nos bastante.

A.B.

Poderia ser o Borges, o Moedas, o Gaspar, o das Neves, quiçá mesmo, se soubesse falar além das platitudes, o Lourenço.

Mas não… estava-se a 14 de Janeiro de 1936.

O Sr. Luiz Supico: – Sr.Presidente o Srs.Deputados: pedi a palavra porque se me afigura que o projecto que hoje estamos discutindo tem uma grande importância para o progresso económico do País.

(…)

Num estreito critério, tantas vezes infelizmente seguido neste País, de justificar uma função com outra função colocam-se os alunos para que haja escolas, e criam-se escolas para haver alunos, professores e dirigentes de serviços. Quem assim pensa comete um grandíssimo êrro. Porque, Srs. Deputados, é preciso não esquecer que, se os progressos da ciência deram à humanidade as vastas possibilidades que por toda a parte se patenteiam a nossos olhos, êsses mesmos progressos criaram ao homem a obrigação de no campo material, desenvolver a sua actividade sob a preocupação constante do bem aproveitar o trabalho, o tempo o os recursos que a natureza pôs à sua disposição.

Antigamente, numa época em que a população era muito menor, o tempo não contava e as obras primas saíam das mãos dos artistas trabalhadas com esmêro, trabalhadas com carinho, sem a preocupação da quantidade e a preocupação do rendimento base, como hoje.

Hoje em dia isso não acontece; a febre da produção rápida, a necessidade de criar riquezas, obriga a aproveitar, e muito bem, todas as possibilidades.

Hoje é necessário que as actividades económicas, o trabalho, a sua preparação e a sua execução se desenvolvam segundo espírito e regras inteiramente novos. Pode dizer-se, efectivamente, que, hoje em dia, o espírito da ciência moderna domina a actividade humana.

E se é certo que êsse espírito se revela sob uma forma mais aparente nas profissões que dependem do estudo, profissões que até certo pouto poderemos chamar intelectuais, não é menos exacto que êsse espírito se deve também estender a todas as outras profissões.

E aí, no campo das actividades económicas, nós podemos designá-la pelo que chamaremos o espírito da técnica moderna.

Em que consiste ela? Como se define?

Responderei dizendo: consiste na ocupação do trabalho a desenvolver, de modo que se obtenha sempre o melhor rendimento, de modo que o esfôrço despendido seja mínimo e os resultados máximos, as matérias sejam bem aproveitadas e o tempo útil integralmente consumido em bem produzir.

Ora isto pode parecer à primeira vista que imo tem importância. Mas tem muitíssima, e eu vou dizer porquê.

Fala-se constantemente em progresso social, fala-se no flagelo do desemprêgo, fala-se na melhoria das condições de vida, e pode muita gente falar, pronunciar estas palavras de uma maneira abstracta, por assim dizer, sem lhes dar o significado que elas têm, mas a verdade é que a diminuição do flagelo do desemprêgo, a melhoria das condições de vida, o desenvolvimento do bem-estar humano dependem essencialmente de dois factores, que são: o progresso da riqueza geral e a distribuição equitativa, o aproveitamento racional dessa riqueza.

Todos V. Ex.ªs sabem como progride a riqueza geral e todos sabem também o tempo e as energias que se despendem em, volta do problema da distribuição dessas riquezas. Ora o fulcro, a base do problema social será estéril e inútil se não houver riqueza geral.

O progresso e o desenvolvimento da riqueza geral aparecem-nos, por consequência, como a condição primeira, a base necessária e fundamental de progresso económico e social.

Ora, como é que aumenta a riqueza geral?

A riqueza geral aumenta, como todos V. Ex.ªs sabem, pelo acrescentamento anual do que se poupa, do que não se gasta. Eu pregunto a V. Ex.ªs se fazem uma idea do que, por exemplo, no nosso País, se perdi; anualmente em matéria prima mal empregada e em tempo, consumidos em pura perda e esforços inúteis?

Getting worse more slowly isn’t good enough

(…)

In the absence of growth, it will be very difficult for peripheral countries to bring deficits down and stabilise debt levels. And without those developments, markets will continue to panic with some regularity and the size of bail-outs will grow.

And that brings us to the third hurdle: Europe must maintain a public commitment to keeping things together. Output per capita across most of the southern euro zone has been flat or falling (mostly falling) for almost five full years. There is no immediate end in sight; forecasts for 2013 generally anticipate another year of contraction for several peripheral economies. It is surprising to me that there haven’t been more, larger, and angrier protests than we have seen to date. And uglier politics.

Call center da Portugal Telecom cria 1200 postos de trabalho em Santo Tirso

Novo ‘contact center’ da Teleperformance Portugal custou 18 milhões

Economic Survey of Portugal 2012

E depois cada um escolhe os temas a gosto…

OCDE apoia alargamento do corte de subsídios ao sector privado

OCDE considera que Estado deve reter funcionários públicos altamente qualificados

OCDE: falta de produtividade ligada aos ‘baixos níveis de educação’

OCDE critica interferências políticas nas PPP

Governo deve “estar pronto para aceitar falências” de autarquias

OCDE: Portugal tem de subir salários dos funcionários públicos qualificados

Quase tudo são coisas óbvias.

China’s Economic Depression Has Begun: Lang Xianping

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