Decadentismo


Pífia.

Já ninguém quer ser ministro com esta gente?

Les syndicats à l’époque de la décadence impérialiste

Il y a un aspect commun dans le développement ou, plus exactement, dans la dégénérescence des organisations syndicales modernes dans le monde entier : c’est leur rapprochement et leur intégration au pouvoir d’Etat.

Ce processus est également caractéristique pour les syndicats neutres, sociaux-démocrates, communistes et anarchistes. Ce fait seul indique que la tendance à s’intégrer à l’Etat n’est pas inhérente à telle ou telle doctrine, mais résulte des conditions sociales communes pour tous les syndicats.

Le capitalisme monopolisateur n’est pas basé sur la concurrence et sur l’initiative privée, mais sur un commandement central.

Les cliques capitalistes, à la tête de trusts puissants, des syndicats, des consortiums bancaires, etc., contrôlent la vie économique au même niveau que le pouvoir d’Etat et, à chaque instant, elles ont recours à la collaboration de ce dernier. A leur tour les syndicats, dans les branches les plus importantes de l’industrie, se trouvent privés de la possibilité de profiter de la concurrence entre les diverses entreprises. Ils doivent affronter un adversaire capitaliste centralisé, intimement lié au pouvoir de l’Etat. De là découle pour les syndicats, dans la mesure où ils restent sur des positions réformistes – c’est à dire sur des positions basées sur l’adaptation à la propriété privée – la nécessité de s’adapter à l’Etat capitaliste et de tenter de coopérer avec lui.

Leão (1940)

Amanhã não se pode ir jantar fora, mesas pejadas de mariquices…

A jantar o que assassinei ontem.

Sendo que os jovens licenciados desempregados devem emigrar para latitudes tropicais, o que recomenda o senhor PM quanto a destinos para pessoas de qualificações médias (12º ano, por exemplo), mas com mais de 35 ou 40 anos, com família a cargo, que ficaram recentemente ou ficarão sem emprego?

Burkina Faso? Bangladesh?

Ahhhh… já sei!

China, Índia!

A língua depois resolve-se, pois já há 500 anos despejámos por lá degredados que se safaram razoavelmente e um até fez um poema dos grandes, mesmo só vendo de um olho que a terra, e não o mar, acabou por comer.

Parcerias público privadas até ao infinito.

Se quiserem saber porque Portugal tem prazo de validade, procurem por aqui…

… por parte de um país? Ou demência? Alegávamos a velhice…

8 de Outubro de 2010

Paulo, o que te dizia eu sobre o sumiço do Sitemeter? Foi 15 dias antes da minha previsão porque sou um coração generoso, mesmo só ganhando um mero ordenado mensal de zeco.

A questão do encerramento de escolas do 1º CEB é apenas mais um elo no processo de transformação de Portugal numa espécie de deserto geral com uma rede de oásis no litoral que avança timidamente – via SCUT a pagantes ou não, logo se vê – em direcção a alguns pólos aglutinadores no interior. Como se a descrição tradicional do povoamento do território com a oposição entre povoamento disperso a norte e concentrado a sul (matéria do 6º ano de HGP) passasse a ter uma nova formulação no sentido vertical: povoamento moderadamente disperso no litoral a norte de Lisboa e concentrado no resto do país.

E passa a ser redundante apresentar a clivagem entre espaço urbano e espaço rural em termos humanos, porque a partir de agora existe espaço urbano habitado e espaço rural para coutadas, incêndios e fotos de paisagens.

Há quem diga que o país está inclinado em direcção ao Atlântico.

Concordo mas acrescentaria outro tipo de imagens: Portugal regressou a uma espécie de L (de litoral) que o marcou durante séculos, com a macrocefalia das grandes cidades e, como no século XIX, exigindo que quem quisesse fazer algo fosse obrigado a deslocar-se às sedes de distrito e concelho.

Aliás, em matéria de Educação e não só, é isso mesmo que está a acontecer: o retrocesso em relação à extensão dos serviços básicos (se excluirmos a fiscalidade) do Estado a todo o território, indo em busca dos cidadãos. Fecharam esquadras (e a segurança, função básica do Estado Moderno a par da Defesa) que ficou em causa. Fecharam estações de correios, antes e depois da transformação dos CTT numa coisa empresarial, enquanto outros meios de comunicação rápida demoravam a chegar (desde logo a afamada banda larga). Fecharam linhas de comboio e racionalizaram a oferta de transportes rodoviários, isolando cada vez mais localidades. A seguir foram os centros de saúde e as escolas.

O interior do país, mesmo o interior que não passa do hinterland de municípios não muito distantes de grandes cidades e do litoral, tornou-se incómodo, um sinal de atraso. Um pouco como as gerações de analfabetos, espera-se que morra de morte mais ou menos natural, secando-lhe parte da seiva que poderia servir para manter alguma vida. Querem-nos modernaços, mas como são incapazes de o fazer fora dos centros comerciais e esses precisam de população para serem rentáveis, fazem os possíveis por apagar o país que fica caro por unidade.

Vamos lá ser sinceros: assegurar aos cidadãos de pequenas localidades encravadas nas serranias do centro e norte do país ou nas planícies do sul serviços equivalentes aos das grandes cidades sai muito caro. O custo por cidadão da extensão da banda larga ou dos balcões do Estado é incomportável com a compra de submarinos ou a alimentação regular das empresas e escritórios de estudos e pareceres do regime.

O custo por aluno de uma escola de 20 alunos é naturalmente mais elevado do que o dos alunos de escolas com 200 ou 400, tal como sai mais barato vender embalagens de 3 quilos de corn flakes do que pacotes de 100 gramas.

É uma questão de racionalidade económica.

As pessoas interessam aqui muito pouco.

Falam em assegurar a igualdade de oportunidades. É mentira. Isto é exactamente o inverso.

Ver pessoas que eu até considero intelectualmente (caso de Roberto Carneiro no DN de hoje) a confundir (deliberadamente?) escolas com 2-3 alunos com escolas de 15-20 alunos, defendendo a sua extinção em nome da socialização e do contacto com os amigos é algo que me faz repensar se o humanismo que proclamam é o humanismo que praticam.

Qual é a solução certa para a eucaliptização humana do país? É reflorestá-lo ou é acentuar os traços de aridez, mandando toda a gente para os pseudo-oásis?

Não é esta uma forma de centralismo intermédio que desumaniza tanto como o centralismo lisboeta?

Estamos todos condenados a viver em grandes vilas ou cidades se não queremos ter de nos deslocar dezenas de quilómetros para resolver a mais pequena questão como há 100 e 150 anos atrás?

Fechar escolas – dizem – é uma consequência e não uma causa da desertificação e o mesmo argumento foi antes usado para fechar correios, esquadras, centros de saúde, urgências.

Mas não será um catalisador para que o país se torne uma espécie de esqueleto, em virtude da não opção por inverter o processo?

Haveria medidas simples para atrair gente a algumas zonas do país, mas não são interessantes para os interesses, porque diminuiriam os lucros directos de algumas actividades. A que pt interessa levar a banda semilarga a uma aldeia serrana ou aos montes alentejanos não povoados semanalmente por socialaites?

Assim prefere-se que o Estado poupe nos encargos por cidadão na prestação dos seus serviços, fazendo com que seja o cidadão - em especial os que não podem tornear a tributação graças a habilidades técnicas – a pagar por viver fora dos grandes centros.

Que tudo isto seja encoberto com conversa fiada de tipo sociotecnológico (há mais computadores, há mais gente, há mais socialização) que só disfarça a estratégia de homogeneização e indiferenciação do país onde a todos é servido o mesmo cardápio cultural e comercial, não me espanta vindo de quem vem, gente que após duas viagens à Europa e uns abraços e beijinhos às merkeles, blaires, schroederes ou sarkozis fica com enjoo do antigo país real (e então se vislumbram a pernilonguice de uma bruni já nem sabem onde nasceram, de tão salivados que ficam, pobres coitados… piores mesmo que um pinto apanhado por brasileirinha flexível). Tipo vitorino ou barroso, na senda de um deusdopinheiro, dando o benefício da dúvida ao guterrão, que enfim, ainda aguentou uns anitos antes de se afundar. Mas todos eles assegurando que é no interesse do país!

Os passos necessários para nos tornarmos um destino golfista very typical para escandinavo ver já são poucos. A estratégia é limar as arestas, eliminar as diferenças e criar um modelo de país servido por uma população homogeneizada, pasteurizada e certificada em novas oportunidades e subserviência, com a mão estendida à gorja alheia.

Entretanto, os mentores de tal estratégia terão feito o trajecto inverso e estarão alojados lá por fora em capitais culturais da Europa, perorando de quando em quando para a imprensa nacional. E por lá ficarão tanto mais tempo quanto os pergaminhos de pensamento alternativo. Londres, Paris, Bruxelas, Nova Iorque estão cheias de velhas oportunidades, onus, ocdesunescos, bancosmundias ou europeus, agênciasdisto e daquilo e outras colocações óptimas para final de percurso na paz das almas.

Os indígenas que se desenrasquem.

A culpa deste país sempre foi da arraia-miúda acanalhada que só sabe trabalhar nos luxemburgos, nos joanesburgos e nos bidonvilles de outrora, encerrado que foi o ciclo das padarias e talhos nos brasis, que agora só se visitam para fazer um par de semanas em rizortes.

Ahhh… e não me venham com a conversa de ser um velhodorestelo porque, se formos ver bem as coisas, o raio do homem até que tinha razão a médio-longo prazo. Afinal, pouco depois das primeiras páginas nas gazetas europeias de inícios de quinhentos, não contando com os castelhanos que nos nacionalizaram o país, já os italianos e flamengos nos ficavam com os juros e os ingleses e holandeses com as especiarias no regresso.

Nós só ficámos com as flores e as palmas internas para glória de manuais e lugares-comuns em discursos políticos futuros.

Nota final: ao contrário de outros arautos da decadência nacional, não encontro qualquer visão de um sebastião salvador, nem acho que uma revisão constitucional seja o graal da regeneração nacional. E tão pouco acredito em regionalizações feita à medida de candidatos a super-autarcas modernaços, escolhidos por fidelidades partidárias conforme as regiões e tão centralistas quanto os ministros que já foram ou aspiram a ser. No que acredito? Cada vez mais acredito em menos…

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 904 outros seguidores