Classificadores


... os professores voluntários não foram suficientes, nem suficientemente voluntários. E ele ainda acha que tem o direito de – embora tendo as pretensões de “autonomia” – considerar que tem jurisdição para lançar postas de pescada sobre o desempenho profissional dos professores e a utilização do seu tempo.

Ao senhor Iavé – houvesse ministro da Educação em Portugal que não se entediasse com o desempenho das suas obrigações – não valeriam o ar british e a pretensão de superioridade ética e intelectual que pavoneia pelas suas cercanias e já teria ido para o olho da rua, que certamente seria bem acolhido em outras paragens mais autónomas ainda.

O senhor Iavé, apesar de autónomo, deveria entender a extensão das suas funções e o decoro que se exige às declarações que faz sobre os outros. Fosse eu professor ainda classificador e ele ficaria a brincar sozinho com os testes made in Cambridge.

Não se trata de limitar a liberdade de expressão, mas apenas de lhe explicar que se gosta de achincalhar terceiros por não fazerem o que ele quer, deve estar preparado para receber em troca o equivalente tratamento por isso mesmo.

O senhor Iavé é mal educado. Porque não é mal educado apenas o bruto que diz palavrões ou grosserias explícitas, mas também o senhor bem apessoado, com elegante botões nos punhos de renda, que trata sem educação quem não conhece e faz juízos de valor sobre a sua ética profissional.

Se os outros têm deveres, ele também os tem, a começar por alguma reserva como se expressa em público. Repito… fosse eu professor de Inglês e já teria tentado perceber porque a APPI anda um bocado em rodopio nesta matéria, com posições que de firmes me parecem cada vez mais sinuosas.

Já se percebeu que para o ano a coisa vai ser obrigatória, porque assim o senhor Iavé obrigará o MEC a decretar porque o senhor Iavé é aquele a quem todos devem obedecer, mesmo quando é ele que se espalha ao comprido, como aconteceu neste caso ao contar com o trabalho alehio para fazer floreados.

Tomara que ele tivesse tanta preocupação com a qualidade das classificações de testes, provas finais e exames e não existisse apenas pressa em que as coisas sejam despachadas.

E: O atraso na divulgação das notas deve-se à pouca colaboração dos professores afetos à correção? Ou há outros fatores que explicam o não cumprimento da data inicialmente fixada?
HS:
Cerca de 50% dos professores que intervieram no processo de classificação da componente escrita tiveram uma participação inferior ao esperado, na prática inferior a cerca de cinco horas de trabalho efetivo.

E: No email que o IAVE enviou às escolas, destacava-se a “elevadíssima qualidade técnica” dos professores que corrigiram as provas e revelava-se que dos 1100 docentes envolvidos no processo apenas 400 tinham cumprido. O que se passou?
HS:
Apenas pouco mais de 450 professores dos 1091 certificados estiveram envolvidos de forma regular no processo e classificaram um número de itens considerado adequado ao expectável. As razões do não envolvimento dos demais desconhecemos.

Vale a pena salientar que se entende por participação esperada cerca de 10 a 12 horas de trabalho ao longo de 10 dias úteis (cerca de 1 hora por dia). Se todos os professores classificadores tivessem tido um nível de participação como o referido, a classificação da parte escrita teria sido concluída no dia 23 de maio, como previsto, e não apenas no passado dia 10 de junho.

E: É grave, na opinião do IAVE, haver professores que não corrigiram as provas de Inglês no prazo estipulado?
HS:
As respostas às questões anteriores são esclarecedoras. O teste era de realização obrigatória e os professores são os únicos técnicos habilitados a classificar provas de avaliação de alunos.

Dispensa de classificadores de exames compromete funcionamento das escolas

 

How to become an examiner

(…)

Outside the UK
If you are not based in the UK, our international exam centres employ Speaking examiners for the Speaking part of many of our exams.

You can check for opportunities and apply using the Apply now link on this page.

The induction process
Before you can do any live examining, you will be invited to complete Induction, Training, and Certification of Procedure and Assessment modules. These Quality Assurance (QA) modules may be delivered by online self-access, by telephone and/or via face-to-face meetings.

Invitations to take part in QA modules and any future deployment as an examiner are not guaranteed and are issued as and when examining opportunities arise. If we are not able to use your services immediately, we will email you periodically to ask if you still wish us to keep your details as a possible examiner.

Speaking examiners
Speaking examiners are required to undertake examining at centres locally or at least within a 60-mile radius of their home address. Assignments normally take place during morning, afternoon and evening sessions from Monday to Friday, and morning and afternoon sessions at weekends. Sessions take place throughout the year but peak in May/June and November/December.

Please do not apply for Speaking test examining work unless you are reasonably available to undertake assignments during the week, in the evenings and on some Saturdays. Speaking test examiners will not be asked to undertake more than two sessions a day.

Examiner recruitment – frequently asked questions

How many scripts will I have to mark? 

This varies depending on the type of paper you will be marking (e.g. whether the paper is short questions, long questions, essay based, multiple choice etc.). Between 100-250 papers per exam series is an approximate average.

How much will I get paid? 

Examiners can expect to be paid anywhere between £1.00 and £5.00 per script depending on the syllabus and type of script.

Lá por fora, pode tornar-se uma profissão interessante, longe do voluntariado nacional:

A day in the life of a Cambridge ESOL Speaking Examiner

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A working life: The examiner

Karen Borrington became an examiner because she wanted to be a better teacher. Now it is taking her all over the world

Este mail é proveniente do IAVE, tendo-lhe sido retirados (por razões óbvias) todos os elementos potencialmente identificativos.

Os classificadores (examiners em inglês) devem preencher a ficha em inglês, conforme instruções no anexo. Divirtam-se a ver que dados devem ser traduzidos.

Eu garanto que não inventei nada.

Exmo./a. Dr./a.

Visando a sua participação na ação de formação para Examiner, no âmbito do projeto KFS Portugal, que irá decorrer em 11/04, solicitamos o preenchimento, em inglês, da ficha em anexo. A mesma deve ser remetida, em formato Excel, para este mail, o mais breve possível.

Melhores cumprimentos,

Anexo: KFS.

 

 

Chegou-me a informação de que numa escola em que ninguém se voluntariou para a classificação dos exames/testes made in Cambridge não foi possível nomear fosse quem fosse, foram recebidas indicações do IAVE para que TODOS os professores de inglês apresentassem um documento por escrito, alegando os motivos pelos quais não se VOLUNTARIAM para a tarefa. Inacreditável!!!!

Revoltada com esta situação, uma colega preparou o seguinte documento para servir de minuta a quem quiser usá-lo.

…. cumpre-me informar-vos da minha indisponibilidade total e irrevogável para participar do……….. pelos motivos que passarei a enumerar:

1º. A função de classificadora do Key For Schools não está prevista pelo Estatuto da Carreira Docente, nem no âmbito das tarefas previstas para a componente letiva, nem no âmbito da componente não letiva (ECD, artºs 77, 78 e 82). Assim sendo estou convicta que o trabalho que me é pedido que realize não está contemplado pelo ECD pelo que, a ser efetivamente aceite, teria que ser considerado como trabalho extraordinário (ECD, artº 83, ponto 1 e 6) e ser remunerado como tal;

2ª. As funções que participar no …………….. compreendem a deslocação para fora do meu local de trabalho, quer para participar na formação específica da Cambrigde English Language Assessment, quer para como professor classificador participar na avaliação do Speaking Assessment por várias escolas em localidades que desconheço. Daqui decorrem dois aspetos importantes:

2.1. Presumindo que o Estado não me facultará um motorista que me transporte do local onde exerço funções até aos locais onde o IAVE considere que eu tenha que me apresentar, manifesto a minha discordância em que o mesmo faço uso da minha capacidade e certificação para conduzir. Não foi o estado que custeou a minha carta de condução, nem ser detentor da mesma alguma vez foi pré-requisito para acesso à carreira;

2.2. Não dispondo, previsivelmente, de meios de transporte que me permitam efetuar deslocações utilizando os transportes públicos, exercer estas funções obrigar-me-ia a utilizar viatura própria para o efeito. Como a minha viatura está em final de vida útil e necessito de a preservar o máximo possível, não estou disponível para colocar a minha viatura ao serviço do estado, independentemente do valor por quilómetro que me pudesse vir a ser proposto;

3ª Finalmente e mais importante, até porque este argumento seria só por si suficiente, o Despacho nº 4168-B/2014 refere de forma clara e inequívoca no seu preâmbulo que “Para a constituição de uma bolsa de professores classificadores, do Instituto de Avaliação Educativa, I.P. (IAVE, I.P.) convidou professores com habilitação profissional para a docência da disciplina de Inglês em exercício, que, voluntariamente, procederam ao seu registo em formulário disponibilizado para o efeito.”. Não tendo demonstrado em qualquer ocasião disponibilidade para ser voluntária e muito menos tendo procedido a qualquer registo em qualquer formulário para esse efeito, manifesto mais uma vez a minha total indisponibilidade para participar neste processo.

Mais informo que, caso os meus dados sejam utilizados indevidamente para me inscreverem como classificadora, tenciono apresentar queixa não apenas à Inspeção-Geral de Educação e Ciência, mas também à Provedoria da Justiça e à Comissão Nacional de Proteção de Dados.

Com os melhores cumprimentos

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Parece que entrou na fase do telefonema directo do IAVE para as escolas a exigir a nomeação de 2 “voluntários”, sejam quem forem, não interessa se leccionam ou leccionaram 9º ano, se são dos quadros…  o que interessa é que o exame/teste é obrigatório pelo que precisa ser classificado.

Mas parece que não querem passar a coisa a escrito, que é por causa do rasto documental…

… parece que vai ser feita à força.

Federações sindicais frisam que professores podem recusar corrigir testes de inglês

Na semana passada, o Ministério da Educação e Ciência indicou aos directores escolares que deviam inscrever docentes na formação exigida por Cambridge aos correctores do teste de diagnóstico, apesar de a legislação determinar que a actividade é para voluntários.

Andam a ser nomeados voluntários, por vezes de forma mais do que duvidosa, mas nada como esperar para que se saiba tudo aquilo que o MEC é capaz de fazer quando se ensarilha nos seus próprios passos.

Professores de Inglês “voluntários à força” para a correcção da prova

Chegou-me por mail devidamente identificado:

Caro Paulo Guinote,

Apesar do Despacho n.º 4168-B/2014 de 19 de Março referir que adesão à bolsa de professores classificadores seria VOLUNTÁRIA e que esses mesmos professores  receberam formação específica da Cambridge English Language Assessment, o IAVE está a pressionar (leia-se obrigar) as escolas a indigitar professores para serem professores classificadores sem que lhes seja dada a possibilidade de se negarem a tal serviço.

Curioso ainda que o nosso Ministro, em Setembro de 2013,  tenha dito que o exame seria implementado sem qualquer custo para o Estado e depois envie um email aos professores de inglês que se voluntariaram para serem professores classificadores com o seguinte teor:

 

Caros Professores/as de Inglês

Considerando a necessidade da colaboração de um número de professores (Speaking Examiners) que garanta o processo de aplicação do teste Key for Schools, tendo em conta o Despacho n.º 4168-A/2014, de 19 de março, bem como a informação enviada aos Diretores dos Agrupamentos de Escolas/Escolas não agrupadas, agradecemos que manifestem as vossas disponibilidades de horário para a realização das sessões de Speaking, junto das Direções das Escolas onde exercem funções. Relembra-se que, de acordo com o Despacho referido, constitui dever dos professores que se voluntariaram e realizaram a formação promovida pelo IAVE e por Cambridge English participar no processo de classificação e de avaliação do Speaking, não estando prevista a figura de desistência do processo após terem sido suportados pelo MEC os custos inerentes à sua formação.

Agradecemos ainda, caso ainda o não tenham feito, que concluam a vossa certificação na plataforma do Cambridge. Para acederem à plataforma, podem usar a palavra de acesso que vos foi enviada. Caso não tenham a palavra-passe, podem solicitá-la através do vosso Team Leader.

Se por qualquer razão não puderam frequentar a sessão de formação presencial, poderão ainda fazê-lo, em Lisboa ou no Porto, numa das sessões que estão a ser agendadas para o dia 11 de abril, sexta-feira. A certificação através da plataforma tem lugar após a sessão presencial.

Recordamos que devem levar para as sessões de speaking o código de Examiner, para poderem preencher devidamente as grelhas.

Com os melhores cumprimentos,

 

Caro Paulo Guinote,
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Envio a carta do IAVE instando-me para ser classificadora de exames Key for schools. Peço-lhe que a  divulgue considerando que o governo:
.
- faz negociatas com Bancos como o BPI e cujo lucro dos certificados pagos pelos alunos, conforme foi divulgado por responsáveis do ministério da educação (num encontro realizado na Maia a que fui instada a ir a troco de 11 cêntimos por km), reverte a favor da Fundação Bissaya Barreto. 
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A que propósito será esta fundação beneficiada?
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- os professores “examiners” de institutos como a International House são pagos a 30 € a hora de correção enquanto que os professores do 9º ano que foram instados a serem classificadores recebem custas das viagens a 11 cêntimos, o km. Está justíssimo!
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- O exame terá início em março – abril e a formação decorre a 11 de fevereiro, perfeitamente a tempo para se ajustarem todos os mecanismos para tal exame que irá desdobrar-se em três partes distintas e com um alto grau de complexidade. Não há problema… um professor de Braga pode ir a Viana do Castelo, é mesmo ali ao lado, a 63 km de distância, sem se saber se terá viatura, tempo ou até transporte público (dificilmente o comboio, que neste caso serão dois) chegará às 9 e meia em ponto!
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- Devem supor que é uma honra para um professor ser “instado” a comparecer! Pode até haver temporal…but who cares?
.
Obrigada colega
Cara….
O Key for Schools Portugal é um projeto que tem como principal objetivo a aplicação nos estabelecimentos de ensino de um teste de língua inglesa concebido pelo Cambridge English Language Assessment, entidade da Universidade de Cambridge responsável pelo desenvolvimento de instrumentos de avaliação no domínio da língua inglesa.

O IAVE, I. P., é o organismo que irá assegurar a gestão do respetivo processo, garantindo o rigor e a fiabilidade da sua aplicação e da sua classificação.

Para este projeto contamos com a colaboração de cerca de 1000 professores/as de Inglês, que irão assegurar o processo de classificação dos testes e a aplicação da componente oral dos mesmos.

Estes/as professores/as classificadores/as serão acompanhados/as por cerca de 50 supervisores/as ou Team Leaders, que tiveram formação específica orientada por uma equipa do Cambridge English for Schools.

Cada Team Leader irá acompanhar no terreno um grupo de classificadores/as (Examiners), transmitindo a formação recebida e acompanhando durante o processo de classificação dos testes.

Temos o gosto de lhe comunicar que foi escolhido/a para ser Examiner, no âmbito do Key for Schools Portugal.

Assim, indicamos em seguida a informação referente à ação de formação em que irá participar.

Turma: 15

Nome do/a Formador/a: Maria Manuela Soares da Costa

Local da Formação: Escola Secundária de Monserrate

Morada da Escola: Av. do Atlântico 4904-860 Monserrate

Telefone da Escola: 258801800

Data da Formação: 11 de fevereiro de 2014

Horário da Formação: 9h30 – 17h30

Mais informamos:

1. Foi autorizada, pelo Senhor Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, a dispensa da componente letiva e não letiva no período em que decorre a formação. Esta informação encontra-se disponível para as direções das escolas na Extranet do IAVE.

2. Para pagamento de eventuais despesas de deslocação, de acordo com a legislação em vigor, deverá:

- Preencher o boletim itinerário mensal e juntar os originais de todos os recibos

- Enviar por correio, ao Conselho Diretivo do IAVE, no prazo de 15 dias após a realização das tarefas, sendo estas reportadas ao mês em que foram efetuadas.

Antecipadamente gratos pela sua colaboração, enviamos os melhores cumprimentos.

… mas estou com um ataque de maturidade fora de época e nem sequer vou ser sarcástico e corrosivo como tudo isto mereceria.

“Independentemente da justiça da prova, do ponto de vista de quem a faz, está em causa o respeito pelo trabalho de quem a corrige. Um professor consciente e competente, com experiência, sabe que uma resposta com aquela dimensão demora a corrigir entre meia-hora a três quartos de horas e não se sujeitará a isto”, disse Edviges Ferreira ao PÚBLICO. Frisando que falava não como dirigente da APP, mas a título individual, comentou que “uma empregada doméstica ganha seis euros à hora” e considerou a proposta feita aos professores “ridícula”. Quase mais valia não terem oferecido nada”, disse.

Cada vez me sinto mais envergonhado por esta época em que me vi obrigado a viver.

Caro(a) Classificador(a) de Português,

No momento em que se anuncia a realização da prova de avaliação de conhecimentos e capacidades (PACC), específica para a docência, cumpre a este Instituto assegurar a gestão do respetivo processo de classificação. Neste sentido, pretendemos contar com aqueles que ao longo dos últimos anos têm sido o garante do rigor e da fiabilidade da classificação das nossas provas: os nossos Classificadores, em articulação com os Supervisores. Assim, não podemos deixar de lhe propor que nos acompanhe em mais este projeto, pelo que solicitamos que nos informe da sua disponibilidade para exercer as funções como Classificador(a) da PACC, no modelo de supervisão estabelecido para outros projetos.

Informamos que o papel do(a) Classificador(a) implica a classificação, em média, de 100 respostas a um item de resposta extensa, o que corresponde a 100 provas. Cada resposta terá entre 250 e 350 palavras, aproximadamente.

Como Classificador(a), desenvolverá esta tarefa em regime de acumulação, previsivelmente durante a interrupção letiva de dezembro/janeiro, auferindo o valor de 3 € por resposta classificada.

Caso deseje participar neste projeto, deverá preencher a ficha em anexo a este e-mail, para procedermos à atualização dos seus dados. Depois de devidamente preenchida, a ficha deve ser gravada no mesmo formato (Excel) e enviada, para este endereço eletrónico, até ao dia 18 de novembro, juntamente com uma cópia do recibo de vencimento. Para proceder a esse envio, deverá usar o mesmo endereço eletrónico que indica na sua ficha como email pessoal para contacto, que se presume ser consultado com regularidade.

Solicitamos, ainda, caso não pretenda participar neste projeto, que nos informe, em resposta a esta mensagem eletrónica, no prazo máximo de 3 dias (até 14 de novembro).

Até ao final de novembro, informá-lo-emos sobre a sua participação, conhecido que seja o número de candidatos inscritos na PACC.

Antecipadamente gratos pela sua colaboração, enviamos os melhores cumprimentos,

Paula Meneses

A Direção de Serviços de Avaliação Educativa

Mas e a pessoa não quiser, não basta não responder?

E já, agora, há quem se preste a este serviço? O meu desprezo antecipado.

Recebi hoje um telefonema da CAP da minha escola a dizer que a inspecção vai lá amanhã por causa de eu e outro colega nos termos “recusado” a classificar exames. Como parto amanhã de férias durante 20 dias, mandei o seguinte mail ao ministro Crato.

.
Ex-mo Sr. Ministro da Educação e Ciência.
Sou professora de Português do Ensino Secundário na Escola Secundária ……………..
Mais uma vez, confrontei-me este ano com um número de provas para classificar (49 provas) dentro dum prazo absolutamente irrealista (5 dias e meio) para que o trabalho possa ser feito em consciência e de modo a não prejudicar aqueles para quem trabalhamos: os nossos alunos.
Envio em anexo a declaração que enviei ao Agrupamento de Exames (Santa Maria de Sintra) e a declaração que deixei perante a inflexibilidade do Agrupamento em diminuir o número de provas a classificar. Aliás, fui confrontada com a informação de que “ou são os 49 exames ou nenhum”.
No passado ano lectivo já tinha procedido da mesma forma e acabaram por me distribuir o número de provas pelas quais eu me responsabilizava.
Note-se que um exame de Português de 12º ano implica, entre as tarefas de correcção normais, a obrigatoriedade de contar o número de PALAVRAS em duas questões (I B e III), tarefa que tem que ser repetida bastas vezes porque uma palavra a mais ou a menos implica um desconto.
Não consigo corrigir BEM nenhum exame em menos de 2 horas (contar palavras, trancar espaços, analisar e cotar as questões, rever o exame e preencher as grelhas), ainda mais não sendo um trabalho mecânico que se consiga fazer 10 ou 12 horas de seguida. Muitas vezes há ainda que confrontar provas entre si para aferir da uniformização da aplicação  dos critérios que estamos a utilizar.
E tudo isto considerando que, como já aconteceu, não aparecem, a meio do trabalho, directrizes do Gave, via supervisora, que obrigam à revisão do trabalho já feito.
Considero deplorável que a quantidade seja mais importante do que a qualidade. Lamento, mas não é assim que eu trabalho e penso e tenho provas de que os meus alunos beneficiam desta minha forma de trabalhar e de encarar a profissão.
Por último, gostaria que fosse considerada, na avaliação dos resultados dos exames nacionais as condições cada vez piores em que este trabalho é realizado.
Há muito tempo que acho que cada classificador deveria saber se os seus exames foram sujeitos a recursos em que a nota atribuída tivesse sido alterada de forma significativa. E analisar essas situações sempre que se verificassem ser recorrentes. Todos somos falíveis, mas as condições de “aviários de classificadores” em que nos estão a transformar potenciem, e MUITO, essa falibilidade.
Grata pela atenção dispensada, estou disponível a partir do final das minhas férias, para prestar os esclarecimentos que entenderem necessários, até porque os problemas que rodeiam a tarefa de classificação de exames nacionais não se esgotam nestas minhas linhas.
Ana Cristina Henriques Mendes da Silva
.
Omiti os anexos porque, se bem me lembro, já os fui publicando por aqui em outro momentos.
anexo também a declaração enviada ao agrupamento em 2012
Nota: reservo-me o direito de divulgar estas minhas reflexões pelas vias que entender apropriadas, esperando que a mesma sirva para uma profunda reformulação e reflexão sobre a classificação de exames nacionais.

Correcção e classificação do exame nacional de Português do Ensino Secundário

Código 639 – 2ª fase

 2012-2013

 

Parece-me ser consensual que a correcção de exames nacionais é um trabalho de extrema responsabilidade e que se deve revestir da máxima fiabilidade. Está em jogo, muitas vezes, o trabalho e o futuro dos nossos alunos e têm direito a que o mesmo decorra da forma mais profissional e competente possível.

Nesta perspectiva, fiz a análise do número de dias disponíveis para corrigir as provas e cheguei à seguinte conclusão:

Os exames são levantados no agrupamento no dia 17 de Julho (às 10h) e devolvidos no dia 26 de Julho (de manhã). Temos, então, 5 dias úteis (considerando 7 horas de trabalho por dia), e a tarde de dia 17 de Julho (4 horas). Assim, 5×7 horas de trabalho diário =35 horas+4 horas=39 horas / 2 horas (tempo médio de correcção de cada exame)= 20 provas.

Por tudo o que foi acima exposto, e para que o trabalho desenvolvido seja, mais uma vez, da máxima qualidade e de acordo com os meus critérios de exigência como docente e correctora, não me posso responsabilizar pela correcção de mais exames do que os acima referidos. Não considero a prorrogação do prazo de entrega uma vez que inicio as minhas férias no dia 29 de Julho.

 

    16 de Julho de 2012

A professora classificadora:

Ana Cristina Henriques Mendes da Silva

PQND do GR 300 da Escola Secundária da Amadora

Todos anos a mesma romaria.

Uma coisa é a necessidade de aprimorar este ou aquele critério, outra a emenda tardia de disparates como alguns critérios do exame de Português do 6º ano, quando os classificadores já tinham as grelhas praticamente todas preenchidas. Recebi ainda outro mail, de quem conhece bem o processo que está a decorrer:

Para Física-Química A chegou ontem uma dezena de folhas com orientações de correção, em maior número do que os próprios critérios.
No caso de  Português do 9º, consoante a sala em que o classificador participou na reunião de supervisão, foi dada uma orientação diferente e algumas em sentido completamente oposto. Isto no mesmo Agrupamento de Exames.

Após a reunião uns classificadores receberam esclarecimentos e adendas aos critérios e outros continuam sem receber nada.

Assim se trata da garantia de igualdade e justiça do processo.
.

Que tal? Este ano foram generosos na distribuição de exames, se bem percebo, com o aumento do nº médio de provas. E o apoio, sempre disponível, correcto?

Pergunto, porque a lotaria há 2 anos que me é benfazeja.

O despacho: Dispensa_comp_n_letiva_2013

Inclui reuniões de avaliação? É que me parece que não são componente lectiva…

Este:

Economico18Jun13

Ora bem… isto parece-me confidencial, mas… não me perguntem como me chegou, pois penso que foi algo extraviado.

Relativamente à prova extra de Português (639) a realizar no dia 2 de julho, há que acautelar o processo de classificação, já que, neste período os professores classificadores de Português poderão encontrar-se de férias. Assim, os agrupamentos deverão proceder do seguinte modo para a convocatória dos classificadores de Português (639):

1. Convocar para a classificação da prova de Português do dia 17 todos os classificadores, de acordo com as prioridades e as regras habituais;

2. Verificar quanto professores classificadores é que vão ser necessários para a prova de 2 de julho, tendo em conta o número de alunos que não puderam realizar a prova por causa da greve, e também de forma que estes classifiquem cerca de 30 provas;

3. Verificar quais os classificadores que não têm férias marcadas para o período de 3 a 11 de julho;

4. Estes poderão ser convocados para ver as provas do dia 2 de julho e não classificam na 2.ª fase;

5. Se não existirem classificadores suficientes que não tenham férias marcadas para o período referido, deverão avisar e negociar, aquando da entrega de provas no dia 19 ou 20, com alguns professores classificadores de forma a que estes possam mudar as suas férias, tendo como contrapartida o não classificarem provas na 2.ª fase, podendo ter as férias todas de seguida;

6. Os restantes classificadores serão convocados para a 2.ª fase.

O MEC não cedeu… diz que não se aplica…. A indicação é aplicar/enfiar 60 provas em caso de necessidade para pagar menos custos possíveis. (Isto implicava chamar quase 3 vezes mais pessoas…

http://dre.pt/pdf2sdip/2010/12/234000000/5875958760.pdf

 

Gabinete do Secretário de Estado

Adjunto e da Educação

Despacho n.º 18060/2010

(…)

5 — Aos professores classificadores que durante o período destinadoà classificação das provas tenham atribuídas funções lectivas apenaspoderá ser atribuído um número máximo de 25 provas de exame por chamada/fase.

Começou em vários pontos do país.

A norte:

“Itens e Critérios: definição, construção e aplicação”

A ação decorre de abril a setembro de 2013, num total de 45 horas (15 horas de formação a distância, em modo e-learning na plataforma Moodle da Universidade do Porto, de 2 a 17 de abril de 2013, e 30 horas de trabalho autónomo).
NOTA:
“A não classificação de provas finais e/ou de exame inviabiliza a atribuição de créditos aos formandos.”

Numa outra formação (cujos detalhes estou a apurar), foi dado o seguinte documento do GAVE como base para uma actividade… Texto0_exemplos_itens_fragilidades.

Muita coisa é subjectiva, mas… as fragilidades dos itens em causa podem ser tão variadas quanto as perspectivas teóricas sobre a avaliação que possamos ter. Ou do que esteja em causa avaliar em cada um deles.

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