Classificadores


... os professores voluntários não foram suficientes, nem suficientemente voluntários. E ele ainda acha que tem o direito de – embora tendo as pretensões de “autonomia” – considerar que tem jurisdição para lançar postas de pescada sobre o desempenho profissional dos professores e a utilização do seu tempo.

Ao senhor Iavé – houvesse ministro da Educação em Portugal que não se entediasse com o desempenho das suas obrigações – não valeriam o ar british e a pretensão de superioridade ética e intelectual que pavoneia pelas suas cercanias e já teria ido para o olho da rua, que certamente seria bem acolhido em outras paragens mais autónomas ainda.

O senhor Iavé, apesar de autónomo, deveria entender a extensão das suas funções e o decoro que se exige às declarações que faz sobre os outros. Fosse eu professor ainda classificador e ele ficaria a brincar sozinho com os testes made in Cambridge.

Não se trata de limitar a liberdade de expressão, mas apenas de lhe explicar que se gosta de achincalhar terceiros por não fazerem o que ele quer, deve estar preparado para receber em troca o equivalente tratamento por isso mesmo.

O senhor Iavé é mal educado. Porque não é mal educado apenas o bruto que diz palavrões ou grosserias explícitas, mas também o senhor bem apessoado, com elegante botões nos punhos de renda, que trata sem educação quem não conhece e faz juízos de valor sobre a sua ética profissional.

Se os outros têm deveres, ele também os tem, a começar por alguma reserva como se expressa em público. Repito… fosse eu professor de Inglês e já teria tentado perceber porque a APPI anda um bocado em rodopio nesta matéria, com posições que de firmes me parecem cada vez mais sinuosas.

Já se percebeu que para o ano a coisa vai ser obrigatória, porque assim o senhor Iavé obrigará o MEC a decretar porque o senhor Iavé é aquele a quem todos devem obedecer, mesmo quando é ele que se espalha ao comprido, como aconteceu neste caso ao contar com o trabalho alehio para fazer floreados.

Tomara que ele tivesse tanta preocupação com a qualidade das classificações de testes, provas finais e exames e não existisse apenas pressa em que as coisas sejam despachadas.

E: O atraso na divulgação das notas deve-se à pouca colaboração dos professores afetos à correção? Ou há outros fatores que explicam o não cumprimento da data inicialmente fixada?
HS:
Cerca de 50% dos professores que intervieram no processo de classificação da componente escrita tiveram uma participação inferior ao esperado, na prática inferior a cerca de cinco horas de trabalho efetivo.

E: No email que o IAVE enviou às escolas, destacava-se a “elevadíssima qualidade técnica” dos professores que corrigiram as provas e revelava-se que dos 1100 docentes envolvidos no processo apenas 400 tinham cumprido. O que se passou?
HS:
Apenas pouco mais de 450 professores dos 1091 certificados estiveram envolvidos de forma regular no processo e classificaram um número de itens considerado adequado ao expectável. As razões do não envolvimento dos demais desconhecemos.

Vale a pena salientar que se entende por participação esperada cerca de 10 a 12 horas de trabalho ao longo de 10 dias úteis (cerca de 1 hora por dia). Se todos os professores classificadores tivessem tido um nível de participação como o referido, a classificação da parte escrita teria sido concluída no dia 23 de maio, como previsto, e não apenas no passado dia 10 de junho.

E: É grave, na opinião do IAVE, haver professores que não corrigiram as provas de Inglês no prazo estipulado?
HS:
As respostas às questões anteriores são esclarecedoras. O teste era de realização obrigatória e os professores são os únicos técnicos habilitados a classificar provas de avaliação de alunos.

Dispensa de classificadores de exames compromete funcionamento das escolas

 

How to become an examiner

(…)

Outside the UK
If you are not based in the UK, our international exam centres employ Speaking examiners for the Speaking part of many of our exams.

You can check for opportunities and apply using the Apply now link on this page.

The induction process
Before you can do any live examining, you will be invited to complete Induction, Training, and Certification of Procedure and Assessment modules. These Quality Assurance (QA) modules may be delivered by online self-access, by telephone and/or via face-to-face meetings.

Invitations to take part in QA modules and any future deployment as an examiner are not guaranteed and are issued as and when examining opportunities arise. If we are not able to use your services immediately, we will email you periodically to ask if you still wish us to keep your details as a possible examiner.

Speaking examiners
Speaking examiners are required to undertake examining at centres locally or at least within a 60-mile radius of their home address. Assignments normally take place during morning, afternoon and evening sessions from Monday to Friday, and morning and afternoon sessions at weekends. Sessions take place throughout the year but peak in May/June and November/December.

Please do not apply for Speaking test examining work unless you are reasonably available to undertake assignments during the week, in the evenings and on some Saturdays. Speaking test examiners will not be asked to undertake more than two sessions a day.

Examiner recruitment – frequently asked questions

How many scripts will I have to mark? 

This varies depending on the type of paper you will be marking (e.g. whether the paper is short questions, long questions, essay based, multiple choice etc.). Between 100-250 papers per exam series is an approximate average.

How much will I get paid? 

Examiners can expect to be paid anywhere between £1.00 and £5.00 per script depending on the syllabus and type of script.

Lá por fora, pode tornar-se uma profissão interessante, longe do voluntariado nacional:

A day in the life of a Cambridge ESOL Speaking Examiner

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A working life: The examiner

Karen Borrington became an examiner because she wanted to be a better teacher. Now it is taking her all over the world

Este mail é proveniente do IAVE, tendo-lhe sido retirados (por razões óbvias) todos os elementos potencialmente identificativos.

Os classificadores (examiners em inglês) devem preencher a ficha em inglês, conforme instruções no anexo. Divirtam-se a ver que dados devem ser traduzidos.

Eu garanto que não inventei nada.

Exmo./a. Dr./a.

Visando a sua participação na ação de formação para Examiner, no âmbito do projeto KFS Portugal, que irá decorrer em 11/04, solicitamos o preenchimento, em inglês, da ficha em anexo. A mesma deve ser remetida, em formato Excel, para este mail, o mais breve possível.

Melhores cumprimentos,

Anexo: KFS.

 

 

Chegou-me a informação de que numa escola em que ninguém se voluntariou para a classificação dos exames/testes made in Cambridge não foi possível nomear fosse quem fosse, foram recebidas indicações do IAVE para que TODOS os professores de inglês apresentassem um documento por escrito, alegando os motivos pelos quais não se VOLUNTARIAM para a tarefa. Inacreditável!!!!

Revoltada com esta situação, uma colega preparou o seguinte documento para servir de minuta a quem quiser usá-lo.

…. cumpre-me informar-vos da minha indisponibilidade total e irrevogável para participar do……….. pelos motivos que passarei a enumerar:

1º. A função de classificadora do Key For Schools não está prevista pelo Estatuto da Carreira Docente, nem no âmbito das tarefas previstas para a componente letiva, nem no âmbito da componente não letiva (ECD, artºs 77, 78 e 82). Assim sendo estou convicta que o trabalho que me é pedido que realize não está contemplado pelo ECD pelo que, a ser efetivamente aceite, teria que ser considerado como trabalho extraordinário (ECD, artº 83, ponto 1 e 6) e ser remunerado como tal;

2ª. As funções que participar no …………….. compreendem a deslocação para fora do meu local de trabalho, quer para participar na formação específica da Cambrigde English Language Assessment, quer para como professor classificador participar na avaliação do Speaking Assessment por várias escolas em localidades que desconheço. Daqui decorrem dois aspetos importantes:

2.1. Presumindo que o Estado não me facultará um motorista que me transporte do local onde exerço funções até aos locais onde o IAVE considere que eu tenha que me apresentar, manifesto a minha discordância em que o mesmo faço uso da minha capacidade e certificação para conduzir. Não foi o estado que custeou a minha carta de condução, nem ser detentor da mesma alguma vez foi pré-requisito para acesso à carreira;

2.2. Não dispondo, previsivelmente, de meios de transporte que me permitam efetuar deslocações utilizando os transportes públicos, exercer estas funções obrigar-me-ia a utilizar viatura própria para o efeito. Como a minha viatura está em final de vida útil e necessito de a preservar o máximo possível, não estou disponível para colocar a minha viatura ao serviço do estado, independentemente do valor por quilómetro que me pudesse vir a ser proposto;

3ª Finalmente e mais importante, até porque este argumento seria só por si suficiente, o Despacho nº 4168-B/2014 refere de forma clara e inequívoca no seu preâmbulo que “Para a constituição de uma bolsa de professores classificadores, do Instituto de Avaliação Educativa, I.P. (IAVE, I.P.) convidou professores com habilitação profissional para a docência da disciplina de Inglês em exercício, que, voluntariamente, procederam ao seu registo em formulário disponibilizado para o efeito.”. Não tendo demonstrado em qualquer ocasião disponibilidade para ser voluntária e muito menos tendo procedido a qualquer registo em qualquer formulário para esse efeito, manifesto mais uma vez a minha total indisponibilidade para participar neste processo.

Mais informo que, caso os meus dados sejam utilizados indevidamente para me inscreverem como classificadora, tenciono apresentar queixa não apenas à Inspeção-Geral de Educação e Ciência, mas também à Provedoria da Justiça e à Comissão Nacional de Proteção de Dados.

Com os melhores cumprimentos

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Parece que entrou na fase do telefonema directo do IAVE para as escolas a exigir a nomeação de 2 “voluntários”, sejam quem forem, não interessa se leccionam ou leccionaram 9º ano, se são dos quadros…  o que interessa é que o exame/teste é obrigatório pelo que precisa ser classificado.

Mas parece que não querem passar a coisa a escrito, que é por causa do rasto documental…

… parece que vai ser feita à força.

Federações sindicais frisam que professores podem recusar corrigir testes de inglês

Na semana passada, o Ministério da Educação e Ciência indicou aos directores escolares que deviam inscrever docentes na formação exigida por Cambridge aos correctores do teste de diagnóstico, apesar de a legislação determinar que a actividade é para voluntários.

Andam a ser nomeados voluntários, por vezes de forma mais do que duvidosa, mas nada como esperar para que se saiba tudo aquilo que o MEC é capaz de fazer quando se ensarilha nos seus próprios passos.

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