Avaliação


A hiperburrocratização (dois trocadilhos numa só palavra é mesmo de quem ainda está a começar o ano…) continua de boa saúde e a andar por aqui.

Despacho normativo n.º 13/2014. D.R. n.º 177, Série II de 2014-09-15, do Ministério da Educação e Ciência – Gabinete do Ministro
Regulamenta a avaliação e certificação dos conhecimentos adquiridos e das capacidades desenvolvidas pelos alunos do ensino básico, nos estabelecimentos de ensino público, particular e cooperativo.

Quanto ao varrer dos “indesejáveis” para fora dos exames como estratégia de melhoria dos resultados globais (quantas vezes eu escrevi que o vocacional se destina, principalmente, a isso!), ler o José Morgado:

QUEM COMPROMETER RESULTADOS NÃO REALIZA EXAMES

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Vem mesmo a tempo de uma melhoria fantástica dos resultados depurados nas vésperas das eleições de 2015…

Dipsticks: Efficient Ways to Check for Understanding

Publico, com atraso, devido ao período de descanso quase sem banda larga em que deixei muito mail por abrir:

Quando se é igual aquele que se critica

Na organização social atual, o sistema de influências e contactos predomina sobre a meritocracia. A descrição seguinte aplica-se, com as devidas adaptações, tanto ao setor empresarial como a todo o setor público, e denota, no futuro, a improvável purga das atitudes execráveis que destroem o equilibrio de uma sociedade.
 
Atualmente, o sistema laboral educativo é um pântano de injustiças, resultado da catadupa de legislação que não acautelou direitos adquiridos legitimamente. Deste modo, na mesma instituição e mesmo grupo encontramos pessoas:
.
- com a mesma idade mas umas têm redução de componente letiva e outras não;
- de graduação inferior com melhor distirbuição de serviço do que as de graduação superior (por exemplo, com um nivel/2 turmas o menos graduado e 2 niveis/5 turmas o mais graduado);
- com 6 ou mais turmas e dois ou mais níveis e mais cargos e outras com 2 turmas e um nível e sem cargos;
- que têm a simpatia da direção para proporcionar o serviço que lhes interessam e tolerar a negligência que surja, e outras cuja antipatia as sobrecarregam na distribuição de serviço e não perdoam o mínimo erro;
- que são acarinhadas pela direção pela sua obediência servil e ausência de espirito critico e outras que são vitimas de retaliação por causa da sua liberdade critica;
- com o mesmo tempo de serviço mas em escalões remuneratórios diferentes ou com tempos de serviço muito diferentes e no mesmo escalão remuneratório (por exemplo, 18 anos e 13 anos);
- que nunca foram sujeitas a observação de aulas para avaliação de desempenho e são avaliadores(as) das aulas dos outros;
- que não lecionam determinados níveis de ensino (por incapacidade ou desinteresse) e usam a simpatia da direção para continuar a não lecionar
 .
Se juntarmos a esta amostra as diferenças entre escolas para a mesma situação, ficam evidenciadas as potenciais preversões da autonomia ou provável municipalização da carreira docente. Os sindicatos estão contaminados com a doença politico-partidária, chefiados e assessorados por militantes de partidos politicos, tendo uma agenda predominantemente politico-partidária do que de defesa dos interesses profissionais, pelo que não atuam no sentido de exigir mecanismos de defesa de todos aqueles que estão afastados do compadrio e nepotismo.
Por isso, não são provas escritas avaliação que determinam quem tem capacidade; é o carácter moral e ético dos profissionais que devia ser o farol no meio do oceano da ignonimia…
.
Enquanto nas escolas persistirem situações e atitudes em larga escala que dão azo a revolta e conflitualidade, jamais serão referência para a comunidade.
 .
O carácter nepótico, cacique, corrupto dos lideres só será mudado quando o mesmo carácter de muitas pessoas da população de que eles emanaram também for mudado…
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Mário Silva

Dei lá aulas há mais de 20 anos… nos bons velhos de contratado, pelo que nada disto me espanta, até porque fui logo retirado do serviço de vigilância de exames à primeira “ocorrência”.

As abordagens eram do mais variado tipo. Como eu lhes sorria, dizia que tinha poucos vícios e @s mandava passear, criou-se a confiança necessária para saber muita coisa, até porque vári@s alun@s eram da minha idade ou mesmo mais velh@s. Alegadamente, claro.

E até houve, por esses tempos, aquele episódio do desaparecimento cirúrgico de umas pautas…

em nome da verdade, nunca me pareceu que a direcção da altura se deixasse envolver e sempre foi, em termos laborais, de extrema correcção.

Já o resto…

Alunos pagavam para ter nota máxima

Uma professora e 35 alunos envolvidos no esquema. Valores chegavam aos 2500 €.

O André Azevedo Alves decidiu voltar a entrar por um tema que há muito deveria saber que é terreno minado para quem vê em cada professor um comunista e um potencial governante.

Falo da redução das questões da Educação à domesticação dos professores, que ele encara como uma turba de máriosnogueiras.

E é aí que a análise se torna completamente inútil, porque o que está em causa é o anti-PREC em decurso e o combate – quando interessa, embora eu reconheça ao André mais coerência do que a outros – a tudo o que cheire a CGTP, Fenprof e PCP, mesmo que erroneamente.

O André faria bem melhor em não fazer o que certamente não gostaria que lhe fizessem, ou seja, tomá-lo como mais um daqueles que escrevem automaticamente sobre estas matérias, abdicando de pensar a sério sobre os assuntos.

Por exemplo… quando defende o rigor no acesso aos cargos no Estado baralha-se irremediavelmente com duas coisas:

  • Uma delas é achar que um teste psicoténico, com laivos de psicotrópico, se pode considerar uma forma razoável de fazer essa selecção.
  • Outra é, na sequência da anterior, não parecer conseguir fazer a distinção entre a forma de um patrão, privado, seleccionar os seus empregados, e o Estado seleccionar os seus funcionários, que não são empregados de um qualquer PM ou MEC de passagem.

É meu escasso entender que a selecção e avaliação do desempenho dos funcionários do Estado deve ser feita e com muito mais rigor do que qualquer entrada numa empresa do pai de um amigo qualquer.

Por isso mesmo, é que não é aceitável esta treta de prova, nem qualquer equiparação entre uma avaliação de professores (enfermeiros, juízes, etc) e uma avaliação de executivos juniores.

Por isso mesmo, é que os serviços públicos nunca poderão (mais do que deverão) ser equiparados a negócios privados.

A função pública não é um parente menor dos negócios cervejeiros de um piresdelima e amesquinha-se no dia em que tentar segui-los, porque o seu papel na sociedade está muito acima, por muito que defendam – à tea party – aquela conversa dos job creators e de serem os privados quem produz riqueza. Depende…

quantas vezes, produzem mais pobreza do que riqueza e quantas vezes os ídolos exaltados em dado momento se revelam mero sucateiros mais bem vestidos, com robalos a transformarem-se em transferências chorudas entre contas bancárias.

A ler: Max Weber, sempre. Peter Oborne, para a confusão entre a classe política e o interesse público.

A ver: Yes, Minister e Yes, Prime Minister, sempre.

… tiveram sempre excelente nas avaliações anuais e fizeram uma extraordinária prova de ingresso na profissão de “banqueiro de sucesso”.

Fora os outros, que agora não me ocorrem, dos robalos a outros peixes miúdos e graúdos.

Caros e caras investigadores e/ou professores,

Somos investigadores no Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) da Universidade do Porto. Temos vindo a desenvolver estudos acerca da inflação de notas no ensino secundário e do seu impacto no acesso ao Ensino Superior. Publicámos recentemente um artigo na revista Higher Education, intitulado “Unfairness in access to higher education: a 11 year comparison of grade inflation by private and public secondary schools in Portugal” (em anexo). No seguimento dessa publicação, o nosso estudo foi divulgado nas edições de 3 de maio dos jornais Público e Expresso (em anexo), tendo posteriormente merecido alguma atenção de outros orgãos de comunicação social, designadamente da SIC e da TVI24.

Por considerarmos que a inflação de notas é um problema que anualmente gera graves e extensas injustiças, afetando a vida de milhares de jovens, pensamos ser nossa obrigação a divulgação destes dados junto de investigadores e/ou personalidades com interesse neste tema.

Abaixo segue uma pequena síntese dos resultados do estudo:
— a análise foi realizada considerando 3 grandes grupos de escolas (públicas, privadas com contrato de associação, privadas sem contrato de associação);
— existem grandes diferenças entre os dois tipos de escolas privadas, sendo que a inflação nas escolas com contrato de associação é consideravelmente menor do que nas escolas sem contrato de associação. Assim, como se pode verificar no gráfico em anexo, a linha das escolas com contrato de associação é bastante próxima da linha das escolas públicas, apresentando uma ligeira inflação (por volta dos 0,2 valores) a partir dos 13 valores nos exames nacionais. Em contraste, as escolas privadas sem contrato de associação distanciam-se bastante, quer das escolas públicas, quer das privadas com contrato de associação, chegando as diferenças a ultrapassar um valor (em 20) entre os 12 e os 15 valores nos exames nacionais;
— parece-nos igualmente importante destacar que estas diferenças se verificam em todos os anos analisados (desde 2001/2 até 2011/12), implicando a análise de mais de 3 milhões de pares de exames nacionais e classificações internas;
— outro aspeto relevante diz respeito à metodologia: as diferenças entre os 3 tipos de escolas são calculadas relativamente às diferenças médias a nível nacional (e não relativamente à ausência de diferenças entre nota interna e nota no exame nacional). Consequentemente, não faz sentido argumentar que é normal existirem diferenças entre as notas internas e as classificações nos exames, uma vez que, repetimos, as linhas apresentadas no gráfico dizem respeito aos desvios de cada um dos tipos de escola relativamente à média dos desvios nacionais (representada pelo eixo do x);
— adicionalmente, tentámos ainda perceber de forma mais concreta e objetiva o impacto que estas diferenças têm no acesso ao Ensino Superior. Como exemplo, apresentamos o caso do último candidato a entrar no curso com média mais elevada no ano de 2012/13 (Medicina da Universidade do Porto). A nota de entrada foi de 18,35, o que colocou o candidato no lugar 504 da lista de acesso. A nota meio valor acima desta (18,85) corresponde já ao lugar 182 da lista de acesso, representando uma subida de 64%. A nota um valor acima (19,35) corresponde ao lugar 33, mostrando uma subida de 93% na lista de acesso. Desde que o artigo foi submetido para publicação, sistematizámos esta análise, procurando apurar o impacto de alterações de meio e um valores nas listas de acesso ao Ensino Superior de forma mais representativa. Para isso, recorremos à lista ordenada dos cursos por nota de acesso do último classificado. Seguidamente, dividimos os cursos por quartis e verificámos o impacto para os 10 primeiros cursos de cada quartil; assim, o primeiro quartil refere-se aos 10 cursos com médias mais altas, o segundo quartil aos 10 cursos cujas médias de entrada os colocam no percentil 75, etc. São estes dados que são apresentados no 2.º gráfico. Neste podemos confirmar o tremendo impacto que subidas de meio valor podem ter na posição de um candidato: por exemplo, nos 10 cursos com médias mais elevadas (1.º quartil), meio valor corresponde a uma subida de 60% na lista de acesso e 1 valor a uma subida de 90%.

Com os melhores cumprimentos,
Tiago Neves (Universidade do Porto e CIIE-UP) e Gil Nata (Universidade Portucalense e CIIE-UP)

 

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