A Vidinha


Não é assim tão raro levar com umas bocas acerca dos meus horários de trabalho e do tempo que tenho para fazer isto ou aquilo, para aparecer ou desaparecer, para blogar ou não.

Por acaso, é tudo muito arrumadinho e mesmo algumas declarações são feitas nos intervalos da chuva, ou seja, nos poucos minutos que restam entree as rotinas do quotidiano.

Há dias, foi mesmo num intervalo entre aulas que falei para a Antena 1 (a partir dos 36’15” e até aos 40’30” desta gravação), sendo bem audível o barulho da criançada por perto e mesmo o som do toque de entrada para a nova aula.

Confesso, não fui a correr e terei chegado dois minutos depois do dito toque (que se ouve perto dos 40′ da gravação) porque se nota bem pela voz o quanto estava constipado e cansado de falar e respirar com o daguiz dodo endubido..

Porque eu sei que há quem esteja sempre fino e sem ruídos de fundo nestas circunstâncias, mas mande dizer que os outros é que não trabalham…

devil

 

Esta semana chegaram alguns professores para parte dos alunos que estavam sem aulas.

Para os que já tinham aulas, mas dificuldades económicas, chegaram alguns manuais.

Está tudo normal, portantosss….

A malta vai-se entretendo a medir de tudo um pouco:

OECD Regional Well-Being: A Closer Measure of Life

Reparem no pior valor para a zona de Lisboa:

Bem Estar

Para mim, isto é receber uma quantia em dinheiro que depois é gasta em coisas que me interessam.

Por exemplo, eu posso sempre comprar livrinhos, muitos livrinhos e justificar com despesas “de formação”.

Quem me dera… no fundo, estou apenas a invejar o Pedro quando a mim me tinham dado imenso jeito esta espécie de pagamento por conta.

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Expresso, 4 de Outubro de 2014

Fiz um curso, comecei a dar aulas, fiz outras coisas, voltei a dar aulas. Não fiz o Ramo de Formação educacional, criado mesmo quando eu estava a acabar o curso.

Fiz mestrado na minha área (História) enquanto professor contratado. Universidade pública, quatro aninhos.

Pelo caminho, fui fazendo investigação, colaborei em obras colectivas, escrevi muitos artigos, publiquei livros em co-autoria ou em nome próprio.

Entrei para QZP uma dúzia de anos depois de ter começado a dar aulas. Fiz um doutoramento em História da Educação por essas alturas. Universidade pública, cinco aninhos. Os últimos três com equiparação a bolseiro, desculpem lá…

Entrei para o quadro da minha escola/agrupamento mesmo quando o estava a acabar. Dou aulas a menos de 3 km do local onde vivi os meus primeiros 33 anos, por gosto e opção (nunca concorri para turista acidental, mesmo se isso me levava a colocações tardias), mas a cerca de 20 do actual domicílio.

Criei um blogue, desenvolvi uma intervenção que se tornou pública, apesar de todos os meus feitios e defeitos.

(e ainda tive tempo e oportunidade para procriar e plantar a ocasional árvore)

Quando me perguntam como gosto de ser apresentado, costumo dizer “professor do Ensino Básico”, podendo acrescentar “autor do blogue…” ou “doutorado em História da Educação”.

É tudo verdade, de nada tendo vergonha ou me embaraçando.

Mas há sempre os complexados a pairar por aí.

Se um gajo se apresenta como “simples” professor do Ensino Básico, é porque só sabe ver o seu quintal, não consegue alcançar uma perspectiva “global” ou “sistémica”, está preso a preconceitos corporativos.

Se um tipo é apresentado como “doutorado em História da Educação” é porque é peneirento, porque é teórico, porque se tenta armar e não desce ao terreno, porque isto e aquilo.

Ó complexados da treta… e se fossem chatear a vossa tataravó?

Uma pessoa é o que é e não o que outros querem que seja.

Se têm complexos de algum tipo, paguem consultas, mediquem-se… arranjem uma vida que vos satisfaça.

Deixem-se de bocas enviesadas, a armar ao pingarelho rameloso.

Não projectem os vossos fantasmas e frustrações em mim, que já me chega ser do Sporting.

ZePovinhoOraToma

(nota final… amigo Garrido, este post é em grande parte dedicado a ti, que percebes muito mais da vida do que muita desta malta que só sabe garganeirar… e nasce em boa parte da nossa conversa de sábado passado).

Passos Coelho invocou “exclusividade”, Parlamento diz o contrário

Em 1999, o actual primeiro-ministro requereu o subsídio de reintegração, de cerca de 60 mil euros, destinado a deputados em dedicação exclusiva. Na altura, apresentou no Parlamento todos os rendimentos declarados ao fisco, para provar a “exclusividade”. Ali não há nenhuma referência à Tecnoforma ou ao CPPC.

Prescreveu?

É bem possível.

Mas…

… na harmonização com a melhor fórmula para encarar que amanhã é segunda feira e tenho uma resma de tempos lectivos…

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