Segunda-feira, 1 de Julho, 2013


Travis, Moving

é a propósito de quê? Ou não?

Diz que é suicida – num processo de rejeição anacorética, conforme o tempo das amoras, Calino dixit.

Temos professores e escolas a mais?

Ser professor acarreta uma profunda carga de utopia e de imaginário. Com o lento passar do tempo e da memória colectiva, gerações após gerações ajudaram a elaborar a imagem social de uma profissão de dádiva absoluta e incontestável entrega.

O poder simbólico da actividade docente leva a que os professores sintam sobre os seus ombros a utópica tarefa de mudar, para melhor, o mundo; de traçar os novos caminhos do futuro e de preparar todos e cada um para que aí, nesse desconhecido vindouro, venham a ser cidadãos de corpo inteiro e, simultaneamente, mulheres e homens felizes. É obra!

Ao mesmo tempo que a humanidade construiu uma sociedade altamente dependente de tecnologias dominadoras, transferiu da religião para a escola a ingénua crença de que o professor, por si só, pode miraculosamente desenvolver os eleitos, incluir os excluídos, saciar os insatisfeitos, motivar os desalentados e devolvê-los à sociedade, sãos e salvos, com certificação de qualidade e garantia perpétua de actualização permanente.

O emergir da sociedade do conhecimento acentuou muitas assimetrias sociais. Cada vez é maior o fosso entre os que tudo têm e os que lutam para ter algum; entre os que participam e os que são marginalizados e impedidos de cooperar; entre os que protagonizam e os que se limitam a aplaudir; entre os literatos dos múltiplos códigos e os que nem têm acesso à informação.

E é este mundo de desigualdades que exige à escola e ao professor a tarefa alquimista de homogeneizar as diferenças.

Os professores podem e estão habituados a fazer muito e bem. Têm sido os líderes das forças de sinergia que mantêm os sistemas sociais e económicos em equilíbrio dinâmico. São eles que, no silêncio de cada dia, e sem invocar méritos desnecessários, evitam que muitas famílias se disfuncionalizem, que as sociedades se desagreguem, que os estados se desestruturem, que as religiões se corroam.

Mas não podem fazer tudo. Melhor diríamos: é injusto que se lhes peça que façam ainda mais.

Particularmente quando quem o solicita sabe, melhor que ninguém, que se falseia quando se tenta culpabilizar a escola e os professores pelos mais variados incumprimentos imputáveis à sistemática incompetência dos ministros, do demissionismo e laxismo das famílias, da sociedade e do próprio Estado tutelar.

É bom que se repita: os professores, por mais que se deseje, infelizmente não têm esse poder milagroso. Dizemos infelizmente porque, se por magia o tivessem, nunca tamanho domínio estaria em tão boas e competentes mãos.

E é precisamente porque nunca foram tocados por qualquer força divina que os professores, como qualquer outro profissional, também estão sujeitos à erosão das suas competências; que, como qualquer técnico altamente qualificado, eles também necessitam de actualização permanente. E é por isso mesmo que os docentes reclamam uma avaliação justa do seu esforço profissional.

Todas as escolas preparam impreparados. Até as que formam professores. Sempre foi assim e, daí, nunca veio mal ao mundo. É a sequência e a consequência da evolução dialéctica das sociedades e das mentalidades.

Por isso, centrar a discussão no excesso de escolas e de professores, como se tal fosse estigma exclusivo desta classe e justificasse as perversas iniciativas ministeriais, traduz uma inqualificável atitude de desprezo da tutela pela verdade e pela busca de soluções credíveis e partilhadas.

Admitir que a escola pode resolver todos os problemas e contradições da sociedade, resulta em transformá-la em vítima evidente do seu próprio progresso.

Os docentes não podem solucionar a totalidade dos problemas com que se confrontam as sociedades contemporâneas, sobretudo se não tiverem o incondicional apoio do Estado, das famílias e das instituições sociais que envolvem a comunidade escolar.

Os professores não têm o poder de operar milagres. São profissionais, de corpo inteiro e altamente qualificados.

A nossa sociedade não se pode dar ao luxo de os deixar, parados, no desemprego, mesmo que encapotado.

No estádio de desenvolvimento de Portugal, face aos seus parceiros europeus, é preciso que se diga e repita todos os dias que não temos professores e escolas a mais.

Por tudo isso, por favor não os obriguem a ser mais do que são, ou nunca serão o que o futuro lhes exige que venham a ser.

João Ruivo

ruivo@rvj.pt

Maria de Luís Albuquerque governante desconhecia as acções de, por exemplo, Maria de Luís Albuquerque gestora pública.

 

… destacam parágrafos e sublinhados, itálicos e coisas assim.

Os incompetentes deixam sempre órfãos os seus semelhantes, pois sentem que a seguir podem ir eles.

ULTIMO

(c) Luís Rosa

 

… as crianças assassinadas são mais do que as que são obrigadas a orar.

 

 

 

Como ser ministro das finanças num local onde não as há?

Trata-se de credibilidade, o d’armani ainda não está preso. E a partir daí.

 

 

 

Como se tivesse mudado algo!

 

 

Os catrogas, nogueirasleites, frasquilhos, carrapatosos e tutti quanti há 2 anos se esforcinhavam pelo cargo, agora nem vê-lo.

… e da imposição da troika que se castigassem os infractores. Mas não.

Acerca deste post, eis a posição de Jorge Marques, o autor do texto que esteve, de forma mais ou menos directa, na sua origem:

Caro Paulo,
.
Como autor do tal post que linkou no post “O Novo Acordo Com O MEC E Os Professores Contratados”, devo dizer em primeiro lugar que desconhecia que andasse a ter ampla divulgação. Publiquei-o num grupo do facebook de seu nome “Movimento pela vinculação dos professores contratados” e é só. Não sei como chegou a esse blogue, pois apenas uma pessoa pediu para o partilhar e foi na própria rede do facebook.
.
Depois esta coisas fora do contexto dão sempre nisto. Aquele grupo foi invadido nas passadas semanas por colegas dos sindicatos a apelar à união, a chamar traidores a todos os que diziam que dos contratados se tinham esquecido, entre muitos outros impropérios. E foi assim que surgiu o texto, como um desabafo, mas, e pode reler o que escrevi, um desabafo contra aqueles que vieram clamar vitória e ‘milhares de horários’ para os contratados deste país.
.
Os sindicatos esqueceram-nos e não é de agora. Nunca se lutou por uma verdadeira vinculação. Para essa luta, como o próprio Paulo, diz nunca houve mobilização. Provavelmente nem dos próprios interessados (e não é sempre assim?), é um facto, mas isso não desculpa o esquecimento. Não desculpa que se tenha esquecido por completo, e só para citar o caso de mais fácil resolução e negociação, a obrigatoriedade de todos os que concorrem o terem de fazer obrigatoriamente a dois qzps, sob pena de exclusão do concurso. E se era tão importante assegura-lo para os professores do quadro, seria também importante para estes contratados de 40 anos, com 15 ou 20 anos de serviço. É que há uma grande diferença que se tende a esquecer: sim, muitos dos professores do quadro foram contratados pelo mesmo período, mas ao chegar a esta bela idade dos ‘entas’ não foram despedidos. E é isso que nos está a acontecer, com belíssimas perspectivas de futuro como deve calcular.
.
Disse e repito, e é a grande crítica que faço e que assumo na plenitude, tudo o que foi conseguido para os professores contratados foi um ‘dano colateral’, pois nunca as suas preocupações ocuparam a mesa das negociações.Não pretendo entrar de novo nessa discussão, até por perceber o que quis dizer. Rejeito, porém, essa hiperbolização de malfeitorias. Se ela existe, não está certamente no texto que escrevi. Talvez nos comentários, mas eles próprios são a reacção a muitas outras provocações que se repetiram desde fins de Maio.
.
Já agora deixo o texto original, pois o link que deixou não permite a ele chegar.
.
“O ar andava, de facto, irrespirável. A partir de amanhã já não haverá por aqui muitos a fazer propaganda. E o resultado desta propalada união que tanto pediram foi o que se viu. Nada que directamente diga respeito a quem anda há 15 ou 20 anos a percorrer o país e a ficar com as sobras.

Defendi desde a primeira hora a greve. Mesmo sabendo que o que levava a esta união dificilmente poderia defender os interesses dos milhares que já ficaram ou ficarão desempregados. Sim, sempre achei que a luta de uns é a dos outros. É, porém, escandaloso, virem para aqui vangloriar-se desta vitória. Para nós é mesmo de Pirro.

Fico feliz que a mobilidade ter sido adiada e que quem já pertence ao sistema não seja obrigado a concorrer a mais de 60 Km. Fico, sem qualquer hipocrisia. Expliquem-me só é como podem achar que quem continua a ser obrigado a concorrer a zonas que distam 300 km entre si fique contente? Sabem que estes candidatos a docentes já têm trinta e muitos, quarenta e tal anos? E não, não estão de fora por não terem feito sacrifícios, pois na maioria dos grupos não era só concorrer a qualquer lado que o lugar estava garantido.Já o escrevi por aqui. A vitória de ontem afecta os contratados, não há dúvida. Apenas afecta como dano colateral, pois em momento algum os seus interesses estiveram à mesa das negociações. Se não forem hipócritas, reconhecerão a verdade do que afirmo.

Ninguém aqui diz que estaríamos melhor sem os sindicatos. Sei, sempre soube, o que fizeram e conquistaram por todos nós, mas para os milhares que viram os seus direitos a um contrato digno vilipendiados não chega. E não, não dá para esperar mais. Não para muitos de nós.

Sempre gostei de ensinar. Mas está na altura de dizer basta. Admiro quem vai persistir, agora mais do que nunca na certeza de que o faz sozinho. Foram 16 anos. Não é uma vida mas é quase. Estou farto do faz de conta. Como ontem aqui ficou bem claro neste mural, quem tanto apelou à união está agora a marimbar-se ela. A luta já ia longa e as férias têm de ser gozadas. Um bem haja a todos!”

Abraço,
Jorge Marques

Sai quem se enganava nas previsões, entra quem enganou o Parlamento.

Maria Luís Albuquerque é a nova ministra das Finanças

O indispensável é manter a estratégia de encobrimento.

Aceitam-se apostas sobre o tempo de permanência da nova ministra no cargo.

Entretanto, Passos Coelho, após perder Relvas e Gaspar, cada vez fica mais parecido ao cavaleiro negro…

Vítor Gaspar pode demitir-se

.

Remodelação em curso: Gaspar pode sair

Cover Story: How the NSA Targets Germany and Europe

Embora eu sinta pena de quem tenha de seguir, digamos assim, uma troca de mensagens ou mails entre o Zé Barroso e o van Rompuy, mesmo sobre as mais apetitosas funcionárias balzaquianas ou estagiárias fresquinhas  lá de Bruxelas ou Estrasburgo… (com anexos fotográficos, claro…)

… com quem está há mais tempo à espera na fila para ter um bom serviço do que em protestar com quem cria condições para esse mau serviço.

Hoje, no supermercado, havia 3 caixas abertas para umas 20 pessoas com carrinhos cheios. A culpa era das 4 ou 5 que estavam à minha frente ou da menina da caixa?

Não me parece… até porque nem estava ninguém a fazer conversa fiada.

A culpa do meu potencial atraso era de quem também estava na mesma fila há mais tempo?

Não me parece… eu acho que a culpa é mais de quem prefere pagar a menos pessoal, não se preocupando necessariamente com o nível de satisfação de quem usa o serviço…

Acho, para crítica quase generalizada, que o acordo que o MEC assinou (ou não, tudo depende) com os sindicatos e do qual resultou a desconvocação da greve às avaliações tem várias pontas soltas.

Sei que o que estava em causa não eram, de forma directa, os interesses dos professores contratados.

No entanto… no entanto… parecem-me despropositadas certas críticas mais inflamadas como esta que hiperboliza malfeitorias.

Vamos lá ver dois aspectos práticos do acordo que, se forem concretizados, beneficiam indirectamente os professores contratados:

  • A não atribuição de horários lectivos aos professores que já pediram aposentação permitirá libertar horários que, no limite, poderão levar à contratação de algumas centenas de contratados desde Setembro.
  • A manutenção das reduções ao abrigo do artigo 79º faz com que muitos milhares de professores dos quadros não aumentem o seu horário lectivo, assim permitindo que existam horários que podem, de igual forma, vir a ser ocupados por professores contratados, depois de esgotados os DACL.

Não é muito, eu sei.  Mas também não se pode dizer que todo o acordo faz tábua rasa dos interesses objectivos dos professores contratados.

Que os direitos e interesses dos professores contratados merecem, de há muito, uma luta específica e mobilizadora? É verdade que sim, mas também é verdade que algumas das acções de reivindicação em prol desses direitos são das que menos gente consegue cativar, mesmo entre os próprios interessados…

Só com polígrafo.

Se basta mentir descaradamente e tudo continuar na mesma…

Não é só a Constituição que está suspensa, qualquer resto de decência foi-se e não há guião portas ou briefing maduro que o consigam esconder.

Será mais fácil pedirem ao Obama.

gostava de ouvir a totalidade das gravações; só para “mim” saber como se alcança uma grande vitória e entender porque é que “aqui o je” está tão feliz.

Página seguinte »

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 833 outros seguidores