Janeiro 2013


The Flaming Lips, Sun Blows Up Today

Matosinhos, escola Óscar Lopes, professores queixam-se da violência e da falta de condições. Professores e funcionários reúnem-se, Direcção Regional pede normalidade e ameaça com faltas injustificadas. Sindicato fala na falta de solidariedade da hierarquia escolar.

… há aberrações deste tipo.

PS

O homem tem direito à opinião dele, claro. Pode ser politicamente incorrecto à vontade, nada a dizer. Pode ser polémico, etc, etc. Problema, problema é ter sido interrompido por aplausos. E ter aquele ali ao lado todo de tacha arreganhada.

Acima da Média?

Há quem tenha perdido completamente o sentido (será que alguma vez o teve?) da decência no combate público e político com antagonistas de escassa monta.

É óbvio que não é coisa nova. Apenas foi duro saber, no concreto e com rosto, quem também foi sujeito a estas práticas de tipo subterrâneo.

Há pouco falava com um amigo que tem passado por coisas que eu também passei e ainda ocasionalmente passo às mãos de escurinhos a sério, daqueles que andam pelas sombras a lançar lama em quem tem a coragem de sair à rua com a cabeça erguida e sem ter contas a prestar a hierarquias e obediências.

A sensação de nojo, que depois se transforma em enjoo e desagua em pena por esta gente que não poupa ninguém, só poupando na honestidade, é a mesma e é bom partilhá-la fora do estreito círculo que é obrigado a suportar isto.

É verdade que só aguenta quem tem convicções e não anda a olhar para recibos de ordenado.

Não tenho ilusões quanto à capacidade da Educação contrariar uma série de handicaps sociais e servir de alavanca para a promoção social, económica, política ou outra.

Basta vermos como as nossas alegadas elites se formam. As parlamentares e executivas raramente se notabilizaram por feitos académicos ou por um exemplar percurso escolar. Aliás, fazem gala do contrário e em muitos casos apenas buscaram certificação. No meio deste deserto, Santana Lopes faz o papel de excelente aluno com o seu registo académico. Basta ler os debates parlamentares de final de Oitocentos e início de Novecentos para identificarmos a maior parte dos apelidos que agora se conhecem, mesmo numa segunda linha de sombra da governação e legislação. Uns com mais pergaminhos no tradicionalismo monárquico, outros mais na base do republicanismo maçónico, não esquecendo ainda a parcela razoável de adesivos de última (ou primeira?) hora.

O mesmo para os apelidos dos grandes empresários, em particular dos santos & ulricos. Todos vêm de longe.

Dos dois lados se acha que Portugal é deles. Num caso por razões de linhagem distante e entretecida com os braganças ou mesmo afonsinos, no outro porque sentem ter sido eles que salvaram a Pátria quando estava moribunda, mesmo se moribunda vai continuando.

Raramente chegaram onde chegaram com base no trampolim social da Educação. Vale muito mais uma carreirinha de jota que um ajoujado currículo académico, assim como é muito mais relevante o contacto entre apelidos do que uma descoberta científica sem paralelo. A esses marrões e armados em génios recomendam os governantes de ocasião que emigrem, porque este não é um país para eles.

Por inovadores e empreendedores entende-se outra coisa: filhos de algo com ideias para sacar dinheiro ao Estrado ou à Europa em nome do liberalismo. Mas chamam privilegiados a desempregados, utentes do SNS e aposentados da função pública.

Não vale a pena iludir-mo-nos, porque a Educação não tem força para compensar nada disso. Apenas em casos singulares e não generalizáveis, permite mais do que subir um pouco acima da geração anterior ou da dos avós.

Mas… ainda pode servir para isso. Só que a ocasional aliança entre herdeiros e chicos-espertos está a fazer tudo o que pode para mesmo essa pequena esperança ser cortada, desde piquininos.

Volto a dizer que erram todos aqueles que encontram no Pedro muitos traços do António. O Pedro foi elevado aos ombros da tal aliança da chico-espertice com os pergaminhos dinásticos e não sobreviveria sem o miguel ou o ricardo do seu lado. O António soube aproveitar-se deles todos e manteve-os sob apertado controle. Mas antes disso tinha um percurso académico, prestígio intelectual, mesmo que discordemos das suas ideias.

Talvez o que os una seja apenas uma forma de promoção do imobilismo social. Um em nome de uma desejada Ordem, o outro em nome de… de… saberá ele mesmo?

CARTA ABERTA

 

Morreu um de nós: um daqueles que zelava pela segurança de todos (alunos, funcionários e professores); O nosso elo mais forte, em pleno exercício das suas funções.
Para evitar que um aluno maltratasse um colega fazendo perigar a sua vida, durante a aula, mesmo perante a pronta ação do professor e de um funcionário, foi pedida a intervenção dos vigilantes da escola, para que fosse conduzido à Direção Executiva para que esta acionasse os técnicos da Escola Segura.
Desde o início do comportamento, de extrema violência, materiais foram destruídos, funcionários e docentes ameaçados de morte verbalmente e agredidos fisicamente.
O esforço dos vigilantes em controlar tais atitudes foi imenso mas não conseguiram evitar a destruição descontrolada de mesas, quadros, armários, cadeiras e os atos de ataque físico.
Já na Direção Executiva, e perante o continuado comportamento violento, o vigilante Correia manietando o aluno, manteve-se como pilar determinante na segurança física de outros elementos da comunidade educativa, que tentavam também intervir. Mais de dez pessoas tentaram, sem sucesso, conter o aluno!
Assim, perante uma violência física e emocional tão demorada e brutal o vigilante Correia colapsou.
De imediato foi assistido por professores e funcionários que lhe fizeram as manobras de reanimação (respiração boca a boca e massagem cardíaca) até à chegada do INEM, que prestou toda a assistência possível que, no entanto, se mostrou ineficaz para salvar o Sr. Correia.
Estamos profundamente abalados e consternados com o falecimento do colega em pleno exercício das suas funções, num local, por excelência, educativo, onde uma morte nesta situação é inaceitável.
Estamos de luto, estamos perante algo que não conseguimos aceitar e, por isso, não sentimos capacidade de gerir emocionalmente uma situação tão dramática; estamos na escola sem darmos aulas, incapazes de pedagogicamente abordar o assunto junto dos restantes alunos.
Todos os que se encontravam na escola ficaram em choque. Como pode isto ter acontecido numa escola? Que ambiente se vive? Que aprendizagens se fazem quando há quem possa frequentá-la enchendo-a de ameaças e de violência?
O contexto escolar do Agrupamento está pormenorizadamente descrito no Projeto Educativo. Todos os profissionais que nele trabalham estão conscientes do universo em que se movem e procuram por todos os meios ajudar a orientar crianças e jovens de um meio problemático, com fragilidades várias, com comportamentos difíceis de gerir. Temos uma equipa técnica preparada e muito ativa, no âmbito dos recursos TEIP. Lidamos com os problemas que vão surgindo e conseguimos muitos resultados positivos.
No entanto, há sempre um pequeno número de alunos, bem identificados na escola, que ultrapassam todos os limites do aceitável numa comunidade escolar, pois põem em risco os seus membros, a nível físico e psicológico, de forma sistemática: não aceitam a autoridade de ninguém, pelo que não cumprem as regras da escola, nem as mais básicas de convivência; ameaçam; aterrorizam; agridem.
Em relação a estes alunos já tudo foi feito, desde as estratégias aplicadas pelos professores e pelos diretores de turma para motivar o aluno para a aprendizagem e para a socialização, passando pelas medidas previstas no Estatuto do Aluno, completamente ineficazes para estes casos. Tiveram a intervenção do SPO, GAAF, ADEIMA, CPCJ, Tribunal de Menores. Aos diretores de turma são pedidos relatórios, pareceres, esclarecimentos de todos estes organismos. Enquanto isto acontece e durante anos, a situação destes alunos na escola mantém-se inalterada, até os jovens saírem da escolaridade obrigatória ou terminarem o ciclo de estudos. Isto é, embora várias instituições estejam envolvidas, a escola tem de manter os alunos ou transferi-los para outras escolas, deslocando o problema, não resolvido, para os outros. Estes continuam assim a ameaçar e a agredir colegas, funcionários e professores, continuam a impedir os colegas das turmas em que estão inseridos de poder ter um ensino de qualidade, minando as aulas. Têm e criam um sentimento de poder ter impunidade e de ausência de limites, que é o oposto do que lhes deveria ser ensinado.
A escola regular não pode dar a estes alunos a resposta de que eles precisam. A tutela não está a cumprir o seu papel, que inclui o de resolver a situação destes alunos e o de proteger o direito à educação e à integridade física e psicológica de todos os outros e de quem trabalha nas escolas.
Por estes motivos, dirigimo-nos à Tutela, exigindo que, com a maior urgência, se debruce sobre este problema e o resolva eficazmente, criando acompanhamento adequado às crianças e jovens com comportamentos disruptivos, que põem em riscos elementos da comunidade escolar em que se inserem. Este acompanhamento terá de implicar o afastamento destes jovens das escolas regulares e a sua integração em ambientes controlados, específicos e preparados para este tipo de perfil psicológico.
Morreu o Sr. Correia, dizemos. Já tinha problemas de saúde, dirão. Nos olhos uns dos outros lemos «Mataram o Sr. Correia».

Matosinhos e EB 2, 3 Professor Óscar Lopes, 31 de janeiro de 2013

Assinatura de docentes e não docentes

… o actual presidente do Governo Regional é o sucessor do anterior, Carlos César, que andou em troca de longos beijos (políticos) em público com o António Costa e o Seguro.

Governo dos Açores introduz exames de Matemática e Português no 4.º ano

Desenganem-se aqueles os que pensam que no PS há alternativa à governação do PSD nesta área a qual, por sua vez, já é a continuidade do que o PS fez antes.

Por caso até é das coisas com que concordo, mas não invalida o que acima fica escrito.

Édito n.º 32/2013
Processo n.º 171/11.1/741

É descobrir coisas curiosas.

Ainda este ano vários hospitais vão reduzir os serviços e a capacidade de internamento. O Santa Maria em Lisboa e os hospitais universitários de Coimbra vão perder centenas de camas. O ministro da Saúde assume que há excesso de oferta e diz que a prioridade são os cuidados de saúde primários.

… incluindo diplomas com erros evidentes, comentários pré-publicação e outros coisas assim…

Legislação do Parlamento tem de se distinguir pela qualidade, diz Cavaco

Sociograma do sistema

Na indicação do caminho da demissão ao actual responsável pela DGAE. Não necessariamente por esta nota em particular mas sim pela total desorientação dos seus serviços, da incoerência e ilegalidade das explicações e, ultimamente por uma agilização de procedimentos que não é aceitável.

DGAE

Fernando Ulrich anuncia lucros de 249 milhões de euros e diz isto:

Nada como ser grandes gestores com os dinheiros e apoios alheios. Acho que é isto a que chamam empreendedorismo liberal.

convite

Estamos completamente à deriva!

Em todo o lado deste País, todos os que andamos “cá por baixo” sentimos o País completamente à deriva. Sem rumo! Nenhum.

Os que “andam lá por cima” como não conseguem e não querem olhar “cá para baixo” acham que com os Mercados e mais umas Conversas entre saídas e entras de alguns eventos, “isto” se resolve, mas não está fácil. E não parece resolúvel! Pelo menos tão facilmente!

Já nem dá para entender, se vai ser com manifestações de desagrado, uma vez que não se trata de bons costumes ou sermos brandos, trata-se de “cá em baixo” ainda haver algum senso e entender-se que partir tudo, para do zero começar não resulta. Mas tudo tem um limite, e quando for ultrapassado, nada segura, ninguém.

Quando se for cada vez mais entendendo, que não se entende como vamos sair deste atolanço, que não se vislumbra vias de não continuado empobrecimento, nada há a perder! E esta noção de que “em cima” parece tudo bem, e “em baixo “ parece tudo mal, não deve poder continuar.

Enquanto cá em baixo ninguém entender como vai aguentar com um mínimo de dignidade de vida, sem ficar na penúria anunciada, cada dia que passa é um acréscimo à sensação de “deriva” em que nos encontramos.

E se não houver vontade de apresentar medidas concretas, viáveis, com exemplos de vida dados, e a dar por quem apresenta essas mesmas medidas, cada momento tem que ser pior e mais desesperançado que o anterior.

E não chega as Oposições acharem que são solução. Não são! Uns por não quererem ser, pelo posicionamento que tomam, outros por já se entender que não vão dar conta do recado, dado que são mais dos mesmos, a fazer do mesmo.

Cada vez mais é necessário repensar o que não foi feito nestes últimos 2 anos, dado que ainda lá estão os mesmos! Os outros já se foram!

O que foi feito, estamos todos a senti-lo a cada momento. O que não foi feito também. Esta conjugação torna-se explosiva e não será de facto partindo tudo, mas será decerto, tudo caindo de podre! E já esteve mais longe! E é espantoso “em cima” não se querer isto ver! E quando isto se desmoronar tudo, debaixo afogamo-nos primeiro, mas a parte de cima não fica se não tiver sustentação em baixo e já esteve mais distante este momento!

Pensando “em cima” em si próprios, mas olhando rapidamente para baixo está-se exatamente na altura de mudar de rumo, dar exemplos, fazer melhor e fazer-se acreditar, a ver se não nos afogamos já, sem conserto! E como sempre sem responsáveis e culpados!

Augusto Küttner

Janeiro 2013

Hoje não há boneco. Distraí-me.

Xutos e Pontapés, Contentores

Unir o partido.

 

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