Vamos agora a uma parte delicada (não, ainda não a da contestação…) da entrevista e aquela em que Nuno Crato se transmuta quase em Maria de Lurdes Rodrigues e em que desmente, na prática, o que a FNE anunciou na 3ª feira, revelando que apenas irá ser feito o que sempre esteve previsto: vinculações selectivas conforme alguma necessidades no prometido concurso nacional para 2013.
Nuno Crato enquanto Maria de Lurdes Rodrigues (ou Valter Lemos):
A natalidade diminuiu, o número de estudantes diminuiu, daqui a quatro anos vai diminuir ainda mais [sim, é verdade, o efeito anticoncepcional deste Governo amplia o efeito Sócrates]. E nós temos um sistema que em muitos aspectos é muito pouco eficiente. É interessante olhar para as comparações internacionais, por exemplo para o rácio de número de alunos por professor. Nós estamos ao nível dos países ricos, estamos mais do que ricos em relação a muitos países. temos menos alunos por professor do que a Áustria.
A Aritmética pode estar certa (e ser validada pelo seu sucessor na SPM e tudo), mas a contextualização é o que se sabe… entre nós há professores a fazer o que em outros países é feito por outros técnicos e em países pobres o rácio também é mais elevado porque há falta de professores… mas… parece que Nuno Crato aderiu À tese da mediocridade como média desejada.
Agora a parte em que a promessa da FNE é desmontada:
O que temos sempre dito é que os professores dos quadros são necessários e que para além disso há algumas necessidades mais, mas nós faremos apenas as contratações estritamente necessárias. Nem o contribuinte português poderia entender uma coisa diferente.
Muitos docentes estão a contrato há 10, 15, 20 anos, muitas vezes com horários completos. E há o compromisso de vincular esses professores. Esse compromisso será mantido? E com que critérios?
O sistema está a evoluir e nós não queríamos iniciar estudo nenhum sobre isso antes do início do ano lectivo. Vamos agora fazer uma realização do sistema. onde se detectem casos de professores que correspondem a necessidades efectivas do sistema e não a necessidades transitórias, trabalharemos para uma vinculação extraordinária.
Quanto tempo durará esse processo?
Não quero fazer promessas. Mas, ainda em Setembro começaremos a fazer esse trabalho.
E os critérios estão definidos?
São a antiguidade, as áreas em que são mais necessários e que correspondam a necessidades permanentes e as projecções que temos das necessidades das escolas.
Repare-se no seguinte:
Não se ia começar nada antes do início do ano lectivo, mas em outra resposta fala em projecções a quatro anos. Neste mesmo excerto confirma que já têm projecções de necessidades das escolas.
Mas… como é isso possível se vai existir liberdade de escolha na rede pública? Como podem estabilizar essas projecções? E o que fazer com os alunos em trânsito do privado, de que Nuno Crato afirma, umas perguntas adiante, não conhecer ainda os números?
Tudo muito baralhado.
Duas confirmações, apenas:
- Aquilo que se passou em Julho foi destinado a testar até onde os directores iriam, caso fossem pressionados a cortar professores nas suas escolas.
- O que a FNE anunciou não é verdade. A vinculação extraordinária irá acontecer com efeitos apenas para o próximo ano lectivo, num procedimento concursal similar ao previsto desde 2009. Uma lista graduada, vagas abertas conforme as necessidades 8sempre por fedeito) e vinculação. De extraordinário não vejo nada…
Setembro 7, 2012 at 12:06 pm
O Crato é um habilidoso a fazer contas:
http://m.tsf.pt/m/newsArticle?contentId=2757260&related=no
Pior do que ele só outros habilidosos: os penduras e adesivos
Setembro 7, 2012 at 12:08 pm
#1,
O Jójó entrou de serviço. Notoriamente andam curtas as “encomendas” dos autarcas amigos. É preciso uma “lembrança” junto do colega e camarada G.? Ou em tempo de festa e largadas…
Setembro 7, 2012 at 12:09 pm
Quando se nota agitação nos mafarricos, é porque alguém sente o rabito a arder…
Ainda alguém se lembra de uma vitória anunciada por Mário Nogueira numa certa sexta-feira, antes do Estio o levar a banhos?
Setembro 7, 2012 at 12:11 pm
…a promessa da FNE é desmontada…
…O que a FNE anunciou não é verdade…
E alguém os vê, ou pensa vir a vê-los, preocupados com tal coisa?…
Prometeram-lhes a eles próprios alguma coisa que não tencionem cumprir?…
Setembro 7, 2012 at 12:18 pm
A FNE presta-se a um ridiculo papel neste naufrágio anunciado: continuar com a banda a tocar, enquanto que se afunda a Educação!
Será que o cRato queria implodir o ministério ou a Educação em si?
Setembro 7, 2012 at 12:57 pm
O mundo sindical e os professores estão desorientados e o Crato sabe disso.
De uma lado, uma FENPROF que dispara em todas as direções, incluindo os próprios pés, anunciando próximas grandes baixas no “inimigo”, enquanto carrega mais pólvora seca e conta as vítimas de guerra; de um outro lado, uma FNE que entre silêncios que incomodam e palmas ruidosas, anuncia vitórias “à Iraquiana”, com o ruído de fundo das granadas arremessadas e no meio de corpos “mutilados” nas suas fileiras.
Os professores, esses, olham para o horário distribuído e dão graças; ou fazem fé numa colocação a curto prazo; ou já desistiram por se sentirem sozinhos; ou ainda acreditam que isto pode dar merd@.
Setembro 7, 2012 at 1:07 pm
Então temos um rátio ao nível do países mais ricos…hummmm e DEPUTADOS JÁ NÃO E CÂMARAS ? JÁ NÃO E CARROS DO GOVERNO ? JÁ NÃO E CLUBES DE FUTEBOL NA 1º DIVISÃO JÁ NÃO? e FUNDAÇÕES? JÁ NÃO..? E assessores já não???VÁ-SE LIXAR…”Há falsidades disfarçadas que simulam tão bem a verdade, que seria um erro pensar que nunca seremos enganados por elas.” La Rochefoucauld
http://www.bananadrops.com/upload_img/Falsidade_Natal.jpg
Setembro 7, 2012 at 1:26 pm
Em relação a este ponto concordo com o Paulo no essencial: a crítica maior deve ser feita à FNE, pois, afinal de contas, quem induziu em erro tantos milhares de professores contratados que ansiavam por uma vinculação extraordinária foi a FNE.
Crato é bastante claro neste assunto: primeiro estuda-se (o que vai começar agora) e só depois de ponderar a viabilidade, justiça e necessidade dessa vinculação é que se avança para a sua prática. Quem quis ganhar uma “guerrinha” foi a FNE. E foi na conversa quem quis…
Quanto às projecções, o Paulo sabe que projecções são isso mesmo, possibilidades e não certezas, e realizadas em qualquer actividade, seja na educação, na saúde ou na economia. Tem toda a lógica. Aliás, as cartas educativas municipais se fossem levadas a sério teriam que ter em conta as projecções e a Parque Escolar já não teria avançado em tantas escolas, como avançou…
Caro Paulo, não sejamos tão radicais. Nem tudo o que o Ministro diz tem de ser criticado de forma negativa. Isso é mais do estilo “louçãnista”…
Setembro 7, 2012 at 1:50 pm
A maior parte destas notícias foram preparadas por malta tipo ISCTEanos que lá vão sabendo como se movimentam as massas!
A forma como são ditas; a saída programada diária e/ ou semanal nos meios de comunicação social; as inverdades que a classe docente quer ouvir pelos responsáveis do MEC e que depois têm que vir a ser desmontadas por pessoal atento, como o Paulo Guinote e outros, (…) tudo isto visa acalmar a classe docente e apaziguar a revolta que pode alastrar a outras classes.
PS: tal como no tempo de socras e de lulu, temos que fazer a cama ao cRATO e obviamente a esta coligação desgovernativa. Será que o STEPS RABBIT e o DOORS ainda se lembram do programa de governo que defenderam?
Setembro 7, 2012 at 1:51 pm
Nuno Crato já há algum tempo que vinha manifestando os seus tiques de ditador; nesta entrevista apresentam-se na sua máxima força.
Está tão seguro, que já toma a liberdade de decidir pelos professores: “não vai haver contestação”. Terá toda a razão, pois a sua técnica tem sempre bons resultados, eu também a utilizo com os meus cães – enfraquecê-los psicologicamente, ao ponto de se tornar inviável qualquer manifestação de força.
Ele está a ganhar a guerra e está consciente disso. A sua estratégia é muito mais eficiente: aparece em programas televisivos em horário nobre; utiliza meios de comunicação social de grande visibilidade; fala uma linguagem que é percetível pela população; diz o que as pessoas querem ouvir; divide a classe docente até à mais pequena partícula; faz chantagem com os diretores; compra os avaliadores; mente, ilude, deturpa números, altera a realidade; está ao nível (ou coloca-se) daqueles que nada sabem sobre educação.
Para que a balança se equilibrasse seria necessário que após cada intervenção sua, aparecesse alguém conhecedor da realidade e daquilo que está a ser feito à Educação, que desmontasse um por um todos os seus argumentos, numa linguagem que todas as pessoas entendessem.
Este é o tempo dos professores e dos pais, não o dos seus ridículos e incompetentes representantes. Pela Educação, pelos nossos filhos, pelo futuro do país; não pelos professores.
Setembro 7, 2012 at 1:55 pm
Crato tem sido um fiel e canino seguidor de um dogma central da ortodoxia neoliberal em vigor: a promoção da precariedade a título de condição necessária para a “racionalização” e o funcionamento do sistema (no caso, do ensino), glosada por todas as carpideiras do statuos quo.
Estamos perante a precarização maciça e global, estrutural, que está a tomar conta da vida sócio-laboral de um número cada vez mais alargado de camadas da população – que vai desde a insegurança no emprego e no trabalho (tomados como sinal de “dinamismo” e incentivo à “mobilidade social”), passando pelos direitos associados (encarados como “regalias”) e pelos baixos salários (“factores de racionalização ou de competitividade”) até à sua condição de cidadania (vítima de formas de marginalização e de exclusão, mais ou menos declarada, em todas os domínios vitais).
Os docentes do ensino público começam a sentir cada vez mais na pele essa condição (pergunta NC: por que é que haveriam de ser uma excepção? – é o argumento demagógico para acicatar o ressentimento da turba).
O ministro que têm à frente do seu ministério, em vez de procurar mostrar e defender que a educação e os seus agentes são o que de mais valioso pode ter um país, nesta época em que o conhecimento, a ciência e a comunicação são fundamentais para o seu desenvolvimento e para sua afirmação, e são também, por outro lado, imprescindíveis para a sociedade manter os seus laços identitários e a sua matriz cultural viva e actuante – é precisamente o primeiro a assumir a menorização do seu ministério, infligindo aos seus funcionários um tratamento de proletarização acelerada e rebaixando a educação e o ensino à sua expressão mais indigente
Setembro 7, 2012 at 2:16 pm
Nuno Crato tem que cortar 70 milhões de euros na educação, portanto tudo o que ele disser é apenas areia para os olhos dos professores.
Setembro 7, 2012 at 2:37 pm
#7 Para qualquer ministro da educação os únicos culpados da crise são sempre os professores. Negócios como BPN, Parcerias Publico-Privadas, Submarinos, assessores, consutoras pagas a peso de ouro, deputados a mais, carros de luxo, viagens, etc não interessam nada.
Setembro 7, 2012 at 2:38 pm
Estes trastes são a encarnação da aldrabice, mentira e falta de vergonha e coluna vertebral. Numa palavra: lixo!
Setembro 7, 2012 at 2:44 pm
Já é altura de deixar o secundário e apontar baterias ao superior. Aí sim, há muitos professores a mais e ainda não começaram os cortes. Para quando???
Setembro 7, 2012 at 2:54 pm
Antes do futebol e para não ser só o Ronaldo a andar triste o Passos vai anunciar mais medidas de austeridade para país….
As medidas em primeira mão..aumento do iVA de 13 para 23 em vários produtos…e de 6 para 7 ou 8 no IVA MAIS BAIXO..É ONDE VÃO BUSCAR MAIS DINHEIRO….TAXA EXTRAORDINÁRIA SOBRE O IRS E REESCALONAMENTO DOS ESCALÕES DO IRS….IRC E IMI…MESMO ANTES DO FUTEBOL COM O LUXEMBURGO..QUE O POVÃO TEM DEPOIS DE ESQUECER AS MÁGOAS….lá lá lá…
Setembro 7, 2012 at 3:01 pm
15. e os politécnicos e os piaget e as faculdades manhosas!!!!!
Setembro 7, 2012 at 3:17 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2012/09/07/as-19-horas-em-ponto-o-anuncio-mais-uma-vez-de-novas-medidas-de-austeridade-sempre-a-mesma-cantilena-sempre-e-repetem-e-repetem/
Setembro 7, 2012 at 3:17 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2012/09/07/david-bowie-five-years-more-de-austeridade/
Setembro 7, 2012 at 3:18 pm
Tinha lido há bastante tempo o livro de Crato “O Eduquês em discurso direto” e já não me lembrava da totalidade do conteúdo. (Li outras coisas de Crato não relacionadas com o tema).
Uma interessante denúncia de um conceito educativo que foi e é causa de problemas do nosso ensino, mas, como se vê, longe de ser a única
Como já não tinha o livro, comprei-o de novo (ficou-me atravessado mais este dinheiro que lhe dei) para comparar o Crato do livro com o Crato ministro.
Na realidade, não encontrei pontos coincidentes, porque nada do que está no livro diz respeito à maior parte do trabalho que lhe compete enquanto ministro. Digamos que, além dumas bocas que foi mandando, ele tem as mãos limpas para cumprir o que o Gaspar das Finanças lhe manda.
Um exemplo de como se pode chegar a ministro sem que se perceba grande coisa sobre organização do sistema educativo.
Escrever a óbvia e algo útil vulgaridade do seu “Eduquês em discurso direto” estava ao alcance de qualquer um.
Para organizar bem o sistema educativo é necessário saber mais qualquer coisa.
Setembro 7, 2012 at 3:24 pm
A realidade e a ficção com distâncias «colossais»…
Setembro 7, 2012 at 3:38 pm
Senhores professores…preparem os fatos de domingo…preparem os tios, os amantes, os pais, os sobrinhos, os amigos, para fazerem 150 mil e toca a desfilar agora na nova avenida…atenção que a rotunda do marquês sofreu alterações e portanto não se enganem…está na hora de mostrarem a vossa força…mas não esquecer que o mestre D.Guinote deve ir na frente…nunca entendi como é que gente licenciada que trabalha com o futuro…se deixou instrumentalizar, quer pelo Nogueira, mas principalmente pelo outro o da FNE, artista do PSD, que finge ser a favor dos professores…só uma pequena nota de história…a FNE, apoiou o aumento da idade da reforma e o corte de 10% no valor das pensões no tempo da Manuela…aquela que um dia disse que foi ministra da educação…olhem já sei que não gostam…mas tenham paciência…estamos em democracia e já não existem professores no activo que tenham contribuído para que a liberdade de expressão fosse um facto…aguentem…porque como diz a canção…”…quantas vezes o homem deve olhar para cima antes de conseguir ver o céu?”.
Setembro 7, 2012 at 3:40 pm
o superior vem já a seguir, não precisam de ser invejosos. As manhosas são aquelas privadas, ou também existem públicas assim?
Setembro 7, 2012 at 3:50 pm
Isto é como o outro do meu partido: ou são por mim, ou contra mim…..
Presumo que o dito Cratu seja do contra….
Setembro 7, 2012 at 3:52 pm
Pahhhhh…diz que o “Prometido é devido”. Alguém prometeu aqui algo????????????????
Setembro 7, 2012 at 3:55 pm
Primeiro, foi o Secretário de Estado Casanova de Almeida, agora é o Ministro Nuno Crato a justificar o “excesso” de professores com a “brutal” diminuição da população escolar. Diz o Ministro que nos últimos anos se perderam 200 000 alunos, cerca de 14 %. Curiosamente, segundo os dados da PORDATA, em 2008 estavam matriculados no ensino básico e secundário um total de 1 536 661 alunos e em 2010, 1 740 444 alunos. Não se percebem de todo os cálculos de um Ministro especialista em contas.
A mudança no número de professores necessário decorre do aumento do número de alunos por turma que, conjugado com a constituição de mega-agrupamentos e agrupamentos leva que em muitas escolas as turmas funcionem com o número máximo de alunos permitido e, evidentemente, com a as implicações negativas que daí decorrem.
As mudanças curriculares com a eliminação das áreas não curriculares que, carecendo de alterações é certo, também produzem um desejado e significativo “corte” no número de professores, a que acrescem outras alterações no mesmo sentido. O caso de EVT com a eliminação do funcionamento de dois docentes em sala de aula é ainda um outro exemplo.
Setembro 7, 2012 at 3:56 pm
…
Setembro 7, 2012 at 3:58 pm
Este Ministério e este País é um circo … de multiplas atrações!
Setembro 7, 2012 at 4:02 pm
….Morreu em Julho escrevia artigos interessantes e lúcidos sobre esta crisE demente ESTE em particular é elucidativo de toda um teia montada para nos ludibriar e fazer engolir certas verdades que não passam de tretas
DESVALORIZAÇÃO DUPLA
Qual é a causa mais profunda das crises económicas? Diz-se frequentemente que o valor produzido não pode ser realizado por falta de poder de compra. Mas por que há tão pouco poder de compra? Porque, na realidade, se produz muito pouco valor e, por isso, os salários e lucros regulares são demasiado reduzidos. E por que se produz tão pouco valor? Porque a concorrência no mercado mundial, através do desenvolvimento tecnológico e dos programas de redução de custos da economia empresarial, tornou supérflua demasiada força de trabalho. Mas é justamente a força de trabalho, como parte integrante do capital, a única que produz novo valor. Nessa medida, a dispensa de força de trabalho não é apenas um problema para as pessoas afectadas, mas é também um problema para o sistema capitalista.
A crise começa, portanto, com a desvalorização do trabalho. Mas se, com cada vez menos força de trabalho, se produzem cada vez mais mercadorias, também o valor destas diminui. E como há menos valor para ser distribuído na concorrência surgem capacidades excedentárias de produção. Então também as mercadorias são desvalorizadas. Cada vez mais empresas vão à falência ou têm de fechar fábricas, cujo capital real (meios de produção) também sucumbe à desvalorização. Não havendo novos produtos que voltem a mobilizar massas de força de trabalho, a crise escala numa espiral de desvalorização.
Na verdade hoje estamos confrontados com tal processo de desvalorização em todo o mundo. Mas a crise tem vindo a acumular-se. Bolhas de endividamentos e financiamentos pareciam poder produzir novo valor infinitamente, mesmo sem a utilização de força de trabalho. Desde que o capital monetário, em grande parte “sem emprego”, começou a desvalorizar em crashes financeiros e crises de dívida, os bancos centrais vieram tapar o buraco. Por todo o mundo eles injectam no sistema bancário dinheiro criado do nada por prazos cada vez mais longos. O BCE aumentou o prazo dos empréstimos de um máximo de três meses primeiro para um ano e depois para três anos e com este termo alargado distribuiu pelos bancos mais de um bilião de euros em duas tranches num trimestre. A maior parte deste dinheiro está a esconder a desvalorização da massa de créditos malparados, a manter à tona de água os balanços dos bancos e das grandes empresas em dificuldades e a fazer subir a cotação das acções. Com isto foi criado um potencial enorme de inflação que por enquanto permanece na superstrutura financeira.
Por outro lado, o nível de contenção da desvalorização das dívidas e valores mobiliários por si só não é suficiente para adiar mais a depreciação da componente real do capital. Na UE o desemprego atingiu o nível mais alto do pós-guerra. A economia dos Estados endividados arruína-se e ameaça arrastar consigo a conjuntura económica mundial. Falências de grande porte como a da rede de drogarias Schlecker anunciam um novo surto na depreciação do capital real. A indústria automóvel francesa está toda no fio da navalha, na Alemanha a Opel já está outra vez com falta de ar.
Mas logo que a inundação de dinheiro dos bancos centrais para lá do resgate dos balanços se transforme em procura real, será despertado o potencial de inflação. Como a crise tem vindo a desenvolver-se há tanto tempo, poderá até ocorrer, pela primeira vez na história do capitalismo, uma desvalorização simultânea do meio dinheiro em si e de grande parte do capital (mercadorias, meios de produção, força de trabalho). Esta desvalorização dupla significaria a apresentação à falência histórica do “modo de produção baseado no valor” (Marx) como um todo, por já não conseguir servir de suporte a qualquer reprodução social.
Original DOPPELTE ENTWERTUNG in http://www.exit-online.org. Publicado em Neues Deutschland, 05.03.2012.
Setembro 7, 2012 at 4:02 pm
Mas alguém com um mínimo de inteligência e honorabilidade aceitaria ir para a política espectáculo e servir de marioneta às mafias que dominam a actividade produzida nos estúdios da Nomenklatura deste país?
Só mesmo neste pedaço de esterco é que uma alta Magistrada responsável pelo branqueamento da grande corrupção se presta a participar num comício político-mafioso para tentar tapar o sol com a sua peneirinha lava-mais-branco.
Temos das melhores auto-estradas da Europa mas também das melhores vias-rápidas da corrupção e da impunidade total e absoluta.
Portanto tirem os cavalinhos da chuva, porque não vamos lá com eunucos, chocas ou pizas.
Setembro 7, 2012 at 4:05 pm
…
Setembro 7, 2012 at 4:08 pm
por falar em circo, quem vem à festa do Avante?????
Setembro 7, 2012 at 4:10 pm
Deixem os defuntos e centrem-se neste “cadáver adiado”!
Setembro 7, 2012 at 4:10 pm
Setembro 7, 2012 at 4:11 pm
Pelo pouco que ainda consigo ler do/acerca do sujeito confirma-se o que sempre pensei: uma ausência total de conteúdo, um vazio perfeito de ideias e uma farsa encapotada de “rigor” e “exigência”.
Mais facilmente fui enganado por Sócrates em 2005 e por Passos em 2011 do que por este sujeitinho sobre o qual, felizmente, nunca escrevi qualquer palavra de confiança ou de esperança.
Dito de um modo popular: Este MEC nunca me enganou!
Setembro 7, 2012 at 4:12 pm
eu vou claro. sempre presente com os meus camaradas.
Setembro 7, 2012 at 4:12 pm
…
Setembro 7, 2012 at 4:13 pm
Setembro 7, 2012 at 4:15 pm
deixo o link:
http://www.festadoavante.pcp.pt/2012/
até sempre camaradas
Setembro 7, 2012 at 4:16 pm
prontus
Setembro 7, 2012 at 4:22 pm
Venham à Festa que eu estou lá bar. Digam que são do blog do Umbigo que fornecço 1 bifana à borla….
Bar da Emigração
Sopa de legumes, crepes simples e com doce, salsicha alemã grelhada, bifanas, sangria, champanhe (França), cerveja e refrigerantes.
Setembro 7, 2012 at 4:24 pm
http://www.ionline.pt/dinheiro/precos-sobem-meio-centimo-no-gasoleo-tres-centimos-na-gasolina-na-proxima-semana
Setembro 7, 2012 at 4:24 pm
Crato não é, nem nunca foi, nem nunca será, Ministro da Educação. Faz parte de uma equipa liquidatária. E nem sequer é o chefe da equipa. É um mero moço de recados. Só não percebemos a desilusão da maior parte dos professores.
P.S. Se abrir as portas à entrada de alguns milhares, será para abrir as portas à saída de outros tantos. Os novos, aterrorizados como cordeiros, trabalharão o dobro e ganharão metade. É preciso fazer um desenho?
Setembro 7, 2012 at 4:39 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2012/09/07/para-ver-depois-das-19-e-15-para-relaxar/
Setembro 7, 2012 at 5:02 pm
Caros professores, talvez esteja na hora de usar a bomba atómica!! Ir para a escola entreter criancinhas é o que já nos mandam fazer na escola. Na minha escola desapareceu a figura das aulas de substitruição, agora vamos ficar armazenados na biblioteca à espera que algum colega falte. Se tal acontecer, Temos que entreter as criancinhas, não com atividades relacionadas com as disciplinas, mas com brincadeiras, tipo auxiliar no recreio. Ficamos a ver as crianças a brincar no pátio da escola.
Sabem o que é a bomba atómica em que todos pensamos mas ninguem tem coragem de dizer? Estar na sala de aula com os alunos e não dar qualquer matéria, dia após dia. Isto sim alertaria os pais. Talvez apareça por aí alguns colegas muito preocupados com a imagem do professor, com a ética, tudo treta!! A nossa imagem nunca esteve tão desgastada e ridicularizada pelos pais e comentadores. Só assim mostraríamos a nossa força!! De que estamos á espera!! Deste modo também não nos vinham ao bolso, ao contrário das greves normais que só servem para encher os cofres do estado. Pensem nesta hipótese, é o última arma que temos!!
Setembro 7, 2012 at 5:05 pm
Enfim…
Setembro 7, 2012 at 5:07 pm
#44
Não abri o teu link mas posso adiantar que já passou para as 19h 20m.
Com um pouco mais passa para as 19h 45m, sobrepondo-se ao início do jogo com o Luxemburgo.
Deve ser por sugestão de assessorzecos munta bons a ganhar 5 mil e tal por mês e subsídios.
Setembro 7, 2012 at 5:09 pm
Afinal o Crato não ia implodir a 5 de Outubro, ele está a implodir milhares de escolas, por todo o país. E se os professores, como primeiros guardiões das escolas, deixarem este terrorista sem resposta, de fato. não merecem respeito nenhum.
Setembro 7, 2012 at 5:13 pm
#45
Não diria deixar de dar qualquer matéria. Mas algo terá que ser feito e pode passar em parte pelo que sugeriste.
Esse debate deve começar aqui no umbigo. Estive para fazer uma sugestão nesse sentido mas hoje a agenda está entupida com ratos e coelhos na cartola.
Esperemos pelo fim da noite.
Setembro 7, 2012 at 5:50 pm
Estar na sala de aula com os alunos e não dar qualquer matéria, dia após dia. –
Não sabe que isso é ilegal?
Não sabe que é justa causa, para despedimento, receber e não trabalhar?
,……………tudo para não darem suor para lutar !
Cobardes
Setembro 7, 2012 at 6:00 pm
#0
No seu texto à duas passagens terríveis.
A primeira é quando refere o “efeito anticoncepcional”. Só há, vai perdoar-me, uma palavra para classificar isto: estupidez. Pois se este governo tem um ano e picos, como é que já estaria a produzir efeitos na redução do número de alunos? Enfim, nem por ironia.
A segunda é quando diz que “…entre nós há professores a fazer o que em outros países é feito por outros técnicos…”. Porra, homem, isto é um suicídio. O que você está a dizer é que ainda precisaríamos de MENOS professores. Que há professores a ocupar lugares que deveriam ser de técnicos. Nem o Nogueira faria pior!
Um conselho: Acalme-se. A raiva cega e é má conselheira.
Setembro 7, 2012 at 6:06 pm
#51,
Primeiros: para a idade e funções deveria saber conjugar o verbo “haver”.
Segundos: incorpore o chip da ironia… caso não consiga, perceba que Nuno Crato está a responder a uma questão sobre o futuro. Só há uma palavra para classificar o seu comentário: sobredotação mal diagnosticada.
Terceiros: falava do rácio alunos/professores que Nuno Crato apresenta como sendo muito baixo. Se isso implicaria mais ou menos professores é uma consequência do argumento que, curiosamente, nem é corporativo.
Quartos: raiva teria a santa senhora avó de alguém e casou-se.
Um conselho: aprenda a ler, a escrever e, de caminho, a pensar com um mínimo de humor.
Setembro 7, 2012 at 6:07 pm
Comentário 51:
Atenção, que este Agnelo é (ou foi) diretor (penso que ainda se mantém) e é, igualmente, um membro do PSD desde há 30 ou mais anos. Sempre esteve envolvido na política ativa, portanto defende as políticas de Passos Coelho (deve estar a ver se volta a tachar).
Segundo creio, foi – já não é – prof. da área das ciências, daí que se compreenda (?) o erro bárbaro que cometeu: «No seu texto À duas passagens.» Pensando bem, isto não tem nada a ver com a área, mas tão-só com as insuficiências pessoais.
Melhor do que aquilo seria «No seu texto AH duas passagens terríveis.»
Quanto ao mais, se os professores, atualmente, já ocupam o lugar de pais dos alunos, qual é o espanto?
Setembro 7, 2012 at 6:39 pm
#50não ficas sem resposta! Covardes são aqueles que mentem descaradamente para tomar decisões que prejudicam milhões, sim, milhões de pessoas, como é o caso deste senhor e das outras duas que a antecederam. Deves ser Jotinha laranja.
Tem vergonha! A luta vai agora começar!
Setembro 7, 2012 at 6:42 pm
Crato não quer que estejemos ao nível dos países ricos, mas sim, o que resta, ao nível dos países pobres. Não tenho dúvidas que lá chegaremos.
Setembro 7, 2012 at 6:46 pm
#50,
Está falar com algum seu conhecido?
E já agora, não, não é ilegal.
Por vezes somos obrigados a ouvir os alunos e aconselhá-los sobre a vida que os pais não lhes explicam e que o país lhe nega.
Entendeu?
Precisa de uma aula com bonecos?
Setembro 7, 2012 at 7:01 pm
OU SEJA PAFÚNCIO..UM BOY LARANJA QUE BEBE O SUMO DOS OUTROS…VÊ-SE LOGO PELO DISCURSO..
Setembro 7, 2012 at 7:03 pm
Gosto destes “neo-liberais” da treta, que depois fazem a sua vidinha toda à custa do estado português. Cambada de ignorantes pseudo-patriotas; uma escola pública jamais será uma empresa de down-sizing.
Setembro 7, 2012 at 7:06 pm
Nova austeridade… o PM prepara-se para comunicar novas medidas de austeridade. Às 19,20m. Continuam a sangria nos mesmos burros de carga. Com mais esta machadada, não foi por acaso que Crato veio dizer que há professores a mais. Claro, como é que os portugueses iriam compreender que se mantenham professores a mais, quando todos estão a ser esmagados com mais sacrifícios.
Setembro 7, 2012 at 7:09 pm
Setembro 7, 2012 at 7:22 pm
[...] de um ministro impreparado para o cargo. O Paulo Guinote fez esse trabalho com competência aqui, aqui e aqui, o que me permite enfatizar os dois principais equívocos do cratês: considerar que [...]
Setembro 7, 2012 at 8:24 pm
#52
Concedo no “há”. Foi imperdoável. Sobretudo para um tipo que escreve bem, como é o meu caso, sem imodéstia.
Quanto à sua resposta… pois… não se vê lá nada para além dos costumeiros esteriótipos… enfim… que aflição de falta de argumentos.
Setembro 7, 2012 at 8:52 pm
A sintaxe de “…que aflição de falta de argumentos.” também não é lá muito católica.
Setembro 7, 2012 at 9:49 pm
Eles andem aí!
E parece que alguns já têm algum treino. Serão os mesmos do tempo daquela Milú que fez da Parque Escolar uma festa? Ou são apenas destes novos pasteurizados que substituíram os anteriores?
Setembro 7, 2012 at 10:50 pm
#64
Estes são novos.
Pelo cheiro ainda andam de fraldas. Não as mudam é todos os dias.