Não posso já com ervas nem com árvores;
Prefiro os lisos, frios mármores
Onde nada está escrito.
Meu gosto da paisagem fez-se escuro;
Nenhures é o lugar que mais procuro
Como homem proscrito.
Eu bem sei: A verdura! A flor! Os frutos!
Mas não posso passar de olhos enxutos,
Meu campo verde aflito.
Porventura cegaram os meus olhos
Porque há nos silveirais flores aos molhos
– Tanta flor me tem dito.
Mas eu bem sei que movediços lodos
Que são o chão, as lágrimas de todos,
Meu coração contrito.
Eu não sei se amanhã será meu dia;
Recolho-me furtivo na poesia,
Incerto o chão que habito.
Ai de mim! Ai de mim, nuvem medonha!
Os homens conheci, bebi peçonha,
E é por isso que grito.
[Afonso Duarte] Grito
Agosto 18, 2012 at 9:56 am
Lindo!
Agosto 18, 2012 at 11:51 am
mmmmmmmmmmmmm
insónias?
ou fartura de ervas?
Agosto 18, 2012 at 3:51 pm
Em Setúbal há uma Travessa de Nenhures… Lembrei-me…!