A filosofia é louvável mas simplista. Desmistifica ideias mas não consegue explicar a relação, que quer quase directa, entre poder de compra da classe média e criação de emprego e ainda mais impostos aos mais ricos (algo sempre querido em tempos de crise e aos wannabes políticos…). Subsistem “elos perdidos” no meio da relação que quer estabelecer. Os Estados? Governos? Completamento isentos da equação?
Louvável pela clareza e pela tentativa de desmistificação. Interessante a ideia de divinização dos “job creators”. Gostei mas não sou da área da economia. Quem o é pode ser (muito) mais crítico.
#6, não é preciso ser economista para perceber que não há empresa que subsista se não existir algures alguém com poder de compra para adquirir os produtos que vende. Um multimilionário compra tantas pastas de dentes como alguém da classe média. Quanto mais gente da classe média tiver dinheiro para comprar pastas de dentes, mais de vento em popa vai o negócio. E mostra como, até certo ponto, é uma miragem a ideia de que o desenvolvimento económico se faz só à custa das exportações. É óbvio que isso só funciona se alguém algures no Mundo não tiver a mesma filosofia. Este é o princípio base, que, parece-me, não há de como fugir. O resto são detalhes técnicos.
Demagogia e mentira em altas doses é a marca o discurso que os políticos adoptaram na Europa desde que o crescimento estagnou, muito por culpa da globalização e da importação em massa de bens transaccionáveis ao preço da chuva, de países onde os trabalhadores vivem na miséria. Claro que o reverso da medalha foi o investimento, em sectores altamente especulativos, mas altamente rentáveis a curto e médio prazo, incentivado pelos Estados, que garantiram o crédito e enganaram os incautos que acreditaram que os políticos eram pessoas de bem. Ainda me lembro do Cavaco a dizer que o país iria exportar serviços, para justificar o desmantelamento da indústria e agricultura.
Qualquer pessoa responsável e experiente percebe que tudo o que nos dizem é mentira, os governos não têm nenhuma solução para este problema a não ser asfixiar o povo com confisco e baixa de salários generalizada para diminuir a dívida e salvar a face perante os credores. Tentam ganhar tempo e esperam que isto não dê para o torto, numa Europa a braços com uma crise que ela própria deixou criar, por inércia e incompetência.
Não pode haver crescimento sem poder de compra, não há sociedade menos desigual, sem uma classe média coesa e forte.
Os políticos sabem-no muito bem. Só que afrontar os mercados, essa entidade anónima, constituída pela alta finança, que não está disposta a assumir perdas, é muito mais difícil do que carregar o povo, que vai aguentando de cabeça baixa, até ao dia em que perca a dignidade. As manobras, mentiras, contradições e outras habilidades políticas visam apenas enganar o povo, mantendo-o na ilusão de que estão a resolver o problema. Esperam ganhar tempo e anseiam que os senhores da Europa arrepiem caminho e impeçam a catástrofe social que se adivinha, na periferia do sul.
Paulo anda up-to-date. Preparava-me para colocar este vídeo em comentário. Curiosa a recusa da casa mãe em publicitar a conferência, depois de ter convidado o palestrante. Embora o mote seja “ideias que vale a pena escutar”, desta vez foram consideradas demasiado avançadas. A propósito, Michael Hudson afirma: The banks really have no power at all except the power to bribe
Parafraseando a declaração de independência dos EUA, diria que são “verdades evidentes em si mesmas” estas que Nick Hanauer enunciou.
Sendo bastante crítico da cultura norte-americana, nunca deixarei de apreciar estes sinais de vitalidade e de auto-crítica que vão surgindo entre eles quando menos se espera. Alguém consegue imaginar um milionário português, empresário, investidor, especulador, a ter uma intervenção deste género?
Por cá, continuam todos a enterrar a cabeça na areia perante as evidências e a comungar daquela profissão de fé segundo a qual se os ricos pagarem hoje, garantidamente, menos impostos, poderão eventualmente, amanhã, se estiverem para aí virados, criar alguns empregos.
É a fé nos ricos, a fé nos mercados, a fé que nos salva. Sendo homens de tanta fé, será que já experimentaram ir a pé a Fátima?…
#10, António Duarte, permite-me apenas este comentário: a cultura dos EUA, entendida em sentido lato, tem uma vitalidade e uma diversidade em vários domínios, não que nos envergonhe, porque não temos que nos envergonhar de nada, mas que nos merece, no mínimo, respeito. Outros aspectos há, nomeadamente sociais, económicos e de política internacional em que comungo das reticencias e objecções.
Muito do que Nick Hanauer escreveu já tinha sido defendido no ano passado por um grupo de milionários norte-americanos, arrastados por um artigo escrito no New York Times pelo magnata Warren Buffet: “Enquanto os pobres e a classe média combatem em nosso nome no Afeganistão, e enquanto a maioria dos americanos luta para esticar o salário, nós, os mega-ricos, continuamos a beneficiar de impostos reduzidos”. O texto de Buffet, publicado em Agosto de 2011, tinha como título “Deixem de mimar os super-ricos” e terminava com uma frase que também podia ter sido escrita por Nick Hanauer: “Eu e os meus amigos temos sido mimados há muito tempo por um Congresso amigo dos multimilionários”.
Quanto à “cultura americana”, não me parece que ela exista verdadeiramente. Julgo que existe (o que enriquece ainda mais) um imenso “caldo” de culturas…
Chamar a Passos Coelho/Victor Gaspar “broncos ignorantes” é ainda o melhor elogio que se pode fazer a esta parelha. Pois se admitirmos o contrário, que actuam com plena consciência dos danos que estão a provocar à economia portuguesa, então estamos perante uma dupla de criminosos.
Como se destrói um país? Entre 2011 e 2012, o desemprego de trabalhadores com o nível de escolaridade até ao básico aumentou 8,2%, mas os com ensino secundário cresceu 43,5%, e os com ensino superior subiu em 37%. É evidente, que a economia portuguesa absorve cada vez menos trabalhadores com níveis de escolaridade e qualificação elevadas. Com a actual politica expulsa-se os trabalhadores mais qualificados para o estrangeiro, condenando a economia e a sociedade portuguesa à estagnação e ao atraso. Eis também um resultado de um ano de “troika” e de governo PSD/CDS. Eugénio Rosa
Since the elections Orbán’s party has used its strong mandate to implement policies that have frightened almost everybody.
Fidesz has pushed through several legislative changes which are problematic with respect to European values. In a year and a half Orbán is said to have destroyed much of what Hungary built in the 20 years since it liberated itself from socialism.
Orbán and his core group have been building an authoritarian one-party system in Hungary, where various methods have been used to perpetuate Fidesz’s power and that of forces close to it.
Maio 20, 2012 at 10:10 am
Lógico racional mas com um senão: A FORBES DEPOIS NÃO SE VENDIA TANTO!!!!
Maio 20, 2012 at 10:22 am
http://bulimunda.wordpress.com/2012/05/20/back-to-basics-pescas-e-caca-sao-novas-apostas-do-ensino-profissional/
Maio 20, 2012 at 11:02 am
Por cá a conferência relvas…
Miguel Relvas acusado de ameaçar a jornalista do Público Maria José Oliveira com a divulgação de dados pessoais na internet.
Ministro dos Assuntos Parlamentares explica no parlamento as suas relações e interacções com o ex-espião Silva Carvalho.
Ex-espião Silva Carvalho acusado pelo Ministério Público de acesso ilegítimo a dados pessoais do jornalista do Público Nuno Simas.
Também se fazem desenhos.
Maio 20, 2012 at 11:23 am
Porque será que para que as pessoas prestem atenção ao óbvio é necessário que seja alguém com galões (entenda-se muito dinheiro) a dizê-lo?
Maio 20, 2012 at 11:33 am
Alguem envie para os Belmiros e companhia do nosso país….
Maio 20, 2012 at 11:38 am
A filosofia é louvável mas simplista. Desmistifica ideias mas não consegue explicar a relação, que quer quase directa, entre poder de compra da classe média e criação de emprego e ainda mais impostos aos mais ricos (algo sempre querido em tempos de crise e aos wannabes políticos…). Subsistem “elos perdidos” no meio da relação que quer estabelecer. Os Estados? Governos? Completamento isentos da equação?
Louvável pela clareza e pela tentativa de desmistificação. Interessante a ideia de divinização dos “job creators”. Gostei mas não sou da área da economia. Quem o é pode ser (muito) mais crítico.
Maio 20, 2012 at 11:48 am
#6, não é preciso ser economista para perceber que não há empresa que subsista se não existir algures alguém com poder de compra para adquirir os produtos que vende. Um multimilionário compra tantas pastas de dentes como alguém da classe média. Quanto mais gente da classe média tiver dinheiro para comprar pastas de dentes, mais de vento em popa vai o negócio. E mostra como, até certo ponto, é uma miragem a ideia de que o desenvolvimento económico se faz só à custa das exportações. É óbvio que isso só funciona se alguém algures no Mundo não tiver a mesma filosofia. Este é o princípio base, que, parece-me, não há de como fugir. O resto são detalhes técnicos.
Maio 20, 2012 at 1:09 pm
Demagogia e mentira em altas doses é a marca o discurso que os políticos adoptaram na Europa desde que o crescimento estagnou, muito por culpa da globalização e da importação em massa de bens transaccionáveis ao preço da chuva, de países onde os trabalhadores vivem na miséria. Claro que o reverso da medalha foi o investimento, em sectores altamente especulativos, mas altamente rentáveis a curto e médio prazo, incentivado pelos Estados, que garantiram o crédito e enganaram os incautos que acreditaram que os políticos eram pessoas de bem. Ainda me lembro do Cavaco a dizer que o país iria exportar serviços, para justificar o desmantelamento da indústria e agricultura.
Qualquer pessoa responsável e experiente percebe que tudo o que nos dizem é mentira, os governos não têm nenhuma solução para este problema a não ser asfixiar o povo com confisco e baixa de salários generalizada para diminuir a dívida e salvar a face perante os credores. Tentam ganhar tempo e esperam que isto não dê para o torto, numa Europa a braços com uma crise que ela própria deixou criar, por inércia e incompetência.
Não pode haver crescimento sem poder de compra, não há sociedade menos desigual, sem uma classe média coesa e forte.
Os políticos sabem-no muito bem. Só que afrontar os mercados, essa entidade anónima, constituída pela alta finança, que não está disposta a assumir perdas, é muito mais difícil do que carregar o povo, que vai aguentando de cabeça baixa, até ao dia em que perca a dignidade. As manobras, mentiras, contradições e outras habilidades políticas visam apenas enganar o povo, mantendo-o na ilusão de que estão a resolver o problema. Esperam ganhar tempo e anseiam que os senhores da Europa arrepiem caminho e impeçam a catástrofe social que se adivinha, na periferia do sul.
Maio 20, 2012 at 1:20 pm
Paulo anda up-to-date. Preparava-me para colocar este vídeo em comentário. Curiosa a recusa da casa mãe em publicitar a conferência, depois de ter convidado o palestrante. Embora o mote seja “ideias que vale a pena escutar”, desta vez foram consideradas demasiado avançadas. A propósito, Michael Hudson afirma:
The banks really have no power at all except the power to bribe
Maio 20, 2012 at 2:22 pm
Parafraseando a declaração de independência dos EUA, diria que são “verdades evidentes em si mesmas” estas que Nick Hanauer enunciou.
Sendo bastante crítico da cultura norte-americana, nunca deixarei de apreciar estes sinais de vitalidade e de auto-crítica que vão surgindo entre eles quando menos se espera. Alguém consegue imaginar um milionário português, empresário, investidor, especulador, a ter uma intervenção deste género?
Por cá, continuam todos a enterrar a cabeça na areia perante as evidências e a comungar daquela profissão de fé segundo a qual se os ricos pagarem hoje, garantidamente, menos impostos, poderão eventualmente, amanhã, se estiverem para aí virados, criar alguns empregos.
É a fé nos ricos, a fé nos mercados, a fé que nos salva. Sendo homens de tanta fé, será que já experimentaram ir a pé a Fátima?…
Maio 20, 2012 at 2:51 pm
#10, António Duarte, permite-me apenas este comentário: a cultura dos EUA, entendida em sentido lato, tem uma vitalidade e uma diversidade em vários domínios, não que nos envergonhe, porque não temos que nos envergonhar de nada, mas que nos merece, no mínimo, respeito. Outros aspectos há, nomeadamente sociais, económicos e de política internacional em que comungo das reticencias e objecções.
Maio 20, 2012 at 2:59 pm
#0
Ena, obrigada!
Já conseguira ler uns excertos, mas assim “ao vivo é melhor”! Estava curiosa.
Em troca deixo aqui:
http://margarida-alegria.blogspot.pt/2012/05/do-amor-texto-da-parte-1-de-2-o-filme.html
Maio 20, 2012 at 3:00 pm
Nada de novo, nesta conferência.
Prefiro destacar este parágrafo da notícia:
Muito do que Nick Hanauer escreveu já tinha sido defendido no ano passado por um grupo de milionários norte-americanos, arrastados por um artigo escrito no New York Times pelo magnata Warren Buffet: “Enquanto os pobres e a classe média combatem em nosso nome no Afeganistão, e enquanto a maioria dos americanos luta para esticar o salário, nós, os mega-ricos, continuamos a beneficiar de impostos reduzidos”. O texto de Buffet, publicado em Agosto de 2011, tinha como título “Deixem de mimar os super-ricos” e terminava com uma frase que também podia ter sido escrita por Nick Hanauer: “Eu e os meus amigos temos sido mimados há muito tempo por um Congresso amigo dos multimilionários”.
Quanto à “cultura americana”, não me parece que ela exista verdadeiramente. Julgo que existe (o que enriquece ainda mais) um imenso “caldo” de culturas…
Maio 20, 2012 at 3:01 pm
E por falar em economia e para quem ainda não viu estes:
http://margarida-alegria.blogspot.pt/2012/05/dois-cartoons-feriados-2-e-3-de-4-pu-ke.html
Maio 20, 2012 at 3:24 pm
P S D P S D P S D…
Maio 20, 2012 at 3:53 pm
Chamar a Passos Coelho/Victor Gaspar “broncos ignorantes” é ainda o melhor elogio que se pode fazer a esta parelha. Pois se admitirmos o contrário, que actuam com plena consciência dos danos que estão a provocar à economia portuguesa, então estamos perante uma dupla de criminosos.
Maio 20, 2012 at 4:26 pm
Como se destrói um país?
Entre 2011 e 2012, o desemprego de trabalhadores com o nível de escolaridade até ao básico aumentou 8,2%, mas os com ensino secundário cresceu 43,5%, e os com ensino superior subiu em 37%. É evidente, que a economia portuguesa absorve cada vez menos trabalhadores com níveis de escolaridade e qualificação elevadas. Com a actual politica expulsa-se os trabalhadores mais qualificados para o estrangeiro, condenando a economia e a sociedade portuguesa à estagnação e ao atraso. Eis também um resultado de um ano de “troika” e de governo PSD/CDS.
Eugénio Rosa
Maio 20, 2012 at 4:26 pm
Since the elections Orbán’s party has used its strong mandate to implement policies that have frightened almost everybody.
Fidesz has pushed through several legislative changes which are problematic with respect to European values. In a year and a half Orbán is said to have destroyed much of what Hungary built in the 20 years since it liberated itself from socialism.
Orbán and his core group have been building an authoritarian one-party system in Hungary, where various methods have been used to perpetuate Fidesz’s power and that of forces close to it.
http://www.hs.fi/english/article/Hungary+freedom+under+threat/1329104119383
Maio 20, 2012 at 4:28 pm
Greeks apologise with huge horse
15-05-12
THE nation of Greece said sorry to the European Union with a present of an enormous wooden horse.
http://www.thedailymash.co.uk/news/international/greeks-apologise-with-huge-horse-2012051527146
Maio 20, 2012 at 4:42 pm
Porque hoje é domingo, Duo MainTenant:
Maio 20, 2012 at 4:46 pm
O estado norte-americano prepara-se para processar criminalmente o maior do país, o JPMorgan.
Maio 20, 2012 at 4:47 pm
… maior banco do país.
Maio 20, 2012 at 5:18 pm
#10:“É a fé nos ricos, a fé nos mercados, a fé que nos salva. Sendo homens de tanta fé, será que já experimentaram ir a pé a Fátima?”…Gostei…
Maio 20, 2012 at 5:29 pm
Saqueo, corrupción y criminalidad en África