Rodrigo Queiroz e Melo apelava ontem para que os vários agentes educativo tivessem Confiança uns nos outros para se pode avançar num sentido comum na área da Educação.

Pois… mas neste momento não é possível, não há ou é bem escasso, restrito a nichos de proximidade.

A herança mais duradoura dos anos Sócrates, que agora se prolonga com Passos Coelho/Relvas/Gaspar, é o da quebra de confiança entre quase toda a gente e instituições.

Na área particular da Educação, a confiança foi minada aos mais diversos níveis e seria interessante perceber até que ponto aquele estudo seminal de João Freire para Maria de Lurdes Rodrigues, logo em 2005, sobre a questão do estatuto e da avaliação dos docentes, com as suas linhas estratégicas para minar (principalmente) o papel dos sindicatos, não foi elevado a uma prática mais extrema, acabando por minar tudo.

Há excepções, mas a regra passou a ser a da própria sobrevivência a quase qualquer preço, ficando muito para baixo nas prioridades qualquer possibilidade de trabalho em comum. Foi esse o ensinamento da partição da carreira, da divisão entre avaliadores e avaliados, entre directores e dirigidos, entre uma tutela agressiva e desrespeitosa e os zecos apresentados como absentistas, incompetentes e atávicos.

Esforçaram-se tanto por quebrar a espinha aos professores que agora ficou toda a gente isolada nos seus casulos, com todas as solidariedades quebradas e a vontade de colaborar quase no zero.

Confiança?

É daquelas coisas que se perdeu e tardará muito em ser recuperada.

Desde o Director ou DT que quer, antes de mais, salvar a sua pele perante a cadeia hierárquica, ao lutador que aceita ser relator para ficar de ego inchado, desde o voluntário para procedimento disciplinar em caso de não entrega de avaliação que acabou em extremoso avaliado com múltiplos dvd’s das suas aulas, passando pelos grandes líderes lutadores de caneta em punho para se entenderem e acordarem, viu-se de toda a porcaria um pouco.

Confiança?

Não há.

Agora, desenrasquem-se… sozinhos, de preferência.

E esta é daquelas coisas que não se arranja por tuta e meia na loja sínica.

 

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