A disputa em torno da reforma do mapa autárquico só não está ao rubro porque, como sempre me pareceu, apenas irá tocar nas freguesias, deixando os concelhos em paz, porque este governo não tem coragem para enfrentar muitos dos que estiveram na base da subida ao poder no PSD do passismo-relvismo.

E o método usado para aliciar os autarcas a reduzir as câmaras é vizinho daquele que era usado por Sócrates para os convencer a aceitar a transferência de competências – prometem-lhes dinheiro fácil, depois de levarem semanas a acusá-los de gastadores.

O PS parece que, por uma vez, vai votar contra, o que levantou alguma celeuma no Parlamento. Carlos Abreu Amorim fez uma intervenção acalorada, que tem estado a espalhar pelo FBook, na qual levanta tantas questões interessantes sobre a falta de coerência do PS (personalizada em José Junqueiro, que respondeu entre o rídiculo orgulho e a acertada acusação sobre a questão vertebral) quantas omite sobre a sua própria incoerência.

O que tem Carlos Abreu Amorim a dizer sobre a questão da limitação dos mandatos autárquicos incidir apenas sobre o território e  não a função?

Há dois anos, se esta leitura habilidosa fosse apresentada pelo PS, eu tenho a certeza absoluta que ele se insurgiria em tons de quase apoplexia.

Neste momento, julgo que arranjará forma de tornear a questão ou de aderir à real politik que aconselha manter o conflito com os autarcas, em geral, e com os presidentes de câmara laranjas dentro de proporções controláveis.