Março 2012


… se alguém vai ficar em condições de ganhar ao Porto.

Respondendo ao António F. Nabais, eu diria que a discussão política em torno dos exames no Ensino Básico está toda enviesada por causa de razões ideológicas e que mesmo em termos pedagógicos essa discussão é, entre nós, também um reflexo do posicionamento de cada um em relação a teorias que muitas vezes desprezam o quotidiano escolar e o estado concreto do nosso desenvolvimento educacional.

Os argumentos usados são, em regra, disparatados.

  • São disparatados por parte de quem considera que só a introdução dos exames tudo resolve, mesmo se quase  ninguém pensa exactamente assim. Essa é a caricatura que os adversários da introdução dos exames gosta de fazer para ridicularizar aqueles que encaram como adversários. Isso e dizerem que se tem saudades da escola salazarista. É a argumentação típica do bloquismo-benaventismo pedagógico, que agora, por questões de conjuntura política, tem mais uns quantos adeptos ocasionais.
  • São igualmente disparatados os argumentos daqueles que consideram quem aos 10 anos é muito cedo para se fazer um exame ou que não devemos fazer exames porque na maioria dos países desenvolvidos não há exames à saída da primária. O problema é que esses países são exactamente isso: desenvolvidos. E nós, apesar dos muitos ganhos das últimas décadas, ainda não somos. Logo… é ridículo querer que entremos na mesma velocidade de cruzeiro de um Volvo XC90, se ainda acabámos de passar de um Renault 5 para, digamos assim, um Seat ou Honda de gama média.

Em meu entender, os exames são essenciais no final de todos os ciclos de escolaridade (e preferia que existissem apenas 3 e não 4, com o Secundário), para que todos os agentes educativos tenham uma forma de, não apenas pela via interna e da autoavaliação (em grande parte os críticos dos exames são aqueles que estão contra qualquer ADD, nisso há que lhes reconhecer a coerência anti-avaliação), serem responsabilizados pelo seu trabalho: alunos, professores, famílias e escolas, por esta ordem ou outra.

Uma coisa a que os críticos dos exames (em especial os que nos colocam o exemplo finlandês pelos olhos dentro) nunca me respondem é a seguinte:

Os sistemas educativos ditos de referência eliminaram os exames nos primeiros anos de escolaridade antes ou depois de terem atingido um patamar de excelência que nós ainda não atingimos?

Outra pergunta que aproveito para deixar:

Se esses sistemas são efectivamente bons e se tanta gente os aponta como exemplo do que deveríamos fazer, em vez de nos preocuparmos com a avaliação das aprendizagens e com exames e testes, porque será que esses sistemas são considerados bons exactamente porque conseguem resultados muitos bons em testes e exames internacionais?

Não detectam aqui nenhum paradoxo?

Os modelos são bons na opinião dos defensores de uma escolaridade obrigatória sem exames, em parte por não terem esses exames mas, depois, os alunos desses modelos são muito bons em exames internacionais.

Ora… é minha opinião que os exames são necessários como um sinal claro de que há contas a prestar pelo trabalho feito ao longo de 4 (1º ciclo), 2 (2º ciclo) ou 3 anos (3º ciclo). E acho que alunos, encarregados de educação e  professores responsáveis e conscientes do seu papel na escola e na sociedade e conscientes terão dificuldade em defender o contrário, sem ser – exactamente – na base da ideologia que conduziu o nosso sistema de ensino a um impasse entre o salto quantitativo e o salto qualitativo, por querer ter o melhor dos mundos: sucesso certificado sem verificação.

Que a vida é mais fácil sem exames? Ahhhh, poizé, bebé!!!

Rascunho da  redacção da prova de acesso às Escolas Técnicas. È interessante tomar atenção ao tema e à forma como o discurso de inculcação ideológica, se lhe retirarmos este ou aquele termo mais datado e próprio do contexto (experimentem trocar “instrução primária” no 4º parágrafo por “escola a tempo inteiro”), poderia fazer parte do discurso de alguns políticos dos últimos anos. A infantilidade argumentativa não é substancialmente diferente.

Mas, por outro lado, percebe-se que, em alguns casos, as amarras mentais poderá ter permanecido décadas a fio.

Última prova de treino para o exame de admissão às Provas Técnicas (anos 50 do século XX).

 

(c) Olinda Gil

… respeitar a autonomia das escolas quanto às soluções pedagógicas a adoptar para combater o insucesso.

É errado substituir modelos únicos por outros modelos únicos.

No Expresso de hoje apresenta-se a ideias do MEC de criação de grupos de nível como directa inspiração de projectos já em desenvolvimento que terão dado bons resultados.

Acredito que sim e ainda bem que há boas experiências. Claro que seria interessante saber se o sucesso foi medido apenas com instrumentos internos.

Expresso, 30 de Março de 2012

Até lá precisam de mais algum salário meu?

Madeira arrasa contas da administração regional e local

Não fosse o buraco da região e o saldo do subsector teria sido positivo em 2011.

A Madeira é um fardo nas contas da administração regional e local. De acordo com o reporte dos défices excessivos, enviado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) ao Eurostat, a região autónoma é responsável pelo facto do subsector ter terminado o ano passado deficitário.

(c) João Esteves

Korn, Word Up

Prova de passagem da 1ª para a 2ª classe. Faz parte de um dossiê, que era entregue a todos os alunos no final do ano e que tinha, para além deste documento, as outras provas realizadas ao longo do ano: prova de aproveitamento, prova periodal e prova de treino.

Se os tiverem e puderem digitalizá-los, agradecia que me enviassem (guinote2@gmail.com) exemplos de exames da 4ª classe e, já agora, de outra parafernália iconográfica (diplomas, etc) associada ao final (ou decurso) da Primária. Eu tenho por aí algumas coisas, que até já divulguei em outros posts.

Muito bem! Tomara que mais tivessem esta capacidade de reagir…

COMUNICADO – 30 de Março de 2012

Conselhos Gerais de Vila Nova de Gaia indignados com a DREN

Os Presidentes dos Conselhos Gerais das Escolas Agrupadas e Não Agrupadas do concelho de Vila Nova de Gaia manifestam publicamente a sua indignação pelo não cumprimento da legislação em vigor, quanto à consulta prévia obrigatória sobre a constituição dos novos agrupamentos no seu concelho.

Os Presidentes dos Conselhos Gerais das Escolas Agrupadas e Não Agrupadas do concelho de Vila Nova de Gaia, reunidos ontem na Escola EB 2,3 Soares dos Reis, vêm por este meio dar conhecimento público de um conjunto de diligências, relacionadas com a constituição dos novos agrupamentos no concelho de Vila Nova de Gaia, que não obtiveram qualquer resposta até à data.

No sentido de poder enquadrar melhor esta nossa posição, queremos relatar que, desde o ano letivo 2008/2009, quando foram criados os primeiros Conselhos Gerais Transitórios escolares em substituição das Assembleias-gerais de escola, todos os 23 Presidentes dos Conselhos Gerais das Escolas Agrupadas e Não Agrupadas do concelho de Vila Nova de Gaia se reúnem regularmente – pelo menos uma vez por período –, realizando também o seu Encontro Anual, com o objetivo de discutir, interpretar e operacionalizar de forma eficaz todas as competências que nos foram atribuídas pelo Decreto-lei n.º 75/2008, no sentido de contribuir para a melhoria de todo o processo educativo dos nossos alunos.

Como é da legislação em vigor, e principalmente segundo o Despacho n.º 4463/2011, de 11 de março de 2011, as propostas de agregação de agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas devem ser precedidos de consulta aos conselhos gerais dos agrupamentos e escolas e aos municípios respetivos, os quais devem pronunciar-se, no prazo máximo de 10 dias.

Assim, queremos alertar publicamente para os seguintes factos:

1. Desde Janeiro do corrente ano, conhecedores das intenções e preocupados com a forma da possível evolução na agregação de escolas, os Presidentes dos Conselhos Gerais dos Agrupamentos de Escolas e
Escolas Não Agrupadas de Vila Nova de Gaia solicitaram, por diversas vezes, formal e informalmente, ao Diretor Regional da DREN, Dr. João Grancho, o agendamento de reuniões para tratar deste assunto, no sentido de se preparar antecipadamente todo este processo e tentar encontrar a melhor solução possível. A todas estas solicitações a resposta foi sempre nula.

2. Neste momento temos conhecimento público que a DREN, após auscultação do Município de Vila Nova de Gaia, deu conhecimento aos Diretores dos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas do concelho de Vila Nova de Gaia de uma proposta de Agregação para as Escolas deste Concelho.

3. Assim constata-se que há, de facto, um processo a decorrer sem a audição prévia dos Conselhos Gerais, em clara inobservância da lei, uma vez que não existiu, até ao momento, nenhuma diligência por parte da DREN no sentido da auscultação dos Conselhos Gerais sobre este assunto, não parecendo também haver intenção de que tal facto venha a acontecer.

4. Deste conjunto de acontecimentos já deu conhecimento formal ao Ministro da Educação e Ciência, Dr. Nuno Crato.

Pelo exposto, e constatando-se o incumprimento da lei na questão da auscultação formal dos Conselhos Gerais – órgão que representa toda a Comunidade Educativa, como comprova o facto de ser constituída pelos representantes dos docentes, do pessoal não docente, dos alunos, dos pais e encarregados de educação, dos representantes da autarquia e da comunidade local – de Vila Nova de Gaia neste processo, os Presidentes dos Conselhos Gerais das Escolas Agrupadas e Não Agrupadas do concelho de Vila Nova de Gaia ontem reunidos decidiram, face à ausência total de respostas, não só denunciar publicamente esta situação, como mostrar também a sua indignação pública pelo facto de, até à data, não terem sido envolvidos num processo tão importante e decisivo na educação dos nossos alunos, como é a possibilidade de agregação de escolas do nosso concelho, isto apesar de o termos solicitado por diversas vezes.

Os representantes dos 23 Presidentes dos Conselhos Gerais das Escolas Agrupadas e Não Agrupadas do concelho de

Vila Nova de Gaia,
Avelino Azevedo
Presidente do CG da Escola Secundária de Oliveira do Douro

António César Viegas
Presidente do CG do Agrupamento Dr.

Petição Educação Tecnológica obrigatória no 3º Ciclo do Ensino Básico

Considerando que a Educação Tecnológica (que deriva da anterior disciplina de trabalhos oficinais e/ou área vocacional) sempre existiu, e permite aos alunos “aprender fazendo”, em contexto de sala/oficina, com trabalhos/projetos práticos de mecânica, carpintaria, eletricidade, etc., (consoante a logística de cada escola/agrupamento). É uma disciplina de que os alunos gostam e onde não há insucesso escolar. A Educação Tecnológica serve (e sempre serviu) de estímulo para continuarem os seus estudos nas vias de ensino técnicas/profissionais, para serem técnicos qualificados e responsáveis no futuro.
Numa escolaridade de 12 anos, faz todo o sentido existir Educação Tecnológica no segundo e terceiro ciclos do ensino básico porque se complementam e aprofundam as competências adquiridas pelos alunos na área técnica e tecnológica, tanto mais quando se afirma querer reforçar o ensino profissional.
Considerando que não há quaisquer estudos, ou orientações, que recomendem a extinção da Educação Tecnológica e que esta disciplina existe na maioria dos países desenvolvidos, pois a sociedade tecnológica em que vivemos, e queremos continuar a viver, assim o exige.
Estão em risco cerca de 3000 professores do quadro e contratados de Educação Tecnológica deste país (muitos com 15 ou mais anos de serviço) e o respetivo conhecimento acumulado ao longo de muitos anos de serviço.
Propomos que a disciplina de Educação Tecnológica faça parte do currículo nacional do segundo e terceiro ciclo, como disciplina obrigatória, oferecida em todas as escolas, eventualmente, a par de outras disciplinas de caráter artístico, reforçando a formação completa dos alunos, existindo desde o 5º até ao 9º ano.

… com alguma precaução do PCP no caso da PE, são as seguintes e remontam a Sócrates/Maria de Lurdes Rodrigues:

  • A defesa do modelo das Novas Oportunidades para a certificação em série de competências.
  • A desculpabilização das ilegalidades e derrapagens da gestão da Parque Escolar.
  • O combate à introdução de mais exames no Ensino Básico.

Estranhamente (?) não se unem quanto às questões da gestão e da concentração da rede escolar que são bem mais centrais nas preocupações da maioria dos professores do que as três acima identificadas juntas.

Não se admirem depois se, quando batem a rebate, pouca gente vos segue.

Já agora… não acham curioso que, num momento em que os partidos que constituem a base de apoio das várias sensibilidades da maior organização de docentes se encontram unidos com um inimigo comum (e que foram os que promoveram o entendimento de Abril de 2008 e o acordo de Janeiro de 2010) e apesar de tanta coisa negativa a acontecer, a capacidade de mobilização sindical nas escolas esteja num dos níveis mais baixos de que há memória?

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