Quinta-feira, 23 de Fevereiro, 2012


Kiriyama Family, Portabello

Desempregados vão ter gestor de carreira

É tipo, sei lá, como as actrizes de novelas ou os jogadores de futebol, mas sem o dinheiro e a carreira. Quase igual.

E como se faz isto, emagrecendo o Estado?

Dando dinheiro a agências externas, o tal dinheiro que falta aos desempregados e que se poupa mobilizando geograficamente os funcionários públicos para a rescisão:

Governo admite financiar agências de trabalho

Medida deve entrar em vigor no final do ano.

E onde foram buscar a ideia genial, digna de um brainstorming de relvettes, mas no fundo copiada?

Os serviços privados de emprego favorecem o desenvolvimento económico e social. A conclusão pertence ao relatório “Adapting to Change” divulgado em Portugal, pela Eurociett, (European Confederation of Private Employment Agencies) em parceria com o Boston Consulting Group.

 

Estados Unidos aprovam venda da EDP aos chineses

A Federal Energy Regulatory Commission, entidade reguladora dos Estados Unidos para a área da energia aprovou a venda de 21,3% da EDP aos chineses da China Three Gorges.

E os caramelos que habitam cá o torrão? Contam para alguma coisa ou só atrapalham?

“Solução Final”

A chamada blogosfera docente tem destas coisas boas. Encurtou, encolheu, houve notórias deserções e penosas desistências, mas esse processo foi acompanhado por uma especialização que favoreceu a abordagem técnica das coisas a par das expressões mais emotivas:

Comparação – Concursos dos Professores

… o jogo carracento do Sporting com o Legia. Não há um remate à baliza digno desse nome, mas no meio do campo aquilo faz faísca.

Nem sei se gosto, já só quero que passem a eliminatório, nem que seja com um golo de cotovelo ou sofrendo os 90 e tal minutos sem golos.

A DESUMANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO
VI – ENSINAR: ARTE, TÉCNICA?…

O homem não nasce homem, torna-se homem. E o homem cria-se a si mesmo, constrói a sua própria “natureza” através da cultura, da educação em sentido largo. Educar é assim a mais humana – e por isso a mais nobre e complexa – das actividades.

Educar e ensinar implicam-se mutuamente. Quando se educa não se pode deixar de ensinar, de transmitir conhecimentos, de apontar princípios, de impor regras.

Já é menos evidente que ensinar implique educar. Contra isso depõe, de resto, a experiência que colhemos em muitas das nossas escolas (1).

Porque, como sublinhei no anterior post, com as actuais orientações utilitaristas e mercantilistas, o saber é compreendido, redutoramente, como algo da ordem do coisificável, do objectivável, instalando assim o ensinar ao nível de uma pedagogia procedimental, traduzida numa série de operações técnicas, mais ou menos padronizáveis, que se podem decompor, quantificar e seriar, i. e, classificar, e cuja “produtividade” ou “eficácia” pode ser medida por “objectivos” e “metas”.

Mas ensinar pode – e deve, no meu entendimento – ser mais do que isso.

Com efeito, se o saber for entendido, fundamentalmente, como uma actividade do espírito, uma forma privilegiada do comunicar humano, de apropriação simbólica e cultural do mundo (cosmovisão), em que se forjam a identidade e a presença mas também a heteronomia e a alteridade –, então quando nos abeiramos disso que se designa por “ensinar”, entramos no domínio da intuição, do proximal, da experiência, da contingência.

Analisando assim o seu sentido, poderemos afirmar que a pedagogia pertencerá mais ao domínio da arte do que ao da técnica, tal como o trabalho intelectual se inscreve, antes, na ordem da qualidade do que na da quantidade.

E a dificuldade constitutiva do ensinar (para a qual o eduquês não logra encontrar uma resposta afirmativa e consistente) é que essa arte – e exactamente por sê-lo – não exclui, antes implica, o rigor e a exigência, porque ensinar não é aceitar, espontaneamente, o “dado natural”, mas transformação do homem em nome de um ideal, de um dever ser (2).

É por tudo isso que as categorias operatórias e os parâmetros que um procedimento classificatório como a ADD (3) – sujeição esquemática a um simples “desempenho” e correspondente imposição de um “modelo” – está habituado a reconhecer na sua lógica circular, não conseguem, manifestamente, dar conta desta actividade fundamental, “humana, demasiado humana”, que é ensinar.

Em suma, só poderemos consentir que o conceito de “modelo” aplicado ao processo de “classificação do desempenho docente” fará sentido, se, como frisei, abordarmos o exercício da docência de um ponto de vista administrativo e técnico-burocrático.

Caso se pretenda “avaliar a competência científica” do docente, então será o sistema que o formou e lhe reconheceu as habilitações para ensinar que deverá, em primeira instância, ser alvo de uma avaliação ou de uma classificação.

(1). Evidentemente, há aqui um problema de fundo que resulta da circunstância de muitos alunos chegarem à escola sem uma educação básica. A educação ministrada na escola, na minha óptica, deveria ter um carácter complementar, incidindo sobretudo no campo axiológico.

(2). Por ser esta, na minha perspectiva, a questão central da educação e do ensino, será objecto de outro post.

(3). É útil distinguir aqui “avaliação” de “classificação”. Avaliar significa atribuir um valor (mais da ordem do essencial do que do material), reconhecer uma qualidade, conferir um sentido. Classificar, por sua vez, remete para operações de seriar, padronizar, hierarquizar.

Farpas

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