As raízes da minha embirração com certos serviços prioritários dos CTT é muito antiga, precedendo de muito este blogue e nasceu com os correios coloridos, a começar pelo azul que prometia fazer o que antes se fazia sem cor. E com melhores estradas e viaturas para o fazer, enquanto se fala do decréscimo do volume de missivas.
Da minha antiga admiração pelos carteiros, passei a uma aversão razoável à organização com fins lucrativos, com especial destaque para a loja de conveniência em que se tornou quase toda a estação dos Correios. Parece que a coisa foi considerada de boa gestão, mas é uma coisa sem grande nexo.
Aqui pelas minhas bandas desisti da assinatura de algumas revistas porque ou eram trucidadas ao serem colocadas na caixa de correio, sem o cuidado de um toque de campainha para as recolher ou porque, sendo mais vistosas, desaparecia, em média, uma em cada três. Restou a assinatura da Visão que parece não despertar a cobiça de ninguém lá pelas bandas da distribuição postal. Já escrevi sobre isto e em devido tempo queixei-me por escrito a um responsável banana que tudo encobriu.
Qual não é a minha relativa falta de surpresa quando hoje leio no Sol a denúncia do presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações de que há atrasos deliberados na distribuição do correio normal, tudo para fomentar o recurso aos serviços de valor acrescentado.
Não será por acaso que empresas internacionais como a Amazon prescindem do recurso aos CTT. Não será apenas por causa do custo em si, mas da relação entre o custo e o serviço prestado.
Deveriam ser os Correios geridos no sentido do Interesse Público e não apenas no da maximização da exploração dos seus utentes/clientes?
Quiçá, mas ainda me chamam socialista e defensor de um Estado Gordo ou coisas piores.
Janeiro 27, 2012 at 3:41 pm
Gestão dos CTT de herói( de tempos idos) a vampiro.De um serviço público
fundamental sobretudo para quem vive no Portugal profundo a uma gestão de interesses sem respeitar os direitos dos cidadãos.
Janeiro 27, 2012 at 3:56 pm
“O provedor de Justiça teme que os serviços públicos que vão ser privatizados ao abrigo do memorando de entendimento assinado entre o Governo e a troika aumentem muito os custos para o consumidor. Alfredo José de Sousa pede, por isso, que seja criada uma entidade reguladora que acompanhe o processo.
O provedor alertou que a privatização de serviços como os CTT, EDP, Águas de Portugal e empresas de transporte vai reflectir-se num aumento dos preços, já que até agora eram “prestados em regime de monopólio pelo Estado”, o que fazia com que “por serem serviços de interesse geral nunca cobrissem os custos”.” (Público).
Lembram-se o que aconteceu com a liberalização dos combustíveis, que, na altura, tinha como principal argumento favorável a descida dos preços devido à concorrência?
Imagine-se agora o que poderá acontecer com estas privatizações – com a a agravante de estarmos perante serviços que funcionam em regime de monopólio…
Janeiro 27, 2012 at 4:43 pm
Curioso como uma ideologia que invoca ao extremo o valor da liberdade – o liberalismo – acaba por reduzir-se na prática a um dogma – o de que a concorrência gera sempre as soluções mais baratas e eficazes – e a uma fé cega e inabalável no deus dos mercados…
Janeiro 27, 2012 at 8:39 pm
Privatize-se os CTT já.
Abra-se o mercado à concorrência de outras entidades e … e…..
No fim paga-se a conta