A guarda avançada de Sócrates na blogosfera googlava antes de ter acesso privilegiado (consta, de acordo com o Pacheco Pereira e os insurgentes, por exemplo, que eu não vi nada!) a dados oficiais só de acesso fácil aos governantes e seus auxiliares.
A guarda avançada de Passos Coelho/Relvas prefere pordatar, fazer uns gráficos e pouco mais. Deveria, digo eu, procurar vias para misi@r, ou seja, explorar o manancial imenso de dados que o ME(C) recolhe a partir das escolas com regularidade semanal, mensal ou conforme.
Se o fizessem poderiam contextualizar números absolutos, tendências e rácios para não ficarem tão iguais aos seus antecessores do Partido de Sócrates.
Se o fizessem, quando estabelecem comparações de longa tendência (e até parece que descobriram a pólvora quando fazem algo que se aprendia no primeiro período do 1º ano do meu curso e eu licenciei-me em História) poderiam tentar entendê-las e não apenas enunciá-las.
Comparar o número de professores e o rácio alunos/professor entre os anos 60, 70 ou mesmo 80 e os actuais faz esquecer, mesmo quando se encontram designados como “em exercício” que seria importante perceber quantos, em cada período desempenhavam as seguintes funções que antes não existiam ou eram muito mais incipientes:
Estruturas político-administrativas do MEC.
- Equipas de Educação Especial para apoio a alunos com NEE que antes estavam em instituições separadas das escolas.
- Bibliotecas Escolares que antes funcionavam apenas com funcionários.
- Desporto Escolar, que não existia.
- Gabinetes e equipas diversas que asseguram “valências” antes inexistentes nas escolas como o PTE.
E nem falo de muito outro trabalho, que não implica horas lectivas, como toda a papelada que antes era assegurada pelas secretarias e agora são os professores a fazer.
Porque isto de alinhar números é muito interessante, em especial quando sabemos o que eles significam.
E isso não se consegue apenas pordatando. Mexam os vossos cordelinhos e pressionem para que a imensa mole de dados do(a) MISI@ se torne público, sem filtragens selectivas pois a PORDATA funciona apenas a partir do que se conhece, mas estava disperso em publicações. É muito útil mas ainda tem limitações.
É a diferença entre um trabalho de licenciatura e estudos de investigação não bolonhesa.
Dezembro 23, 2011 at 6:51 pm
Os dados do MISI são bons para tirar picos do rabo. E pouco mais.
Dezembro 23, 2011 at 7:24 pm
#1
A quantidade de informação que as escolas enviam para a MISI é absolutamente estonteante (o número de campos está a aumentar e agora até as datas das mudanças de turma têm de seguir). O que é fantástico é que a MISI comporta-se como uma espécie de buraco negro informativo: os dados entram, são sugados e parecem desaparecer.
Dezembro 23, 2011 at 7:33 pm
Dezembro 23, 2011 at 7:39 pm
Se lhe derem cada vez mais lixo torna-me uma lixeira maior.
Dezembro 23, 2011 at 7:45 pm
#4
Mas não é lixo (o MEC, neste momento, em teoria, por exemplo, podia saber as notas que um professor deu nos últimos 4 anos). Os amanuences do (des)governo é que não fazem a mínima ideia do que fazer com aquilo e depois saem bujardonas pseudo coisa e tal.
Dezembro 23, 2011 at 7:48 pm
Sim é lixo. Serve para nada. E os artistas nada podem fazer com ele. Porque não sabem.
Dezembro 23, 2011 at 7:51 pm
Quando se recolhe uma quantidade de informação a granel acaba-se com um baralho de cartas espalhadas no chão. Depois é difícil encontrar o ás de ouros. O facto de pedirem muitos dados é sintoma de que não se sabe o que se quer.
Dezembro 23, 2011 at 7:52 pm
Adeus. Tenho de ir rectalizar o Proença que perora na RTP1.