Dezembro 2011


Milagres, Here to Stay

The One I Once Was – Mortemia

Um Bom Ano 2012

E o ano de 2011 acaba com o confronto, em termos político-económicos, com o confronto entre duas vias dominantes para o futuro do país que indiciam que atingimos um novo patamar de indigência, agora completamente generalizada à classe política que resta e aos cérebros e interesses que a alimentam.

  • A da Situação, representada pelo PSD, de forma menos impetuosa pelo CDS e implicitamente pelo magrinho PS de António José Seguro, defende a teoria do Emigre quem Puder, que a Malta não sabe como Governar Isto!. Nela se incluem todos aqueles que acham que o buraco é horroroso e não há maneira de o resolver sem ser pela redução das despesas a toda a velocidade e no rebuscar de todos os tostões ainda passíveis de ser encontrados em todos os que não têm contos de réis para contratar segurança e alarme para defesa desses mesmos tostões. São aqueles que, para combater o défice das contas públicas e a falta de receitas, convidam a emigrar os profissionais qualificados em idade útil para constituir família e, quando empregados, com condições para estimular o consumo e gerar receitas fiscais. Mas como os governantes que estão são incapazes de um projecto de desenvolvimento, mas apenas de empobrecimento e emagrecimento, a única coisa que conseguem ver é que, emigrando muita gente desempregada, há menos subsídios e apoios sociais a pagar. Em termos económicos são pela democratização e liberalização da economia, embora isso se traduza na aquisição de posições estratégicas em empresas nacionais por empresas detidas a 100%  por outros Estados. Não percebem a contradição ideológica, apenas estão interessados no encaixe ocasional. São pelo menor peso do Estado na sociedade e economia, mas sobrecarregam-nas com impostos; são pela liberdade das famílias escolherem muita coisa, mas retiram à maioria os meios para escolherem seja o que for. Instituem a lei da selva, em que o mais forte pode e compra e o mais fraco emigra ou submete-se. Carecem de imaginação e estão presos de uma meia dúzia de teóricos que leram três livros na vida, citam Hayek abertamente, von Mises só no caso dos mais eruditos, mas receiam o libertarismo de Ron Paul, porque esse correria com todos os grupos de trabalho e think tanks pagos pelo Estado.

É uma geração que já foi nova, antes de ficar precocemente envelhecida nas ideias e confundir hiperactividade com actividade consequente. É a geração relvas, com o empático Pedro como testa-de-ferro, já incapaz de dominar a criatura que o dominou.

  • A da Oposição, representada pelos órfãos de Sócrates no PS, por um Bloco desorientado e por um PCP discreto e à espera dos votos que nunca chegarão dos desencantados da restante Esquerda, encontrou um tema comum de resistência em torno do lema Marimbemo-nos para a Dívida! Encontram-se aqui vultos secundários do PS, equivalentes à geração relvas do PSD e todos aqueles no PCP e Bloco que, na falta de outra alternativa, acreditam que não pagando a dívida criada em larga escala pelos projectos que apoiaram, quase sempre em conjunto, nos últimos anos, conseguem solucionar a dita dívida e os constrangimentos por ela criados. Esquecem-se que, não pagando, poupam no pagamento, mas deixam de receber o que ainda alimenta grande parte do funcionamento do país. Esquecem-se que durante 25 anos se trocou a produção nacional por subsídios aplicados quase à grega. Sim, alguns contestaram isso, mas agora parecem desacreditar que o país que temos é um país que não produz riqueza capaz de auto-alimentar-se sem a engenharia financeira externa. Demonizam os mercados, mas não apresentam alternativa. Acusam de salazarismo os que defendem o cumprimento das obrigações externas, mas aprenderam História (Económica e Política) em sedes de jotas partidárias e de forma acrítica. Não percebem que o salazarismo não manteve o país na pobreza por causa do projecto económico de equilíbrio orçamental, mas sim porque defendia um isolamento político do exterior para melhor manter o controle interno. Não percebem que a economia obedecia à política e não o inverso. Mas a ortodoxia marxista (ou reminiscências suas mal digeridas) explica tudo com base nas relações de produção e desentende que, em regimes ditatoriais fechados a economia submete-se ao poder político. Consultem a China, a esse propósito, o único regime político ditatorial com economia de mercado florescente, mas à custa do quê.

Temos, portanto, uma oposição que à Esquerda quase recupera Sócrates para as suas fileiras e coloca os seus representantes no PS actual lado a lado com os seus escassos mas firmes opositores internos desde 2005. Uma oposição cuja alternativa não se percebe se é a saída do euro, se é o reforço de opções centralistas como as eurobonds. Se é um projecto de independência nacional, se de reforço do federalismo. É uma posição baralhada, sem liderança, porque só lhe restam dois líderes: Carvalho da Silva cá dentro e José Sócrates lá fora. Que até há um ano eram grandes inimigos e defendiam posições absolutamente contrárias.

 *

Há quem diga que em política o vazio não pode durar muito tempo e que qualquer solução surgirá para o ocupar.

Discordo.

Acho que, neste momento, o vazio é um espaço cada vez maior, onde se refugia cada vez mais gente na apatia e anomia. O vazio passou a ser uma opção. Aliás, o país vazio começa a ser uma realidade, se exceptuarmos um punhado de cidades e umas dezenas de grandes centros comerciais.

A maior parte do país esvazia-se e a classe política ou encoraja isso ou faz o seu melhor para que ninguém sinta orgulho em ficar, sem ser o que nasce da própria dignidade e da percepção de que há um país que, apesar dos seus solavancos seculares, não merece ser deixado apenas aos oportunistas, aos chineses, aos opinadores da SICN e do Expresso e à geração relvas-seguro.

Ainda há quem tenha respeito pelo país onde nasceu e cresceu. Mas o ano de 2011 foi dos piores a esse nível. Resta saber se esses portugueses e Portugal sobrevivem a 2012 sem danos irreparáveis.

Mas há quem não desista e prefira ficar e resistir do que exilar-se em Londres ou Paris. Nem todos somos ferros, cravinhos, carrilhos ou consultores no Dubai. Muitos teriam de se limitar a servir-lhes cafés. Ou  àqueles que lhes irão suceder nessas formas de emigração dourada, para a qual não há dívida que aflija.

North Korea state media: Birds mourn Kim Jong-Il

SEOUL: North Korea on Tuesday reported that Mother Nature continued to grieve the death of Kim Jong-Il, with a dove-like bird reportedly brushing the snow off a statue of the late leader.

The latest avian intervention was reported by Radio Pyongyang, which said that the bird’s behavior last week was “breaking the hearts of many people” who heard the story.

“As I was unable to calm my heart from a guilty conscience, a white bird, larger than a dove, suddenly brushed off the snow from the shoulders of the leader’s statue,” the radio quoted a witness as saying, according to South Korea’s Yonhap news agency.

… porque há sempre o sector que defende que 61% é muito mais do que 59% de incapacidade e que tudo isto é passível de determinação científica.

Isenção no cancro só com 60% de incapacidade

Nuno Melo. “Miguel Relvas diz muita coisa, mas a privatização da RTP tem de ser ponderada”

Para além da delícia do Memory Chalet de Tony Judt, a maior surpresa foi uma leitura repescada nos últimos dias às compras do passado, a autobiografia temática de Edmund White, com os seus capítulos dedicados aos seus psiquiatras, ao pai, à Europa, às louras, a Genet.

Tudo com uma candura que é hilariante, mesmo quando o não tenta.

E fica-se a perceber que um miúdo de 13-15 anos, homossexual, conseguia ter sexo (é certo que mais na versão clintoniana) com uma frequência invejável na América tradicionalista, homofóbica e repressiva dos anos 50, pelo menos com muito mais facilidade que um equivalente, hetero, no Portugal pós-revolucionário de finais dos anos 70.

Das publicações propriamente do ano, o mais útil foi o ensaio do Pedro Magalhães sobre Sondagens, Eleições e Opinião Pública, editado pela FFMS.

Chega um carro qualquer, praticamente indiferenciado, com umas letrinhas a dizer “PT” num canto qualquer, coisa que se arranja sem custo.

Dois marmanjos saem de lá de dentro, com ar de poucos amigos, uns coletes na dizer “meo” ou outra coisa qualquer, que também se conseguem, sem grande complicação numa feira da ladra qualquer.

Vão às caixas de acesso ás ligações de telefone e cabo de todo um quarteirão ou bairro, abrem-na com uma chave de tão fácil obtenção quanto as letrinhas e os coletes, e ficam por ali a mexer.

Se formos até casa e levantarmos o telefone ouvem-se os sons da rua e a conversa deles, “liga aqui, desliga acolá, despacha-te” até ao momento em que lá ligam a coisa e deixamos de ouvir.

É possível que fossem pedidos de final de ano para aderir ao Baby TV ou à SporTV 17. Ou é possível que seja outra coisa qualquer. Não sei, nem quero já saber.

Em matéria de Educação foi um tempo de continuidade. Ao mandato de falsa e negociada pacificação das escolas de Isabel Alçada seguiram-se os meses de adaptação de Nuno Crato ao lugar, com meias medidas, a maior parte delas na sequência do passado mais ou menos recente.

No estatuto de carreira, no modelo de avaliação, na reorganização da rede escolar, nos concursos, mesmo na reforma curricular procuraram-se soluções não muito agressivas mas que pouco se distinguiriam de um qualquer governo cujo projecto para a Educação fosse conter custos. Apenas a revogação do documento sobre as Competências do Ensino Básico e uma investida sobre as Novas Oportunidades, tudo já em final de ano são medidas com uma marca mais específica e coerente com o discurso anterior de Nuno Crato.

Mas ficam muitas dúvidas sobre o futuro e a perturbação é incontornável num sector fustigado por um conflito permanente desde 2005. Não há reformas de sucesso na Educação sem a colaboração de todos os actores em presença. Enquanto tivermos um CNE a atribuir sempre o ónus do insucesso aos professores e quase nunca às famílias e alunos, enquanto tivermos grupos de opinião ligados ao Governo a fustigar os professores ao mais pequeno pretexto e enquanto o MEC se limitar a declarações de circunstância, sem uma clara solidarização pública, as escolas e os professores são têm forma de recuperar a confiança arrasada ao longo de anos na tutela. Quanto muito tentam agarrar-se a fios de esperança que quase todos sabemos serem ilusórios.

Apesar disso resta uma capacidade estranha de trabalho e resistência numa classe profissional que os meninos de gabinete e task -force ou think-tank insistem em apresentam como acomodada e conservadora.

Ficam aqui apenas dois exemplos, entre muitos possíveis, acumulados ao longo do ano.

Num caso é um relatório de autoavaliação que ousa ir além do figurino e no outro o caso de uma escola que insiste em apresentar resultados muito acima da média na poreparação dos seus alunos.

Anexo: Ficha de auto-avaliação 1-2-3 ciclos

Com jeito, dá para ser uma metáfora do balanço deste ano.

Duran Duran, Skin Trade

O capitalismo dos quarks e dos leptões.

Consegui!

Cansado de constatações da treta. Agora é que o corpo docente está envelhecido. Mas a seguir afirma-se que cada vez há mais contratados.

Portanto, o que está a acontecer é que os quadros estão, na prática fechados e, infelizmente, todos envelhecemos.

Facilitem as aposentações e abram os quadros de escola e agrupamento e verão um rejuvenescimento maior do que uma Primavera Tropical. Nem será preciso emigrar.

Cada vez mais cansado de conversa de chacha.

Como esta:

“O estudo sobre o desfasamento etário dos alunos que frequentam o ensino básico e secundário relativamente à idade ideal dos ciclos e níveis respetivos revela que o sistema continua a não estar preparado para responder às necessidades da população que acolhe, utilizando muitas vezes a repetência como meio de superação de dificuldades. Raramente esta solução resolve os problemas dos jovens implicados, pelo que uma primeira retenção é frequentemente geradora de outras e consequentemente de desmotivação e abandono”, avisa o CNE, que apela para uma “mudança profunda na atitude dos professores e das escolas face ao insucesso dos seus alunos”.

O problema são os professores que devem mudar de atitude. Os alunos nem por isso. Podem continuar a trabalhar para o seu insucesso que a responsabilidade nunca é deles.

Bem… realmente o melhor é emigrar… enquanto o CNE não se libertar da prisão eduquesa é apenas mais do mesmo.

Quando é que produziu um estudo preocupado com a condição profissional e o bem-estar dos docentes? Que me lembre, talvez no século passado…

Foi hoje de manhã. O mafarrico ortodoxo apareceu e pensou ter desferido um ataque fulminante:

O pantomineiro egomaníaco dá tantas cambalhotas que é impossível perceber no momento de que lado está.

Na sua senil cabecinha a observação deve ter-lhe parecido uma coisa fantástica e demolidora. Pobre coitado, eu concordo com ele e subscrevo. Porque eu não tenho lados, pelo menos da forma que ele considera existirem bons e maus, castas puras e outras intocáveis.

E passo a explicar porque considero um enorme elogio aquilo que ele escreveu.

O que o mafarrico ortodoxo de serviço aqui ao blogue parece não perceber (e acredito que o bestunto, de tão desabituado de pensar por si mesmo não alcance) é que o que escreveu é algo que revela uma verdade de que me orgulho.

Sinto-me muito bem pelo facto do mafarrico e dos restantes mafarricos ortodoxos da organização a que pertence e de outras organizações monolíticas não me conseguirem encontrar naquele ponto em que gostariam que eu estivesse em relação a eles e ainda mais pelo facto de me acharem complicado de posicionar.

Porque a coisa é simples de explicar. O mafarrico está dentro do Grande Colectivo Organizacional ao qual é fiel em primeira (única?) instância. Ele não está interessado em defender os professores, em particular, ou os portugueses, em geral. Aliás, ele abomina os professores e portugueses que pertençam a outras Organizações que não aquelas a que ele pertence. Basta ver como o mafarrico e amigos tratam todos aqueles que vestem cores diversas e pensam diferente.

E as suas posições seguem as da sua Organização (ou Organizações, mas fiquemos agora pelo singular, que dá para entender melhor) e movem-se no meio dela, com todos os seus colegas puros em redor. Como está no meio do ambiente costumeiro, mesmo que este faça inversão de marcha, o mafarrico pensa estar sempre, de forma coerente, no mesmo ponto.

Mas não está.

Eu exemplifico.

A Organização está contra um estatuto de carreira e um sistema de avaliação. Mas, de acordo com os seus interesses estratégicos, assina acordos e entendimentos que validam aquele estatuto e sistema de avaliação.

Mais giro… há membros da Organização que se dedicam a colocar em prática as coisas, adequando-se ao papel que antes criticavam acerbamente. O mafarrico tem um amigo (certamente mais) que fez isso. Era contra a ADD mas contribuiu para que fosse posta em prática. O mafarrico não acha isso incoerente. Fossem outros fazer tal coisa…

O mesmo se passa com o modelo de gestão. Eram contra, mas não se negaram a tomar posições. E sentem-se bem com isso, porque se acham os “melhores” para aplicarem o que criticavam. Dizem que é para defender os interesses dos colegas. Quais colegas? Depende da cor…

Portanto, em matéria de desposicionamento, ninguém melhor do que o mafarrico para termos alguém a navegar à vista, conforme as indicações superiores e reagindo de forma pavloviana e salivosa aos conceitos (plásticos quando convém) de Esquerda e Direita.

O mafarrico coerente é de uma cor contra as outras, sejam quais forem as medidas em causa.

E acusa os outros de mudarem de posição quando o que os outros – eu, por exemplo – se limitam a fazer é defender princípios e ideias de forma consistente, não reagindo aos rostos e siglas, mas pretendendo que as situações se resolvam, Os apoios ou afastamentos são determinados por acções concretas. Não por nomes ou preconceitos ideológicos. Apenas pela justeza do que é feito (ou não).

 O que não significa que se aceite qualquer um ao lado, em especial quando se sabe que lá está por tacticismo ou oportunismo organizacional.

A diferença fundamental é que há quem defenda o que acha ser justo para a sua classe profissional e quem defenda, em primeiro lugar, o que é mais vantajoso para a Organização.

É assim que se compreende que governantes e certos mafarricos acusem, de igual modo, de “corporativos” aqueles que defendem a sua profissão antes de defenderem um sindicato, um partido ou um líder, vivo ou defunto.

Se defender as minhas convicções, sem acompanhar rebanhos organizacionais faz de mim alguém pantomineiro que dá cambalhotas, assim seja.

Do vosso lado não estou, por certo.

Antes isso do que dá-las no meio do rebanho e estar convencido de ser coerente só porque se acompanha a incoerência envolvente.

Para fim de ano até que o mafarrico me deu um belo presente.

E sim, camarada Guerreiro, só veio um exemplar de cada…

Democratização da Economia=Nacionalização de Empresas Portuguesas pelo Governo Chinês.

Pensei que era anedota, mas não. É mesmo um estudo:

A Study on Just-in-Time Implementation in Portugal: Some Empirical Evidence

Quer dizer que se um tipo levar com um camião desgovernado em cima ou com um carro conduzido por um bêbedo irresponsável é porque não quis viver?

E que tal apelas a este senhor para emigrar para… tipo, sei lá… a Polinésia? A Patagónia?

Tenente-coronel da GNR diz que mortos ‘não cooperaram’

Lourenço da Silva, tenente-coronel da GNR, declarou, no Programa Bom dia Portugal da RTP, que a Guarda Nacional Republicana está de «consciência tranquila» e que os cidadãos que morreram na estrada durante a época do Natal «não quiseram manter-se vivos».

Dúvida parva: como chegou esta pessoa ao cargo a que chegou e como vai, por certo, manter-se nele?

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