O antigo deputado do PSD e actual ministro era colaborador de uma consultora que colaborou com o Banco Efisa, do grupo BPN, num negócio no Brasil
Antes da nacionalização, o então deputado Miguel Relvas intermediou para o Banco Efisa, do grupo BPN, um negócio da ordem de 500 milhões de dólares, que envolveu o município do Rio de Janeiro. Abdool Vakil, ex-presidente do Efisa, confirmou ao PÚBLICO que Relvas, na altura membro da bancada parlamentar do PSD, o ajudou “a abrir portas no Brasil”, mas o actual ministro explica que a sua colaboração ocorreu sempre “no quadro” da Kapakonsult, onde era administrador, e que teve um único cliente: o banco de negócios do BPN – Efisa.
A Kapakonsult foi criada pelo gabinete de advocacia Barrocas, Sarmento e Neves, onde Relvas colaborava, em Março de 2007, ou seja, 19 meses antes da nacionalização do BPN/Efisa, com a finalidade de dar assessoria jurídica, comercial, fiscal, financeira e realizar “estudos de prospecção de mercados para produtos e serviços de toda a natureza” e ainda “mediar negócios”. Em Março de 2010, os advogados decidem encerrar a consultora, “dadas as fracas expectativas de negócio”, divulgando um lucro de 27.944 euros e custos de 31.362 euros. A decisão é tomada ano e meio depois de o BPN, gerido por Oliveira Costa, ter entrado em colapso, arrastando consigo o Efisa, o único cliente da Kapakonsult.
Uma crítica recorrente aos professores é a de só conseguirem ver apenas ao seu redor. O que dizer de um ministro que fala assim, reduzindo o que acha serem as aspirações dos jovens a alguns dos cursos com maior desemprego, o que para um economista significa serem menos procurados estes profissionais e terem um valor mais baixo no mercado laboral.
Quanto a engenheiros suponho que se refira aos que o são a sério, não aos que vão para políticos e quanto a cientistas isso só é possível, em muitos casos, emigrando.
De qualquer modo, nota-se cada vez mais um pensamwnto formatado e inclinado para uma área específica do currículo que desvaloriza as Artes, as Humanidades e tudo aquilo que não é imediatamente traduzível em fórmulas. Que nem fala nas Ciências da Saúde.
Uma visão redutora e limitada que é perigoso transpor para a reforma curricular em preparação. Uma visão amputada do mundo intelectual e distorcida do que é importante para uma sociedade que não se queira reduzida às ciências.
Um engenheiro é mais útil do que um psicólogo? É bem possível mas não somos apenas corpo.
A mim não me ocorreria limitar as aspirações dos jovens a serem historiadores, antropólogos, filósofos, geógrafos e sociólogos lá porque o país foi enterrado nas últimas décadas exactamente por economistas, financeiros, gestores e engenheiros, coadjuvados pelos omnipresentes licenciados em Direito.
Esta forma de encarar o que nos rodeia é perigosa.
Nuno Crato precisa reencontrar o prazer de achar nas outras disciplinas que lhe parecem estranhas o suplemento indispensável para o que achará essencial.
Um gestor é mais importante do que um terapeuta da fala?
Um economista é mais importante do que um geógrafo?
Um João Duque faz mais falta à Nação do que um Rui Ramos (para colocar as coisas no mesmo campo político de liberais iluminados)?
Não terão todos o seu lugar?
Deve a Educação ser refém de preconceitos pessoais, substituindo o eduques pelo cientismo? O pós-modernismo relativista pelo positivismo absoluto?
Ou será que o ministro da Educação está a admitir implicitamente que, comparativamente, os nossos cientistas sociais são muito melhores dos que os outros cientistas, pelo que é necessário investir nos que se têm mostrado piores?
Proposta da maioria elimina a obrigação de um parecer prévio do ministro das Finanças nas contratações das regiões autónomas.
O controlo do recrutamento de trabalhadores nas administrações regionais poderá não ficar, afinal, sob a alçada do Ministério das Finanças. A medida está prevista na proposta do Orçamento do Estado para 2012 entregue à Assembleia da República a 17 de Outubro, e tem como objectivo centralizar no ministério tutelado por Vítor Gaspar as decisões sobre as admissões de efectivos na função pública da Madeira e Açores.
Tem uma linguagem curiosa para gente que se afirma pouco ortodoxa. Esperaria que, por exemplo, Medeiros Ferreira conseguisse colocar mais subtileza numa retórica próxima de um comunicado de outrora.
Retenho a parte mais significativa:
Não podemos saudar democraticamente a chamada “rua árabe” e temer as nossas próprias ruas e praças.
A Assembleia Regional da Madeira, por proposta do PSD ontem aprovada com votos contra de toda a oposição, decidiu que nos plenários “os votos de cada partido presente são contados como representando o universo de votos do respectivo partido ou grupo parlamentar”.
Não sei se o Presidente que convocou a Nação por causa de uma minudência açoriana tem alguma palavra sobre isto mas, tendo-a, aguardemo-la.
Embora, há que confessá-lo, esta lógica de esvaziamento do papel representativo dos deputados não ande longe da que querem aplicar nas autarquias.
Alunos de 14 e 18 anos foram presos por venda de droga. Escola Passos Manuel.
Milhares ou dezenas de alunos protestam contra os cortes no ensino, presidente da associação de directores de escolas fala das escolas degradadas e Nuno Crato não responde.
Cantinas e comida de má qualidade, queixas da Confederação das Associações de Pais e da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Albino Almeida e Adalmiro da Fonseca.
Poderia remeter apenas para o post abaixo. Mas acrescento algo mais, mesmo que redundante.
Para além das razões sistémicas da luta e tal, que como sabem a mim sensibilizam apenas o q.b., há as entranhadamente individuais.
Que são aquelas em que eu já não sei se ando border ou underline (private joke mesmo privativa para algumas pessoas) e já pago (ou deixo de ganhar) para me manter à superfície por não jogar suficientemente à defesa.
Porque quero, amanhã olhar para o dia a acabar e não ver sete das lectivas no dia seguinte.
É uma forma de resistência, nada festiva, diferente da daqueles cujo trabalho é fazer greves, pelo que estão com a pica toda de um ano à espera.
Eu estou à espera de descansar. E faço greve porque me fizeram estar assim. E a muitos outros fizeram pior. E prometem fazer ainda mais, do alto da sua pequenez secretarial.
Estou farto de secretários de estado e de ministros emproadinhos. Na 5ª feira também vou descansar deles e pensar, com tempo, no que lhes faria se os apanhasse ali numa sala de aula.
Nada de especial, mas difícil para os novos aflautados e engomados… tentar que percebessem que não há um país sem as pessoas que o fazem. E que todos somos transitórios por muito que julguemos de nós mesmos, das nossas teorias e da nossa visão.
Todos estamos de passagem, Mesmo os que se sentem donos de algo. Das nomeações a fazer ou por receber.
Faço greve contra esses. A favor de mim. Da minha sanidade. O resto…? O resto já me interessa muito pouco porque há muito que desacredito dos que só trabalham nos dias de greve. Se desse para fazer declaração de voto na greve, também a faria contra eles. E contra muitos presumíveis piquetistas também. Corajosos em bando. Nulas individualidades.
A greve radical. De total alheamento em relação aos actores deste teatro. Dos almofadinhas aos façanhudos. Dos que colocam cenho franzido de Estado (só seu!) aos que colocam voz altiva de Luta (só sua!).
… que vou ficar a ver o jogo dos vermelhos de lá contra os vermelho-dourados de cá. Não comecei a ver do início, mas acho que o Nani é o único português em campo.