Novembro 2011


Greve Geral na educação, actualização nos noticiários da noite.

Estamos de parabéns, inventámos novos números. Os pilhéricos.

Assim, por definição, um número pilhérico é um objecto matemático do caraças.

… ao ouvir o Pedro Adão e Silva a exaltar as virtudes do movimento sindical depois de tudo o que apoiou de cruz nos tempos do engenheiro. É pessoal assim que me deixa um bocado desconfortável com estas encenações.

Na RTPInformação, o ainda jovem João de Almeida do CDS a lamentar que a mobilização tenha sido baixa e que os sindicatos estejam com uma baixa capacidade de mobilização, porque assim são menos representativos no diálogo da concertação social.

C’um caneco, isto já é gozar demais.

… em que os indignados pediram para ser detidos.

… agora querem recuperar de 18 greves de atraso?

CGTP e UGT admitem nova greve

As duas centrais sindicais garantem estar disponíveis para uma nova paralisação, mas não querem “luta pela luta“.

Relato de uma jornalista grega que se prepara para a 19ª greve

Governo apresenta programa de empreendedorismo em Dezembro

O Governo vai apresentar, no início de Dezembro, um “programa nacional para empreendedorismo e inovação”.

O anúncio foi feito hoje pelo secretário de Estado do Empreendedorismo, Carlos Oliveira.

“É um programa chapéu construído em particular com a ajuda na sociedade civil e um programa que de facto defende uma integração das iniciativas, que aposta não nas infra-estruturas mas na ampliação das competências”, disse, na sua intervenção no XXI Congresso da APDC.

  • Primeiros: não sabia que havia um tipo com cargo para isto.
  • Segundos: o que é que o rapaz leu ao pequeno-almoço?
  • Terceiros: e não se pode extingui-lo?
  • Quartos: Não se podendo extingui-lo pode alterar-se o nome da secretaria para secretaria de Estado para os Beto-Nerds?
  • Quintos: Chapéus há muitos, seu palerma!

——— Mensagem encaminhada ———-
De: <DGRHE.MEC@dgrhe.min-edu.pt>
Data: 24 de novembro de 2011 10:07
Assunto: Interrupções temporárias nos serviços
Para:

Exmo(a). Sr (a). Director (a),

Durante o dia de hoje poderão vir a ocorrer interrupções temporárias nos serviços disponibilizados devido a operações de manutenção da infra-estrutura tecnológica da DGRHE.

Com os melhores cumprimentos,
DGRHE

… é que quem as convocou nunca se sente na obrigação de apresentar a demissão, caso admitissem o fracasso.

Não consigo colocar a coisa em outros termos:

Adesão à greve? Sindicatos falam de 90%, Governo de 4%

Para comentar ficções, prefiro as da literatura assumida.

Um país crescentemente desigual e cujas assimetrias e macrocefalia evoluem de forma regressiva para níveis oitocentistas é aquele onde os modernaços querem aplicar a liberdade de escolha em sectores sociais como a Educação e a Saúde?

Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio 2009

Agradeço a ligação aos Luís B. para um documento bastante interessante e que demonstra que Portugal está cada vez mais longe de uma coesão social e económica, algo que o quociente de GINI bem demonstra (esta tabela deve ser lida na inversa, com o último país a ter o melhor desempenho, estando Portugal praticamente a meio da tabela, atrás de países como o Uzbequistão, a Tanzânia, a Libéria ou a Moldávia em matéria de distribuição da riqueza).

 

Não me interessam grande ou pequena coisa.

A sério.

Sempre fui um bom aluno a Matemática, assim como antes na Aritmética.

E nunca gostei de quem exibe a ignorância aos gritos, por defeito ou por excesso.

(e este post é meu, do PG e não do Fafe, mesmo se escrevi, quiçá pensei, parecido)

Muitas palavras para quê?

Entre a Ota e Alcochete quantos muitos milhões foram gastos/ganhos neste elefante transparente, que nem branco é como foi o de Sines, nem cinzento como ainda é do Alqueva?

Por quem?

Não interessa saber.

A accountability é só coisa de ADD.

Lê-se no DN de hoje que o aeroporto de Beja apresenta a média brilhante de 300 passageiros por mês. Dois mil desde que abriu. As previsões eram de mais de um milhão até 2015. isto significa que entre 2012 e o fim de 2015 terá de movimentar 250.000 por ano, mais de 20.000 por mês, ou seja, aumentar em 7000% a média mensal.

Claro que o aeroporto de Beja foi apresentado como uma obra essencial para o turismo no Alentejo. A seu tempo o Tribunal de Contas negou a sua viabilidade.

Mas a construção, a ritmo que o humor fácil designaria como alentejano (e atenção que eu sou alentejano-descendente), foi avançando e derrapando até mais do dobro do custo inicialmente previsto.

  • Alguém foi responsabilizado pelas projecções mal feitas? Não, a culpa foi da crise internacional que alterou as variáveis (que, por definição, não são invariáveis)! E, claro, as projecções foram encomendadas a gabinetes externos porque a Função Pública não tem quadros para estas coisas, apenas os tem a mais quando convém arranjar a quem atribuir culpas pelos dispêndios excessivos do stado.
  • Alguém foi responsabilizado pela decisão política de mandar construir ou manter a construção? Não, porque entre nós os políticos desculpam-se sempre com os dados técnicos dos estudos e projecções que se revelaram errados, mas por causa da crise internacional!
  • Alguém foi responsabilizado pelos atrasos na concretização da construção? Não porque os empreiteiros entre nós têm sempre direitos adquiridos e quando falham prazos é sempre porque não lhes pagaram a tempo ou deram com factores imprevistos e não previstos nos tais estudos que só prevêem o que é previsível e não deixam margem para as coisas imprevistas, também conhecidas como variáveis que variam (como a crise internacional).

 

A greve geral no ensino.

Num friso de 17 criaturas que se pronunciam no DN sobre a adesão (ou não) à greve de hoje, sou um dos 3 que declararam aderir. As restantes 14 afirmam que não aderem pelas mais variadas razões, ou melhor, a maioria por razões da treta. Se percebo que o Américo Amorim, o Ramiro Marques e o Ribeiro e Castro a recusem por razões ideológicas e outras justificações mais ao lado (Amorim diz que as horas do dia não lhe chegam para ajudar o país!!!), já em outros casos acho patética a forma de se desculparem com a natureza das funções (o advogado porque é advogado, o juiz porque é juiz, o polícia porque é polícia, a actriz de novela porque é actriz), muito em especial no caso do jovem deputado do PS, Duarte Cordeiro.

Afirma ele que não pode fazer greve porque os deputados não podem fazer greve. Não? Formalmente, não. Mas informalmente, já que apoia que os funcionários do parlamento façam, porque não falta ele ao abrigo de uma justificação justificável, algo nada raro nos parlamentares, como o chamado trabalho político? Porque não tem ele coragem de demonstrar de forma activa a solidariedade proclamada?

Será que, no fim do dia, alguém vai dar pelas vantagens da presença do deputado Duarte Cordeiro em São Bento?

Respeito tanto quem faz como quem não faz greve. Mas não quando as desculpas são do calibre da treta mais esfarrapada. O seguidismo cego de alguns que fazem tem equivalente na invertebralidade daqueles que não fazem poruqe enfim.

No Público, o Manuel Loff escreve que a greve geral é a festa da democracia. Lamento discordar, ainda para mais de um historiador meu contemporâneo e politólogo mais recente. As eleições são a festa da democracia. As greves são, por regra, resultantes de situações de tristeza com as quais se protesta e esse protesto dificilmente poderá ser aquilo a que eu chamaria alegre. Com a bílis costumeira, eu diria que a greve (geral ou outra) só é festa para aqueles que a não vivem pelas razões certas ou que apenas nesse dia encontram sentido para o que (não) fazem o resto do ano e, nesse dia, aparecem a papaguear para as televisões a luta.

Porque estou no intervalo das dez.

E a greve não tem um hino próprio, está mal.

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