O que eu gostava de perceber é como se repovoam os espaços agrários sem centros de saúde, postos de polícia, escolas, estações dos correios, etc, etc, tudo medidas que o presidente fez por não desapoiar com Sócrates e agora com Passos.
A verdade do país real é que temos auto-estradas a atravessar quilómetros e quilómetros de deserto humano e desaproveitamento rural, graças a políticas iniciadas com o primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva.
Ainda me lembro de, em Dezembro de 1987, ir fazer um trabalho de campo no Alto Alentejo para uma pós-graduação em detecção remota de vestígios arqueológicos e ver ao vivo as crateras das oliveiras arrancadas em troco de uns contos de réis.
E como, aqui no litoral, por exemplo em Setúbal e Sesimbra (como no Algarve ou no norte, em Vila do Conde. Matosinhos, etc) se forçou o abate da frota pesqueira em vez de a modernizar. Tudo em troca de subsídios sem efeito reprodutico do ponto de vista económico. E em troca da aposta num turismo sazonal.
Eu sei que o actual presidente não é obrigado a admitir que foi o primeiro coveiro da situação que temos, de completa vulnerabilidade da estrutura produtiva primária (a que se relaciona, antes de mais, com a alimentação) mas podia ao menos explicar de que incentivos fala: encerramento das estruturas de apoio à vida quotidiana da população? Sem garantias de serviços de saúde, segurança e educação, acha que as pessoas vão repovoar o interior como?
… entre cortar 20% das banhas na barriga, das nádegas (embora em certos casos seja crime de lesa-estética) ou mesmo de um braço e cortar 20% do cérebro ou do coração.
Lá porque falta dinheiro não quer dizer que se corte a eito em tudo e que a igualdade, neste particular, seja uma virtude.
Via Parque Escolar, os espaços renovados das Escolas Secundárias estão ao dispor para as mais variadas actividades. A função educativa pode desenvolver-se nos intervalos dos eventos.
As reservas podem ser feitas tipo hotel e chamam-lhe abrir a escola à comunidade. Ou empreendedorismo.
Se repararem, as direcções das escolas não parecem ser tidas nem achadas, pois as novas escolas intervencionadas são propriedade da Parque Escolar.
Hoje li no JN que o STJ decidiu não analisar o caso da paciente violada no Porto (pelo psiquiatra a quem ela pagava a tratar de uma depressão) porque o STJ só analisaria no caso de o arguido João Vasconcellos Villas Boas, ter sido condenado, o que “muito miraculosamente” não aconteceu…
Também no mesmo JN li que enquanto a PJ caçou um violador/”negreiro”, que vendeu um jovem deficiente a uns ciganos andaluzes depois de o violar sistematicamente, a portuguesa justiça não deteve o monstro, porque é de um monstro que se trata (assim como o caso do psiquiatra que se aproveita de fragilidade da paciente grávida para a violar).
Num país civilizado estes dois criminosos seriam detidos por muitos e longos anos, e nalguns países, mais civilizados ainda, nunca mais voltariam a ver a luz do dia.
Em Portugal é o que se vê: enquanto a PJ actua eficazmente e a “justiça” liberta os criminosos. A portuguesa justiça – muito hábil em executar penhoras terroristas que deixam pessoas `beira do desespero, algumas dessas penhoras ilegais em Estados de direito “a sério” – é totalmente complacente com crimes que deveriam ser considerados terrorismo contra as pessoas. Decididamente que um problema maior de Portugal é a justiça, mas isso já foi dito pelo menos um milhão de vezes. Por isso eu já só acredito numa solução vinda de fora. E não só para a justiça…
Uma edição do Expresso com uma interessante faceta pró-greve geral. Carvalho da Silva nos altos da semana, logo a seguir a Mário Soares por causa daquele manifesto de que já nos estamos a esquecer.
Um editorial favorável.
Uma peça de Rosa Pedroso Lima muito confortável sobre a greve geral, acompanhada de depoimentos todos no mesmo sentido: o de que a ngreve marcou um evento muito importante e que o governo deve rever posições.
O Expresso ao serviço do povo, pois então!
Ou então com receio que os protestos se tornem inorgânicos e extravasem a capacidade de enquadramento que as centrais sindicais permitem, em especial a CGTP.